Pelo jeito, nunca mais veremos a Tribuna de volta às bancas e com os artigos incomparáveis de Hélio Fernandes

George Goldenstein

Li esta semana o  artigo de Carlos Newton sobre o processo da Tribuna, que teve julgamento relâmpago no Tribunal Regional Federal do Rio e com decisão, em parte, favorável à União.

Pergunto: como os outros dois desembargadores concordaram com o voto do relator, se ele se ateve a dar explicações orais sobre um voto que iria se transformar em acórdão com redação a ser elaborada posteriomente em seu gabinete?

Se os desembargadores não tiveram vista antecipada do complexo processo, com milhares de páginas, pois o relator em apenas 30 dias levou-o a julgamento, em pleno mês de julho, como puderam referendar um voto que nem foi lido em plenário e cujo inteiro teor ignoram, visto que ainda está sendo redigido? Desculpe a minha ignorância, mas isso é comum, rotineiro em sessões de julgamento?

Sou bacharel em Direito e concordo que justiça tardia é injustiça manifesta e qualificada, mas é verdade também que, em certos casos, a pressa é inimiga da perfeição.

Se exatamente na mesma época a Advocacia-Geral da União estava analisando proposta de acordo feita pela Tribuna, com abatimento de 50% da indenização estabelecida, como foi divulgado, com isso o eminente relator, ao tornar, em parte, sem efeito a decisão proferida no procedimento de liquidação de sentença,  ao que parece inviabilizou de vez o pagamento de indenização buscada há mais de 30 anos.

Pelo jeito, nunca mais veremos a Tribuna de volta às bancas e com os artigos incomparáveis de Helio Fernandes, denunciando e combatendo essa corrupção que tomou conta do Estado brasileiro.

Os amigos de Helio e os milhares de leitores da Tribuna aguardam ansiosos o voto do desembargador-relator do processo da Tribuna da Imprensa contra a União Federal, que, entre 1968 e 1978, promoveu implacável e devastadora censura e perseguição contra o jornal que mais corajosamente enfrentou a ditadura militar.

Como perguntaria Cícero: “Ubinam gentium sumus” – em que mundo vivemos?

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