Piada do Ano! Gilmar, que não erra, pede que Lava Jato assuma erros e saia de cena

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Charge do Cláudio Aleixo (Arquivo Google)

Thais Arbex e Tales Faria
Folha e UOL

Prestes a liberar para julgamento o pedido de suspeição do ex-juiz Sergio Moro, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou que a corte não pode se curvar à popularidade do hoje ministro da Justiça para tomar suas decisões. “Se um tribunal passar a considerar esse fator, ele que tem que fechar”, disse o magistrado em entrevista à Folha e ao UOL.

Gilmar Mendes foi o primeiro convidado de um programa de entrevistas de Folha e UOL que estreia neste domingo (15). O programa faz parte da inauguração de um estúdio compartilhado pelas duas Redações em Brasília.

PROMISCUIDADE – Crítico ferrenho da Lava Jato, o ministro afirmou que as mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil e por outros órgãos de imprensa, como a Folha, mostram um “jogo de promiscuidade”.

“O conúbio entre juiz, promotor, delegado, gente de Receita Federal é conúbio espúrio. Isso não se enquadra no nosso modelo de Estado de Direito.”

Sem citar o nome de Moro nem do coordenador da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, Gilmar disse que o Brasil precisa “encerrar o ciclo dos falsos heróis” e defendeu que a cúpula da força-tarefa assuma que cometeu erros e saia de cena. “Simplesmente dizer: nós erramos, fomos de fato crápulas, cometemos crimes. Queríamos combater o crime, mas cometemos erros crassos, graves, violamos o Estado de Direito.”

POPULARIDADE DE MORO – “Se um tribunal passar a considerar esse fator, ele que tem que fechar, porque ele perde o seu grau de legitimidade. A população aplaude linchamento. E a nossa missão, qual é? É dizer que o linchamento é legal porque a população aplaude? A volúpia, a irracionalidade leva a desastres.”

“No caso do juiz, isso é mais grave porque ele tem que aplicar a lei. Do contrário, a nossa missão falece. Se é para sermos assim legitimados, entregamos, na verdade, a função ao Ibope”.

MORO E DELTAN DALLAGNOL – “As pessoas percebem que esse promotor não está atuando de maneira devida. Esse juiz não está atuando de maneira devida. Se nós viermos a anular ou não esses julgamentos, o juízo que está se formando é o de que não é assim que a Justiça deve funcionar. Que isso é errado, que essas pessoas estavam usando as funções para outra coisa. Isso ficou cada vez mais evidente”.

“O processo penal, em geral, não envolve Madre Teresa de Calcutá. Envolve pessoas que podem ter cometido crimes. Ainda assim, elas têm direitos e esses direitos precisam ser respeitados”.

SUPREMO SOB ATAQUE –“O país entrou, de uns tempos para cá, isso não é de agora, num processo de acendrada polarização, no final do primeiro governo Dilma [Rousseff] e no início do segundo governo Dilma”.

“O tribunal, em geral, ficou isolado. A mídia fez esse tipo de eco. O Supremo foi muito vilipendiado nesse contexto, embora o tribunal tivesse um ativo consigo. Foi o tribunal que condenou os mensaleiros, foi o tribunal que levou a cabo sem produzir diatribes processuais, sem produzir violações. Só mandou prender depois do trânsito em julgado”.

AMEAÇAS À DEMOCRACIA – “Considerando os nossos antecedentes históricos, devemos sempre ter cuidado. Comemoramos no ano passado 30 anos de normalidade institucional, 30 anos de democracia sob a Constituição de 1988, e acho que devemos prosseguir nesse trabalho de construção e reconstrução institucional”.

“Temos que fortalecer a democracia. E devemos, de fato, criticar fortemente aqueles que, de alguma forma, por discurso, por prática, a ameaçam. Devemos estar atentos e, a cada sinal, especialmente partindo de pessoas com responsabilidade institucional, devemos criticar ou mesmo reprimir. Clamar pela restauração do regime militar é um crime contra a democracia, contra a segurança nacional”.

LAVA JATO X DEMOCRACIA – “Quando alguma autoridade se investe de um poder incontrastável ou soberano, ela de fato ameaça a democracia. Quando se diz que não se pode contrariar a Lava Jato, que não se pode contrariar o espírito da Lava Jato —e muitos de vocês na mídia dão um eco a isso—, nós estamos dizendo que há um poder soberano. Onde? Em Curitiba.”

