Paulo Guedes anuncia como “novos” os 750 bilhões já consignados no orçamento

Bolsonaro critica Paulo Guedes por proposta de 'imposto sobre ...

Do jeito que Guedes fala, até parece que é “dinheiro novo”

Pedro do Coutto

Em entrevista à imprensa na tarde de ontem, presentes também os ministros Henrique Mandetta e Sérgio Moro, o ministro Paulo Guedes anunciou uma dotação de 750 bilhões de reais para a saúde no sentido de reforçar o combate ao corona vírus. Para a maioria das pessoas, a dotação poderia ser interpretada como nova e adicional.

No entanto, exceto algumas rubricas, como o caso do benefício de 600 reais à famílias e pessoas pobres, tais recursos já se encontram previstos no orçamento federal de 2020.

DÉFICIT PREVISTO – Não poderia ser de outra forma, porque o governo Bolsonaro não poderia injetar esse montante como “dinheiro novo”, porque o déficit previsto na lei de meios é de 220 bilhões.

Portanto, o titular da Economia não poderia tirar coelhos da cartola, como acontece no campo da mágica. Isso seria uma colisão com a lógica dos fatos e dos números. O orçamento federal já em vigor eleva-se ao montante de 3,6 trilhões de reais. Ou seja, somente se poderia falar em tal importância se fossem criadas novas rubricas orçamentárias. Mas não é esse o caso.

ESTRATÉGIA ERRADA – A entrevista de ontem voltou a ser realizada no Palácio do Planalto reunindo mais uma vez ontem o General Braga Netto, chefe da Casa Civil, e os ministros Paulo Guedes, Sérgio Moro e Henrique Mandetta. Assim ocorreu na segunda-feira, aconteceu ontem e vai continuar sendo assim ao longo do tempo. O Ministro Mandetta será uma presença permanente. Permanente também o general Braga Netto.

O lance de dados do Palácio do Planalto em transferir do Edifício da Saúde para suas dependências teve o sentido político de causar alguma inibição a Mandetta, na teoria. Mas na prática não funcionou, porque O Globo e a Folha de São Paulo, edições de ontem, colocaram em suas manchetes a união de pensamento entre Guedes, o próprio Mandetta e Sérgio Moro a favor do isolamento colocado em prática de acordo com o projeto do titular da saúde.

GOVERNO INSISTE – Ficou ruim para o governo a tentativa de desfocar as lentes da população sobre um problema realmente enorme provocado pelo coronavírus. Ontem também, antes da entrevista, o presidente Jair Bolsonaro voltou a repetir seu posicionamento contrário à tese de Mandetta.

Mas o assunto demissão do ministro. que havia sido ventilado na segunda-feira, não foi objeto de novo aviso nesta terça-feira. Inclusive verificou-se na trade de ontem uma situação política curiosa. Dos quatro ministros que participaram da reunião, três pelo menos se tornaram praticamente indemissíveis pela lógica dos fatos: Mandetta, Moro e Guedes.

Se a situação do vírus permanecer a mesma nas próximas semanas Bolsonaro não poderá recorrer à mágica contra a lógica. E sozinho, o presidente da República ingressa na faixa de risco político. 

10 thoughts on “Paulo Guedes anuncia como “novos” os 750 bilhões já consignados no orçamento

  1. Estar no orçamento, é uma possibilidade.
    Destravar, apesar da pocilga, câmara e senado, com dois crápulas trabalhando contra, é outra.
    E mais, ou dois bandidos, querendo prorrogação dos mandatos.
    Têm medo em sair às ruas.
    O ministro da economia, com uma equipe excepcional, é o gestor do caixa do governo.
    É o que diz a maioria dos empresários.
    É assim em uma economia de guerra, desde a segunda guerra mundial.

  2. E mais.
    Estes dois crápulas, repito porque o são, não pensam em mandar um percentual mínimo dos espúrios benefícios, benesses, vitalícios alguns, para a saúde.
    Nem sequer o famigerado fundo eleitoral.
    São uns desmoralizados.
    Só fechando aquelas pocilgas. E o stf, também.

  3. Pedro desculpe-me discordar, mas grande parte é dinheiro novo. Não é momento de fazer a crítica pela crítica. Pode ser até que vc esteja cumprindo ordens da agenda golpista de seus chefes, mas não se passe por isso. Em vez de criticar porque não investigar como o dinheiro vai chegar na ponta? Sei que é a pauta golpista que prevalecerá, mas coloque a mão na consciência.
    PG reforçou medidas para injeção de recursos na economia já anunciadas:
    * R$ 200 bi compulsório;
    * R$ 150 bi Caixa e BNDES;
    * R$ 150 bi diferimentos de impostos e antecipação de benefícios;
    * R$ 50 bi de auxílio a informais
    * R$ 40 bi credito folha de pagamento
    * R$ 88 bi a estados e municípios
    Total: entre R$ 500 bi até R$ 750 bilhões

    • Os esquerdinhas só palpitam contra o governo e contra os cidadãos do bem.
      Esquecem que seu chefe, o mega ladrão lularápio, doou dinheiro do Povo, mais de trilhão reais, para ditadores, incluindo o narcotraficante maduro, que nunca irão pagar.

