Perdão, André Filho, o Comitê Rio-2016 esqueceu você e a “Cidade Maravilhosa”

Jorge Béja

A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio foi mesmo espetacular e de uma beleza e criatividade sem precedentes na história dos Jogos. Há quem diga que a dos Jogos Olímpicos de Moscou de 1980 foi de igual ou maior beleza. Não sei. Pode ter sido. O mascote daquela olimpíada na então União Soviética era o ursinho Misha (apelido russo do nome Mikhail). Na cerimônia de encerramento a coreografia simulou a queda de uma lágrima fazendo o Misha chorar. Foi mesmo emocionante. Uma cena muda, mas que falou alto e tocou os corações de todas as gentes, de todos os povos. A humanidade entendeu, não esqueceu e jamais esquecerá.

Isso também aconteceu com a cerimônia de abertura da Olimpíada Rio-2016. Daqui a cem anos e por toda a eternidade, a festa de anteontem no Maracanã será lembrada e exibida para as gerações que virão. Nossa leitora Ofélia Alvarenga, aqui na Tribuna da Internet, escreveu emocionado artigo que retrata o tudo de belo que foi a festa. Sem contar os que leram e não comentaram, seu artigo recebeu, pelo menos até agora, mais de cem comentários. Um recorde

UM COMENTÁRIO – Deixei lá o meu comentário. Esperei chegar o 100º e fui o 101º a aplaudir e comentar o artigo de Ofélia Alvarenga. E deixei registrada uma espécie de lamento. Ellen Gracie, ex-ministra do STF e sem ligação com o desporto, desfilou na cerimônia. Então por que não chamaram também um, dois ou mesmo os três dos maiores e consagrados pianistas do mundo e que são brasileiros: Nelson Freire, Artur Moreira Lima e João Carlos Martins?

Nelson e Artur voltaram a morar definitivamente no Rio. E João Carlos mora em São Paulo. Desporto, música clássica, tudo é cultura. A festa era carioca e brasileira. E os renomados artistas são nossos patrícios. Mas não se pode exigir tanto, exigir mais, dos talentosos e criativos arquitetos que criaram e produziram aquela festa de anteontem no Maracanã.

Tão linda, mas tão linda, que o presidente interino Michel Temer pouco ou nada entendeu. Dele não se viu um sorriso. Quando falou, não ouvi sua voz. Nem de sua bela esposa se fez acompanhar. Dona Marcela é a primeira-dama do Brasil. O cerimonial e o protocolo exigiam sua presença, salvo motivo de intransponível força maior. A interinidade não é justificativa.

PECADO SEM PERDÃO – Mas ocorreu um pecado imperdoável. E que não há mais tempo de se redimir. Nem na cerimônia de encerramento será possível. O momento certo já passou. Agora é tarde. Após a execução do arranjo do Hino Nacional Brasileiro, puxado por Paulinho da Viola e acompanhado de uma pequenina orquestra, era indispensável e obrigatória a execução da canção “Cidade Maravilhosa” que a Lei Municipal nº 3611, de 12.8.2003 tornou como o Hino Oficial da Cidade do Rio de Janeiro.

 “Artigo 1º – Pela presente fica instituído como o Hino Oficial da Cidade do Rio de Janeiro, a canção conhecida como “Cidade Maravilhosa”, de autoria do compositor Antonio André de Sá Filho (André Filho), conforme partitura impressa no Anexo I desta lei”.

“Artigo 2º – Nas cerimônias oficiais realizadas por entidades e instituições de nossa cidade, onde for feita a execução do Hino Nacional Brasileiro, as orquestras, bandas marciais e demais músicos serão previamente orientados pelo órgão promotor do evento a executarem o Hino Oficial da Cidade do Rio de Janeiro”.

FALTOU UM HINO – O Hino Nacional Brasileiro, mesmo em arranjo desautorizado pelo presidente da República a ferir a lei dos Símbolos Nacionais, foi executado e cantado. Em seguida, era obrigatória a execução do “Cidade Maravilhosa”, o Hino Oficial da Cidade do Rio de Janeiro, como mandam a lei e o protocolo do cerimonial, como exigia o grandioso evento e como pedia os corações de todos nós, cariocas. Mas o hino foi esquecido. Daí porque este pedido de perdão a André Filho e a seus descendentes que devem estar muito aborrecidos com esta gafe. Um fiasco, no meio de retumbante e grandioso evento.

