PF prende empresário que faturou R$ 8 bilhões nos governos Cabral e Pezão

Luca subornava também o Tribunal de Contas

Chico Otavio e Daniel Biasetto
O Globo

O empresário Marco Antônio de Luca, chefe de cartel de alimentos que lucrou cerca de R$ 8 bilhões nos governos Cabral e Pezão, foi preso em nova operação da força-tarefa da Lava-Jato no Rio. Agentes da Polícia Federal chegaram no início da manhã desta quinta-feira num apartamento de luxo na Vieira Souto, em Ipanema, para cumprir mandado de prisão autorizado pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio. Esta forte presença no setor inspirou o nome da operação, “Ratatouille”, um rústico prato francês (prato com legumes cozidos em azeite) que também batiza um longa-metragem de animação, no qual um ratinho não se contenta apenas em roubar alimentos, como os demais, e luta para ser um grande chef de cozinha.

Luca é acusado de subornar agentes públicos em troca de favorecimento na assinatura de contratos com o governo para fornecer, basicamente, alimentação a escolas públicas e presídios por meio de empresas ligadas ao empresário: Comercial Milano e Masan Serviços Especializados.

CODINOME LOUCCO – Na contabilidade da propina de Sérgio Cabral, ele era identificado como “Loucco”. Mas só agora, seis meses depois da apreensão das anotações de Luiz Carlos Bezerra, operador do esquema, os investigadores descobriram a identidade escondida pelo codinome: “Loucco, de acordo com Bezerra, é Marco Antônio de Luca, o cabeça de um clã de fornecedores de alimentos e serviços ao governo fluminense.

Nas agendas – entre elas uma do Corpo de Bombeiros – e papéis do operador, aparecem pelo menos dois pagamentos, no total de R$ 300 mil, feitos por Luca a Cabral. A revelação garantiu à força-tarefa da Operação Calicute, versão da Lava-Jato no Rio, a evidência que faltava para a prisão do empresário, acusado de fazer parte da organização criminosa comandada pelo ex-governador.

As anotações da contabilidade da propina foram recolhidas, em novembro do ano passado, em operação de busca e apreensão na casa de Bezerra. Porém, os investigadores só descobriram quem era “Loucco” e os outros donos de codinomes da lista, como “Sony”, “Fiel” e “Tia”, depois que Bezerra, em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara da Justiça Federal Criminal, no último dia 4 de maio, os identificou.

PROPINA DO CLÃ – A força-tarefa concluiu que o clã dos Luca pagou R$ 12,5 milhões em propina para obter cerca de R$ 8 bilhões em contratos das empresas do conglomerado com o governo do Rio a partir de 2007, quando Cabral assumiu o governo, até o governo Pezão.

Duas das empresas da família, a Comercial Milano e a Masan Serviços Especializados, lideram o mercado de fornecedores de alimentos para os presídios e para escolas públicas do governo estadual. O clã dos de Luca também atua no fornecimento de equipamentos, limpeza e conservação predial para órgãos estaduais e prefeituras fluminenses, incluindo contratos de valores elevados na capital durante a gestão de Eduardo Paes.

Em 2010, a Masan chegou a fazer uma alteração do objetivo social da empresa para assumir, logo depois, um contrato com o município do Rio, no valor de quase R$ 13 milhões, para gerir a frota de fumacês destinada ao combate à dengue.

DIZ O OPERADOR – Com base nas anotações apreendidas na casa de Bezerra, os investigadores apuraram que o esquema de corrupção comandado por Cabral abasteceu o ex-governador e outras dez pessoas do círculo familiar com R$ 7,3 milhões em propina, sempre em espécie, entre outubro de 2013 e outubro de 2016. Bezerra admitiu que recolhia propina em empreiteiras e outras empresas, incluindo as de Marco de Luca, que prestavam serviço para o governo.

Ele afirmou que cumpria as ordens do operador Carlos Miranda e, a partir de 2015, do próprio ex-governador. Bezerra era remunerado com R$ 30 mil mensais, valores também gerados pelo esquema de corrupção.

9 thoughts on “PF prende empresário que faturou R$ 8 bilhões nos governos Cabral e Pezão

  1. Muito Obrigado Carlos Newton pela publicação de meu comentário. Para confirmar eis a situação de nosso povo da Mata Sul e Norte, que tem sua parte litorânea influindo na linha de mar e rios, o que aumenta a catástrofe dessa gente. Essa menina é um exemplo, como o Jornal Xtra informa em sua post. No meio da tormente ela coloca seus livros em uma bolsa para os salvar. O que diria o “capo do agreste” que dizia ter preguiça de ler a milhares de cidadãos Brasil afora ??? No meio dos sofrimentos o Livro é o caminho para transformar e dizer que a Educação é quem dar como direção em países desenvolvidos os caminhos para o desenvolvimento ! Fiquem com Deus, amo esse espaço,que Deus Abençoe todos vocês !!!

    Extra Digital

    Publicado em 01/06/17 10:33 Atualizado em 01/06/17 13:11
    Fugindo da enchente, menina pernambucana escolhe salvar livros e comove as redes

    Rivânia, resgatada da enchente em uma jangada, e a mochila com os livros Foto: Valter Rodrigues/Blog do Tenório Cavalcanti

    A foto de uma menina de 8 anos sendo resgatada de uma enchente no interior de Pernambuco em uma jangada e agarrada a uma mochila está comovendo as redes sociais. Quando a enchente invadiu a casa da criança, identificada apenas como Rivânia, a avó recomendou que ela salvasse das águas o mais importante.

