Pelo roteiro de Padilha, o ministro Henrique Alves é o próximo a sair

Na linguagem da sinuca, ele está pela bola sete, caçapa do fundo

Pedro do Coutto

Na entrevista a Valdo Cruz e Gustavo Uribe, edição de segunda, da Folha de São Paulo, o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que o presidente Michel Temer, ao formar o ministério, perguntou aos escolhidos se algum tinha seu nome mencionado na Operação Lava-Jato, colocando assim uma condicionante clara. Disseram que não, acrescentou Padilha. Pois bem, caso contrário, terão imediatamente que pedir demissão, disse-lhe Temer.

Eliseu Padilha assinalou também ser essa uma posição  inflexível do presidente Michel Temer. Por terem seus nomes envolvidos nas investigações já foram exonerados Romero Jucá e Fabiano Ribeiro. Pela lógica, agora, deverá ser exonerado o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, denunciado pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot.

Henrique Alves, inclusive, ocupou o mesmo cargo no governo Dilma Rousseff. Afastou-se do posto, e passou a apoiar o julgamento do impeachment pelo Senado. Seu nome aparece em gravações dialogando com Léo Pinheiro, da OAS, e com o deputado Eduardo Cunha, conforme na mesma edição da FSP revelam os repórteres Aguirre Talento e Márcio Falcão. O tema: doações financeiras para a campanha eleitoral de 2014. Henrique Alves não as nega. Mas diz que foram legais e registradas no TSE.

DOAÇÕES LEGAIS OU NÃO 

Quanto a forma, as doações podem ser legais e o seu valor real coincidir com as quantias registradas. Porém, em todos os casos, fica evidente a vinculação entre um interesse e outro. Pois qual o motivo que levaria as empresas a fazer doações? Um enigma. E vale acentuar que tais doações nunca puderam ser deduzidas do Imposto de Renda. Que interesse poderia mover os empresários? Fica a pergunta no ar.

O fato concreto é a existência de uma óbvia explicação. Uma troca, no fundo da questão. Troca que, ao vir a público, converge para a construção de uma ponte que custou caríssimo aos cofres da administração pública.

As doações, na verdade, todos sabem, são comissões disfarçadas sob a camuflagem de recursos para campanhas eleitorais. Caso contrário, ninguém vai meter a mão no bolso por patriotismo. Mas não é esta só a questão.

INVENTAR DOAÇÕES?

O aspecto marcante é que igualmente pessoa alguma vai inventar que repassou recursos financeiros a outro sem que isso não seja verdadeiro. Não se trata de obra de ficção. Até porque inventar situações não verídicas é praticamente impossível. Não se trata de episódios isolados, trata-se de dezenas e mais dezenas de afirmações, incluindo o valor das quantias e a forma de entrega dos valores.

Aparecem contas no exterior, embalagens de dinheiro, depósitos em nome de laranjas, participação de intermediários. Quadro especial para os laranjas. Não há mistério, as falsificações são facilmente identificadas através dos saldos bancários e das declarações de Imposto de Renda.

DINHEIRO QUE SOME

O dinheiro que aparece nas contas de laranjas desaparece logo a seguir, creditado ou transmitido a seus verdadeiros destinatários. Laranja é somente uma falsa ficção. O que existe aparece. Sobretudo dentro do princípio inultrapassável de que não pode haver débito sem crédito e vice-versa. No caso dos laranjas, o dinheiro pode entrar numa conta mas logo se dirige para outra. Ou outras, se o destino for múltiplo.

Não há dificuldade alguma nesse processo de identificação. Difícil, isso sim, parece ter sido o método adotado por Michel Temer para formar seu ministério. Pode ser que até não tenha havido método algum.

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