Platão e o PT de mãos atadas

Carlos Chagas

Parece impossível à primeira vista, mas quem pesquisar  a relação entre Platão  e o PT concluirá por excepcional identidade. O aluno de  Sócrates e mestre de Aristóteles escreveu sobre dois tipos de democracia: aquela onde todos os cidadãos  dispõem  de voto  e direitos iguais de exercer o poder e aquela onde todos tem as mesmas  oportunidades  em termos de ensino e  saúde, mas apenas os mais capazes governarão.

No primeiro caso o resultado seria o caos gerado pela incapacidade da maioria. No outro, a consequência seria a oligarquia, determinada pelo exercício do poder por uma casta minoritária  que logo dominaria o governo e o Estado. 

Para solucionar o impasse,  Platão excluía  o voto universal e, pregando a utopia, recomendava a preparação,  desde os dez anos de idade,  dos guardiães encarregados de governar,  submetidos a rigoroso regime de estudos onde só os melhores subiriam de patamar até que,  aos 50 anos, despojados de qualquer riqueza,  ambição e laços familiares, estivessem preparados para o exercício do poder. 

Onde entra o PT no sonho  irrealizável do pai da Filosofia? Primeiro, na concepção de que apenas alguns iluminados devem decidir pela maioria. Ainda não chegaram, os companheiros, a propor a exclusão do voto, mas estão quase lá quando proíbem a realização de prévias para a seleção de candidatos a postos eletivos.

Aconteceu em São Paulo, com a imposição de Fernando Haddad, sem que as bases pudessem manifestar-se, obrigadas a engolir a escolha feita pelo  guardião-mór e seus penduricalhos. Agora, na palavra de Rui Falcão, estão suprimidas as prévias nos demais estados. A casta que domina o partido se encarregará de decidir pelas maiorias.

Aquilo que Platão não conseguiu,  o PT consegue. Consolida-se  cada vez mais intensamente o grupo decisório, afastado das bases sempre menos participantes das decisões partidárias. A oligarquia domina o partido, o partido domina o governo, o governo domina o Estado. 

Só para concluir com Platão, ele alertava para a inevitabilidade de  a democracia virar oligarquia, esta transformar-se em tirania e logo despertar a revolução pela  democracia, começando tudo de novo…

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QUEREM UM   MINISTÉRIO  MELHOR… 

No PDT, o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera. O líder do partido na Câmara, Giovani Queirós, afirma que o problema não é manter o ministério do Trabalho, mas um ministério, se possível até “melhor”. Queixa-se de que o Trabalho “é esvaziado, sem ações de ponta e sem capilaridade”.

Se tiverem a garantia de que continuarão na equipe de governo, os pedetistas dispõem-se até a entregar o pescoço de Carlos Lupi.  Imagine-se esse grupo, felizmente contestado internamente, caso venha a ocupar os ministérios da Agricultura, das Cidades ou do Desenvolvimento Industrial, com capilaridade bem mais ampla e ações de ponta muito superiores…

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DEPOIS RECLAMAM 

Virou moda, no Congresso, criticar o Judiciário por investir cada vez mais nas atribuições do Legislativo. Realmente, de algumas eleições para cá, o Tribunal Superior Eleitoral vem legislando e ocupando  espaços pela obrigação de regular e regulamentar as atividades eleitorais. A reforma política empacou e determinadas decisões precisarão ser tomadas para que se realizem as eleições municipais de 2012.   Caso deputados e senadores não se animem a preencher o vazio, enfrentando situações novas e velhas, caberá mesmo à Justiça pronunciar-se. Depois, continuarão reclamando…

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DUPLA MISSÃO DE AÉCIO 

Nãoé apenas para preparar sua  pré-candidatura presidencial que o senador Aécio Neves começa a percorrer o país. A idéia é sensibilizar o eleitorado para as eleições  municipais do ano que vem, levando o PSDB e aliados a conquistar maior número de prefeitos e vereadores, quem sabe até deslocando o PMDB da condição de majoritário entre as bases. Claro que se conquistada essa meta, ela contribuirá para a eleição presidencial  de 2014, mas cada agonia no seu dia. 

Singular é o fato de que no roteiro do ex-governador de Minas o Norte,  o Nordeste e o Sul ganham prioridade, mas não deixa de ser estranho não estar programado nenhum périplo por São Paulo. Será porque não precisa ou porque não adianta?

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