    A menina correu e colocou todos os seus livros dentro de uma mochila colorida, deixando para trás brinquedos e roupas. Ajoelhada na jangada, Rivânia aparece nas fotos abraçada com a mochila. De acordo com testemunhas, a criança ficou assim até que todos estivessem salvos: ela e os livros.

    Com a casa inundada, menina é resgatada de jangada Com a casa inundada, menina é resgatada de jangada Foto: Válter Rodrigues/ Blog Tenório Cavalcanti
    Criada pelos avós Maria Ivânia e Eraldo Luís, Rivânia mora no distrito de Várzea do Una, no município de São José da Coroa Grande, Zona da Mata Sul de Pernambuco. Às margens do Rio Una, essa é uma das das 24 cidades do estado em situação de emergência devido às chuvas que estão caindo sobre o Nordeste.

    Segundo informações da Prefeitura de São José da Coroa Grande, a família já voltou para a sua residência, mas está em situação precária. Eles moram no imóvel há três anos e essa teria sido a primeira vez em que foram atingidos por uma enchente. Agora, passado o susto, eles pensam em deixar o local.

    Nas redes sociais, várias pessoas elogiam a atitude da menina e ainda falam em ajuda:

    “A melhor de todas as imagens. Que Deus possa iluminar os caminhos dessa criança, colocando-lhe a fé o amor e a sabedoria. Ela já é uma guerreira.”

    “As crianças são o futuro desse Brasil! Que Deus te abençoe, e proteja todos os que estão precisando de ajuda nesse momento tao difícil.”

    “E a lágrimas não para de cair . Aqui em Barra de Sirinhaém não teve enchentes mas eu sinto a dor dos meus coleguinhas das cidades vizinhas. O cenário de guerra é desolador.”

    “Essa merece um livro em sua homenagem, intitulado “A menina que salvava livros”

    As chuvas no Nordeste já afetaram mais 50 mil pessoas nos estados de Alagoas e Pernambuco, com oito mortes registradas. Em Pernambuco, foram dois óbitos. Conforme o balanço da Defesa Civil, são 2.656 pessoas desabrigadas e 42.145 desalojadas. Vinte e quatro cidades estão em situação de emergência.

  2. Em editorial Estadão crítica o juiz Moro e sai em defesa de Temer:

    …atualmente, a julgar pelo que chega ao conhecimento do público,
    as múltiplas acusações feitas pelo Ministério Público contra figurões do mundo político estão baseadas somente, ou principalmente, nas delações, sem que venham acompanhadas de provas materiais suficientes para uma condenação. Quando muito, há provas testemunhais, nem sempre inteiramente dignas de crédito ou confiança. Criou-se um ambiente em que as delações parecem bastar. Se é assim, o objetivo não é fazer justiça, mas uma certa justiça.

    Há tempos ficou claro que certos membros do Ministério Público têm a pretensão de purgar o mundo político daqueles que consideram nocivos. Para esse fim, basta espalhar por aí, por meio de vazamentos deliberados, que tal ou qual político foi citado nesta ou naquela delação para que o destino do delatado esteja selado, muito antes de qualquer tribunal pronunciar sua sentença.

    Foi exatamente o que aconteceu no episódio envolvendo o presidente Michel Temer.

    Se é verdade, como diz o juiz Sérgio Moro, que o objetivo dos paladinos do Ministério Público é “pegar os grandes” criminosos, como explicar que alguém que confessa crimes dessa magnitude, como fez Joesley Batista, não será punido? A resposta é muito simples: o objetivo não é pegar os grandes criminosos, mas apenas aqueles que, na visão dos procuradores da República, devem ser alijados da vida nacional – isto é, os políticos. Ainda que nenhuma prova apareça para corroborar as acusações, o estrago já estará feito. E, no entanto, há muitos políticos honestos neste país.

    Assim, as delações se tornaram instrumentos eminentemente políticos.

    … a agenda nacional, em meio a uma das mais graves crises da história, foi definitivamente contaminada pelo pressuposto de que o Brasil só será salvo se a classe política for desbaratada, como se fosse uma quadrilha. Isso não costuma dar boa coisa.

    https://goo.gl/LyECqX

    As malas de dinheiro o Estadão “esqueceu” de mencionar na defesa de Temer. Provavelmente, na visão do Estadão, um dos muitos políticos honestos.

  3. O Rio de Janeiro está abandonado, mas por culpa dos milhares de eleitores que elegeram Sérgio Cabral, Pezão e Crivella. O mesmo ocorre com o Brasil. Falam do Temer, mas Temer diante do Lulla, Dillma, Vaccari, Caciolla e outros menos votados é um homem elegante, bem vestido, bem articulado, vaidoso, bem casado e que vai conduzindo muito bem a economia. Se ele escapar do TSE certamente ficará no cargo até 31 de dezembro de 2018. Como diria o Ibrahim Sued, quem viver, verá. Sorry. Um detalhe: dá pena ver jornalistas que ontem amavam o PT e hoje jogam pedras no Temer. Não têm moral alguma.

  4. Sérgio Cabral, é o maior corrupto que o estado do Rio de Janeiro teve, nunca vi coisa igual, o sujeito recebia propina de tudo que era obra, serviços e compras, o sujeito é um tremendo ladrão, com a conivência da mulher dele, não consigo acreditar que ela não soubesse destas enormes falcatruas do marido, sabia que o cara não era rico, vivia de salário de governador, demorou para o MP, TCE, receita federal, suspeitar que o cara roubava direto do erário público, tem que pagar e devolver tudo que roubou.

  5. Logo, logo o juiz Bretas solta o caboclo. E aí ele vai visitar a senhora maternal-extremada que vivi lá no Leblon e juntos tomam aquele vinhão francês pago com o nosso din-din.

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