Perdas salariais levam um milhão de famílias à queda na escala social

Charge do Bruno Galvão, reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Reportagem de Marcia De Chiara, O Estado de São Paulo, edição de 29 de maio passado, com base em levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas, revela que de 2015 para 2016 um milhão de famílias (4 milhões de pessoas) desceram de classe social. Uma parte que se encontrava na classe C1 passou para a C2. Uma outra fração desceu da C2 para os grupos D/E.

É consequência do congelamento salarial e do desemprego que atingiram em cheio os padrões no poder aquisitivo. Daí, claro, a recessão. Menos consumo, menos receita de impostos. Um círculo vicioso. Uma corrente negativa que abala a população brasileira.

A inflação de 10,6%, em 2015, como reconhece o próprio IBGE, não foi resposta, na grande maioria dos casos, nos vencimentos dos regidos pela CLT e dos funcionários públicos.

E MAIS A INFLAÇÃO… – Somem-se a esse resultado os índices inflacionários mensais de janeiro a maio deste ano. O aumento do custo de vida verificado em 2015 somente foi reposto para os 29% da mão de obra ativa brasileira que ganham o salário mínimo e para os aposentados e pensionistas do INSS. Neste caso, com base em lei existente. No mais, as perdas salariais se acumularam e continuam se acumulando.

Qualquer reajuste (não aumento) é considerado um absurdo por parte da equipe econômica do governo. Os mesmos personagens veem com naturalidade absoluta a incidência dos juros anuais de 14,25% sobre o montante da dívida pública, que está na escala de 2,9 trilhões de reais, como revela o Banco Central. Uma contradição flagrante. Dois olhares diversos sobre o panorama socioeconômico de nosso país.

CLASSES DE RENDA – Márcia de Chiara revela a divisão da mão de obra ativa (100 milhões de homens e mulheres) por classes  de renda. Vamos a elas.

O Brasil tem aproximadamente 57 milhões de famílias. A classe A é formada por 3% da população. A classe B1 por 5%. A B2 pela percentagem de 15. A C1 por 23%. A C2 por 27. Finalmente o grupo relativamente majoritário, classes D/E, faixa na qual se encontram 29% dos brasileiros.

Na classe A estão as famílias (não pessoas, mas o conjunto de 4 pessoas) cuja renda mensal é de 20,9 mil reais. Na B1 as famílias de rendimentos mensais de 9,2 Mil. Em seguida a B2 juntando grupos familiares que percebem 4,8 mil mensais. Depois a classe C1 os que ganham 2,7 mil. Abaixo a C2 com 1 mil e 600 reais. Finalmente os grupos D/E, cujos rendimentos estão contidos na faixa do salário mínimo.

TRANSPARÊNCIA SOCIAL – A reportagem de O Estado de São Paulo produziu uma plena transparência da realidade social e salarial brasileira.

Verifica-se que 56% dos grupos familiares têm rendimento de 1 a 2 salários mínimos. Se incluirmos a escala de 1 a 3 SM, observamos que tal grupamento nada menos que 79% dos que trabalham num país chamado Brasil. E que somente 8% têm rendimento que pode ser classificado como classe média. Reitero que se trata de renda média familiar.

Resultado da soma dos salários de 4 pessoas em média. A parcela dos que ganham acima de 9,2 mil reais não chega a 10%. Se alongarmos a faixa de renda, neste caso individual, para englobar aqueles cujos rendimentos passam de 20 salários mínimos, encontraremos apenas 0,8% da população.

É fácil defender congelamento dos salários para assegurar a contenção dos gastos públicos. Difícil é viver com a compressão salarial, uma característica brasileira.

17 thoughts on “Perdas salariais levam um milhão de famílias à queda na escala social

  1. Pois é, os criminosos (petistas) sempre se vangloriavam da “inclusão social” de milhões de brasileiros, e agora?!

    Algum bandido do PT vem a público explicar esta queda ou estão escondidos porque ladrões do povo e do país, tão somente?

    Por que o povo não dá em grito?

    Por que se cala diante dessa situação de penúria, de desemprego e sem poder pagar as suas contas?

    Ainda votaria em Lula e no PT?

    Então tem mesmo é que sofrer, e muito, e dolorosamente,
    GRANDESSÍSSIMO IDIOTA!!!

