PDT tem o dever de honrar a memória de Vargas, Pasqualini e Brizola

Brizola discursa ao lado de Alberto Pasqualini e João Goulart

Armando Temperani Pereira

Sempre fui um trabalhista. Na realidade, quando surgi na consciência da minha existência, vislumbrei aos 8 anos a figura de meu pai e de Alberto Pasqualini, o ideólogo do trabalhismo, grande figura intelectual e senador brilhante e mais respeitado do Brasil daquela época de políticas sérias e nacionalistas. Pasqualini passou tempos trabalhando conjuntamente com meu pai Temperani Pereira, que foi um dos fundadores da Faculdade de Economia do Rio Grande do Sul.

Fazia-se urgente aprimorar o doutrina trabalhista que naqueles tempos se confundia um tanto com o fascismo europeu criado por Benito Mussulini. A pedido, ou melhor pela determinação de Getúlio Vargas, buscavam os dois distinguir o trabalhismo como uma ideologia socialista sem a marca fascista ou leninista. Buscaram o socialismo cristão para justificar as programáticas linhas trabalhistas.

DIRETRIZES – Tiveram absoluto sucesso ao disciplinar a importância da propriedade privada, ao exigir a reforma agrária e ao regular o uso do capital estrangeiro, que fizeram a profunda distinção entre o moderno trabalhismo brasileiro e o velho e revestido sistema fascista europeu.

O corporativista e sindicalista regime fascista também se distinguia do verdadeiro socialismo marxista, o chamado socialismo científico que Luiz Carlos Prestes propugnava.

A reforma agrária e os capitais indesejados que exploravam o País predatoriamente seriam resolvidos por desapropriação ou encampação dos latifúndios improdutivos e das empresas concessionárias de serviços públicos. E poderia haver estatização, nos casos das empresas estrangeiras indesejáveis.

CONTRA O LATIDÚNDIO – É bom lembrar que naquela época não havia a doutrina trabalhista a possibilidade de latifúndio produtivo. Entendiam que a propriedade privada deveria levar em conta o interesse social, e a concentração de renda na mão de um proprietário que ocupa uma enorme extensão com poucos empregados e muita maquinaria contrariava tudo isso.

Para eles, o latifúndio não gerava empregos diretos, que é o maior objetivo do trabalhismo. Por isso, defendia a reforma agrária para criação de propriedades de média extensão.

A FAVOR DO PETRÓLEO – Outro ponto seria a manutenção das reservas de petróleo. Os trabalhistas defendiam preservar nossas riqueza, nossa jazidas de ouro negro, ainda não bem avaliadas mas que já estavam na mira dos exploradores internacionais. Os partidos que apoiavam Getúlio então fizeram uma grande campanha, com o slogan “O Petróleo é nosso”, em âmbito nacional. A campanha saiu vitoriosa em 1953, com a lei do monopólio da exploração mineral do petróleo. Ma, infelizmente, o monopólio era só para a extração.

Em fevereiro de 1959, o deputado Temperani Pereira aprovou seu projeto de lei do beneficiamento e distribuição dos derivados do Petróleo. E assim formou-se a gigantesca e bem sucedida empresa estatal Petrobras.

PETROBRAS ARRASADA – A empresa foi dizimada pelo governo petista, que deveria, ao contrário, ter sanado os desvios encontrados, vindos de gestões anteriores. Está comprovada a ação petista que visou quebrar a estatal com ganância desenfreada e irresponsabilidade crescente. Os administradores eram incompetentes e corrptos. Muitos já estão presos e muitos ainda o serão.

Como pôde o partido de Leonel Brizola apoiar a corrupção na Petrobras? Como pôde um trabalhista proporcionar o apadrinhamento e a filosofia corporativista do fascismo com associação real com o capital e unidos com empreiteiras para saquear a nação, como fez o bedel do imperialismo o PT?

Como pode ser o PDT o coadjuvante e não o protagonista da esquerda. Por que abdicar do nosso protagonismo de lutas, de história limpa e honradez?

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