Paulo Bernardo já está confiante de que não será atingido pelos escândalos de corrupção no Ministério dos Transportes, embora o senador Requião o tenha acusado diretamente.

Carlos Newton

Depois de ser alvejado por uma denúncia expressa de corrupção ativa, feita pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), e de ameaças e insinuações do diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antonio Pagot, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, passou um tempo recolhido.

Mas agora está de volta. Confiante de que não será atingido pelos escândalos no Ministério dos Transportes, Bernardo deu ontem uma entrevista “chapa-branca” ao programa “Bom Dia, Ministro”, da EBC Serviços e da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, e depois até se animou em falar aos jornalistas.

“As pessoas estão vendo que a presidenta está tomando providências para que as coisas funcionem direito”, acrescentou o ministro, ao comentar com jornalistas o afastamento de servidores do Ministério dos Transportes e de órgãos ligados à pasta, como o Dnit e a estatal Valec, que cuida de obras ferroviárias.

“A partir do momento em que houve denúncias, é obrigação do governo apurar, ver o que está acontecendo”, disse Paulo Bernardo, lembrando que o Tribunal de Contas da União (TCU) tem apontado seguidamente, problemas, e o governo “tem que se virar” para resolver. “É assim que vai continuar sendo feito”, afirmou.

Para ele, porém, é “quase impossível” não haver irregularidades. “O Dnit tem orçamento [anual] que deve ficar este ano na faixa de R$ 13 bilhões. Supor que não haverá nenhum problema é [supor] uma coisa quase impossível. Sempre tem problema”, afirmou.

A blindagem de Paulo Bernardo é o ponto mais importante desse episódio. Como ele é casado com a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, se o escândalo atingir o ministro das Comunicações, o estrago será gigantesco, porque o casal terá de ser demitido em conjunto.

O episódio parece superado, mas não terminou. Como se sabe, o diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, não aceitou a demissão e entrou de férias. As informações são de que o Planalto vai demiti-lo. Será? Como no filme “O homem que sabia demais”, de Alfred Hitchcock, Pagot é o personagem principal desse enredo verdadeiramente cinematográfico, cujo final ainda nem foi escrito.

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