Pedido de Moro para Toffoli revogar decisão sobre Coaf enraiveceu Bolsonaro

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Bolsonaro não quer que o filho e Queiroz voltem a ser investigados

Jailton Carvalho
O Globo

O abalo da relação entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro — que atingiu seu ápice nesta semana com as declarações do presidente de que é ele, e não o ministro, quem manda na Polícia Federal — começou a crescer há quase um mês. Mais precisamente na tarde de 28 de julho, quando Moro foi ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, pedir que ele fizesse uma revisão da decisão em que restringiu o compartilhamento de relatórios do antigo Coaf, hoje Unidade de Inteligência Financeira (UIF), com os ministérios públicos e a Polícia Federal. O movimento do ministro irritou o presidente Jair Bolsonaro.

Desde que soube do pedido de Moro a Toffoli e a outros ministros do STF, Bolsonaro decidiu inviabilizar a presença do ministro no governo. Os dois já vinham tendo alguns desentendimentos desde o início do ano. O pedido foi a gota d’água. A petição para suspender investigações iniciadas com base em relatórios detalhados do ex-Coaf fora feita pelo advogado Frederik Wassef em nome do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente.

REUNIÃO – Tão logo foi informado do interesse de Moro em reduzir o impacto da decisão de Toffoli, Bolsonaro chamou o ministro para uma reunião no Palácio do Alvorada. No encontro, foi direto ao assunto, com uma breve introdução. Primeiro, o presidente disse que nunca pediu qualquer favor ao ministro. Disse também que Moro nunca ofereceu qualquer ajuda a ele. Mas, naquele momento, precisava deixar as coisas claras.

— Se o senhor não pode ajudar, por favor, não atrapalhe! — disse Bolsonaro, segundo relatou ao GLOBO uma fonte com bom trânsito entre familiares e amigos do presidente.

A partir dali, a conversa teria subido de tom e, ao final, o ministro deixou o Alvorada com o semblante carregado. Dias depois, Bolsonaro foi informado de que Moro, mesmo após o tenso diálogo, continuava fazendo gestões em favor da revisão da decisão de Toffoli. No mesmo instante, o presidente resolveu que ampliaria a beligerância contra o ministro da Justiça.

Desidratar moro – Na sexta-feira, O Globo informou que o movimento de Bolsonaro teria como objetivo “desidratar” Moro, tendo em vista o alto custo político da demissão do ministro mais popular do governo. Um interlocutor próximo ao presidente disse, numa recente conversa entre amigos, que a fase do enfraquecimento do ministro já passou. A estratégia agora seria fechar todos os espaços de Moro no governo.

Não por caso, desde a quinta-feira da semana passada, Bolsonaro deu nada menos que quatro entrevistas para falar da substituição do superintendente da Polícia Federal (PF) no Rio, Ricardo Saadi. As declarações causaram surpresa e alimentaram rumores sobre a crise no relacionamento entre o presidente e o ministro.

ELEVOU O TOM – Na última quinta-feira, o presidente elevou o tom, ao dizer que poderia demitir mesmo o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, uma escolha de Moro. Perguntado se não seria uma interferência, dispensou meias palavras, afirmando que é ele quem manda na PF.

A declaração foi interpretada por aliados e críticos do ministro como mais um recado para forçar Moro a pedir demissão. Se não pode mandar na PF, o ministro da Justiça não teria muito o que fazer no governo. O raciocínio era repetido por políticos e policiais, que esperavam uma reação de Moro. O Globo tentou, sem sucesso, falar com o ministro sobre os desentendimentos com Bolsonaro.

Em Salvador, delegados da PF divulgaram ontem carta na qual afirmam que a instituição não deve ficar sujeita a “declarações polêmicas” do presidente. Assinada pela Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), o documento marcou o encerramento de evento sobre combate à corrupção organizado em Salvador pela entidade.

DIZ A NOTA – “A Polícia Federal não deve ficar sujeita a declarações polêmicas em meio a demonstrações de força que possam suscitar instabilidades em um órgão de imensa relevância, cujos integrantes são técnicos, sérios e responsáveis. Em outros governos, por diversas ocasiões, a instituição sofreu pressões e tentativas de intervenção. Diante do que parece ser mais uma delas, é necessário e urgente que a Polícia Federal conquiste garantias constitucionais e legais para se tornar, de fato e de direito, uma polícia de Estado e não de governo”, diz a nota.

Ainda na sexta-feira, em entrevista ao jornal “Gazeta do Povo”, o coordenador da Lava-Jato, procurador Deltan Dallagnol, fez pela primeira vez críticas diretas ao presidente Jair Bolsonaro por declarações e atos recentes que sugerem interferência em órgãos de investigação. Ele disse que Bolsonaro se afasta da luta contra a corrupção.

“O presidente Jair Bolsonaro, ao longo da campanha eleitoral, se apropriou de uma pauta anticorrupção. Agora, o que vemos é que ele vem se distanciando desta pauta de corrupção quando coloca em segundo plano o projeto anticrime do juiz federal Sergio Moro. Ele coloca em segundo plano essa pauta quando faz mudanças no Coaf e desprestigia o auditor da Receita que trabalhou na Lava-Jato”, disse Dallagnol. (Colaborou Aguirre Talento)

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro está se perdendo em si mesmo. Pensa (?) que pode emparedar Moro e evitar que o filho seja investigado. É um engano, as investigações vão prosseguir, podem apostar. (C.N.)

