Polícia Federal deflagra novo desdobramento da Lava-Jato e faz buscas na sede da Petrobras

Ação mira fraudes em operações de câmbio com banco em SP

Adriana Justi e José Vianna
G1

Vinte a cinco mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos pela Polícia Federal (PF), na manhã desta quinta-feira, dia 10, na 74ª fase da Operação Lava Jato, em um esquema que investiga fraudes em operações de câmbio comercial contratadas pela Petrobras com o Banco Paulista.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), funcionários do banco cobravam sobrepreço nas operações da operação e diferença era desviada para executivos da estatal. O prejuízo é estimado em R$ 100 milhões, e o esquema ocorreu entre 2008 e 2011. As ordens judiciais estão sendo cumpridas em São Paulo e no Rio de Janeiro, em Teresópolis, contra três executivos do Banco Paulista, em São Paulo, e outras cinco pessoas ligadas às empresas utilizadas no esquema no Rio de Janeiro.

EMPRÉSTIMOS E DOAÇÕES – Três funcionários que trabalharam na gerência de câmbio da Petrobras também são alvos dos mandados judiciais de busca e apreensão. Além disso, quatro familiares desses funcionários, suspeitos de participação na dissimulação e na ocultação das variações patrimoniais, por meio de empréstimos e doações ideologicamente falsos, também fazem parte das investigações.

As investigações revelaram que, entre agosto de 2008 e março de 2011, o Banco Paulista intermediou o equivalente a R$ 7,7 bilhões em operações de compra e venda de dólares com a Petrobras. Esse volume, segundo a força-tarefa, foi transacionado pelos três funcionários da gerência de câmbio.

O esquema, ainda de acordo com a Polícia Federal, funcionava mediante possível pagamento de propina para operadores da empresa pública a ser dividida com empregados da instituição financeira, paga em troca do direcionamento dos negócios cambiais para o Banco Paulista. As ordens judiciais foram determinadas pelo juiz Luiz Antônio Bonat, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

CORRUPÇÃO E LAVAGEM – Os crimes investigados na atual fase são corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e associação ou organização criminosa. A Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados em contas no Brasil e no exterior, até o limite de 97 milhões e 65 mil reais.

A PF disse que as investigações tem o objetivo de comprovar a prática de lavagem de dinheiro supostamente praticadas pelos investigados através de: Movimentação de valores no Brasil e no exterior, mediante o uso de off shores; subfaturamento na aquisição de imóveis e negócios; interposição de pessoas em movimentações de capitais; utilização de contratos fictícios de prestação de serviços firmados entre o banco e empresas dos colaboradores envolvidos, assim como o grau do vínculo associativo mantido por todos.

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