Perguntar não ofende: cadê o relatório sobre o caso da propina ao governador Agnelo Queiroz, quando ele ainda era diretor da Anvisa?

Carlos Newton

Quando surgiu a acusação de que o atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, havia recebido a modesta propina de R$ 5.000,00, depositada em sua conta bancária por um lobista ligado a um laboratório, no tempo em que Agnelo era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a instituição imediatamente nomeou um grupo de trabalho para apurar o caso, com prazo de cinco dias para se manifestar.

Já se passaram mais de dez dias, e até agora, nada. Como se sabe, por incrível coincidência, no dia seguinte ao depósito na conta, o então diretor Agnelo Queiroz liberou o laboratório para participar das licitações do governo. Mas é claro que foi só coincidência, e agora o governador alega que o depósito era referente a um simples empréstimo que ele  fizera ao lobista, em dinheiro vivo, como é praxe em Brasília.

Bem, enquanto a Anvisa não se manifesta, o deputado Izalci (PR-DF) aproveitou para usar a tribuna da Câmara Distrital em Brasília e cobrar explicações de Agnelo Queiroz sobre irregularidades no Ministério do Esporte, ao tempo em que ele era ministro e comandou a pasta antes de se eleger governador.

Izalci analisou, aleatoriamente, vinte convênios firmados entre o ministério e ONGs de Brasília para a realização do Programa Segundo Tempo. Por coincidência, é lógico, 18 dessas 20 ONGs tiveram suas contas rejeitadas pelo próprio ministério.

O deputado conseguiu detalhes sobre treze desses convênios. No total, as treze entidades juntas deveriam devolver aos cofres públicos R$ 18,5 milhões. “As ONGs dizem que atenderam 56.200 jovens, mas eu tenho certeza que não foram mais de 6.000″, denuncia Izalci, acusando ainda Agnelo de ter transferido para o governo o “esquema” de irregularidades, porque os principais assessores de Agnelo no Esporte haviam se transferido para o governo do DF e três de seus secretários estão ligados com entidades ou pessoas investigadas por desvio de recursos de programas da pasta. MAs é tudo apenas coincidência, essa gente despeitada vive a imaginar coisas…

“Isso é um esquema, uma quadrilha, que claramente estava instalada no ministério e se transferiu para o Palácio Buritti”, desabafou Izalci, da tribuna, vejam só a que ponto chegamos em Brasília. Saiu JoséRoberto Arruda, saiu Joaquim Roriz e entrou Agnelo Queiroz. São os três mosqueteiros de Dumas. No mau sentido, é claro.

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