23 thoughts on “Pedido de Moro para Toffoli revogar decisão sobre Coaf enraiveceu Bolsonaro

  1. Macacos me mordam, deixaram o Bendl no comando da censura deste blog?
    O senil me atacou e não tem jeito de deixar uma treplica colocando-o onde merece…

    Meus pêsames, frajola.
    Passou do senso do ridículo ler suas incongruências

    Recalcadasso, vampiro da saúde dos outros…

    • Tu estás uma figura caricata, AndreBR.

      Quem tiver paciência e boa vontade e ler o que escrevo e os teus textos, certamente vai decidir que o senil não sou eu, mas quem me acusa e inexplicavelmente.

      A ponto que perguntas se me deixaram como censor do blog, comprovação absoluta da tua … insanidade.

      Agora, tu me colocares onde mereço, missão impossível, AndreBR, em face da tua baixa estatura moral.

        • Tudoéculpa …

          Grato pela solidariedade, meu caro.

          Mas, há limites que devem ser respeitados, sob pena de virar baderna.

          No que diz respeito à minha pessoa, quando eu pressentir que estou sendo ofendido, pulo no gogó do ofensor, ainda mais que não partiu de mim a provocação ou agressão.

          E, amigo, tenho me controlado, a ponto que não tens visto mais eu discutir com colegas mediante troca de insultos.

          Um forte abraço.
          Saúde.
          Excelente domingo.

    • AndreBR, desculpa eu entrar neste entrevero.

      Mas,Bendl,não merece esses “adjetivos”que colocaste..
      outra,o Bendl,sempre foi condudente,mas,sempre respeitoso..

      Outra,Eu votei em CIRO GOMES,o Bendl no Bozó..

      Eu,Bendl,continuamos amigos,as vezes tbem faço crítica ele.

      Vamos,levar tudo em harmonia…
      Que importa, é as ideias…

      Olha,que primor texto sobre Getúlio Vargas…

      Só Bendl,poderia escrever,como escreveu..

      • Souza, meu conterrâneo,

        Grato pela tua consideração e solidariedade.

        Precisamos, às vezes, fazer uma que outra distinção, em face das circunstâncias.
        No caso, ofensas, agressões, devem ser eliminadas e/ou extintas por nós mesmos ou tais insultos prevalecerão sobre os argumentos, alegações, ideias, pensamentos, interpretações e conclusões.

        Um forte abraço.
        Saúde.
        Excelente domingo.

  2. Parece que o presidente não tem nem controle de suas emoções nem da sua língua. Recentemente usou cocô como argumento e agora cospe no prato que comeu: sim o Moro o ajudou a chegar onde chegou – o Moro e a facada. Se o Alckmin se associasse ao Moro ele teria mais chance de ser eleito.
    É extremamente lamentável que tenhamos um presidente sem classe e sem controle para tratar com seus ministros, especialmente o Moro, herói nacional.
    Um dia é um cocô, num outro chama o presidente de uma nação como a França de idiota, noutro desfaz da Merkel. Onde ele quer chegar, o que ele quer provar com essa deselegância.
    Presidente é eleito para representar o povo, e uma meneira de expressar essa representação é ter respeito por ele.
    Para me despedir com uma linguagem presidencial: basta de tantas cagadas!

  3. Assim como aconteceu na Italia, onde Berlusconi foi o incio do fim da operação Mãos Limpas, aqui Jair trabalha dia sim e outro também, para ser o o coveiro da lava-jato.

    Operação Mãos Limpas que inspirou Lava Jato foi um fracasso e criou corruptos mais sofisticados
    https://bbc.in/2TZtBeJ

    • E olha que Collor além de inteligente é muito preparado. Queiroz levará Bozo p o buraco! Quero ver daqui a 3 anos o filho 03 voltando a PF (datilógrafo de luxo) e tendo que conviver cos os colegas que o pai perseguiu. Pior; COMO SUBORDINADO!

  4. Como já publiquei,com absoluta primazia,nesta segunda feira,houve um tremendo bate boca, forró bodó,chinelage..

    Um amigo meu, pessoa humilde e exerce função humilde,e, que presta serviço ao planalto,me contou que se passou.

    Só, não publiquei por resguardo do meu amigo,e ele não soube explicar direito o entrevero,(enredo)..

    Tá, confirmado,Moro já era…

    Por,paradoxal que seja, Bolsonaro e Lula,tem os mesmos interesses.

  5. Senhoras e Senhores que tanto abrilhantam os comentários de nossa Tribuna da Internet, a verdade verdadeira é que só existe um “super ministro”_ um “ministro imexível”. E ele atende pelo “nick name” de Tchutchuca.
    Todos os demais são apenas relações de ocasião e circunstâncias.
    O Bolzonaro, que não tem nada de ingênuo, sempre soube que o Sr. Sergio Moro não passa de uma “Arma Secreta” do PSDB para voltar ao Poder em 2022.
    E este é o pano de fundo onde se disputa as questões circunstanciais.

    O resto são maldades e ilusões, como alertava a mãe do Caymmi a ele, segundo relato do próprio

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