Paulo Guedes quer dobrar Bolsonaro e emplacar imposto nos moldes da CPMF

Empresários criticam possível recriação da CPMF - Amambai NotíciasAlessandra Azevedo e Luiz Calcagno
Correio Braziliense

O governo começa a afinar o discurso em defesa de um novo imposto sobre transações financeiras digitais, nos moldes da antiga Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF). O apoio à medida cresce aos poucos no Planalto, com a insistência do ministro da Economia, Paulo Guedes, que não pretende abrir mão do projeto.

Idealizador da proposta, ele acredita que conseguirá convencer o presidente Jair Bolsonaro com o argumento de que a arrecadação extra pode ser usada para criar ou ampliar benefícios sociais.

QUESTÃO DE TEMPO – O apoio explícito do chefe do Executivo, para Guedes, é questão de tempo. O vice-presidente Hamilton Mourão, por exemplo, já defende abertamente a proposta. Sexta-feira, em entrevista à Rádio Gaúcha, afirmou que “temos que tributar isso aí”, em referência às movimentações financeiras feitas pela internet. Mas, no caso de Bolsonaro, a situação é mais complicada. É preciso um bom motivo para justificar a criação do imposto que ele mesmo rejeitava.

Por isso, parlamentares duvidam do apoio do chefe do Executivo à medida. Deputados e senadores apontam a possível incoerência de Bolsonaro, caso embarque na ideia, após ter demitido Marcos Cintra, ex-secretário da Receita Federal, por defender uma nova CPMF. “Não acredito que o presidente vá comprar (a ideia). Acho que é mais uma tentativa, que é legítima, de colocar o tema em debate”, ponderou o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB).

MEMÓRIA RUIM – A proposta do governo, mesmo com contrapartidas sociais, é “natimorta”, considerou Efraim Filho. “Já nasce derrotada pela memória ruim que a sociedade tem do imposto, tanto o setor produtivo quanto a população”, explicou. Por enquanto, no Congresso, o poder de convencimento da equipe econômica não vai para além do Centrão, grupo aliado do governo. “Não queremos novos impostos e, muito menos, a ressurreição da CPMF”, reforçou o deputado.

Apenas lideranças de partidos como PP, PL e PSD defendem o imposto, e geralmente com alguma ressalva, como a inclusão da desoneração da folha por mais tempo do que pretende o governo. Para tentar ampliar a base de apoio, Guedes chegou a dizer que vai inserir cobranças sobre dividendos na proposta de reforma tributária, o que poderia agradar parte da esquerda. Mas logo explicou que, em troca, acabaria com o Imposto de Renda para pessoas jurídicas.

A perda de arrecadação de um lado seria compensada pela cobrança, de outro. Guedes usa mesma lógica para várias situações, mas, atualmente, aponta a CPMF como fonte de financiamento de praticamente todas as ideias levantadas.

MIL PROMESSAS… – O novo imposto, segundo o ministro, pode ajudar na ampliação da desoneração da folha de salários de empresas, na criação de um fundo de Previdência para trabalhadores informais e no aumento e benefícios do Bolsa Família.

Mesmo que a CPMF não seja capaz de cobrir todas as mudanças, as compensações devem entrar no debate da reforma. Para o líder do PP no Senado, Esperidião Amin (SC), é importante sugerir contrapartidas para garantir que não haverá aumento de carga tributária. “A discussão sobre diminuir encargos sobre a folha de salários deve ser ampla, com equivalência financeira. Temos de levar em conta todas as opções de contrapartida”, disse. O senador cita como exemplo as propostas de taxar dividendos e de rever isenções no Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF).

JOGO DE EQUILÍBRIO – O líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), concorda com a necessidade de se manter o nível de impostos. Como não há proposta de reforma oficial sobre a mesa, a discussão está em aberto, no governo e no Congresso, lembrou o parlamentar.