Fico a imaginar que beleza maior seria ouvir  aquela multidão de gente cantando a uma só voz, com a viola de Paulinho, com aquela pequena orquestra e mesmo à capela “Cidade Maravilhosa, Cheia de Encantos Mil…Cidade Maravilhosa, Coração do meu Brasil!!! Berço do Samba e das lindas canções que vivem n’alma da gente…És o altar dos nosso corações, que cantam alegremente! Jardim florido de amor e saudade, Terra que a todos seduz… Que Deus te cubra de felicidade, Ninho de Sonho e de luz…”.

Meus Deus, seria de enlouquecer! Mas o dia e o momento certos já passaram. Agora é tarde.

E O VINICIUS? – Resta o pedido de perdão que se estende também à família de Vinicius de Morais, autor da letra da música “Garota de Ipanema”, que foi tocada no grandioso evento, mas sem nenhuma citação de seu nome, nem seu pacífico e mundialmente conhecido rosto, seu retrato, sua imagem, nada foi exibido nos telões. Perdão, André Filho. Perdão, Vinícius.

49 thoughts on “Perdão, André Filho, o Comitê Rio-2016 esqueceu você e a “Cidade Maravilhosa”

  1. Carlos Newton, Carlos Newton, quanta criatividade a sua!
    Foi buscar a partitura original para piano do próprio André Filho e estampá-la com sua foto. Tenho esta partitura. Está velhinha, velhinha. Está comigo há mais de 50 anos. No auditório da ABI – Associação Brasileira de Imprensa, minha primeira professora de piano, Dulce Rodrigues, levou os alunos para uma apresentação, que naquela época se chamava “audição”. E no imponente piano preto de cauda do amplo palco da ABI, fui o último a tocar e fechar o programa com esta peça, esta partitura.
    Você um estupendo jornalista. Quanta sensibilidade. Mesmo os artigos fraquinhos, fraquinhos, ficam fortes e ricos com as ilustrações que você encontra. Diga-me Carlos Newton: você que integra a direção da ABI e vai sempre lá, aquele piano preto de causa inteira ainda está lá naquele palco enorme, num auditório também enorme, que muito poucas instituições têm. Ainda tá lá?

    • Caro Dr. Béja, lamento a deturpação do HINO NACIONAL, participei em dois eventos, um do Estado do Rio, e outro em Brasília, em que o ministro da saúde, (AUTORIDADE DE CUNHO NACIONAL), solicitou AOS CONSELHEIROS, ficarem em pé,pAra tocar o HINO, QUE SERIA cantado por uma cantora, a letra em ambos EVENTOS,, foi CORRETA, a musica FOI deturpada, não consegui, identificar o ritmo, Ia protestar, mas os amigos, me seguraram. Denunciei ao meu Comando Aer, FIQUEI CHATEADO E INDIGNADO
      infelizmente, aconteceu, neste evento para o MUNDO.
      Fui de uma ESCOLA PÚBLICA, desde a infância, a respeitar o HINO NACIONAL E A BANDEIRA ESTRELADA EM CÉU AZUL, com a “ORDEM E PROGRESSO”.
      A Srª Fafá de Belem, iniciou essa deturpação, a IMPRENSA noticiou o protesto do Povo, e Ela respeitou, não mais cantando a deturpação.
      Infelizmente as ESCOLAS, não ensinam o RESPEITO A ESSES DOIS SÍMBOLOS PROTEGIDOS POR LEI.
      A INSPIRAÇÃO AOS AUTORES DA REPÚBLICA, FOI DIVINA, ATÉ HOJE. NÃO OUVI OU VI, 2 SÍMBOLOS, QUE EMOCIONAM O SENTIMENTO FRATERNO DE PÁTRIA. TÃO OBJETIVO E CLARO.
      QUE O MINISTRO DA EDUCAÇÃO, IMPLANTE COM URGÊNCIA URGENTÍSSIMA, NAS ESCOLAS, O DESPERTAR DE BRASILIDADE, PARA NÃO TERMOS MAIS, QUE OUVIR A DETURPAÇÃO.DESSES SÍMBOLOS, QUE NOS REPRESENTAM, PERANTE O MUNDO.
      EM MEUS 87 ANOS, NO MUNDO ATUAL DE PÁTRIAS, O POVO BRASILEIRO, DESDE A MENINICE PRECISA “AMAR E RESPEITAR O HUNO E A BANDEIRA”, E AS ESCOLAS QUE ENSINE, COMO DEVER, PARA A LIBERDADE E SOBERANIA, DO BRASIL. EM QUE TEMOS EM TIRADENTES, O MÁRTIR PARA A NACIONALIDADE BRASILEIRA.
      FICO POR AQUI, COM O CORAÇÃO CHORANDO EM VER TANTA DETURPAÇÃO, QUE DEUS NOS ABENÇOE, PROTEGENDO-NOS DOS HIPÓCRITAS GOVERNAMENTAIS!!
      Dr.,. BÉJA, ASSINO EM BAIXO DE SEU ARTIGO.

