Piada do Ano: Dilma anuncia, mais uma vez, que irá processar a revista IstoÉ

IstoÉ revelou que Dilma é tratada para esquizofrenia

Carlos Newton

Em nota oficial, a assessoria da presidente afastada Dilma Rousseff anunciou que tomará as medidas legais cabíveis na Justiça contra o repórter Sérgio Pardellas, a direção da revista (IstoÉ) e a Editora Três, por causa da reportagem ”As mordomias ilegais da família de Dilma”, publicada na edição deste fim de semana, denunciando que desde o início do primeiro mandato, em 2011, oito carros oficiais blindados e 16 seguranças estão permanentemente à disposição da família de Paula Rousseff, filha de Dilma.  Essa informação de que vai recorrer à Justiça, porém, é apenas mais um factóide da assessoria da ainda presidenta Dilma Rousseff, que jamais cumpre esse tipo de ameaça, porque as reportagens têm base concreta no descumprimento das leis.

No caso da mais recente denúncia da IstoÉ, o direito de usar carros blindados e contar com segurança permanente é garantido apenas a quem exerce a presidência e a vice-presidência da República, não abrangendo seus parentes que moram em outras cidades.

PRIMEIRA AMEAÇA – Esta foi a terceira ameaça de processo que a presidente Dilma faz à imprensa, nos últimos três meses. O primeiro caso, no início de abril, também aconteceu com a IstoÉ. Em nota oficial, o Planalto anunciou processo contra a revista, por divulgar que a chefe do governo tinha problemas psiquiátricos, descontrole emocional e estava sendo tratada contra esquizofrenia.

Escrita por Débora Bergamasco e Celso Pardellas, a explosiva reportagem descrevia rompantes da presidente nos palácios e até mesmo a bordo do Aerolula, relatando que a Aeronáutica pretendia até terceirizar a tripulação do avião presidencial, para poupar os oficiais das humilhações.

Poucos dias depois, o blog O Antagonista comprovou que o Serviço Médico da Presidência realmente havia encomendado cerca de 120 caixas de medicamentos tarja preta (olanzapina) específicos para esquizofrenia. Ou seja, a reportagem da IstoÉ se confirmou e o processo não aconteceu.

SEGUNDA AMEAÇA – Dois meses depois, no dia 3 de junho, o jornalista Merval Pereira publicou em O Globo a seguinte manchete: “Esquema da Petrobras pagou despesas pessoais de Dilma”. A reportagem revelava que mensagens trocadas pelos integrantes do esquema de corrupção na Petrobras tratavam também sobre pagamentos de itens pessoais da presidente, como os serviços do cabeleireiro Celso Kamura, que viajava do Rio para Brasília às custas do grupo. Cada ida de Kamura custava R$ 5 mil. Havia também indicações de que um teleprompter especial foi comprado diretamente para Dilma, sem subordinação aos meios oficiais, para descumprir a burocracia da aquisição.

No mesmo dia, em nota oficial, o Planalto também anunciou que iria processar Merval Pereira e O Globo. No entanto, o tempo foi passando e a ação até agora não foi apresentada à Justiça.

TERCEIRA AMEAÇA – Neste final de semana, surgiu mais uma ameaça de processar a IstoÉ e o jornalista Celso Pardellas. Desta vez, por terem denunciado a mordomia da filha de Dilma, Paula Rousseff, e do marido Rafael Covolo, que desde 2011 estão servidos por oito carros blindados e 16 seguranças. A revista afirmou que, além de constituir inaceitável privilégio, a mordomia é também uma benesse totalmente ilegal. A assessoria de Dilma imediatamente reagiu e divulgou nota oficial:

“1. Serão tomadas as medidas legais cabíveis na Justiça contra o repórter, a direção da revista e a Editora Três. Mais uma vez, IstoÉ comete mau jornalismo e tenta provocar comoção na opinião pública atacando a honra da Presidenta Dilma Rousseff e seus familiares.

