Patriota responde à acusação de Joaquim Barbosa sobre racismo no Itamaraty

Mariana Branco (Ag. Brasil)

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse hoje (30) que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, referia-se a uma “outra era” quando tentou ingressar no curso de formação de diplomatas. O presidente do STF disse ter sido vítima de preconceito e que o Itamaraty “é uma das [instituições] mais discriminatórias do país”.

Joaquim Barbosa deu as declarações ao jornal O Globo, publicadas no domingo (28). Na entrevista, ele disse que prestou concurso para diplomata, mas foi reprovado. “Passei nas provas escritas, fui eliminado em uma entrevista, algo que existia para eliminar indesejados. Sim, fui discriminado, mas me prestaram um favor. Todos os diplomatas gostariam de estar na posição que eu estou. Todos”, disse ao jornal.

“[Ele, o presidente do STF] refere-se sobretudo a uma outra era do Itamaraty, em que pode ter ocorrido discriminação. Hoje existe esforço para acabar com a prática discriminatória. Há um programa de bolsas para afrodescendentes. Tudo isso vai no sentido da democratização que nós queremos ver aqui no Itamaraty”, declarou o ministro Antonio Patriota.

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9 thoughts on “Patriota responde à acusação de Joaquim Barbosa sobre racismo no Itamaraty

  1. Nesse particular creio que a posição do Ministro do STF é a mais próxima da verdade. Os negros são discriminados sim senhor, principalmente nas Instituições elitistas como o serpentário diplomático. É lógico que vão negar enfaticamente, vão dizer que o processo é democrático e outras respostas demagógicas. Entretanto, eliminam aqueles que os punhos de renda não querem no corpo diplomático, exatamente na entrevista. Algo precisa mudar nos processos de seleção para ingresso na carreira. O Ministro Presidente da Corte Suprema está coberto de razão.

    E tem ainda a questão do assédio de certos diplomatas no exterior contra os funcionários, que o povo espera pela conclusão, mas pelo visto só quando o povo se manifestar nas ruas exigindo transparência para a coisa andar.

    Os poderosos precisam de uma dose de humildade pelo menos uma vez na vida, pois afinal, quem paga os salários e mordomias dessa gente é a sociedade através de impostos altíssimos para sustentar a máquina.

    Fiquei pensando nesse caso e lembrei do ocorrido na Bolívia, quando cães farejadores entraram no avião brasileiro a procura de alguém misterioso e ficou por isso mesmo. O nação não merece ser humilhada dessa maneira, sem nenhum protesto das nossas autoridades diplomáticas.

  2. Uai!
    Se “hoje existe esforço para acabar com a prática discriminatória” é, exatamente por existir, por não ter acabado! Ora! Se não existisse, não haveria necessidade de fazer esforço nenhum!
    Valha-me Deus! Palmas para o J.B.! Vamos ser patriotas, mas não precisamos fazer patriotadas, né?
    Ora bolas!

  3. Parece que Joaquim Barbosa tem razão.
    No passado, qual outro diplomata negro existiu além do Ademar Ferreira da Silva, NOMEADO SEM TER CURSADO O INSTITUTO RIO BRANCO, para ser diplomata EM UM PAÍS AFRICANO ?