  2. A participação da senhora Ellen Gracie, ex-ministra do STF, na abertura da olimpíada foi mesmo uma atitude de péssimo gosto. O que essa senhora representa para o esporte ????????

    Será que é mesmo verdade que a tal senhora foi nomeada para um cargo na olimpiada e está recebendo milhões ?????

    • Quem fez a festa de abertura foram os carnavalescos, que há décadas trabalham junto com a contravenção. O globete Boni é unha e carne com esse pessoal, basta ver que a Globo é a detentora eterna do direito de transmissão de tudo.
      Em seu livro ” Afundação Roberto Marinho, o Roberto Machado põe a poderosa a nú e mostra que quase todos fugiram da CPI da Globo em 1988, o único que aguentou o tranco foi o Hélio Fernandes….

    • Béja, o Antonio é comentarista antigo aqui. Apoio integralmente o que ele disse. Ele é uma pessoa educadíssima que não é “rejeitado pelas pessoas de bem”. Tem todo o direito de dizer aqui o que pensa. Você, que também é comentarista antigo e respeitado, é uma das últimas pessoas de quem eu esperaria uma grosseria destas, de igualar a opinião perfeitamente válida do Antonio a “deboche e ignorância” e de lhe pedir que deixe um blog que não é seu, nem de nenhum de nós, ao mesmo tempo que é de todos nós pela incansável dedicação do Carlos Newton à liberdade de expressão. Eu quero ler o que o Antonio tem a dizer aqui, sim, e tenho a certeza de que algumas das pessoas que você citou também. Lamento, Béja, mas não posso me calar frente esta ofensa inteiramente gratuita a uma pessoa de bem.

    • Caro Carlos Newton. Peço que você apague este meu comentário ao comentário do leitor Antonio Rocha. Exagerei. Errei. Ele falou pouco (3 linhas) e com toda razão. Por favor, retire o comentário e deixe este pedido de desculpas. Quando erro, sei pedir desculpas, sei pedir perdão. Eu interpretei mal suas três linhas. Peço desculpas, peço perdão.

    • Isso, sim, é que é comentário que dá prazer de ler e aprender. Leve, elegante e inteligentíssimo. Meus parabéns, Micha Elis. Deu a resposta que o próprio Vinícius nos deixou.

  3. As vezes ser sincero dói, mas quando a aparência de uma primeira dama se torna quase que uma questão de Estado, acho que as coisas não vão bem.
    Preferia um mandatário casado com a Graça Foster, mas que não tivesse apenas 14% de aprovação, pudesse falar em Rede Nacional e abrir uma Olimpíada….

    • Virgilio, você é D+++++++
      Sei que Michel Temer é rejeitado! Mas fazer o que se não pode haver agora novas eleições. Entre ele e Dilma fico com ele, Michel Temer. Quem sabe quando a mulher sapiens voltar para o RS ele toma fôlego e alguma coisa vai melhorar!?

        • Carmen, acho que isso ajuda explicar um pouco o fato do poder adorar espetáculos…