“Que poder incontrastável é esse? Aprendemos, vendo esse submundo, o que eles faziam: delações submetidas a contingência, ironizavam as pessoas, perseguiram os familiares para obter o resultado em relação ao investigado. Tudo isso que nada tem a ver com o Estado de Direito”.

FECHARIAM O CONGRESSO – “Vamos imaginar que essa gente estivesse no Executivo. O que eles fariam? Certamente fechariam o Congresso, fechariam o Supremo. Esse fenômeno de violação institucional não teria ocorrido de forma sistêmica não fosse o apoio da mídia. Portanto, são coautores dos malfeitos”.

“Por sorte e a despeito de vir de uma fonte ilegal, houve essa revelação. E parece que os colegas hoje percebem a gravidade, que na verdade se estava gerando o ovo da serpente. Pessoas inexperientes que se deslumbraram, sem controle, porque não havia controle sequer dos órgãos correcionais. Eles começaram a delirar no sentido literal do termo”.

USO DE PROVAS ILÍCITAS – “A gente já tem precedentes, talvez tópicos aqui e acolá, [sobre] o uso da prova ilícita em benefício do réu. Quando você, por exemplo, tem uma informação que isenta alguém de responsabilidade por um homicídio, ainda que tenha sido obtido ilicitamente, deve ser de alguma forma reconhecida”.

“Esse é um debate que certamente vamos ter na turma, se chegarmos a esse ponto da questão, sobre o uso das informações vindas do The Intercept”. Mas aí uma curiosidade e uma observação: quem defendia o uso de prova ilícita até ontem eram os lavajatistas. Nas dez medidas [de combate à corrupção], estava lá que a prova ilícita de boa-fé deveria ser utilizada.

AUGUSTO ARAS E LISTA TRÍPLICE – “É uma pessoa experiente. A lista [tríplice, da associação nacional dos procuradores] é uma coisa inventada. Ela não tem base jurídica e não tem nada de democrática. Na verdade aquilo é um partido de sindicatos”.

“Um dos grandes erros institucionais do PT foi o de assegurar que nomearia o primeiro da lista, porque isso significava que o presidente se demitia do poder de nomear e de estabelecer qualquer critério. E quem seria o primeiro da lista? O presidente da associação, o dono da associação, o dono do sindicato. É importante a mudança e que o presidente tenha escolhido de forma livre”.

EVANGÉLICO NO SUPREMO – “Primeiro precisa saber ler a Constituição. É fundamental que tenha a reputação ilibada e notável saber jurídico. O critério religioso não faz parte do texto constitucional. As pessoas podem ter as mais diversas convicções. Poderá vir um ministro evangélico que seja um notável juiz, mas não deve ser escolhido por isso. Deve ser escolhido por saber aplicar bem a Constituição”.

“Moro no Supremo? Isso terá que ser considerado no seu tempo. Começamos com o Moro quase como primeiro-ministro, agora já não se sabe mais nem se ele será ministro amanhã, se continua [no governo] ou em que condições continua”.

“Em suma, esse processo é muito dinâmico, e a política é um pouco assim. Nós estamos vivendo tempos de vertigem, de mudanças. Precisamos esperar, mas certamente não será uma indicação muito simples. O Senado terá algo a dizer sobre qualquer nome que vier a ser colocado”.

CPI DA LAVA TOGA – “É notório que uma CPI para investigar o Supremo ou um dado ministro, pela própria jurisprudência da Casa, é flagrantemente inconstitucional. Acho que os próprios signatários, os principais líderes, sabem disso”.

“Se essa CPI fosse instalada, produziria nenhum resultado. Certamente, o próprio Supremo mandaria trancá-la. A independência dos Poderes não permite esse tipo de investigação, está dentro das cláusulas pétreas. Mas, se ela não fosse trancada, também não produziria resultado. É mais uma mensagem desse populismo aí”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É o tipo de “Entrevista-Vôlei”. Os jornalistas levantam a bola para o entrevistado “dar cortadas sem bloqueio” e depois “nadar de braçada”. O entrevistado passa a ser o dono da verdade. Exemplo: na matriz USA, a prova ilícita de boa fé é válida, mas aqui na filial Brazil não pode… Desse jeito, a matéria ganha automaticamente inscrição na Piada do Ano, denegrindo o jornalismo da Folha/UOL.  Mas quem se interessa? (C.N.)

