Política educacional brasileira era “especializada” em formar doutores inúteis

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

José Roberto Guzzo
Blog Fatos

Tudo o que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, diz, ou até mesmo o que não diz, mas acham que ele pensa, está automaticamente errado. Na visão de quem emite certificados de “bom” ou “ruim” no Brasil de hoje, esse Weintraub não acerta uma, em nenhum assunto, da formação do buraco negro à escalação do time do Corinthians; seja lá o que ele disser, sobre uma coisa ou outra, vão dizer que é bobagem. É a vida.

O homem faz parte da turma que defende a “escola sem partido” — a maior ameaça que a direita oferece hoje ao país, na opinião do ex-ministro José Dirceu, atual inquilino do sistema prisional brasileiro.

VIRTUDE VIGIADA – Quem está deste lado, portanto, pode esquecer qualquer esperança de ser ouvido com seriedade pelo Serviço Nacional de Vigilância à Virtude que fiscaliza cada passo dos ocupantes de cargos públicos neste país, ou mesmo de quem não ocupa cargo nenhum. Tudo bem: não está claro, até hoje, se esses julgamentos têm alguma relevância de ordem prática.

Mas talvez possa ser útil deixar registrado, em algum lugar, que o ministro está certo quando diz que o ângulo reto tem 90 graus, ou outras coisas assim — porque, com certeza, vão lhe dizer que ele errou de novo.

Acaba de acontecer, mais uma vez. “Está cheio de doutor desempregado por aí, mas é difícil ter um bom encanador passando fome ou na fila do Bolsa Família”, disse Weintraub outro dia. Disse também que um bom eletricista “consegue se virar”, e outras coisas desse tipo.

MAIS CERTO? – O que o ministro poderia dizer de mais certo do que isso? Na verdade, é uma das melhores afirmações que fez em público desde que assumiu o cargo — e ficaria melhor ainda se tivesse tido tempo para acrescentar que também não existe carpinteiro desempregado no Brasil de hoje, não no Brasil de verdade onde há gente que sabe e quer trabalhar.

Da mesma forma, também não existe armador, bombeiro, pintor, ladrilhista ou pedreiro de acabamento sem emprego, e mais os praticantes de uma penca de ofícios na construção civil. Mestre de obras, então, é bicho raríssimo.

RESPOSTA BOBA – Quer dizer que ser encanador é melhor que ser advogado, filósofo ou cientista social no Brasil atual? A pergunta é boba. Não é melhor nem pior — é apenas a constatação objetiva de que um trabalhador manual especializado tem emprego quase certo, e os formados em faculdades descoladas da vida real não têm.

Que faculdades são essas? As que não oferecem aos seus alunos os conhecimentos exigidos pelos sistemas de produção hoje em operação no país — a “economia”, como se diz. Ou, mais precisamente, não ensinam aquilo que a sociedade brasileira está precisando, ou querendo.

O ministro falou que a sua meta é aumentar em 80% o número de alunos nos cursos de ensino técnico até o final deste governo. Isso, em si, não quer dizer nada. Meta de governo é miragem — e miragem só se desfaz quando deixa de ser miragem, ou seja, quando a conversa acaba e aparece a obra.

RUIM NA EXECUÇÃO – O poder público brasileiro, como se sabe desde 1.500, é ruim na fase da execução — na fase de falar em “metas” é um espetáculo, mas na hora de entregar o resultado está em geral fechando a raia. No caso, se o Ministério da Educação fizer metade do que promete, já estará muito bom. Se não fizer, será um fracasso. Qual dos dois vai ser? Nem Deus sabe.

O que se sabe é que não adianta nada ficar gastando bilhões em dinheiro público para formar farmacêuticos que vão ser balconistas de farmácia ou advogados que acabam como motoristas de Uber. Países justos e bem-sucedidos são os que utilizam o dinheiro dos impostos para formar os melhores, e não para formar muitos.

(Artigo enviado por João Amaury Belem)

12 thoughts on “Política educacional brasileira era “especializada” em formar doutores inúteis

      • Concordo com você. O nosso sistema educacional esta falido. As escolas públicas antigamente eram boas. Hoje estão abandonadas, assim como muitas escolas e favulfades particularesvisam unicamente o lucro.

    • Eu pensei que a classe média era composta por trabalhadores. Acho que me enganei; eles são rentistas como Lula que em vez de usar os 9 milhões ganhos com palestras para abrir uma empresa e gerar empregos, pegou a grana e aplicou no mercado financeiro para ganhar sem trabalhar . Lula é esperto; não é á toa que é considerado um dos maiores encantadores de burros desse nosso país !

  1. Vou contar um fato em poucas palavras: um amigo meu foi ao EUA para tirar um doutorado em Computação. Na uiversidade ele encontrou outros alunos com o mesmo objetivo. Um desses alunos preparou um curriculum em que citava o título de mestre em Computação e a sua situação no curso de doutorado. Com o curriculum em mãos, saiu a procura de emprego na cidade onde estudava para ajudar nas despesas.
    O rapaz foi entrevistado por várias companhias e ao fim desistiu de tanto tentar sem sucesso. Razão pelo fracasso: as companhias procuravam professionais com experiência em certas áreas e não valorizavam os títulos de mestre e candidato a doutor.
    Mais um detalhe: as companhias de alta tecnologia geralmente treinam profissionais no seu produto ou em áreas do produto para contar com um profissional atualizado.
    Biólogo, engenheiro, químico, médico estão sempre em demanda, mas a expertise desses profissionais geralmente faz a diferença entre os salários que recebem.

    • É doutor que transforma seu possível conhecimento em algo útil, palpável. O inútil é aquele que transforma seu conhecimento em nada; que sabe estudar e colecionar títulos, mas que não consegue transformar seu conhecimento em nenhuma utilidade . Tá cheio dessa gente por aí !

  2. “11% dos trabalhadores que cursaram faculdade ganham até 1 salário mínimo.

    Número chega a 2,77 milhões de pessoas, 1 milhão a mais do que há 5 anos.”

    Fonte: Estadão, hoje.

    Isso é caso de fechar o governo, detonar os XPs da vida e encontrar um novo caminho. Que não está prestando…

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