          ” (…)…Num desdobramento, este esquema perpassa toda a programação da televisão, principalmente no horário noturno. O esquema é o seguinte: um programa alicerçado no real (noticiário, documentário, grandes reportagens) e em seguida outro no reino da ficção (novelas, filmes etc.), e por aí vai se alternando. Debord, enfaticamente, observa que esta imagem manipulada da realidade pelos meios de comunicação de massa faz com que o reino das emoções (raiva, felicidade etc.), assim como a justiça, a paz e a solidariedade, sejam apresentadas como espetáculo. Os meios de comunicação de massa criam a partir daí uma realidade própria para que a sociedade se solidarize e crie novos critérios de julgamento e justiça conforme seus conceitos manipuladores.
          Estas novas tecnologias no campo da informação agem na capacidade de percepção dos indivíduos e dificultam a representação do mundo pelas atuais categorias mentais. A sociedade transforma-se numa sociedade do espetáculo, na qual a contínua reprodução da cultura é feita pela proliferação de imagens e mensagens dos mais variados tipos. A conseqüência é uma vida contemporânea super-exposta e invadida pelas imagens, operacionalizando um novo tipo de experiência humana, caracterizada por um modo de percepção que torna cada vez mais difícil separar-se ficção de realidade.
          http://observatoriodaimprensa.com.br/speculum/a-sociedade-do-espetaculo/

          • Virgilio, li a matéria de Guy Debord e como não sou especialista em globalização da economia, nem posso me manifestar. Para mim, é matéria para eles.
            O que posso dizer é que a mídia nos manipula todos os dias e grande parte do povo se deixa levar e tudo se transforma espetáculo como você tão bem escreve. Bolsa familia é um tipo de manipulação que faz lembrar a politica Pão e Circo dos imperadores romano. A maioria da população vive desinformada, sem interesses politicos e por isto caimos nessa Dilma/Temer. A mídia impõe e o povo desinformado aceita. A desinformação é o problema vital da maioria dos brasileiros.Um abraço

  4. São várias músicas que homenageiam o Rio de Janeiro, como “Samba do avião”(Tom Jobim) que relata a beleza sem igual que tem quem chega ao Rio de Janeiro; “aquele abraço” e outras cantadas pela velha guarda, como Lucio Alves. Manuel Bandeira, por ocasião do Quarto Centenário da Cidade compôs um hino, dos quais transcrevo alguns versos: Guanabara, Guanabara, és coração do Brasil.
    Na beleza de tua luz clara,
    Serás sempre, o futuro o dirá,
    Coração do Brasil, Guanabara,
    Ó cidade de Estácio de Sá

    Entretanto, Dr. Béja, o Hino Oficial por todos os séculos dos séculos é e sempre será a “Cidade Maravilhosa (que amo), cheia de encantos mil, coração do meu Brasil. Acho até que o trio Caetano, Gilberto Gil (sem Anita) e Gal, Maria Bethânia, poderiam ter entoado. A expressão “Cidade Maravilhosa” foi criada pelo poeta e escritor Coelho Neto. Parece que há controvérsias. Você confirma?

    • Carmen Lins, há controvérsia. Para uns, Coelho Neto. Para outros, a poetisa francesa Jane Catulle Mendès que em 1911 visitou o Rio e depois, na Paris de 1913, publicou a série de poemas “Amor ao Rio” em volume intitulado “La Ville Merveilleuse”. Muitos se dizem criadores desta expressão. Não sei se falava sério ou não — talvez pelo orgulho de ter prestado tando serviço à nossa cidade — o próprio Clóvis Bornay me disse uma vez que a expressão era dele. Somente uma pesquisa poderá responder.
      Grato por ter lido e comentado.

  5. Dr. Béja, não é tarde não. Nos bailes de carnaval, Cidade Maravilhosa é cantada a plenos pulmões no final da festa. Talvez, eu não sei dizer, tenham deixado o Hino da Cidade para o encerramento com o intuito de transformar tudo num grande carnaval.

    Temos o hábito de ver com lentes fortes tudo aquilo que frustra nossas expectativas. O senhor, como pianista que é, deve ter preparado os ouvidos para a consagração que seria a música de André Filho cantada a milhares de vozes.

    Nem sempre fazem as coisas por mal, Dr. Béja. Daniela Thomas (eu li ou vi na TV) se preocupava que os elásticos se partissem durante a apresentação, o que ocorreu várias vezes durante os ensaios.

    Débora Colker tinha receio de que a turma dos que faziam malabarismos sobre os prédios virtuais caíssem no vazio. Eram muitos detalhes para conferir e acertar.

    Também não entendi a presença da ministra ao segurar uma ponta da bandeira da Olimpíada. Mas certas coisas às vezes precisam de explicação mesmo, só assim entendemos.

