Planejamento quer cortar salários na UFRJ e Haddad fica em silêncio

Pedro do Coutto

Uma onda de insatisfação e revolta começou a surgir na UFRJ, a partir de 24 de novembro, quando os professores e técnicos tomaram conhecimento de comunicado do Ministério do Planejamento avisando que, a partir deste mês, haverá cortes nos salários: a titular da pasta, Mirian Belchior, achou que gratificações já consolidadas não são legítimas. As reduções, que variam de 5 a 60%, não justificadas concretamente, foram anunciadas pelo Pró-Reitor de Pessoal Roberto Cambini.

A reação começou e os professores, já no dia 28, fizeram circular o Jornal dos Docentes, editado pelo professor Mauro Iasi, que a medida, por incrível que pareça, atinge os aposentados. A repercussão, claro, foi péssima. O professor Zieli Dutra, aposentado, lembra que o item 6 do artigo 7º da Constituição Federal sustenta o princípio de que os salários são irredutíveis. O Conselho Universitário condenou frontalmente a diminuição pretendida e estranha o silêncio do ministro da Educação, Fernando Haddad, que está na obrigação, tanto ética quanto legal, de participar do problema. Ao contrário, assinalam os professores, mantém-se omisso.

O que até não é de estranhar, pois se trata de um ministro da Educação que autorizou que circulassem cartilhas com erros de português e também de matemática. Erros vulgares e imperdoáveis para qualquer professor, quanto mais para um ministro de Educação. Mas, ao contrário, encontra-se alheio a tudo. Só pensa na sua candidatura a prefeito da cidade de São Paulo. Além das cartilhas, o corpo docente da Universidade acentua também mais um ponto contra ele: as falhas verificadas nas provas do ENEM. Nada dá certo com o Fernando Haddad.

Além da inconstitucionalidade, os professores desejam saber, antes de mais nada, qual a base de pensamento administrativo de que parte o Ministério do Planejamento. E quais foram os critérios que tornam as reduções flexíveis de caso para caso. Mas não são seis mil. Não é possível que haja seis mil interpretações. Os professores cobram da Reitoria e da ministra Miriam Belchior as razões funcionais e os princípios da legislação que norteiam a medida múltipla. Pois têm a impressão que a multiplicidade parte de uma desorganização tão mental quanto de interpretação da Constituição.

O ministro Haddad não pode se omitir, acrescentam, mas infelizmente é o que está acontecendo. Elas têm a certeza de que a presidente Dilma Roussef ignora o que está ocorrendo. Porém é preciso que saiba como se encontra o campus da UFRJ. A reação contrária termina envolvendo o próprio governo. Além do mais, sequer tem cabimento lógico.Para os professores, é possível que os cortes determinados tenham também como objetivo o de tumultuar a vida universitária e abalar o ensino superior público.

Portanto,  as implicações são várias, como várias são as razões ocultas para a redução dos vencimentos do corpo docente. Funcionários e alunos estão se solidarizando com os professores. Sob a direção de Kátia da Conceição Rodrigues, o Sindicato da categoria fez circular também um jornal atacando frontalmente o atentado que surgiu do Ministério do Planejamento.

Numa época em que o governo destaca a seu favor o fato de corrigir os salários um pouco acima da taxa inflacionária, como é possível que um órgão de governo, logo o envolvido no planejamento econômico e administrativo, como seu próprio nome ressalta, venha a proceder de modo totalmente oposto. Perplexo com o que está acontecendo, o professor Zieli Dutra admite que, de tão irracional, a iniciativa parece ser destinada à eclosão de um movimento grevista, para forçar uma reação em cadeia, um impacto negativo no sistema de ensino como um todo. Pois hoje os cortes programados têm como alvo a UFRJ. Se o ato não for combatido, amanhã estende-se a diversas outras universidades públicas brasileiras. Incrível.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *