Plebiscito fica mais longe das urnas e da realidade

Pedro do Coutto
 
Apesar do recuo de emergência do vice Michel Temer, que chegou a anunciar a falta de tempo hábil para a realização do plebiscito anunciado por Dilma Rousseff para este ano, o fato é que a controvérsia colocada tornou-se mais distante das urnas, sem dúvida. Também as declarações da presidente da República após o lançamento de um plano de desenvolvimento agrícola, em Salvador, não ajudaram a reduzir a distância entre o projeto e a realidade. Ela voltou a se referir aos protestos que se espalharam pelo país e afirmou que a melhoria da representatividade (política) passa pela participação popular. Sem dúvida. Mas neste ponto ninguém mais representativo do que ela própria, vitoriosa pela margem de 56 a 44% na sucessão de 2010.

Isso de um lado. De outro, a urgência dos temas que estão levando centenas de milhares de pessoas às ruas não se vincula à forma de representação partidária, especialmente na área parlamentar. Voltam-se a ações executivas. Dilma Rousseff destacou referindo-se ao próprio governo: essa presidência ouviu claramente a voz das ruas. E o plebiscito servirá exatamente para escutar os clamores populares. O plebiscito – acentua a matéria de Biaggio Talento, O Globo de sexta-feira – , na visão da presidente, é para saber como a população quer a reforma política, como acham que devem votar, voltando seu pensamento para a forma de eleição. Aliás formas.

PROJETO

Porque o projeto do governo coloca em pauta diversas opções dependendo das respostas iniciais. Ela rebateu as restrições feitas às indagações de que seriam complicadas para os eleitores. Acredito muito na inteligência, na sagacidade do povo brasileiro. Não sou daqueles que acham que o povo é incapaz de entender porque as perguntas são complicadas.
Neste ponto, ela admitiu a existência de dificuldades, acreditando porém que elas serão superadas no momento das respostas. Em outro trecho, assinalou que as ruas falaram (estão falando) por mais direitos e eu quero dizer que o governo ouviu o clamor das ruas. Todos ouviram, os jornais publicaram, as redes sociais funcionam sem parar, divulgando os fatos em tempo real, proporcionando uma organização sem líderes. Sem líde3res porque, penso eu, a reação à falta de soluções concretas para os problemas básicos parte de todos. Todos têm algo a dizer. E dizem através das telas da Internet.

Nenhuma reivindicação levanta até o momento referiu-se à questão do voto distrital, ao financiamento das campanhas eleitorais, ao caso de como são escolhidos os suplentes de senador. Vale a pena ressaltar, mais uma vez, que saúde, educação, transporte, segurança, saneamento básico, não dependem de reforma política. Como a construção dos estádios para a Copa das Confederações e Copa do Mundo de 2014 também não dependem. A reforma política, ainda que fosse viável para entrar em vigor a partir das urnas do próximo ano, somente poderia causar efeitos a começar de 2015 para a frente.

A urgência, portanto, não se encontra nela, a reforma. Mas sim na forma com que o governo federal e os governos estaduais e municipais agirem de imediato para ir ao encontro da voz das ruas que continua ecoando pelo país. A voz das ruas inclui também o combate à corrupção, que atingiu níveis insuportáveis.
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8 thoughts on “Plebiscito fica mais longe das urnas e da realidade

  1. O grande Jornalista Sr. Pedro do Coutto nos informa que o Plebiscito cada vez fica mais longe das urnas e da realidade. E ele, o Plebiscito, não é a ferramenta mais adequada para atender os reclamos do Povo. Nossa Presidenta deveria ter ido ao Maracanã, enfrentado galhardamente outra vaia, e dito. Eu vos compreendi, farei as mudanças que solicitais. Mandado um Pacote de MEDIDAS PROVISÓRIAS para o Congresso, e assim corrigindo o Rumo do Governo. Muitíssimo pior que uma vaia é se mostrar insegura do que fazer, e tentar passar a responsabilidade para os outros, seja o Congresso Nacional, seja o PT, sejam os outros Partidos. Deveria solicitar conselho a todos os que achasse úteis, de forma secreta. Mas tem tempo de corrigir tudo até as Eleições Presidenciais do fim do ano que vem. Abrs.