    Para o senhor ver como são as coisas, a BBC preparou um vídeo sobre as Olimpíadas no Rio.
    Muito bonito e bem feito. Animais disputando. Tatu, macacos, bicho-preguiça, tamanduá, jacarés ou crocodilos. Achei lindo a primeira vez que vi, achei lindo. Depois de escrever meu comentário, algo me incomodou, o que veio a ser reforçado com o comentário do Bendl, quando ele levantou a hipótese de os ingleses terem usado o vídeo com outra intenção. Passei a achar que Bendl estava com a razão. Os animais selvagens seríamos nós.

    Coisas assim tiram a beleza de tudo que fazemos. Vamos pensar o melhor. E o melhor vai prevalecer.
    Grande abraço
    Ofelia

    PS: Ah, quando menina, eu e meus pais pegamos o Trem de Prata que vinha de BH para o Rio. Ao chegarmos em Nova Era, dei de cantar Cidade Maravilhosa. Meu pai ria e dizia ‘ainda não chegamos’.

    PS1: Meu irmão e minha cunhada assistiram a uma apresentação do João Carlos Martins em Guaratiba. Assim eu lembro. Essa nada teve a ver com governo. Foi paga, bem organizada e teve até jantar! Eles adoraram.

  6. Absolutamente o artigo não despreza a participação da ex-ministra. Vamos ao texto:

    “Ellen Gracie, ex-ministra do STF e sem ligação com o desporto, desfilou na cerimônia”.

    Onde está o desprezo? Pelo contrário, a citação implicitamente exalta a importância da ex-ministra. O desprezo é de quem interpetrou no sentido contrário. E se a ex-ministra tem mesmo ligação ocasional com o desporto, muito pouca gente sabia ou sabe disso.

    Por ocasião da cerimônia de abertura dos Jogos, a ex-ministra não foi apresentada na posição que o leitor descobriu que Ellen Gracie ostenta. E todos os jornalistas e apresentadores presentes e que narraram e comentaram o evento apenas fizeram referência à presença de Ellen Gracie como ex-ministra do STF. E nada mais. ” Ali temos a ex-ministra Ellen Gracie, a primeira mulher a integrar o presidir o STF”, disse Ricardo Boechat na Band. O artigo cita a ex-ministra, sem o mínimo menosprezo, apenas para justificar a também presença de outros vultos nacionais, sem serem atletas, ex-atletas ou ligados ao desporto, como é o caso daqueles pianistas brasileiros de fama internacional, citados no artigo, que estão vivos, morando perto de nós e que poderiam ser incluídos no rol daqueles que foram convidados a se apresentar no evento. Somente isso. Nada mais do que isso.

  7. Prezada Ofélia,
    redigi um texto em resposta ao seu comentário e à indicação que você fez. Pressionei a tecla “publicar comentário” e apareceu na tela uma faixa branca, letras cor preta, fundo cinza com o tremendo “puxão de orelha”:

    “Você está escrevendo muito comentário. Calma lá”.

    Bom, diante desse protesto, me recolho e não tenho esperança de que esta presente mensagem seja recepcionada.

    • Newton deve ter algum motivo que não enxergamos pra fazer isto. Se bem que tudo aqui me parece automatizado, não acho que tenha sido ele.

      Sei lá Dr, Béja. Deixa passar. Não é nada. Tudo passa,
      Abraço
      Ofelia

    • Isso acontece quando o mouse (ou outro periférico) dispara e manda mais que um sinal. Como se o clique em “Publicar comentário” produzisse dois clique simultâneos.
      Também ocorre quando o software entende duas ou mais tentativas de publicação como se fossem da mesma pessoa. O ideal seria o programa salvar todos os dados das tentativas em uma pilha e depois atualizasse a página.

    • Dr. Béja, para mim também aparece esta informação: você está escrevendo muito comentário. Pobre de mim. Pouco comento. Ai, volto a comentar muitas vezes, outras vezes deixo prá lá. Não encontro explicação.

  8. “E deixeiregistrada uma espécie da lamento. Ellen Gracie, ex-ministra do STF e sem ligação com o desporto, desfilou na cerimônia”.

    Escrevi e reitero. O lamento está no fato de não ver ao lado da ministra os pianistas internacionais citados no artigo, visto que desporto e música, tudo é cultura.

  9. Só posso explicar a mensagem :

    “Você está escrevendo muito comentário. Calma lá”.

    Trata-se de um Malware que já está causando esse problema há dias, ele se fixa no navegador, na maioria das vezes basta limpar o histórico.
    Nada a ver com censura.

