População deve participar da vitória do Rio

Pedro do Coutto

A vitória ao mesmo tempo justa, espetacular e histórica da cidade do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016, as sequência da Copa do Mundo de 2014, representa uma afirmação tão nacional quanto popular, pois o impulso decisivo para o êxito veio da vontade do povo. Mas, além disso, possui um significado ainda mais amplo. Em primeiro lugar, os governos federal, estadual e municipal empenharam-se a fundo e a conquista abre uma estrada para a superação entre nós dos efeitos da crise financeira internacional. Investimentos maciços terão que ser realizados proporcionando efeitos diretos na economia e no mercado de empregos. Porém os aspectos positivos não terminam neste plano, já por si essencial. É que se foi possível alcançar o êxito pleno no palco esportivo internacional, claro é que é possível dirigir-se o mesmo esforço para enfrentar e superar os múltiplosproblemas que atingem e angustiam a cidade. São os que envolvem mais diretamente a saúde, a segurança pública, os transportes, o saneamento, a habitação. Todos estes são desafios conjugados que precisam ser enfrentados e superados com a mesma vontade política como foram ultrapassados os obstáculos que se encontravam na rota olímpica. A população nas ruas garantiu a vitória. Nada mais justo que, na mesma proporção, participe de seus efeitos.

Recursos têm que existir e não apenas os financeiros. São também os da inteligência, da criatividade, do espírito construtivo. Foi este espírito coletivo que levou à vitória. Conquistada esta, tem ela que conduzir ao progresso social. Os desafios, no fundo, são interligados. O presidente Lula, o governador Sergio Cabral, o prefeito Eduardo Paes, a partir de agora, devem voltar  seu pensamento efetivamente para 6 milhões de pessoas, a população da nova capital olímpica do mundo daqui a 7 anos.Um projeto integrado que não pode se esgotar na construção e modernização de vilas olímpicas e de locais de competições dotados das sofisticações tecnológicas modernas. Mas tem de focalizar as favelas que se multiplicam, os cortiços, os porões da pobreza e da falta de esperança. Esperança na melhoria das condições de vida, a força e o compromisso com a esperança que assegurou 2016. A proposta para a Olimpíada tem que abranger tudo isso, todas as condições e problemas urbanos e humanos. Afinal, 2016 vai concentrar o foco da comunicação universal.

São condições difíceis que se acumularam através do tempo. A chama olímpica é uma oportunidade singular para que pelo menos possam ser reduzidas. Chegou o momento. A chance aí está de se agir firmemente para o desenvolvimento e o resgate do Rio. Superar os problemas em vez de eternizá-los.Sobretudo porque não fará sentido ter a glória de sediar uma Olimpíada e os poderes públicos não serem capazes de cumprirem sua parte para com a cidade e o país. A população tem que participar concretamente da vitória que decisivamente ajudou a conquistar. Um marco eterno no tempo.

Como foi a Olimpíada de Londres, em 1948, a primeira do pós-guerra. Como foi a Copa do Mundo de 50 no Brasil, quando o Maracanã, Estádio Mário Filho, foi construído. Em dois anos e meio.Uma verdadeira cidade esportiva dentro da então capital do país.Os compromissos dos governantes para com a população crescem na época moderna. Inclusive porque se tivemos a capacidade de vencer no esporte, temos de encontrar a mesma força para melhorar a vida humana. O compromisso olímpico não se extingue no esporte. Tem que se refletir de modo amplo, geral e intenso.

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