  2. Caro sr, deixando de lado essas conversas de plebiscito, referendo, constituinte, etc, o que se percebe é tudo que ficará como antes na casa de abrantes.

    O GOVERNO, COMO UM TODO, EXECUTIVO, LEGISLATIVO, ESTÃO APOSTANDO NO ARREFECIMENTO DESSES MOVIMENTOS PARA CONTINUAR SURFANDO NO CINISMO DE SEMPRE.

    Vamos aguardar e veremos. Como gostaria de queimar a língua, mas…..

  3. A realidade – difícil de ser percebida, notada, sentida, vista, enxergada, decifrada, decriptada, compreendida, entendida, descortinada.
    A realidade – é dura, cruel, insensível, imparcial, implacável, intransigente.
    É completamente injusto reduzir apenas aos políticos a falta de sintonia com as ruas, com os anseios dos liderados, nesse rol impreterivelmente devem ser incluídos “jornalistas formadores de opinião”, “analistas políticos de toda ordem”, “intelectuais”, todos de alguma forma analisam e laçam luz sobre os fatos baseados em suas simpatias, inclinações ideológica, principalmente porque os governos atuais são ditos de esquerda e esta parece uma criança birrenta, quando recebe crítica faz biquinho e fica emburrada e cada vez mais se torna refém da incapacidade de realizar e resolver os problemas afetos ao dia a dia do cidadão. O marketing, como estratégia principal, dá sinais de cansaço.

  4. A presidente Dilma sabe perfeitamente que o plebiscito, se realizado, teria dificuldade intransponível para ter validade para 2014. Sabe também que ele, plebiscito, não vai produzir nada de concreto para atender os clamores das ruas. Ela quer apenas passar a impressão de que está dando satisfação ao povo ao propor medida que o povo pudesse opinar e assim vai ganhando tempo. Com isso as manifestações vão se esvaziando, o tempo vai passando e, certamente, ela está apostando também na acomodação dos insatisfeitos. A ela, presidente, não interessa reforma política, que viria em colisão aos seus interesses políticos. Reforma política ampla poderia significar a substituição constante dos políticos que aí estão, pelo voto, sim. Inclusive ela seria uma forte candidata, forte não para ganhar, mas para repassar a caneta que decide a outra pessoa. Ela sabe exatamente o que está errado. E deve saber também que não tem forças para mudar nada. Se ela viesse a baixar uma mega medida provisória, isso poderia representar mais da metade do caminho a ser percorrido. Aí, sim, se os parlamentares alterassem parte ou rejeitasse a MP, a culpa cairia sobre os seus ombros e ela poderia ver no dia seguinte a sua popularidade subir para níveis anteriores e garantir a sua reeleição. Sou contra reeleição, mas é claro que ela não trataria desse tema em sua hipotética medida provisória. O resto, é só fazer cumprir a Lei.

  5. Caríssimo Pedro Couto,
    Sempre é bom discutir, mas este assunto de parlamentarismo já foi derrotado no plebiscito passado. Outros temas deverão ser propostos.

    PARA O CONGRESSO SEGUE SUGESTÕES:
    aRT. 53
    (…)
    § 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)

    ORDEM DE SUCESSÃO:
    Art. 80 DA CF – Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância dos respectivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal inclusive aquele que estiver substituindo o Senador na Presidência, e o do Supremo Tribunal Federal.

  6. O Plebiscito é a maior oportunidade que nós brasileiros estamos perdendo em não emitir a nossa opinião a respeito de tantos problemas quer estamos convivendo. Estamos precisando dos políticos, pois quando for nas eleições eles vão precisar de nossos votos.

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