Planalto agora tenta inviabilizar a CPI do BNDES

Vera Magalhães
Folha

Depois do curto-circuito da convocação de Paulo Okamotto, amigo e assessor de Lula, pela CPI da Petrobras, o governo começará a semana fazendo nova ofensiva para retirar assinaturas do requerimento da CPI do BNDES, protocolada no Senado, mas cuja instalação ainda depende da leitura pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Será uma missão “árdua”, como reconhece um líder. Se não houver sucesso, a ordem é cozinhar as indicações dos membros.

Além do cochilo do Planalto, que foi avisado e não agiu para blindar Okamotto, Lula se irritou ao saber que a bancada do PT facilitou sua convocação. A deputada Moema Gramacho (PT-BA) pediu a suspensão da sessão do plenário na quinta-feira, o que permitiu que a CPI retomasse a votação dos requerimentos.

VOTAÇÃO NO TCU

O resultado da votação das contas de 2014 de Dilma Rousseff pelo TCU dependerá do voto do relator Augusto Nardes, que os ministros esperam conhecer com antecedência. Como o relatório liberado não detalha todos os aspectos das contas, mesmo os ministros que tenderiam a rejeitar as contas da presidente só o farão se Nardes indicar o caminho.

O ministro Benjamin Zymler é visto no tribunal e no governo como aquele que abrirá uma divergência pró-Dilma caso Nardes peça a inédita rejeição das contas. São considerados votos certos pró-Dilma, ainda, José Mucio e Walton Rodrigues, que se livraram de compromissos para comparecer à votação na quarta.

Se Nardes pedir a rejeição das contas de Dilma deve ter dois votos com ele: Ana Arraes e Bruno Dantas.

Os votos incertos (e decisivos) são os ligados ao PMDB: Vital do Rêgo e Raimundo Carrero.

‘EMPRÉSTIMOS”

O governo abandonou o tom beligerante da semana passada e redirecionou sua defesa para dizer que aceita a “nova jurisprudência” do TCU no caso das famosas “pedaladas” fiscais. Assim, antecipações de recursos do Tesouro por bancos passam a ser tratadas como empréstimos, não prestação de serviço.

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