  2. Caro Pedro e Bendl, assino em baixo, enquanto a família trabalhadora pena para sustentar com dignidade sua família, a corja que nos DESGOVERNA DOS E PODRES PODERES, ALTOS SALÁRIOS, GRATIFICAÇÕES NÃO DECLARADAS, ISENTAS PELO IMPOSTO.RENDA, MIL , MORDOMIAS; POUCO TRABALHO E MUITAS FERIAS (LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO- ESTE AINDA ANDA A PASSOS DE CÁGADO); o trabalhador que constrói esse Pais,trabalha a semana inteira e 30 dias de férias, com suor e lágrimas. POBRE BRASIL.somos escorchados em impostos de 06 meses anuais salariais, para serem roubados, a Mídia séria, não nos deixa mentir..
    Os caciques, agora estão revoltados, com o DR. JANOT, que cumprindo seu DEVER
    mandou prender 4 ladrões de alto coturno,
    Oremos à DEUS, pedindo LUZ E PROTEÇÃO, Ao JUIZ MORO E EQUIPES E AGORA AO dR. JANOT, E A TODOS OS QUE TEM PODER DE DIGNIDADE E HONRA PARA LAVAR O BRASIL DA CORJA QUE INFELICITA A NAÇÃO, CUJO LUGAR É A CADEIA, JUNTO COM OS LADRÕES DE GALINHA(ESTES POR CRIME PEQUENO,, MAS NÃO TEM “GRANA” PARA BANCAR BOM ADVOGADO” CONDENADOS A VARIOS ANOS, E OS LADRÕES DO COFRE PÚBLICO, A RI EM NOSSAS CARAS.
    RESUMO: Cabe ao cidadão-trabalhador- eleitor, VOTAR COM DIGNIDADE E CONSCIÊNCIA, NÃO REELEGENDO, A CANALHADA, E NÃO VOTANDO EM pt & cia,
    fAÇAMOS NOSSA PARTE DE ESCLARECER O ZÉ POVINHO, O SIGNIFICADO DO VOTO EM NOSSAS VIDAS, APESAR DE SER OBRIGATÓRIO,, NOS DEIXA EM UMA DEMOCRADURA, NA REPUBLICA DEMOCRÁTICA ELE É LIVRE E CONSCIENTE,
    VOTO ATUAL É VOTO DE CURRAL,
    87 ANOS DE VIDA, NUNCA VI TANTA PODRIDÃO NA GOVERNANÇA, É A FALTA DE ESCOLA QUE ENSINE A SER CIDADÃO E CHEFE DE FAMÍLIA, PARA TER CONSCIÊNCIA DE SEUS ATOS(OBRAS).
    DEUS, NOS AJUDE!!!!

  3. Essa é a idiotice dos governos esquerdistas: atentam apenas para a distribuiução da riqueza, mas esquecem que elas devem ser produzidas antes. Nenhuma preocupação em seguir as regras que permitiriam o crescimento sustentável e PERMANENTE. O máximo que conseguem é usufruir da poupança, achando que durará para sempre. Daí as pedaladas, para enganar mais um pouco a população, mas a economia não se deixa enganar.

  4. Não tem jeito, sr. Pedro do Coutto, sem crescimento econômico não há riqueza a ser distribuída. Não há sustentação para a recomposição ou ainda, o aumento salarial. É como o sr. Tarciso disse aí, logo acima.

  5. Evento reúne profissionais da indústria de pesquisa, anunciantes e empresas
    A ABEP apresentou na segunda, 8, o novo Critério Brasil 2015 que será aplicado a partir de 1 de janeiro. Dentre as principais novidades do modelo está à capacidade em avaliar o consumo dos domicílios, permite a identificação de grandes grupos e considera a renda permanente e não apenas a renda corrente. “O novo critério tem maior poder de explicação do consumo quando comparado ao critério atual. A renda permanente é um ajuste da renda corrente e incorpora expectativas e eventos que implicam que o consumo atual pode ser financiado por renda passada ou expectativa de renda futura”, explica Luis Pilli, coordenador do Comitê Critério Brasil na ABEP.

    Com a atualização, o questionário que segmenta a classe social também sofre ajustes. Variáveis como posse de microcomputador, lava-louça, lava roupa, motocicleta, secadora, micro-ondas e acesso a serviços públicos passam a ser computados com peso e pontos. Itens como televisor, rádio e aspirador de pó saem e ganharam mais peso itens como número de banheiros, automóveis e empregado doméstico.
    Outro diferencial importante é a amostra da base que também sofreu alterações para acompanhar a atual dinâmica da sociedade e dos hábitos de consumo dos brasileiros. “Com a atualização é possível aumentar a abrangência do critério antes restrito a nove regiões metropolitanas e, agora, para todo Brasil”, analisa Pilli.

    Na opinião de Marcos Calliari, managing director da Kantar WorldPanel, o novo modelo impacta de forma positiva no dia a dia do profissional. “O atual modelo de classificação é mais realista e discriminante. Com isso a segmentação será mais assertiva”, avalia.

