Pelo Datafolha, Serra tem é 34 pontos; está difícil para Haddad

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha sobre as intenções de voto, hoje, para prefeito da cidade de São Paulo – reportagem de Waguinaldo Marinheiro, Folha de São Paulo de domingo – apontou José Serra na frente com 30%, seguido de Celso Russomano com 19, vindo de longe Fernando Haddad com 3 pontos apenas. Mas não basta ver os números. Como digo sempre, é preciso ler nos números.

Serra não tem na verdade 30%. Nem Russomano 19. Tem que se acrescentar a todos os que estão no páreo a percentagem de 14%. Isso porque é o índice dos que se dispõem a votar nulo ou em branco ou que ignoram a disputa. Assim, 86 passam a ser iguais a 100, na base dos votos úteis. Aplicados esses 14% a Serra ele salta para 34. Russomano, do PEB, mesmo partido do ministro Marcelo Crivella, vai para 23. Haddad passa para 3,5 pontos. Os demais candidatos não têm chance no quadro. Netinho com 19, Paulinho da Força Sindical com 8, Soninha com 7 e Chalita, também com 7, não tem perspectiva de decolar.

Celso Russomano depende do que seu partido resolver. Fernando Haddad, da influência do apoio de Lula. Mas sua largada é muito fraca. As cartilhas que o MEC em sua administração andou editando causaram reflexo negativo. A dose foi demais. Erros de português e de matemática aceitos como corretos, folder anti-homofobia com desenhos de posições homosexxuais. Inclusive com desenhos impróprios.

O apoio da Presidente Dilma Rousseff, a mim, parece incerto. Formal, sem entusiasmo, lembra aquele que o presidente JK destinou na sucessão de 60 ao general Teixeira Lott. O eleitorado percebe a frieza em torno das palavras. Falta calor, emoção. Em matéria de voto na urna, milagres não existem.

O próprio JK, me disse em 60, numa entrevista para o Correio da Manhã, que o candidato tem que se firmar por si, romper a própria marcha. Não pode ficar com seu destino condicionado e na dependência de apoios. O presidente da República me falava exatamente a respeito da candidatura Lott. Quando o candidato sai forte, o apoio vem em seguida. Ele acentuou.

E eu acrescento agora, 52 anos depois: assim como aconteceu com Barack Obama nos Estados Unidos. Emocionou a convenção do Partido Democrata. Uniu as correntes partidárias. Venceu disparado. Todo candidato forte possui um toque mágico em torno de si iluminando sua caminhada.

E por falar em Fernando Haddad, além de começar com apenas 3,5% das intenções de voto, ainda por cima tem contra si a corrente da senadora Marta Suplicy que mantém a esperança dele não emplacar face da fragilidade dos números e ela o substituir no confronto de outubro.Não se trata somente, sob o ângulo do PT, de substituir um candidato por uma candidata. É que se o candidato naufragar na campanha, o naufrágio leva consigo cadeiras que o Partido dos Trabalhadores possui na Câmara Municipal.

Atuais vereadores petistas que disputam reeleição encontram-se com as antenas ligadas. Uma situação leva à outra.Falei no apoio de Lula, incondicional. Luis Inácio da Silva é fortíssimo, provou tal qualidade na sucessão de 2010, assegurando a vitória de Dilma Roussef por 56 a 44 no segundo turno. Mas Getúlio Vargas, em 45, também estava fortíssimo. Tanto assim que elegeu Eurico Dutra com 52% dos votos. Porém em 47 foi a São Paulo apoiar Hugo Borghi contra Ademar de Barros para o governo do Estado e perdeu. Ele teve que apoiar Borghi, pois este era do PTB. Ademar do PSP. Mas o apoio de Vargas não foi suficiente.

Como o de Brizola, no RJ, quando ainda estava forte, não pôde levar Darci Ribeiro à vitória. Moreira Franco venceu folgadamente. Brizola conservava o prestígio. Tanto assim que, em 90, voltou ao executivo estadual com mais de 50% da votação. Se cada caso em política é um caso, cada candidato varia de acordo com a atmosfera. Quando não passa emoção, eis aqui uma rima: não há solução.

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