Poder pblico jogou seu destino no cerco ao Alemo

Pedro do Coutto

Depois de uma srie brutal de atentados e vandalismos praticados pelos traficantes no Rio, o poder pblico do pas, sem que a populao percebesse diretamente, jogou seu destino na batalha em torno do Complexo do Alemo, onde vivem 400 mil pessoas sob a ditadura do terror. Principalmente o governo do Rio de Janeiro, que teve de aceitar a ajuda do governo federal para enfrentar o inimigo declarado de todo o pas. Como Dillinger na dcada de 30, nos Estados Unidos, o sinistro comrcio de drogas tornou-se de fato o inimigo pblico nmero um.

No confronto da Penha, tendo como fundo de palco a histrica Igreja da Penha no alto da elevao maior, a luta se travou. A Polcia Militar e a Polcia Civil do estado tiveram que contar com o apoio indispensvel e decisivo da Marinha de Guerra, do Exrcito, da Aeronutica, da Polcia Federal. Em torno de dez mil homens e mulheres havia mulheres na PM encurralaram de 600 a 800 traficantes armados at os dentes, inclusive com armamentos pesados que obtm misteriosamente no se sabe ao certo como.

O Secretrio de Polcia Civil do RJ, Alan Turnowsky, em entrevista ao programa de Haroldo de Andrade Junior, manh de domingo na Rdio Tupi, afirmou textualmente que, sem a participao das foras militares, no teria sido possvel fechar-se o anel do cerco. Com isso, a vantagem alcanou um nvel estratgico fundamental: os que integravam as foras do cerco podiam se revezar ao longo das horas e dos dias. Os criminoso nopossuam essa faculdade.

A queda da Bastilha do Complexo do Alemo, assim, tornava-se uma simples questo de tempo. O anel estava fechado desde a tarde de sbado. Abriu-se s primeiras horas da madrugada de domingo. No Complexo do Alemo existem cerca de 90 mil residncias. Limitadas por 44 sadas. Rompeu-se uma delas, o anel do cerco afrouxou. O que ter havido? Importa pouco isso no momento. A vitria das foras da lei foi plenamente alcanada. Os criminosos rumaram para outros locais.

H aqueles que desejavam o seu extermnio, no caso o extermnio de exterminadores, assassinos, promotores da violao de quaisquer regras civilizadas e da desordem generalizada. Desordem com prejuzos incalculveis vida humana e a propriedades particulares. Ser que a revolta razovel? Talvez. Mas decises assim no podem ser tomadas no impulso, na primeira emoo, na vontade de devolver aos criminosos os danos que causaram (e vo ainda causar) ao Rio de Janeiroe ao pas.

preciso considerar que seu extermnio macio inevitavelmente acarretaria a morte de milhares de inocentes, talvez numa escala superior a dez mil pessoas de bem que habitam o conjunto de favelas, em cuja origem o mesmo poder pblico to ameaado quanto parcialmente responsvel.

Pois no pode haver acordo ou qualquer tipo de pacificao, que embute um entendimento bsico, entre partes to contrrias como so a lei e o comrcio de entorpecentes. Os bandidos que se evadiram do Alemo, descobrindo casualmente uma rota de fuga, penso eu, vo se deslocar para outros morros cariocas e continuar suas atividades macabras.

Porm tais atividades sinistras no acabariam se o governo do RJ acabasse com a vida deles durante o dia de ontem. Teve oportunidade de faz-lo, mas agiu bem em no proceder dessa forma. A meu ver, inocentes no podem morrer entre dois fogos, para os quais no contriburam. De um lado, as drogas. De outro a corrupo e a omisso. Pois como armas e drogas galgam as sinuosas e ngremes ladeiras do crime organizado e concentrado?

Ontem, pelo menos, o poder pblico conseguiu explodir pelos ares que assim seja um dos principais redutos, seno o principal da violncia urbana. Mas haver outros pelo caminho. A guerra continua.

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