2. Não se pode expor de maneira desonesta e vil a honra de pessoas. Ainda mais aquelas que, ao contrário da Editora Três, não travam a luta política e partidária. IstoÉ continua a praticar ficção e romper a fronteira da legalidade em nome da liberdade de imprensa. O resultado é mau jornalismo”, afirma a nota, citando o decreto 6.403, de março de 2008, baixado pelo então presidente Lula.

A LEI É CLARA – Acontece que a própria matéria da IstoÉ já tinha esclarecido o assunto.“Reza o artigo 3º do decreto 6.403 : os veículos oficiais de representação – como os que transportam a família de Dilma – são utilizados exclusivamente pelo presidente da República, pelo vice-presidente, pelos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica e pelo Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e por ex-presidentes da República”.

A única exceção que permitiria que filhos de presidente desfrutassem desse privilégio é se fossem usados os chamados “carros oficiais de transporte institucional”. E com um condicionante: “Se razões de segurança o exigirem” (art. 5º, inciso VI).

Segundo a IstoÉ, não é o caso, definitivamente. “Primeiro, porque carro institucional não possui escolta armada nem placa vinculada ou fria, como os veículos que servem a família de Dilma. Ainda de acordo com instrução normativa do Contran, veículo institucional é identificado com a expressão “governo federal” na cor amarelo ouro e tarja azul marinho. Nenhum dos carros usados por Paula Rousseff e Rafael Covolo exibe esta inscrição.”

Em tradução simultânea, mais uma ameaça de processo judicial que não vai se concretizar. E o resto é folclore.

5 thoughts on “Piada do Ano: Dilma anuncia, mais uma vez, que irá processar a revista IstoÉ

  1. Os quinze anos em que D. Maria I (1734-1816) governou efetivamente sempre foram reduzidos pelos historiadores a um “enclave” entre o reinado de seu pai, D.José I (1750-1777), dominado pela figura marcante do seu valido, o marquês de Pombal (1699-1782), e o de D.João VI (1792-1826). Achincalhada por historiadores republicanos como J.P. de Oliveira Martins (1845-1894) e outros tantos, a rainha sempre foi vista como uma fanática religiosa que teria sido levada à insânia por seus conselheiros e confessores de batina.

    A historiadora Luísa Viana de Paiva Boléo em “D. Maria I a Rainha Louca” (Lisboa: A Esfera dos Livros, 2009) não refaz totalmente essa imagem, mas também não a acentua, procurando reconstituí-la com equilíbrio, reconstruindo não só o período de sua reinação como a sua vida singular. O resultado é um retrato não só inédito desta mulher aclamada rainha a 13 de maio de 1777, aos 43 anos de idade, mas fidedigno, mais condizente com o que se sabe do período e de como se comportavam as famílias reais. Sem deixar de reafirmar o seu caráter de mulher caridosa e devota, que lhe valeu também o epíteto de Piedosa, a biógrafa mostra ainda que D.Maria foi uma mulher culta, que se preocupou em promover as artes e as ciências. E que levou a sério suas funções de governante sempre em nome dos interesses de Portugal.

    De sugestão fica a hipótese que a historiadora Maria Helena Carvalho dos Santos, professora jubilada da Universidade Nova de Lisboa, avança no esclarecedor prefácio que escreveu para esta obra: a de que seria interessante fazer-se uma investigação mais apurada na documentação em busca das razões que teriam levado ao impedimento de D.Maria I, lembrando que muitas intrigas na corte ocorreram em 1792 ao tempo em que foi declarado o seu afastamento sob a alegação de uma possível insanidade mental.

    Talvez tenha sido coincidência, mas é, no mínimo, curioso que a debilidade real tenha se manifestado em 1792, quando o príncipe D. João já tinha 25 anos e andava cercado por uma corte ambiciosa de poder e mudanças, como assinala Luísa Boléo. É possível que a rainha apresentasse sinais de melancolia e depressão, a uma época em que não existiam tratamentos para esse tipo de doença, mas é bastante plausível também a hipótese de que o afastamento da rainha tenha sido apressado por aqueles que viam na ascensão de um príncipe jovem a oportunidade de empolgar o poder por meio de um golpe de estado palaciano, não declarado. É de lembrar que D.João só seria declarado regente em 1799, quando a rainha tinha 65 anos, e que reinou por sete anos em seu nome.