    Um País estratificado

    As diferenças de renda corrente declarada do domícilio entre os níveis sócio econômico a partir de janeiro*:

    A : por volta de R$ 18.800;
    B1: por volta de R$ 7.800;
    B2: por volta de R$ 4.000;
    C1: por volta de R$ 2.250;
    C2: por volta de R$ 1.350;
    DE: por volta de R$ 600

    *Números podem alterar após a finalização do processamento de dados recentes da PNA

    Saiba mais:

    O novo modelo foi formulado pelos professores brasileiros Wagner Kamakura (Rice University) e José Afonso Mazzon (FEA-USP). Para o seu desenvolvimento foram usadas 35 variáveis indicadoras de renda permanente (como educação, condições de moradia, acesso a serviços públicos, posse de bens duráveis a composição familiar, o porte dos municípios e a região onde estão localizados como parâmetros fundamentais para a segmentação e comparação entre os padrões de consumo dos brasileiros.) que permitiram a segmentação dos domicílios brasileiros em estratos e o posterior estudo da relação entre nível sócio-econômico e potencial de consumo dos domicílios em relação a 20 categorias de produtos e serviços (dentre elas, alimentação no domicílio e fora de casa, artigos de limpeza, vestuário e saúde e medicamentos).

    Fique por dentro de todas as atualizações. Acesse Critério Brasil

  6. STATUS SOCIOECONÔMICO DO BRASILEIRO SEGUNDO A CLASSIFICAÇÃO DA ABEP*

    Classe A……………..3%
    Classe B1……………4%
    Classe B2……………15%
    Classe C1……………20%
    Classe C2……………21%
    Classe DE……………37%
    ————————————-
    Total……………………100%

    * Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa

    • As diferenças de renda corrente declarada do domicílio entre os níveis sócio econômico a partir de janeiro*:

      A : por volta de R$ 18.800;
      B1: por volta de R$ 7.800;
      B2: por volta de R$ 4.000;
      C1: por volta de R$ 2.250;
      C2: por volta de R$ 1.350;
      DE: por volta de R$ 600

  7. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO chama atenção para a difícil situação de quase todos nós nessa Fase de nossa Recessão/Desemprego, especialmente dos Trabalhadores Braçais (Colarinhos Azuis), dos quais mais de 01 Milhão de Famílias cairam de Classe Social, a maioria caindo da Classe D para E.

    O Governo TEMER deve “ressaltar” que sua maior prioridade é estancar, e ir reduzindo o DESEMPREGO de forma contínua e sustentável, para em médio Prazo (+- 4 anos ) recolocar em ascensão Social, essas 01 Milhão de Famílias ( +- 40 Milhões de nossos Irmãos Brasileiros) que cairam. O Governo, e Jornalistas com sensibilidade Social como nosso PEDRO DO COUTTO, lembrando dos DESEMPREGADOS, prestam um grande Serviço ao Brasil, porque “dão ânimo a Eles, para superarem essa difícil Fase”. A Gente sabendo que não é esquecido, já é um grande Alívio, já é “meio caminho andado”.
    E o Governo TEMER sairá breve da Recessão/Desemprego com Medidas de Curto Prazo, e de Médio/Longo Prazo.
    A curto Prazo aumentar ainda mais o Deficit Público/Endividamento para a Economia “Decolar”, (para decolar é preciso “Potência máxima nos Motores”, e depois que se está em voo de Cruzeiro, a médio Prazo, AUSTERIDADE e SUPERAVIT PRIMÁRIO crescentes. É tudo uma questão do Capitão transmitir CONFIANÇA/SEGURANÇA até a aterrisagem, e isso o Ministro da Fazenda MEIRELLES faz melhor que Ninguém.
    E é isso que ele corretamente está fazendo. Os Agentes Econômicos estão de olho mesmo é em 2019 em diante.

  8. Vai expliacar isso ( link abaixo ) para quem ganha até um mínimo e paga R$ 3,70 em uma passagem de ônibus, R$ 7,00 em um quilo de batata, R$ 6,00 emk um quilo de cebola, R$ 20,00 em um quilo de carne, etc, etc.,
    ——
    Um pouco mais da metade da população brasileira vivia com uma renda mensal de menos de um salário mínimo em 2009. É o que mostra a Síntese de Indicadores Sociais, divulgada nesta sexta-feira (17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O mínimo da época era de R$ 465.
    A pesquisa considera que, dos 191,2 milhões de brasileiros, 56,8% tinham renda familiar entre zero e R$ 465. Das pessoas residentes em domicílios particulares, a pesquisa mostra que 29% viviam com menos de R$ 232,50 (meio salário mínimo).
    Em relação ao grupo que ganha de um a dois salários mínimos (R$ 930), o número de pessoas chegava a 22,5% da população. Outros 15,8% ganhavam a partir de dois salários mínimos. Já 2,3% da população não tinha renda alguma, enquanto 3,2% não declararam quanto ganham.
    Em valores, o grupo formado pelos 10% mais ricos tinha renda média de R$ 3.293,08, segundo a pesquisa do IBGE. Na ponta de baixo da pirâmide, os 10% mais pobres ganhavam R$ 82,28 por mês – ou 40 vezes menos do que o rendimento dos ricos.
    Comparando com o valor do salário mínimo, os 10% mais ricos ganhavam 7,08 salários, enquanto os pobres levavam uma fatia de 0,18 do mínimo.

    http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,lewandowski-sinaliza-a-temer-que-nao-ha-espaco-para-corte-no-orcamento-do-judiciario,10000056317

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