“No jogo de equilíbrio, o brasileiro não sustenta aumento de carga tributária. Toda ideia é válida, desde que seja consequência de manutenção do volume atual de impostos. A mesma regra se aplica à tributação de dividendos”, frisou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
  Guedes promete mundos e fundos, mas sua política econômica é como o samba de uma nota só. Antes era a privatização da Previdência, agora é a desoneração da folha salarial das empresas, que Dilma já fez e não deu certo. Uma chatice. (C.N.)

9 thoughts on “Paulo Guedes quer dobrar Bolsonaro e emplacar imposto nos moldes da CPMF

  1. POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, ESSE GOVERNO TEM ALGUÉM PIOR QUE O BOÇALNATO: CHAMA-SE GUEDES. DESONERAR PESSÔA JURÍDICA E REIMPLANTAR A CPMF É CRIME PASSÍVEL DE PRISÃO PERPÉTUA OU FUZILAMENTO !!! ESSE “ECONOMISTA” É UM IMBECIL.

  2. Bom dia , leitores (as):

    Senhor (a) Alessandra Azevedo , Luiz Calcagno
    ( Correio Braziliense ) , Carlos Newton e Marcelo Copelli , acontece que a ” TARA ” do Ministro da Economia Paulo Guedes , é meter a mão nos cofres dos fundos de ” PENSÃO e PREVIDÊNCIA ” , independentes e acabar com eles , forçando os contribuinte a recorrerem ao criminoso sistema de previdência dos bancos privados Brasileiros e estrangeiros que atuam no Brasil .

  3. O Governo BOLSONARO/MOURÃO aprovou Orçamento Federal 2020 no Valor de R$ 3.600 Bi, com estimativa de Receitas de R$ 1.500 Bi, Deficit Primário que não leva em conta o alto custo de Carregamento da Dívida Pública, de – R$ 124 Bi.
    Os faltantes – R$ 2.100 Bi são arrecadados no Giro da Dívida Pública ( Open Market ), vendendo-se Títulos Novos para pagar Títulos Velhos vincendos. Nossa Dívida Pública já está em +- 90% do PIB.

    Com a Pandemia Covid-19 e sua Recessão Econômica estimada em -7% do PIB, a Despesa Pública extra-Orçamento 2020 aumentará em +- R$ 700 Bi, indo o Deficit Primário para +- R$ 824 Bi,

    Nessa enxurrada de tinta vermelha (Deficits) além de pagarmos um Imposto de Renda Indireto via baixíssimos Juros Básicos SELIC e de Poupança, dificilmente escaparemos de uma nova CPMF com outro Nome.

    O Governo diz que não aumentará a Carga Tributária já em altíssimos 35% do PIB, mas com os Números acima, é difícil acreditar.

    O Ministro da Fazenda PAULO GUEDES necessita ativar o crescimento Econômico/EMPREGO via redução do Custo do TRABALHO das Empresas, mas tem que tirar a diferença de outro lugar.

    As opções não são muitas, daí a pressão por uma nova CPMF com outro Nome, Tributos sobre Dividendos, e mais alguns penduricalhos.

    Vamos ver como o Congresso digere isso aí tudo.

  4. Prezado Sr. Flávio José Bortolotto … esta questão da CPMF atinge diretamente os princípios do MDB:

    em 88 … a Cidadã promulgou vencimento máximo a ser pago … promulgou que dívida tem que ser paga … promulgou juros máximos de 12% anuais.

    Só pegou o pagar dívida … certamente para não afugentar os investidores, não?

    Os gastos federais foram aumentando … e foram sendo criadas Contribuições … que não são partilhadas com Estados, DF e Municípios – bases do MDB.

    Lula teve tudo aprovado no Congresso … e seus vetos nunca foram avaliados … somente a CPMF não passou no Senado.

    Não creio que o MDB aprovará se não houver alguma disposição do governo de voltar a 88 … visto que a principal base do MDB continua sendo os Municípios.

    Entendo que se a proposta for de Imposto … mesmo assim é difícil,

    Sds.

    PS – os juros baixos não seriam para os do agronegócio ampliarem os investimentos?

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