Plano Collor: invaso do dinheiro alheio

Pedro do Coutto

Este ano completa-se vinte e um anos do ato mais invasivo da propriedade alheia: o Plano Collor I, que, agora se v, deixou um rombo de 50 bilhes de reais na economia popular. Uma invaso completa da propriedade alheia, contra a sua vontade e contra a verdade que resultar de uma poupana popular acumulada ao longo de sacrifcios e esperanas. Uma prova do fracasso do Plano Collor I? A resposta est no Plano Collor 2. Se o plano 1 tivesse alcanado xito, por qu motivo deveria ser feito o 2? No faz sentido. A populao at hoje no conseguiu ser ressarcida e nunca o ser. Por um motivo muito simples: durante os dezoito meses em que o absurdo congelamento durou, a inflao pelo IBGE, somou cerca de 1200 por cento. Foi devolvida ao longo dos doze meses seguintes. Mas a que taxas? Pouco mais de 700 por cento.

s comparar os nmeros e verificar as perdas daqueles que conseguiram alguma devoluo. Outros esperam a devoluo at hoje. O plano foi efetivamente sinistro. Os bancos ganharam uma fortuna. Os pequenos poupadores perderam quase tudo. No adianta agora que o nmero de depositantes aumentou e o volume atualmente atinge mais de 250 bilhes de reais. Atingiria muito mais, sobretudo se os valores tivessem sido corrigidos adequadamente.

O Plano Collor I representou um fracasso absoluto. Basta medir seu reflexo no Produto Interno Bruto para se chegar a uma certeza econmica. No vale a pena relacionar as tragdias pessoais. Os tratamentos mdicos interrompidos, as mortes em conseqncia, os demais dramas familiares. O desrespeito propriedade dos outros sem sua concordncia. No apenas um roubo, uma ntida apropriao indbita. Uma prova do fracasso absoluto a mais? Muito simples: algum seria capaz de repetir o ato? A pergunta deve comear pelo prprio Colllor?

Se nem ele repetiria, quanto mais os outros no autores do descalabro. Outra prova: o prprio Colllor, em entrevista publicada pelo Jornal do Brasil elogiou fortemente a atuao do presidente Lula no processo de desenvolvimento econmico. Lula pratica o oposto exatamente o oposto do que lula adotou. No bloqueou poupana alguma. No descapitalizou pessoa alguma. Ao contrrio: sua fora maior vem de aplicar aos salrios os ndices inflacionrios. Nada mais contrrio poltica de Collor do que isso.

Collor tentou isso sim capitalizar o Estado de maneira arbitrria e violenta. Lula, ao contrrio, aproximou o crdito, seu grande segredo para o aumento do consumo. So polticas opostas. Como ento o primeiro elogia o segundo, se o que aditou foi completamente diferente? Em 21 anos a inflao brasileira foi enorme. Sua reposio da poupana bloqueada ficou com quem? Pois todos ns sabemos que no pode existir dbito sem crdito. Logo, se algum perdeu, foi porque algum ganhou.

Os bancos venceram atravs da dolarizao para a qual no houve limite. E o dlar no sofreu o menor constrangimento. Evaso de dlares e fuga do Imposto de Renda so manobras hoje mais do que conhecidas. S no existem aes contrrias a elas. E por que deveria hav-las? Os juros brasileiros so os mais altos do mundo. Para uma inflao anual calculada pelo IBGE em 4,3 por cento, os bancos e o comercio cobram em torno de seis por cento. Ao ms. Um paraso para o capital estrangeiro. Um desastre para o capital nacional. As taxas de crdito comemoravam a diferena. fcil fazer as contas. Difcil chegar diferena ao longo de 21 anos. Vinte e um anos muita coisa.

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