22 thoughts on “Piada do Ano! Gilmar, que não erra, pede que Lava Jato assuma erros e saia de cena

  1. Tudo combinado de forma a tornar as palavras do Gilmar Mendes uma primazia de verdades. Está aberto as opiniões de todo cidadão brasileiro. As atitudes do eminente ministro se bem avaliadas mostram o seu desejo de ser coroado rei do supremo. Isso porque se sente como tal por defender exatamente a casta mais abastada da república tornando a plebe pagadora de impostos escrava das suas decisões. Será que tem ser humano no Supremo?

  2. Prova ilícita de boa fé? Eis um trecho do jurista Lenio Sreck:

    Quero ler em “voz alta” o que diz a CF — e que a comunidade jurídica ouça: Artigo 5º, LVI — são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos. O que se pode ler disso? O que é inadmissível? Aquilo que não pode ser admitido, não pode ser aceito; o que é prova? Como diria um famoso manual, prova é aquilo que serve para demonstrar algo; e o que é “obtidas”? Como diria outro manual, é aquilo que se obtém, se capta, pega, captura; e o que são “meios ilícitos”? São meios que a lei não permite. Bingo. Atenção: a própria CF diz no mesmo artigo 5º, X, que são invioláveis a intimidade, a vida privada, da honra, a imagem, o domicílio, e as comunicações, salvo nos casos permitidos no inciso XII, do mesmo artigo, a das comunicações telefônicas. Bingo. Obtenção de prova ilícita viola, sempre, de algum modo, aquilo que a própria CF estabelece como inviolável e/ou protegido.

  3. E mais um trecho do artigo do jurista Lenio Streck:

    “Triste é o pais que, sob pretexto de combater o crime, assume que pode violar garantias. A proposta atira fora o bebê junto com a água suja. Pior: o que é isto, a “boa fé” ligada a uma ilicitude? Não estaríamos diante de uma contradição performativa ou de um paradoxo? Como assim? Ilicitude mais boa-fé igual a licitude? Genial, não?”

    • Lênio, que se intitula filósofo do Direito, na verdade é um mero sofista, pois usa o jogo de palavras para adulterar a verdade!

      Eu gostaria muito que esse presunçoso ex-procurador dissesse claramente se Lula é um criminoso ou o julgamento e posterior condenação de Moro, se deu em razão de “pretextos crimes” praticados pelo ladrão e genocida??!!

      Lênio adora falar sobre suposições, ideias, imaginações, se isso, se aquilo, permanentemente usando o “se” como partícula condicional.

      Logo, o dedo onde mete não é sobre a essência da questão, mas apenas para furar o glacê do bolo, assim como agem as crianças em festa de aniversário, onde esta é uma das maiores atrações, furar a a cobertura da torta e sair lambendo os dedinhos!

      Falacioso, nada mais que um falacioso!

    • .
      e, e, e,
      e

      Auditores Fiscais da Receita Federal
      apontam que
      gilmáu mende É UM S.O.N.E.G.A.D.O.R !!!
      ESTÁ NO DOMÍNIO PÚBLICO, via Internet
      Luciene Ferro da Cunha, Auditora Fiscal da Receita Federal,
      em artigo publicado, o diz COM TODAS AS LETRAS.

      ESTÁ, POIS, NO DOMÍNIO PÚBLICO !!!

  4. Todos os déspotas tiveram seu fim.
    Com este CRÁPULA, e os outros trevosos, acontecerá a mesma coisa.
    A batata dos FDPs está assando.
    Eles não perdem por esperar.

    #somostodosmoro

    Atenciosamente.

    • Concordo plenamente, e digo mais, a batata do Gilmar Mendes está para lá de assada, e ele não consegue mais segurar e se enfiar na boca já viu, mas a festa está boa e o palhaço precisa agradar aos que lhe pagam.
      Portanto, ele já sabe que seu fim está muito próximo e o seu medo é está na cara.

  5. Os apresentadores do Jornal Nacional fizeram o mesmo tipo de entrevista com Boçalnaro. Levantaram a bola para o Boçal cortar.

    O Jornal Nacional foi o maior impulsionador da campanha do Boçalnaro antes da facada…

    Durante a sabatina dos candidatos a presidência no Jornal Nacional, quando foi a vez de Boçalnaro, William Bonner e Renata Vasconcelos tiveram a chance de desmascarar essa farsa chamada Bolsonaro.

    Era só perguntarem para ele o básico que ele iria se enrolar todo: Economia, educação, comercio exterior, etc etc etc

    Se a dupla picareta fizesse perguntas dentro dessas categorias que coloquei, o Boçalnaro mostraria para toda a Nação que ele é um ignorante e farsante.

