Polícia Federal continua dando show de eficiência. Agora, só falta a Justiça seguir o exemplo e punir os criminosos.

Carlos Newton

É preciso reconhecer que a Polícia Federal (PF) está dando ao país uma demonstração de que as coisas podem se acertar. Mesmo com graves problemas orçamentários e sofrendo cortes que poderiam ser poupados, dada a importância da instituição, ainda assim a PF segue em frente e mostra trabalho e disposição.

Cabe aqui uma análise sobre a questão das algemas e das fotografias “liberadas à divulgação”. De início, é preciso assinalar que, pela ordem de entrada em cena, o vice Michel Temer, a presidente Dilma Rousseff e o ministro José Eduardo Cardoso, da Justiça, erraram grosseiramente ao criticar os delegados e agentes federais que colocaram algemas nos presos. Como depois foi explicado, trata-se de norma internacional, uma medida cautelar a ser obedecida sempre que presos são transportados em viagens áreas.

Mas a reação dessas autoridades do governo foi tão grosseira e exagerada que a Polícia Federal respondeu à altura. Como não tinha cometido ilícito algum no caso das algemas, alguns policiais federais arranjaram uma forma de revidar, liberando as insólitas fotos dos presos, o que na verdade não representa nenhuma novidade no tocante a “criminosos comuns”. E que não se costuma fazer é divulgar as fotos quando se trata de “criminosos bacanas”, que têm esse privilégio do ocultamento, não se sabe por quê.   

Agora a Polícia Federal surpreende novamente a nação, ao desbaratar uma quadrilha que incluía uma empresa que tinha como “sócios” um pedreiro e um motorista e movimentou R$ 32 milhões entre 1996 e 2009, de acordo com o inquérito da Operação Alquimia, deflagrada em parceria com a Receita e com o Ministério Público Federal.

O alvo da ação é uma invulgar organização criminosa, capaz de sonegar R$ 1 bilhão em impostos devidos por empresas do setor químico. Segundo a Polícia Federal, a quadrilha criava empresas de fachada e registradas em nome de “laranjas”, para deixar de pagar impostos.

É inacreditável: pelo menos 165 empresas, espalhadas em 19 Estados, e outras 27 no exterior integram a rede da organização criminosa criada para sonegar impostos, segundo a PF. A maioria delas têm perfil similar à da Zwrox Distribuidora de Produtos Químicos Ltda.

Segundo o inquérito, a Zwrox foi fundada por um pedreiro e um motorista em 1996 e chamou a atenção do fisco por causa da movimentação financeira incompatível com o capital de R$ 50 mil. Depois, os primeiros “laranjas” foram substituídos no quadro acionário da empresa por companhias sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal no Caribe. Na prática, segundo a PF, elas eram comandadas por procuradores e contadores ligados ao esquema.

A operação Alquimia foi um sucesso. Basta dizer que confiscou uma ilha de 20 mil metros quadrados nas proximidades de Salvador, que pertenceria ao chefe do esquema fraudulento. No local foram apreendidos carros de luxo e barcos.

Desta vez, a Polícia Federal prendeu 23 pessoas e deteve outras 42 para prestar depoimento. O único nome divulgado até agora foi o de Paulo Sergio Costa Pinto Cavalcanti, dono do grupo Sasil. Mas os cidadãos de bem (hoje, é fundamental fazer a distinção) aguardam ansiosos para saber quem são os outros e ver as fotografias deles nos jornais, como aconteceu no caso dos quadrilheiros que operavam no Ministério do Turismo.

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