  10. Faz dias que também tenho como resposta que postei o comentário muito rápido!

    Retrocedo, espero com o texto postado, e teclo o Enter. Assim não volta o que escrevi.

    Quanto ao texto do Dr.Béja, que sempre deixo a minha opinião porque são artigos irrepreensíveis, este não me atrevo a emitir o que penso, pois sou um admirador do Rio, gosto demais desta terra e do povo, e para esta lugar espetacular estive mais de duzentas vezes, desde o longínquo ano de 1.959!

    Na condição de gaúcho, apenas admito que a ausência da canção mais famosa e que representa o Rio de Janeiro é mesmo Cidade Maravilhosa, que não há brasileiro que não saiba cantá-la.

    Da mesma forma, acho que a parceria Jobim e Vinícius, autores da canção mais famosa do Brasil pelo mundo, Garota de Ipanema, deveria ter ao lado do neto de Jobim ao piano algum representante de Vinícius, por uma questão de Justiça, claro.

    No entanto, certamente quando ambos gênios da música brasileira compuseram a célebre música em pauta, não sonharam que um dia a beleza da mulher gaúcha seria aquela que melhor representaria a musa carioca que sonharam na canção inesquecível e imortal!

    A bem da verdade, a letra fala em uma guria do bairro de Ipanema e seus atrativos físicos, não necessariamente que deveria ter nascido no Rio, mas uma mulher jovem, que ao passar deixava os homens extasiados pela beleza e seu balanço no andar, e um corpo da cor de ouro pelo bronzeado de um sol espetacular, que se estende pela praia de onde ela se originava!

    Gisele, do interior gaúcho, da cidade de Horizontina, na Região das Missões, do RS, muito menos imaginaria na sua vida que seria a verdadeira deusa do bairro de Ipanema, aquela que havia inspirado dois músicos da mais alta estirpe que este país produziu que, ao desfilar pela imensa passarela do Maracanã, deveria ter sido recepcionada pelo Jobim e Vinícius quando se aproximou do palco!

    Teria sido apoteótico!!!

    Mesmo assim, palmas à abertura da Olimpíada, espetacular, fantástica, apesar de um que outro detalhe que deveria ter sido levado em conta antes da apresentação, como estes citados pelo Dr.Béja quanto ao Vinícius, e a incomparável canção Cidade Maravilhosa!

        • Bem, o caso aqui é que você duvidou até que ele tivesse nascido no Rio. E se viesse à Ipanema veria garotas muito mais bonitas e cheias de graça que Gisele.
          Você pode também fazer uma canção elogiando Gisele ou encomendá-la. Elogie quem quiser mas veja a graça das meninas de Ipanema que não precisam caminhar como se estivessem em uma passarela. Elas já desfilam desde que nascem.

  11. O Vinícius também tinha o seu lado irônico…

    Pau-de-arara
    Vinicius de Moraes

    Eu vinha cansado da fome que tava, da fome que eu tinha
    Eu não tinha nada, que fome que eu tinha
    Que seca danada no meu Ceará
    Eu peguei e juntei um restinho de coisa que eu tinha
    Duas calça velha, uma violinha
    E num pau-de-arara toquei para cá
    E de noite ficava na praia de Copacabana
    Zanzando na praia de Copacabana
    Dançando o xaxado pras moças oiá
    Virgem Santa, que a fome era tanta que nem voz eu tinha
    Meu Deus, tanta moça… que fome que eu tinha
    Mais fome que eu tinha no meu Ceará

    —-
    Puxa vida, não tinha uma vida pior do que a minha
    Que vida danada, que fome que eu tinha
    Zanzando na praia, pra lá e pra cá
    Quando eu via toda aquela gente no come-que-come
    Eu juro que tinha saudade da fome
    Da fome que eu tinha no meu Ceará
    E daí eu pegava e cantava e dançava o xaxado
    E só conseguia porque no xaxado
    A gente só pode mesmo se arrastar
    Virgem Santa, que a fome era tanta que até parecia
    Que mesmo xaxando meu corpo subia
    Igual se tivesse querendo voar

    ——
    Vou-se embora pro meu Ceará porque lá tenho um nome
    E aqui não sou nada, sou só Zé-com-fome
    Sou só pau-de-arara, nem sei mais cantar
    Vou picar minha mula, vou antes que tudo rebente
    Porque tô achando que o tempo tá quente
    Pior do que anda não pode ficá

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