    Mas qual foram as perguntas que a dupla dinâmica fez ao candidato Boçalnaro?

    “Você é homofóbico?”
    “Você é racista?”
    “Você é misógino?”

    Ou seja, a dupla do Jornal Nacional fez o famoso “levantou a bola para Boçalnaro cortar”.

    • O candidato do presidiário corrupto ladrão lavador de dinheiro teve melhor tratamento,até porque o luiz Inácio tinha que encher as burras da Globo porque do contrário ela mostraria toda as as suas falcatruas que, que tu sabes ou deverias saber, não são poucas.
      A vida é assim mesmo quando prendemos bandidos muita gente não gosta. Faz parte da natureza humana ficar com pena de vagabundos.
      Lula preso é melhor até para ele porque se soltar roubará ainda mais.

  6. Nos rincões dos Mendes

    Leandro Fortes, de Diamantino (MT) Revista Carta Capital 20/11/2008 18:10:25

    Existe um lugar, nas entranhas do Centro-Oeste, onde a vetusta imagem do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, nada tem a ver com aquela que lhe é tão cara, de paladino dos valores republicanos, guardião do Estado de Direito, diligente defensor da democracia contra a permanente ameaça de um suposto – e providencial – “Estado policial”. Em Diamantino, a 208 quilômetros de Cuiabá, em Mato Grosso, o ministro é a parte mais visível de uma oligarquia nascida à sombra da ditadura militar (1964-1985), mas derrotada, nas eleições passadas, depois de mais de duas décadas de dominação política.

    O atual prefeito de Diamantino, o veterinário Francisco Ferreira Mendes Júnior, de 50 anos, é o irmão caçula de Gilmar Mendes. Por oito anos, ao longo de dois mandatos, Chico Mendes, como é conhecido desde menino, conseguiu manter-se na prefeitura, graças à influência política do irmão famoso. Nas campanhas de 2000 e 2004, Gilmar Mendes, primeiro como advogado-geral da União do governo Fernando Henrique Cardoso e, depois, como ministro do STF, atuou ostensivamente para eleger o irmão. Para tal, levou a Diamantino ministros para inaugurar obras e lançar programas, além de circular pelos bairros da cidade, cercado de seguranças, a pedir votos para o irmão-candidato e, eventualmente, bater boca com a oposição.

    Em setembro do ano passado, o ministro Mendes foi novamente escalado pelo irmão Chico Mendes para garantir a continuidade da família na prefeitura de Diamantino. Depois de se ancorar no grupo político do governador Blairo Maggi, Chico Mendes migrou para o partido do vice-presidente José Alencar, e ingressaram na base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – a quem, como se sabe, Mendes costuma, inclusive, chamar às falas, quando necessário. Maggi e os Mendes, então, fizeram um pacto político regional, cujo movimento mais ousado foi a assinatura, em 10 de setembro de 2007, do protocolo de intenções para a instalação do Grupo Bertin em Diamantino, às vésperas do ano eleitoral de 2008.

    Considerado um dos gigantes das áreas agroindustrial, de infra-estrutura e de energia, o Bertin acabou levado para Diamantino depois de instalado um poderoso lobby político capitaneado por Mendes, então vice-presidente do STF, com o apoio do governador Blairo Maggi, a quem coube a palavra final sobre a escolha do local para a construção do complexo formado por um abatedouro, uma usina de biodiesel e um curtume. O investimento previsto é de 230 milhões de reais e a perspectiva de criação de empregos chega a 3,6 mil vagas. Um golpe de mestre, calcularam os Mendes.

    No evento de assinatura do protocolo de intenções, Gilmar Mendes era só sorrisos ao lado do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, a quem levou a Diamantino para prestigiar a gestão de Chico Mendes, uma demonstração de poder recorrente desde a primeira campanha do irmão, em 2000. Durante a cerimônia, empolgado com a presença do ministro e de dois diretores do Bertin, Blairo Maggi conseguiu, em uma só declaração, carimbar o ministro Mendes como lobista e desrespeitar toda a classe política mato-grossense. Assim falou Maggi: “Gilmar Mendes vale por todos os deputados e senadores de Mato Grosso”. Presente no evento estava o prefeito eleito de Diamantino, Erival Capistrano (PDT), então deputado estadual. “O constrangimento foi geral”, lembra Capistrano.

