Pedro Novais é um ministro que não sabe nada, não explica nada. É um personagem de ficção, em plena vida real.

Carlos Newton

Conforme era de se esperar, foi patético o depoimento do ainda ministro do Turismo, Pedro Novais, em reunião conjunta de três comissões da Câmara (Turismo e Desportos, Defesa do Consumidor e Comissão de Fiscalização e Controle), para falar sobre as denúncias de corrupção em sua pasta e que culminaram na Operação Voucher, da Polícia Federal, na qual foram presos o secretário-executivo do ministério, Frederico da Silva Costa e outras 35 pessoas.

Logo de cara, respondendo às perguntas dos parlamentares, Novais confessou que a nomeação do principal fraudador, Frederico Costa para ser secretário-executivo do ministério foi decisão exclusivamente sua. O pior foi a tentativa de justificar a escolha: “Ele é muito conhecido no Congresso. Entrou no Turismo na gestão do ministro Mares Guia e atendeu a uma quantidade imensa de parlamentares desde 2003. Ele é um dos funcionários mais conceituados do ministério. Eu o promovi a secretário-executivo. A escolha coube a mim. Ninguém entende mais de relacionamento com o Ministério do Planejamento do que ele. Eu precisava dele naquela função”, revelou.

Não é brincadeira, não. O secretário-executivo Frederico Costa é preso como principal líder do gigantesco esquema de corrupção montado no ministério, e Novais ainda o elogia em pleno Congresso, dizendo que “ninguém entende mais de relacionamento com o Ministério do Planejamento do que ele”. Não é realmente patético? O ministro não tem a menor noção de nada. Talvez fosse conveniente que ele pedisse emprestado o Código de Conduta Ética do governador Sergio Cabral, aquele que não sabia o que é certo ou errado na administração pública.

O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) então perguntou por que Frederico Costa foi nomeado pelo ministro, se em janeiro a revista “Época” já tinha denunciado irregularidades cometidas por ele. Pedro Novais, é claro, não tinha como respondere saiu pela tangente.

Já sobre a delegação de funções (Novais praticamente entregou a gestão do ministério a Frederico Costa), o ministro deu uma resposta simplória: “Se fosse, sozinho, despachar todos os papéis, não faria mais nada. Então, por isso, a necessidade da delegação. Como Frederico Costa da Silva era uma pessoa da minha confiança, primeiro mantive a delegação que já vinha da administração anterior. Em seguida, para que todos os papéis viessem a mim para ter conhecimento de tudo que enfrentaria no ministério, retirei a delegação e, se fosse o caso, na sequência, delegaria a função novamente, e foi assim que o fiz”,  justificou-se, todo atrapalhado.

Um dos deputados questionou ainda por que, apesar de ficar preso durante uma semana, Frederico Costa não foi demitido. Mais uma vez o ministro não tinha o que dizer e afirmou apenas que sete funcionários foram afastados e que, agora, a pasta do Turismo vai ter um quadro de funcionários concursados maior do que antes.  (Detalhe importante: só depois do depoimento de Novais na Câmara é que o secretário-executivo Frederico Costa pediu exonoração do cargo, no início da noite de ontem)

Sobre os convênios fraudados, Novais disse o maior absurdo de todos, ao garantir que “administrações anteriores tomavam cuidado para cumprir exigências para habilitação de pessoas (entidades sem fins lucrativos, entidades governamentais, entre outras) para receber recursos dos convênios”. Podemos imaginar, portanto, o que aconteceria se não tomassem tanto cuidado….

Em resposta às questões do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), o ministro surpreendentemente informou que não suspendeu os convênios denunciados pela Polícia Federal. “Suspendi a contratação de novos. Os antigos continuam e serão honrados, desde que comprovados pela prestação de contas que estão apresentando. O que o senhor chama de auditagem dos convênios, eu chamo de prestação de contas”, disse ele, como se estivesse confundindo abacate com abacaxi.

O mais interessante foram seus insistentes apelos em prol da moralidade perdida. “Conclamamos as autoridades responsáveis pela apuração de eventuais irregularidades com o máximo rigor e a maior velocidade possível para punir os verdadeiros culpados e retirar do ambiente do turismo a nuvem de suspeita que assombra”,  disse o ministro, sempre pateticamente.

Já o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) perdeu a paciência e pediu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apuração das denúncias. “É o único mecanismo para saber onde está o dinheiro e quem se beneficiou. Essa audiência pública não adianta. Queremos uma CPI”, disse.

Outro deputado a defender a criação de uma CPI foi José Antonio Reguffe (PDT-DF): “As denúncias são absolutamente sérias e graves e não vejo por que não ter a CPI”. Antes, o deputado perguntara se o ministro pretende pedir, judicialmente, o ressarcimento “de todos os danos causados pelas empresas e ONGs denunciadas”. E Novais também não soube responder.

O deputado Rubens Bueno (PPS-PR), líder em exercício do PV-PPS, também aproveitou seu tempo para pedir a criação de uma CPI destinada a apurar as denúncias de corrupção no Turismo: “Se o ministro tivesse agido, a Operação Voucher não teria acontecido. Ele foi avisado 47 dias antes”, lembrou.

Ora, mesmo se o ministro tivesse sido comunicado sobre as denúncias com um ano de antecedência, ainda assim não teria tomado nenhuma providência. É inexplicável que tenha sido nomeado ministro, e mais inexplicável ainda é que continue a ser ministro. é uma vergonha para o governo e para os brasileiros.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *