Perplexidade benévola dos partidos

Heron Guimarães (O Tempo)

Perplexos, políticos de todos os partidos não sabem como agir diante de um movimento que ainda não deu sinais de enfraquecimento. Todos ou quase todos esperavam que as ruas fossem desocupadas depois de alguns dias de protestos.

A manifestação, entretanto, mantém-se firme e avessa à intromissão partidária. A maneira como as redes de televisão realizam a cobertura, com comentários infelizes sobre os atos de vandalismo e um pseudozelo ao condenar as badernas, contribui para o clima de guerrilha urbana.

Muitos comentaristas e personalidades do setores político, esportivo e artístico, quando abrem a boca, o fazem de maneira atabalhoada. A verdade é que não sabem o que dizer.

Opiniões infelizes geram mais ira, talvez por isso a presidente Dilma Rousseff tenha optado pelo mínimo de palavras. De certa forma, nessas circunstâncias, é melhor que a autoridade se cale mesmo, até que tenha algo de concreto a oferecer.

Diferentemente de tudo o que vimos até hoje, o “despertar do gigante” é um soco no meio do estômago dos oportunistas, dos corruptos sorrateiros, dos come-quieto e de nós mesmos, população inerte, que, ao longo de décadas, assiste à própria exploração sem contestar nada.

O PT e a CUT tentaram mostrar a cara no movimento. Foram barbarizados, sendo forçados a se recolher em seus delírios eleitoreiros.
Marina, Aécio e Eduardo Campos anunciaram uma união, o que também é um chute no balde. O PSTU, que ainda se arrisca a levantar suas bandeiras para as câmeras, também perdeu crédito.

Não sabemos onde tudo vai parar nem como vai terminar, mas de uma coisa estamos certos: quem não tem o rabo preso com a corrupção, quem não vive das tetas do governo, quem é obrigado a enfrentar trânsito, quem paga impostos sem saber para onde o dinheiro vai, quem convive com gatunos que recebem do erário salários de marajá, os que são assaltados em suas residências, os idosos que têm seus assentos invadidos, as gestantes que parem seu filhos nos corredores, as milhares de pessoas que tiveram dengue, os que não conseguem pagar as contas no fim do mês e os que não satisfazem as necessidades mais elementares de seus filhos pela sobrecarga de governo em suas costas estão se sentindo vingados.

As vozes das ruas estão dando o recado certinho. Este não é somente um movimento, mas algo que pode se tornar uma revolução, capaz de inverter a cruel ordem social que condena os brasileiros a serem cidadãos de segunda categoria.

 

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