    Ainda na festa, animado com a atitude de Maggi, o deputado Wellington Fagundes (PR-MT) aproveitou para sacramentar a ação do presidente do STF. “O ministro Gilmar Mendes tem usado o seu prestígio para beneficiar Mato Grosso, apesar de não ser nem do Executivo nem do Legislativo”, esclareceu, definitivo. Ninguém, no entanto, explicou ao público e aos eleitores as circunstâncias da empresa que tão alegremente os Mendes haviam conseguido levar a Diamantino.

    O Grupo Bertin, merecedor de tanta dedicação do presidente do STF, foi condenado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em novembro de 2007, logo, dois meses depois da assinatura do protocolo, por formação de cartel com outros quatro frigoríficos. Em 2005, as empresas Bertin, Mataboi, Franco Fabril e Minerva foram acusadas pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça de combinar os preços da comercialização de gado bovino no País. Foi obrigado a pagar uma multa equivalente a 5% do faturamento bruto, algo em torno de 10 milhões de reais. No momento em que Gilmar Mendes e Blairo Maggi decidiram turbinar a campanha eleitoral de Diamantino com o anúncio da construção do complexo agroindustrial, o processo do Bertin estava na fase final.

    Ainda assim, quando a campanha eleitoral de Diamantino começou, em agosto passado, o empenho do ministro Mendes para levar o Bertin passou a figurar como ladainha na campanha do candidato da família, Juviano Lincoln. Em uma das peças de rádio, o empresário Eraí Maggi, primo do governador, ao compartilhar com Chico Mendes a satisfação pela vinda do abatedouro, manda ver: “Tenho falado pro Gilmar, seu irmão, sobre isso”.

    Em uma das fazendas de soja de Eraí Maggi, o Ministério do Trabalho libertou, neste ano, 41 pessoas mantidas em regime de escravidão.
    Tanto esforço mostrou-se em vão eleitoralmente. Em outubro passado, fustigado por denúncias de corrupção e desvio de dinheiro, o prefeito Chico Mendes foi derrotado pelo notário Erival Capistrano, cuja única experiência política, até hoje, foi a de deputado estadual pelo PDT, por 120 dias, quando assumiu o cargo após ter sido eleito como suplente. “Foi a vitória do tostão contra o milhão”, repete, como um mantra, Capistrano, a fim de ilustrar a maneira heróica como derrotou, por escassos 418 votos de diferença, o poder dos Mendes em Diamantino. De fato, não foi pouca coisa.

    Em Diamantino, a família Mendes se estabeleceu como dinastia política a partir do golpe de 1964, sobretudo nos anos 1970, época em que os militares definiram a região, estrategicamente, como porta de entrada para a Amazônia. O patriarca, Francisco Ferreira Mendes, passou a alternar mandatos na prefeitura com João Batista Almeida, sempre pela Arena, partido de sustentação da ditadura. Esse ciclo foi interrompido apenas em 1982, quando o advogado Darcy Capistrano, irmão de Erival, foi eleito, aos 24 anos, e manteve-se no cargo por dois mandatos, até 1988. A dobradinha Mendes-Batista Almeida só voltaria a funcionar em 1995, bem ao estilo dinástico da elite rural nacional, com a eleição, primeiro, de João Batista Almeida Filho. Depois, em 2000, de Francisco Ferreira Mendes Júnior, o Chico Mendes.

    Gilmar nasceu em Diamantino em 30 de dezembro de 1955. O lugar já vivia tempos de franca decadência. Outrora favorecida pelo comércio de diamantes, ouro e borracha por mais de dois séculos, a cidade natal do atual presidente do STF se transformou, a partir de meados do século XX, num município de economia errática, pobre e sem atrativos turísticos, dependente de favores dos governos federal e estadual. Esse ambiente de desolação social, cultural e, sobretudo, política favoreceu o crescimento de uma casta coronelista menor, se comparada aos grandes chefes políticos do Nordeste ou à aristocracia paulista do café, mas ciosa dos mesmos métodos de dominação.

    Antes do presidente do STF, a figura pública mais famosa do lugar, com direito a busto de bronze na praça central da cidade, para onde os diamantinenses costumam ir para fugir do calor sufocante do lugar, era o almirante João Batista das Neves. Ele foi assassinado durante a Revolta da Chibata, em 1910, por marinheiros revoltosos, motivados pelos maus-tratos que recebiam de oficiais da elite branca da Marinha, entre eles, o memorável cidadão diamantinense.
    Na primeira campanha eleitoral de Chico Mendes, em 2000, o então advogado-geral da União,

    Gilmar Mendes, conseguiu levar ministros do governo Fernando Henrique Cardoso para Diamantino, a fim de dar fôlego à campanha do irmão. Um deles, Eliseu Padilha, ministro dos Transportes, voltou à cidade, em agosto de 2001, ao lado de Mendes, para iniciar as obras de um trecho da BR-364. Presente ao ato, prestigiado como sempre, estava o irmão Chico Mendes. No mesmo mês, um dos principais assessores de Padilha, Marco Antônio Tozzati, acusado de fazer parte de uma quadrilha de fraudadores que atuava dentro do Ministério dos Transportes, juntou-se a Gilmar Mendes para fundar a Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Diamantino, a Uned.