    Antes disso, a rainha, desde que assumira em substituição a seu pai em 1777, nunca se mostrara incapaz ou menos disposta aos assuntos da governação, exercendo o poder em sua plenitude. Houve, inclusive, uma tentativa de levá-la a assinar um documento que absolvia os Távoras e ela não se mostrou disposta a ir contra a decisão do próprio pai e rei. Como se sabe, os Távoras estiveram implicados no atentado a d.José I em 1758 e tiveram morte atroz. Ainda influentes na corte, os partidários dos Távoras patrocinaram um processo que visava a reabilitá-los, mas que se arrastou até 1781, sem que nunca tenha tido o desfecho que esperavam.

    Por essa época, a rainha teria tido uma crise de fúria, atribuída à excessiva influência religiosa que recebia, mas tudo isso também pode ser visto por outro ângulo: se estava fora de seu juízo, por que a rainha não foi declarada louca a esse tempo? E como se pode entender que o país tenha sido governado por uma pessoa insana por tantos anos? Está claro que, por trás dessa história, haveria muitos interesses subalternos em jogo que documentos pouco analisados ou mesmo desconhecidos poderiam trazer à luz.

    Não se pode esquecer que D.Maria Francisca, princesa da Beira, nascida no Paço da Ribeira, filha de D.José de Bragança e de D.Mariana Vitória de Borbón, teve uma vida atribulada: viveu a catástrofe que foi o terremoto de 1755, que destruiu Lisboa e localidades vizinhas, assistiu à execução brutal de alguns nobres acusados de conspiração, sofreu perseguições por parte do marquês de Pombal, homem de confiança de seu pai, mas teve forças para assumir o cetro e, mais importante, para afastar o ministro tão logo assumiu. Em menos de dois anos, viu morrer o marido, D.Pedro III (1717-1786), seu tio, que, segundo o testemunho de estrangeiros contemporâneos, não seria uma inteligência privilegiada, pelo contrário, e seu filho primogênito, D.José (1761-1788), causada por varíola (bexigas), a uma época em que o príncipe já estava casado e pronto para sucedê-la se tivesse herdeiro. Viu ainda a morte de sua filha e de seu genro espanhol, além da de seu confessor, frei Inácio de São Caetano.

    No plano externo, acompanhou com apreensão a má sorte da família real francesa depois da Revolução de 1789 e teve de enfrentar a astúcia e a ambição dos ingleses que, a pretexto de garantir a existência do pequeno reino diante do vizinho, a poderosa Espanha, o que mais faziam era saquear o país e suas colônias, especialmente o Brasil. Tantos sobressaltos em tempos tão conturbados são considerados fatores decisivos para que perdesse a paz de espírito e a sanidade mental, mas isso é apenas uma ilação sem maiores comprovações históricas e documentais.

    Obviamente, Luísa Boléo não nos responde essas dúvidas — nem esse foi o objetivo de seu trabalho —, mas nos mostra o outro lado de uma história até hoje mal contada, desde o nascimento da rainha a 17/12/1734, passando por manobras que tentaram evitar sua presença no trono — talvez porque fosse mulher, embora em Portugal não vigorasse a lei sálica —, até a sua ascensão ao poder e o exercício de um governo que, mesmo recebendo uma herança maldita, soube como assinar a paz com a Espanha, equilibrar a economia e manter a reforma do ensino laico, embora a tenham acusado de ser uma beata, sem levar em conta que a suposta fanática religiosa nunca escolheu um eclesiástico para o seu governo nem revogou a decisão de seu pai que expulsara os jesuítas do Reino e de suas colônias.

