Pimentel voando em avião dos outros não é nada. O problema são as falsas consultorias.

Carlos Newton

Não vai dar em nada a polêmica sobre o fato de o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) ter voado em jatinho alugado por empresário, no percurso entre a Bulgária e Roma, em outubro de 2011.

É claro que Pimentel comprovadamente não leu o atualíssimo Código de Conduta Ética editado pelo governador Sergio Cabral. Se tivesse passado os olhos pelo oportuno manual, Pimentel jamais teria aceitado usar um avião a jato fretado por um empresário que tem interesse direto nas atividades do ministério.

Os assessores do ministro (ele jamais fala nada sobre as acusações que pesam contra ele e vive a fugir dos jornalistas) citam outro manual mais permissivo, para alegar que o Código de Conduta da Alta Administração Federal permite o pagamento de transportes por “terceiros”.

É aí que mora o perigo. Vamos conferir o que diz esse manual (art. 7º, parágrafo único): “É permitida a participação em seminários, congressos e eventos semelhantes, desde que tornada pública eventual remuneração, bem como o pagamento das despesas de viagem pelo promotor do evento, o qual não poderá ter interesse em decisão a ser tomada pela autoridade.”

Na verdade, é completamente claro que o empresário João Dória Junior tem total interesse nos resultados desses seminários que promove, cujos resultados são diretamente ligados à caneta do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Mas isso de nada importa, só causa polêmica, sem maiores consequências. E essa polêmica apenas arranha a imagem do ministro, que já está mais do arranhada.

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IMAGEM EMPORCALHADA

Na verdade, a imagem de Fernando Pimentel está completamente emporcalhada, mas vem sendo cuidadosamente lavada a seco pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República, que analisa uma representação anterior contra o ministro, tratando de sua atuação na prestação de consultorias em 2009 e 2010.

Está mais do que comprovado que Pimentel recebeu a módica quantia de R$ 1 milhão da Federação das Indústrias de Minas Gerais para prestar uma série de palestras no interior daquele Estado, mas não fez nenhuma delas. E outras “consultorias” que Pimentel teria prestado também são altamente suspeitas.

A Comissão de Ética não aceitou as alegações iniciais de Pimentel, pediu mais informações ao ministro e ainda não emitiu parecer definindo se abre ou não procedimento formal de investigação. É claro que não vai abrir. Se já “inocentou” Antonio Palocci e Erenice Guerra, por que a Comissão de Ética iria punir Pimentel?

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