    O ministro Mendes, revelou a Carta Capital na edição 516 (leia o post Gilmar: às favas a ética), é acionista de outra escola, o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), que obteve contratos sem licitação com órgãos públicos e empréstimos camaradas de agências de fomento. Não é de hoje, portanto, que o ensino, os negócios e a influência política misturam-se oportunamente na vida do presidente do Supremo.

    No caso da Uned, o irmão-prefeito bem que deu uma mãozinha ao negócio do irmão. Em 1º de abril de 2002, Chico Mendes sancionou uma lei que autorizava a prefeitura de Diamantino a reverter o dinheiro recolhido pela Uned em diversos tributos, entre os quais o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto Sobre Serviços (ISS) e sobre alvarás, em descontos nas mensalidades de funcionários e “estudantes carentes”. Dessa forma, o prefeito, responsável constitucionalmente por incrementar o ensino infantil e fundamental, mostrou-se estranhamente interessado em colocar gente no ensino superior da faculdade do irmão-ministro do STF.

    Em novembro de 2003, o jornalista Márcio Mendes, do jornal O Divisor, de Diamantino, entrou com uma representação no Ministério Público Estadual de Mato Grosso, para obrigar o prefeito a demonstrar, publicamente, que funcionários e “estudantes carentes” foram beneficiados com a bolsa de estudos da Uned, baseada na renúncia fiscal – aliás, proibida pela Lei de Responsabilidade Fiscal – autorizada pela Câmara de Vereadores. Jamais obteve resposta. O processo nunca foi adiante, como, de praxe, a maioria das ações contra Chico Mendes.

    Atualmente, Gilmar Mendes está afastado da direção da Uned. É representado pela irmã, Maria Conceição Mendes França, integrante do conselho diretor e diretora-administrativa e financeira da instituição.

    O futuro prefeito, Erival Capistrano, estranha que nenhum processo contra Chico Mendes tenha saído da estaca zero e atribui o fato à influência do presidente do STF. Segundo Capistrano, foram impetradas ao menos 30 ações contra o irmão do ministro, mas quase nada consegue chegar às instâncias iniciais sem ser, irremediavelmente, arquivado. Em 2002, a Procuradoria do TCE mato-grossense detectou 38 irregularidades nas contas da prefeitura de Diamantino, entre elas a criação de 613 cargos de confiança. A cidade tem 19 mil habitantes. O Ministério Público descobriu, ainda, que Chico Mendes havia contratado quatro parentes, inclusive a mulher, Jaqueline Aparecida, para o cargo de secretária de Promoção Social, Esporte e Lazer.

    No mesmo ano de 2002, o vereador Juviano Lincoln (ele mesmo, o candidato da família) fez aprovar uma lei municipal, sancionada por Chico Mendes, para dar o nome de “Ministro Gilmar Ferreira Mendes” à avenida do aeródromo de Diamantino. Dois cidadãos diamantinenses, o advogado Lauro Pinto de Sá Barreto e o jornalista Lúcio Barboza dos Santos, levaram o caso ao Senado Federal. À época, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), não aceitou a denúncia. No Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a acusação contra a avenida Ministro Gilmar Mendes também não deu resultados e foi arquivada, no ano passado.

    A lentidão da polícia e da Justiça na região, inclusive em casos criminais, acaba tendo o efeito de abrir caminho a várias suspeitas e deixar qualquer um na posição de ser acusado – ou de ver o assunto explorado politicamente.

    Em 14 de setembro de 2000, na reta final da campanha eleitoral, a estudante Andréa Paula Pedroso Wonsoski foi à delegacia da cidade para fazer um boletim de ocorrência. Ao delegado Aldo Silva da Costa, Andréa contou, assustada, ter sido repreendida pelo então candidato Chico Mendes, sob a acusação de tê-lo traído ao supostamente denunciar uma troca de cestas básicas por votos, ao vivo, em uma emissora de rádio da cidade. A jovem, de apenas 19 anos, trabalhava como cabo eleitoral do candidato, ao lado de uma irmã, Ana Paula Wonsoski, de 24 – esta, sim, responsável pela denúncia.