  4. Senhor Antônio, data vênia, discordar do mestre Pedro do Couto é uma heresia, ainda por cima confundindo sua análise imparcial, isenta e lúcida com Golpe. Sinceramente, não consigo entender.
    Nos processos do impeachement de Collor e de Dilma, talvez, o senhor tenha ficado a favor da campanha do Congresso e da Globo todos os dias, para derrubar a presidente, até conseguirem. E você na época, nunca criticou o STF, quando diariamente os julgamentos eram televisionados pela Globo, que hoje critica.
    Lembra, Sr. Antônio, no Congresso, os parlamentares diziam. Voto pelo sim, pelo meu amor. Voto sim pela minha namorada. Voto sim pela minha mãe. Voto sim por qualquer coisa.
    Por favor, menos partidarismo, menos Fla-Flu e mais racionalidade.
    Pedro está certíssimo, o dinheiro é o do Orçamento de 2020. Se fosse dinheiro novo, teria que emitir moeda, o que provocaria violenta recessão. Hoje, em processo de privatização, a Casa da Moeda não teria condições de emitir papel moeda.
    O que você poderia falar para ajudar, é porque razão, o dinheiro propalado, ainda não chegou as pessoas, como autônomos, pescadores, informais, àqueles cidadãos, que não estão trabalhando. Mais celeridade nessas ações, minimizaria a crise. Isso é que não podemos deixar acontecer, pois a fome gera o caos.
    Vamos ajudar o governo com críticas que ajudam e não ficar com esse ti, ti , ti, que só acirram os animos.
    Em época de crise, como essa do corona, deixemos a política de lado e passemos a lutar contra o vírus.
    Caso não entendamos essa fase da vida, uma tragédia, para colher as experiências e melhorarmos como ser humano, então, não teremos nova oportunidade, até que novo vírus, mais poderoso, arrase a humanidade.

  5. Discordar do mestre Pedro Couto é uma heresia. Parei aqui. Se tentasse interpretar o que eu escrevi, observaria que eu apenas pauto a crítica construtiva, o que significa se é dinheiro novo ou não, se o importante é que o dinheiro chegue a quem precise. Continue a cultuar a opinião única. Boa sorte!

  6. Outra coisa emitir moeda provocaria recessão? O QE americano e europeu evitou o colapso do sistema. A emissão do dinheiro novo pode provocar lá na frente uma inflação, não uma recessão. E o impedimento da sua candidata Dilma Mandioca foi para que o país não virasse uma Venezuela devido a pauta destrutiva implantada pelo governo petista. Boa sorte!

  7. Mestre Pedro do Couto.

    Quantas saudades da sua participação no programa de Rádio comandado pelo saudoso comunicador Haroldo de Andrade. Você e o saudoso neurologista Barcelar eram fantásticos em seus debates, que esclareciam os ouvintes, sobre variados assuntos de interesse público.
    Infelizmente, como tudo na vida, acabou. E não teve sucessores.
    Pedro, um tema para discussão, que sua experiência poderia suscitar um artigo, trata-se do avanço do coronavírus nas grandes cidades verticais (prédios), imensamente populosas e sem natureza em volta, tais como Nova Iorque, Milão, Madri e São Paulo, por exemplo.
    No interior das cidades e no campo, a contaminação está sendo mínima.

    • Sr. Roberto.
      “Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, para que não suceda de que eles as pisem com os pés e que, voltando-se contra vós, vos dilacerem.” — Bíblia, Novo Testamento, Livro de Mateus, Capítulo 7, versículo 6.

  8. Pedro do Coutto destacou a questão essencial como ninguém. O ministro Paulo Guedes se refere aos 750 bilhões como sendo uma injeção de recursos para ajudar todos os setores. Infelizmente não é bem isso.

    Os R$ 200 bilhões em recursos do depósito compulsório, liberados pelo Banco Central, são apenas recursos dos próprios correntistas repassados em condições ainda mais leoninas – como comprovou a capa do jornal Valor de 31.03 – num momento muito mais difícil para as empresas.

    Outros R$ 150 bilhões que viriam do BNDES e da Caixa Econômica Federal, tal como a linha de crédito do Banco Central anunciada com valor total de R$ 40 bilhões – para financiar a folha de pagamento das pequenas e médias companhias – não sabemos nem mesmo em que condições esses recursos serão oferecidos.

    A antecipação do 13º salário dos aposentados e pensionistas do INSS e diferimento do pagamento do Simples por micro e pequenos empresários, que representa mais R$ 150 bilhões, são apenas adiantamentos – tal como a liberação de R$ 88 bilhões em recursos para os governadores – que, de fato, ajudam agora, mas faltarão mais à frente.

    O auxílio de emergência aos trabalhadores informais que liberariam R$ 50 bilhões ainda precisará ter regra clara, informação acessível e extrema urgência na execução.

    O governo ainda pagaria mais R$ 50 bilhões na complementação da folha de pagamento das empresas, mas nada há de concreto.

    Por outro lado, itens como a redução dos R$ 330 bilhões em incentivos fiscais, o fim das operações compromissadas, tributação de lucros e dividendos, tributação de grandes fortunas, tributação progressiva sobre herança, tributação das propriedades improdutivas, medidas contra a evasão fiscal (o Brasil é o 4º país com mais dinheiro em paraísos fiscais), medidas de auxílio a renegociação do endividamento das famílias e das empresas, todos esses – que poderiam ter impacto decisivo no futuro do país – não estão nem mesmo na esfera de reflexão do governo, para nosso lamento e descontentamento.

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