PMDB não queria se envolver na redução dos ministérios

Pedro do Coutto

O vice-presidente Michel Temer e os presidentes do Senado e da Câmara Federal, Renan Calheiros e Eduardo Cunha comunicaram à presidente Dilma Rousseff que o PMDB, partido ao qual pertencem, não indicaria nomes para compor os cargos que surgirem da reforma administrativa anunciada pela Planalto. O episódio foi bem focalizado pelas reportagens de O Globo (Júnia Gama, Simone Iglésias, Cristiane Jungblut e Washington Luiz) e da Folha de São Paulo (Marina Dias, Mariana Haubert, Natuza Nery e Valdo Cruz), edições de terça-feira.

Mas deve ser interpretado não propriamente como sintoma da véspera de uma ruptura definitiva, mas sim como uma forma de escapar da responsabilidade de avalizar a diminuição do número de pastas, o que levaria inevitavelmente ao desfecho que causaria a perda de postos para a legenda. Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha não iriam se dispor a embarcar na aventura. Preferem posar de defensores do partido e lançar a nuvem da ameaça de um rompimento. Enquanto persistir tal atmosfera, o PMDB consegue se equilibrar entre a participação no pode e a manutenção da força eleitoral que resta à sigla.

Um lance tático, nada mais, nada menos. Jogo para a arquibancada, mas capaz de gerar efeito contrário ao governo na medida em que pode servir para enfraquecê-lo ainda mais. Dilma Rousseff, de fato, tentou transferir a responsabilidade do enxugamento ministerial à agremiação formalmente aliada. Como quem diz:  A bola, agora, está nas mãos de vocês, no caso Temer, Renan e Cunha. Eles prudentemente não aceitaram a incumbência dividida com o Planalto. A responsabilidade é do Executivo, não dos que integram parcialmente o governo.

NA ECONOMIA

A reforma administrativa, na realidade, volta-se muito mais para a área econômica do que para o plano politico, uma vez que s destina à redução de gastos públicos. parte do ajuste fiscal defendido pelo ministro Joaquim Levy. O corte das despesas é muito mais importante do que a projetada elevação dos tributos, pois depende exclusivamente de ato da presidente da República e não da aprovação pelo Congresso. Se a chefe do Executivo depende da concordância partidária para executar os atos que pode efetuar sozinha, é porque encontra-se numa situação extremamente difícil. O poder não se transfere. É um ato personalizado e intransferível. Afinal, a presidente da República é ela mesma, Dilma Rousseff.

JUROS PARA IMÓVEIS

Reportagem de Isabel Versiani, Folha de São Paulo de terça-feira, anuncia que a direção da Caixa Econômica Federal decidiu aumentar de 9,3 para 9,8%, a/a, em média, os juros para financiamentos vinculados à compra de imóveis. Faltou dizer que a elevação refere-se aos juros reais. Ou seja: índice além da inflação oficial. Como esta inflação oficial encontra-se na escala de 9,2% para o período de agosto de 2014 a agosto de 2015, o  reflexo da medida, corretamente, significa um acréscimo de aproximadamente 19%.

Preparem-se assim os mutuários para arcar com o peso da realidade. Não com o peso parcial da taxa anunciada. É só fazeR as contas. Se a inflação atinge 9% e os juros cobrados 9,8, em tal hipótese eles,os juros, seriam somente de 0,8% ao ano.

Alguém acredita nisso? É melhor, portanto, a CEF informar claramente o resultado do acréscimo e o candidato ao empréstimo calcular com exatidão as possibilidades que o seu salário oferece.

One thought on “PMDB não queria se envolver na redução dos ministérios

  1. O Brasil conhece o PMDB e as suas práticas tenebrosas. Não surpreende. O PT, esse partido ainda mais nefasto do que o próprio PMDB, ao acaso desconhecia a índole do partido nocivo? É óbvio que não. Por comodismo, conveniência e conforto, o Partido dos Trambiqueiros emprestou prestígio e insuflou o quanto pôde o partido de Michel Temer, Renan e Sarney. Agora, rompeu-se o ovo da serpente. O PT merece … , e vai piorar !

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