    Ao tentar explicar o mal-entendido a Chico Mendes, em um comício realizado um dia antes, 13 de setembro, conforme o registro policial, alegou ter sido abordada por gente do grupo do candidato e avisada: “Tome cuidado”. Em 17 de outubro do mesmo ano, 32 dias depois de ter feito o BO, Andréa Wonsoski resolveu participar de um protesto político.

    Ela e mais um grupo de estudantes foram para a frente do Fórum de Diamantino manifestar contra o abuso de poder econômico nas eleições municipais. A passeata prevista acabou por não ocorrer e Andréa, então, avisou a uma amiga, Silvana de Pino, de 23 anos, que iria tentar pegar uma carona para voltar para casa, por volta das 19 horas. Naquela noite, a estudante desapareceu e nunca mais foi vista. Três anos depois, em outubro de 2003, uma ossada foi encontrada por três trabalhadores rurais, enterrada às margens de uma avenida, a 5 quilômetros do centro da cidade. Era Andréa Wonsoski.

    A polícia mato-grossense jamais solucionou o caso, ainda arquivado na Vara Especial Criminal de Diamantino. Mesmo a análise de DNA da ossada, requerida diversas vezes pela mãe de Andréa, Nilza Wonsoski, demorou outros dois anos para ficar pronta, em 1º de agosto de 2005. De acordo com os três peritos que assinam o laudo, a estudante foi executada com um tiro na nuca. Na hora em que foi morta, estava nua (as roupas foram encontradas queimadas, separadas da ossada), provavelmente por ter sido estuprada antes.

    Chamado a depor pelo delegado Aldo da Costa, o prefeito Chico Mendes declarou ter sido puxado pelo braço “por uma moça desconhecida”.

    Segundo ele, ela queria, de fato, se explicar sobre as acusações feitas no rádio, durante o horário eleitoral de outro candidato. Mendes alegou não ter levado o assunto a sério e ter dito a Andréa Wonsoski que deixaria o caso por conta da assessoria jurídica da campanha.

    Carta Capital tentou entrar em contato com o ministro Gilmar Mendes, mas o assessor de imprensa, Renato Parente, informou que o presidente do STF estava em viagem oficial à Alemanha. Segundo Parente, apesar de todas as evidências, inclusive fotográficas, a participação de Mendes no processo de implantação do Bertin em Diamantino foi “zero”. Parente informou, ainda, que a participação do ministro nas campanhas do irmão, quando titular da AGU, foram absolutamente legais, haja vista ser Mendes, na ocasião, um “ministro político” do governo FHC. O assessor não comentou sobre os benefícios fiscais concedidos pelo irmão à universidade do ministro.

    A reportagem da Carta também procurou o prefeito Chico Mendes. O chefe de gabinete, Nélson Barros, prometeu contatar o prefeito e, em seguida, viabilizar uma entrevista, o que não aconteceu.

  7. “Morro de rir, mas não acho graça”, deveria ser a frase que caracterizasse os falsos justos, os enganadores que defendem julgamentos rígidos, e de acordo com protocolos que inventam quando a intenção é beneficiar seus aliados políticos ou ideologias que abraçaram.

    As declarações do gaúcho Lênio Streck – não são todos os gaúchos defensores da Pátria, pois existem uns e outros com espíritos de porcos -, age da mesma forma que Ciro Gomes: contradições explícitas, escancaradas, e quer posar de “jurista”.

    O meu conterrâneo, José Vidal, declarado admirador de Ciro, também é um seguidor do que diz o ex-procurador Lênio, ao postar trechos deste “filósofo” do Direito, condenando Moro pela sua atuação à frente da Lava Jato, ao julgar e condenar Lula, MESMO QUE A SUA SENTENÇA TENHA SIDO RATIFICADA POR INSTÂNCIAS SUPERIORES que, se fosse como alega Lênio, as suas críticas não poderiam ser canalizadas apenas para o ex-juiz, mas para a Justiça, em geral!

    Agora, a doideira desse pessoal, que deseja ardentemente estar sob holofotes da mídia, sendo entrevistados, veiculados seus pareceres como a suprema verdade – e a cópia de Vidal é a comprovação tácita do que digo -, ENTÃO POR QUE CARGAS D’ÁGUA AS CONVERSAS OBTIDAS ILEGALMENTE (roubo, portanto) PELA TAL DA INTERCEPT SÃO ACEITAS CONTRA MORO???!!!