  4. Via de regra, parte da opinião pública é volúvel e muda conforme a interpretação que lhe é incutida pelos órgãos de imprensa, especialmente, as redes de televisão. Isso aconteceu quando a imprensa no julgamento do Caso Mensalão converteu o Min. Joaquim Barbosa como estrela de 5ª grandeza e paladino da moral e dos bons costumes. O desprezo das garantias processuais no julgamento não teve nenhuma repercussão, exceto aos operadores jurídicos compromissados com os princípios constitucionais que foram negados.
    Servindo o Min. Joaquim Barbosa como instrumento da grande imprensa inimiga dos Governos petistas de Lula e Dilma, especialmente do Governo Lula, teve seu nome ventilado até como possível candidato a Presidência da República. Enquanto a imprensa inimiga dos governos petistas e de milhões de brasileiros que ascenderam socialmente e economicamente promoviam Barbosa, quem tinha críticas às condutas desastradas do Ministro no seu dia a dia calavam pelo medo do patrulhamento e da acusação de que as críticas resultassem do preconceito de cor.
    O Dr. Luís Flávio Gomes, respeitável jurista paulista, ainda no auge do mensalão chamou a atenção para o que o poderia acontecer com o Ministro Barbosa quando ele não se fizesse mais importante para a grande imprensa. Até um possível impeachment o jurista aventou como possibilidade futura.
    O Estado de São Paulo informou da eleição de um assessor do Ministro para presidir o fundo de pensão ligado ao Poder Judiciário e estampou, escandalosamente, o tratamento desrespeitoso do Ministro Joaquim Barbosa e hoje Joaquim Baboseiras Barbosa com um de seus repórteres e a falta de trato com diversas pessoas. O diálogo do Ministro em seu Gabinete no STF com dirigentes de entidades classistas que defendiam a criação de novos Tribunais Federais foi algo grotesco e reprovável. O presidente do Supremo, Joaquim Barbosa fez as declarações durante uma palestra para estudantes numa faculdade de Brasília criticando os Partidos Políticos que “são de mentirinhas”, razão da dominação do Congresso pelo Poder Executivo.
    Quando da recepção do Papa Francisco na JMJ, afrontosamente, juntos o Papa e a Presidente Dilma, o Min. Barbosa perante as câmeras de televisão cumprimentou o Papa e ignorou a presença da Presidente. Um grosso e mal educado. Já agora a mídia nacional denuncia que o Min. Presidente comprou um apartamento, de 73 m² que tem quarto, sala, cozinha e banheiro, pelo valor estimado no mercado entre R$ 546 mil e R$ 1 milhão, em Miami, por intermédio de uma empresa por ele constituída recentemente. A finalidade seria fraudar o fisco norte-americano.
    Representante da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no Conselho Nacional do Ministério Público, Almino Afonso cobrou ontem investigação sobre a compra do apartamento em Miami pelo presidente do Supremo Tribunal Federal. Segundo a Folha revelou, Barbosa criou a Assas JB Corp., no Estado da Flórida (EUA), para a aquisição do imóvel em 2012, o que lhe permite benefícios fiscais.
    Durante sessão do Conselho, Afonso disse que o fato de Barbosa ser proprietário da empresa está em desacordo com a LOMAN (Lei Orgânica da Magistratura). Pela norma, um magistrado não pode ser diretor ou sócio-gerente de uma empresa, apenas cotista. Almino Afonso também defendeu que o Ministério Público apure o fato de o ministro do STF ter fornecido o endereço do imóvel funcional onde mora como a sede da empresa. “Agora virou moda e até mesmo ministro da Suprema Corte compra apartamento no exterior usando uma empresa como se isso fosse comum, apesar da LOMAN não aceitar. Por certo isso será objeto de apuração do MP”, disse.
    Particularmente tenho muito receio das pessoas que se dizem mais honestas que outras e se apresentam como defensores da moral e dos bons costumes na melhor tradição da TFP. Demóstenes Torres era assim e deu no que deu. Não se pretende que tenha desvio de conduta para ser considerada como pessoa normal, entretanto, lembrar-se-á aqui do Poema em Linha Reta de Fernando Pessoa: “Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.”
    Joaquim Barbosa criou suas próprias Baboseiras e não se diga que é isso é preconceito pela cor. Ele não entendeu que depois do espetáculo do mensalão poderia ser copo descartável. Luís Flávio Gomes tinha razão e a compra do apto nos EUA pode ser a gota d água do impeachment.

    Paulo Afonso, 31 de julho de 2013.
    Fernando Montalvão. montalvao@montalvao.adv.br
    Montalvão Advogados Associados.

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