Pimentel ganha trégua de fim de ano no Congresso, mas a imprensa continua esmiuçando suas consultorias fantasmas

Carlos Newton

Foi um alívio para o Planalto e para o próprio ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Antes de entrar em recesso, a Mesa Diretora do Senado aprovou 16 pedidos de informações a  vários ministros, para que expliquem por escrito denúncias de irregularidaes em suas pastas, mas esqueceu justamente o requerimento referente a Pimentel, sobre as consultorias que ele diz ter dado antes de assumir a pasta, mas jamais conseguiu comprovar que existiram.

O primeiro-secretário, senador Cícero Lucena (PSDB-PB), que participou de reunião da Mesa, disse que é praxe encaminhar os pedidos de informação protocolados pelos senadores. “Todos os requerimentos foram aprovados, inclusive este. A mesa vai encaminhar o pedido. Se ele (Pimentel) vai responder ou não, aí é outra coisa” – declarou, para depois se desdizer e revelar que não havia sido aprovado o pedido sobre Pimentel, assinalando que, nas declarações anteriores, estaria se referindo ao ministro Fernando Haddad, vejam só como esse tucano é distraído. Ou seria um falso oposicionista, como tantos que há por aí?

Se a Mesa tivesse aprovado o pedido de informações a  Pimentel, feito pelo líder do PSDB, Alvaro Dias, ele não teria obrigação de responder ao Senado. Em compensação, também não teria como deixar de fazê-lo. Pegaria muito mal. Seria como uma confissão das irregularidades cometidas.

Mas como dar explicações, se já se sabe que jamais aconteceu a série de palestras nas unidades regionais da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), citadas pelo ex-presidente da entidade Robson Andrade como prova dos serviços prestados por Pimentel?

Um levantamento feito pelo O Globo junto a representantes das unidades da Fiemg em todo o estado mostra que Pimentel não viajou às cidades-polo da indústria para palestras em 2009, ano em que sua empresa P-21 Consultoria e Projetos foi contratada por R$ 1 milhão para prestar serviços à federação.

O ministro está, portanto, diante de um dilema shakespeariano. Ser ou não? Responder ou não responder? E são tantas questões a explicar… Não é sem motivos, aliás, que Pimentel esteja fugindo tanto dos jornalistas. Semana passada, viajou para Genebra. Para fugir da imprensa, nem cumpriu a agenda e até deixou de comparecer às reuniões da Organização Mundial do Comercio.

Na sexta-feira passada, Fernando Pimentel voltou a fugir dos jornalistas no primeiro compromisso oficial no país. Ele conseguiu despistar os repórteres que o esperavam na garagem da Fiesp (Federação das Indústrias do estado de São Paulo), antes e depois de um encontro que manteve com o vice-presidente da Comissão Europeia, Antonio Tajani.

Desse jeito, é melhor jogar a toalha, porque os jornalistas não irão desistir. Há especulações de que Pimentel já teria até comunicado à presidente Dilma Rousseff que o melhor a fazer é deixar logo o ministério. Mas ela teria sugerido que ele resistisse, aumentando a via crucis do companheiro em pleno Natal. E o calvário continua.

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