    Mas aonde que está a coerência, a seriedade, a responsabilidade daqueles que se consideram “doutores em Direito???!!!

    Então as tais provas ilícitas não valem contra os amigos dessas pessoas de “notáveis conhecimentos jurídicos”, mas plenamente cabíveis, aceitáveis, contra aqueles que não se identificam politicamente???!!!

    Lênio sempre foi arrogante, prepotente, megalômano, assim como Ciro Gomes.
    Agora, Gilmar Mendes, agindo dessa maneira deprimente, deletéria, mal intencionado, contra a Lava Jato que condenou amigos seus, e se colocou muito superior ao Supremo na busca da Justiça para acabar com a impunidade, e alimentada pelos ministros do STF, trata-se de uma das mais pérfidas e solertes figuras da República!

    Maldoso, sub-reptício, falso, mentiroso, escancaradamente tendencioso, manipulador, deixa patente que a sua intenção é de não permitir que instâncias inferiores ou qualquer outro poder seja mais importante que ele e o seu STF!
    Não admite que um juiz ou desembargador dite o caminho que ele deve percorrer.

    Gilmar Mendes, na sua ótica DOENTIA é o início e fim de qualquer julgamento onde estejam envolvidos pessoas de suas relações ou que pertençam ao sistema onde é o seu ferrenho defensor, protetor, mantenedor da impunidade e diferenças entre os cidadãos dessa republiqueta!

    Gilmar Mendes não atua em prol da Justiça, mas em enaltecimento a si mesmo, da sua autoridade incontestável, e de que a sua palavra é a própria lei.

    A razão pela qual não foi alvo de impeachment pelo senado, eis a resposta do próprio ministro:
    Francamente favorável às ilicitudes, aos ladrões que roubaram o povo e país, fidelíssimo à impunidade, EVIDENTEMENTE QUE O LEGISLATIVO JAMAIS COLOCARÁ MENDES NO BANCO DOS RÉUS, pois a serviço da corrupção e comandado por corruptos!

  8. Que tal fechar a Lava Jato com Chave de Ouro prendendo ele junto com Lula, seria o encontro dos iguais nas madrugadas frias de Curitiba ?? Seria a “Dupla Cara de Pau, Beiçola Apoplético e Cachaça Ratazana Profunda”. Seria um dia de festa no Brasil inteiro !!!! Todos os Homens de Bem do Brasil iriam comemorar e a Nação se livraria de mais um câncer moral pendurado no STF !!!!

  9. Bom dia , leitores (as):

    Senhora Thais Arbex e Senhor Tales Faria ( Folha e UOL) e Carlos Newton , vejam bem a ” CONTRADIÇÃO e MÁ FÉ ” do Ministro / juiz do STF Gilmar Mendes , ” a lista tríplice da associação nacional dos procuradores é uma coisa inventada , não tem base jurídica e não tem nada de democrática ” , porém ele e seus comparsas da 2ª turma , cancelaram uma decisão em relação ao ex – presidente do BB e Petrobras Ademir Bendine beneficiando – o , sem nenhuma previsão ou amparo legal .

  10. O ministro Gilmar está deixando a tropa do “capitão expulsão” tonta falando a verdade. É verdade sim o que diz a muito tempo, que agora se confirmou. A culpa não é de Gilmar do avanço da ciência. Até na Suiça foram procurar conta de Gilmar. E mesmo assim a tropa do capitão expulsão não dá um minuto de folga a Gilmar. A maior ilação sobre Gilmar é que ele tomou emprestado ao Bradesco 36 milhões de reais e pagou com um deságio de 2.500,00 (dois milhões e quinhentos mil reais. Essa é fácil de provar e ninguém prova. Só para lembrar o ex-policial Queiroz tornou-se um símbolo da moralidade acusando Gilmar mostrando gravações fotografias. Foi expuso da polícia e hoje está aslado na Suiça. Será que esse animal corrupto chamado Gilmar é tão forte assim. Eu acho que ele não é forte. Ele tem faro e percebe de longe os falsos moralistas. Descobre nos presídio gente presa provisoriamente há quatrorze anos. Esculhamba Moro e Daglanol e ele ainda não conseguiram tirá-lo do STF. Não fora o Bolsonaro esses dois já teriam perdido os cargos. Mas não é proibido gostar dos dois.

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