Piada do Ano: TV Globo nega interferir no setor de telecomunicações

Deu na Folha

O presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho, enviou carta à Folha para contestar reportagem publicada na terça, no site e nesta quarta (21), no impresso, que trata dos diários do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. No primeiro volume dos diários, FHC afirma ter nomeado um alto funcionário do Ministério das Comunicações em 1995 após consultar Roberto Ireneu Marinho a respeito de três indicações. Um desses nomes foi escolhido secretário-executivo pelo então titular da pasta, Sérgio Motta.

O trecho da obra, reproduzido na reportagem da Folha, diz o seguinte: “Eu próprio [FHC], depois de ter pedido uma informação ao Roberto Irineu Marinho a respeito de três pessoas competentes da área, pedi ao [ministro] Eduardo Jorge que as entrevistasse”, afirma o tucano. “Passei os nomes ao Sérgio Motta [1940-98]. O secretário-executivo escolhido pelo Sérgio [Renato Guerreiro] é um desses três.”

“O então presidente, por iniciativa dele, quis conhecer a minha opinião sobre três nomes para uma posição técnica”, afirma Marinho na nota enviada à Redação.

CARTA DE ROBERTO IRINEU

Leia abaixo a íntegra da carta do presidente do Grupo Globo.*

“Na reportagem “Reclamações contra a Folha são uma constante no livro” (ontem, Poder, página A10), a Folha afirma que a Globo influenciou a escolha de nomes no Ministério das Comunicações. Não é verdade. A Folha omitiu outros trechos do diário em que o então presidente Fernando Henrique atesta que a Globo não teve, nem quis ter, qualquer influência. Em 25 de dezembro de 1994, ele disse: “Nunca houve, nem de longe, nenhuma insinuação de designação de A, B ou C”. Mais, o pessoal da Globo especificamente disse o seguinte: “Olha, o ministro é seu, quem disser que fala por nós está mentindo, nós não temos nenhuma reivindicação”. Nos registros feitos entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro de 1995, disse Fernando Henrique em relação ao ministério:

“É preciso mudar os métodos de administração, acabar com o nepotismo e, sobretudo, com a falta de critérios objetivos na distribuição dos canais. Eu já tinha conversado muito com o Sérgio sobre esse assunto e ele está levando isso adiante, com o apoio, hoje, de setores crescentes da opinião pública e – devo deixar aqui um depoimento – do Sistema Globo, que não tem reivindicação nenhuma na matéria. Pelo contrário, o seu desejo é que haja uma limpeza na área”.

Ao omitir tais declarações, a Folha cometeu erro grave e distorceu os fatos. Para o leitor do livro, o trecho citado pela Folha deixa evidente o que se passou. O então presidente, por iniciativa dele, quis conhecer a minha opinião sobre três nomes para uma posição técnica, nenhum deles das minhas relações pessoais ou profissionais. E, depois de mandar auxiliares inquiri-los e de ouvir a opinião de outras pessoas, nomeou aquele que quis, prerrogativa apenas dele. Outros trechos do diário mostram as dificuldades que nosso grupo de comunicação enfrentou no ministério, o que demonstra, mais uma vez, que nossa influência nele foi nenhuma”.

Roberto Irineu Marinho, presidente do Grupo Globo

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Esta carta merece concorrer ao troféu de Piada do Ano. Até as paredes do Planalto sabem que o Ministério das Comunicações, desde o regime militar, sempre foi da “cota” de Roberto Marinho. E quando os militares saíram do poder, nada mudou, pois Tancredo Neves nomeou para ministro o senador Antonio Carlos Magalhães, homem da confiança de Marinho e dono de emissoras afiliadas à TV Globo. E a fila andou. Pode-se dizer, sem medo de errar, que desde os tempos do coronel Newton Leitão, assessor de Roberto Marinho, jamais houve um ministro das Comunicações que não tivesse o aval da família Marinho. Quando não indicava o ministro, a família conseguia nomear “um técnico” para a Secretaria-Geral do Ministério, tipo Rômulo Furtado. E assim será para sempre, através dos tempos, porque com o PT nada mudou nem mudará. Os entendimentos do grupo Globo com o partido e o governo são feitos hoje por João Roberto. É o filho mais novo de Marinho, mas na prática comanda o grupo empresarial mais importante do país, porque é o responsável pelas relações institucionais. Detalhe final: se a família Marinho não mandasse no Ministério, a concessão da TV Globo de São Paulo (antiga TV Paulista) já teria sido cassada. Como dizia Ibrahim Sued, que trabalhava na Globo, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

2 thoughts on “Piada do Ano: TV Globo nega interferir no setor de telecomunicações

  1. O livro Afundação (junto) Roberto Marinho, feito pelo ex auditor da poderosa Roméro Machado, conta tudo isso e muito mais com detalhes. Até o malote com cocaína que saiu de uma sala ao lado do gabinete do , como escrevia o Hélio Fernades, homem (?) Robero Marinho e foi aprendido nos EUA . Aliás o Hélio foi o único que ajudou o Romero mostrar as denuncias.

  2. Por isso que o Paulo Bernardo tem tanta blindagem… A bandidagem com o PT continua, como a sonegação da Globopar, que não pagaram até hoje, fora as dívidas com o BNDEs e com o Bradesco, que o Levy está ajudando rolar…

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