    Seja como for, o que se pode concluir é que, ao seu tempo, D.Maria foi uma rainha popular, famosa por suas atitudes de benemerência. Basta ver o que disse dela o potentado santista José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838) em elogio acadêmico, a uma época em que nem imaginava que, um dia, seria figura decisiva na separação do Brasil de Portugal e passaria para a História como o patriarca da independência: “(…) quanto mais humildes e desvalidos eram os que pediam audiências, com tanto maior gosto a Rainha ouvia as suas petições e respondia aos seus queixumes”.

    Ao contrário de outros historiadores, Luísa Boléo preferiu não dar nenhum palpite sobre o número de pessoas que acompanharam o príncipe regente em sua viagem ao Brasil ao final de 1807. Nem repetiu exaustivamente os mais disparatados números exibidos por outros historiadores sem apresentar nenhuma fonte de arquivo que pudesse avalizá-los, mas reconheceu que há um exagero nas estimativas que apontam para 10, 12, 15 e até 20 mil pessoas que teriam atravessado o oceano àquela época.

    Como não teve a oportunidade de compulsar os documentos de arquivo, preferiu ficar com os dados de quem realmente tem estado anos a fio em arquivos brasileiros e portugueses, o arquiteto e historiador Nireu Oliveira Cavalcanti, autor de “O Rio de Janeiro Setecentista: a Vida e Construção da Cidade da Invasão Francesa Até a Chegada da Corte” (Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004), que aponta para cerca de 500 o número de acompanhantes. Por sugestão deste articulista, Luísa Boléo conversou pessoalmente com o historiador em Lisboa, que, mesmo com margem de erro, lhe teria admitido que até 1500 pessoas, “entre fidalgos com familiares, criados de ambos os sexos e pessoal administrativo” (pág.299), poderiam ter acompanhado o príncipe.

    É verdade que citou a informação do irlandês Thomas O´Neill, tenente da esquadra inglesa que acompanhou D.João e família ao Brasil, segundo a qual teriam sido 15 mil os acompanhantes, mas para contestá-la e considerá-la um tabu de 200 anos que só recentemente um historiador, de fato, ousou colocar em xeque.

    Na história do Brasil, é claro, D.Maria também nunca foi bem vista, embora tenha vivido na terra brasileira nove anos, até a morte em 1816, afastada de qualquer questão de governo ou de facções palacianas, sempre bem assistida pelo filho, o príncipe regente D.João, segundo testemunhos da época. É que em 1792 a rainha assinou a sentença que condenou à forca o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, e ao desterro outras pessoas comprometidas com a conspiração de 1789 em Minas Gerais.

    É de assinalar que Tiradentes só ascendeu a mártir nacional depois da queda da monarquia em 1889, tornando-se um ícone republicano. E que à época não haveria outro desfecho para aqueles que conspiravam contra o trono. Dos papéis, o que se conclui é que havia alguns homens de dinheiro — especialmente, ex-arrematantes de contratos endividados com a Coroa — comprometidos com a conspiração, mas que o peso maior recaiu sobre o alferes que, aliás, se não era um magnata, também não era o pobretão que comumente se imagina.

    Além disso, se a conjuração mineira tivesse obtido êxito — e teve todas as possibilidades de dar certo não só em razão das circunstâncias geográficas de Minas como em função da debilidade das forças do Reino para uma reação —, provavelmente, o Brasil não seria o que hoje conhecemos e, sim, um território retalhado por pequenas repúblicas como a América espanhola.

  2. Tudo como dantes no Monte Para o Futuro…

    A polêmica venda da Liquigás
    Por: da Redação 17/07/2016 às 8:32
    Avaliada em 1,5 bilhão de reais, a venda da Liquigás está gerando polêmica. Sete empresas estão no páreo. Mas, de acordo com os concorrentes, uma delas leva vantagem sobre as demais: a Ultragaz.
    Motivo? O diretor financeiro da Petrobras Ivan de Souza Monteiro, que conduz o processo de privatização, foi membro do conselho do grupo Ultra até fevereiro.

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