Por que a Globo News desenterra dados da campanha de Collor, 87/88/89?

A Organizao Globo tem sempre mil razes. No sbado apresentou entrevista com o ex-deputado Cleto Falco, que participou dessa campanha, hoje inimigo do ex-presidente.

Desperdcio jornalstico, 27 minutos inteis. (Inteis? Para a Organizao Globo nunca se sabe). Apenas algumas afirmaes, sem corroborao, que palavra, mas essa.

1987- Cleto diz que estava em Roma com Fernando Collor, foram procurados por Jnio Quadros, jantaram num restaurante. Motivo: Jnio queria ser candidato a presidente em 1989, pedia que Collor desistisse. Dvida: Jnio foi presidente com 43 anos, renunciou com quase 44. E 28 anos depois deseja voltar presidncia com quase 72 anos?

1988- O ex-deputado revelou (?) que o presidente Jos Sarney, chamou o empresrio Antonio Ermrio de Moraes e convidou-o para se candidatar a presidente. Resposta de Ermrio: No posso, tenho compromisso com Fernando Collor. Ha! Ha! Ha!

Ora, Ermrio no queria outra coisa, tinha atrao pelo Poder. Em 1986, foi derrotado para o governo de So Paulo, j concorrera outra vez mas desistiu. Se Sarney chamasse, Ermrio sairia do Planalto j candidato.

Uma afirmao que pode at ser verdadeira, mas com ressalvas. O mesmo Ermrio de Moraes chamou Collor ao escritrio, quero fazer uma doao para a campanha. Nada surpreendente, mas vejam o que Cleto falou, textualmente: Ermrio assinou UM CHEQUE DE TRS MILHES DE DLARES, DEU A FERNANDO COLLOR, QUE ME PASSOU (eu estava no meio), DEI UMA OLHADA, VI DE QUANTO ERA, ENTREGUEI AO PAULO CSAR. Impressionante.

Nenhuma dvida sobre a doao ou o valor. Mas com tanta gente presente? Geralmente o DOADOR manda para o candidato atravs de uma pessoa de confiana, mas pessoalmente e em grupo?

Textual, que no chega a ser surpreendente ou revelador: Renan Calheiros foi o principal motivador para que Pedro Collor fizesse as declaraes que iniciaram o processo de derrubada do presidente. (Seu irmo).

Diz que outros empresrios tambm fizeram doaes generosas para a campanha, sobraram 25 ou 35 milhes de dlares, que ficaram com o Paulo Csar. O reprter da Globo aproveita: E por que a namorada dele depois de mat-lo, se suicidou?. Falco acrescentou alguma coisa boba ao que j se sabia: Por que a namorada do Paulo Csar iria matar a galinha dos ovos de ouro?. (Textual).

Continuando: Por causa de suas ligaes, o conhecimento e o controle de todas as operaes financeiras, PAULO CSAR SE TORNARA UMA PESSOA MUITO INCONVENIENTE. E conclui: A verdade s aparecer dentro de 20 ou 30 anos. Que o Paulo Csar se transformara para muita gente, no inimigo pblico nmero 1, rigorosamente verdadeiro. Mas por que a verdade s aparecer em 20 ou 30 anos? Quem guarda esse segredo?

Cleto deixa entrever (ou confessa mesmo) que, tendo participado de tudo na campanha, foi MARGINALIZADO na formao do governo. Lder de Collor na Cmara no conseguia ser recebido (pessoalmente) ou atendido (telefonicamente) pelo presidente.

Confisso de Cleto: Um dia, depois de muitas tentativas, consegui falar com o presidente Collor ao telefone e pedi para ele me defender, estava apanhando muito da imprensa. Segundo ele, Collor no deu importncia, no fez nada em defesa dele, o que o deixou furioso.

Pergunta: Por que o senhor VOTOU A FAVOR DO IMPEACHMENT DE COLLOR?. E a resposta mais engraada da entrevista: Votei a favor do impeachment em RESPEITO MINHA CONSCINCIA. Ha! Ha! Ha!

(A passam uma cena da Cmara da poca, o presidente Ibsen Pinheiro perguntando, deputado Cleto Falco, como vota?. Continuam filmando, Cleto responde, VOTO A FAVOR DO IMPEACHMENT. A cmera passeia pelo plenrio, muitos deputados s gargalhadas. o momento mais jornalstico desses 27 minutos).

Cleto resolve se explicar em relao a esse voto: Eu j havia decidido votar pelo impeachment de Collor, o presidente me telefonou DEZENAS E DEZENAS DE VEZES, no atendi nenhuma. (Se verdadeira a afirmao, era represlia dos telefonemas que dera para Collor presidente, e no atendidos).

O ex-deputado resolve insistir na questo, completa: J era pblico que eu votaria a FAVOR DO IMPEACHMENT, o presidente sabia, mandou vrios amigos conversarem comigo para modificar minha deciso.

(Como a votao foi um massacre 1 voto a mais ou a menos, no teria adiantado. Por causa disso, por que tentar violar a CONSCINCIA do ex-grande amigo, segundo os detalhes que conta dos mais diversos episdios?)

At mesmo o quase desconhecido desastre (em Paris) com uma Mercedes, na qual iam Collor e ele Falco. Depoimento: Resolvemos que o presidente deveria ir para o hotel, eu ficaria no local com a Mercedes, espera da polcia. Mas o motorista que nos servia, alertou que se ficssemos, a polcia chegaria at Collor, a explorao eleitoral seria terrvel, fomos embora.

1989- Conta detalhes srdidos, j da campanha eleitoral, quando descobriram que Lula tinha uma filha fora do casamento. Textual: Collor estava perdendo os debates, resolvemos explorar o caso, todos concordaram, incluindo eu, mas o mais entusiasmado com a explorao era o prprio Collor. Mais tarde ficamos em pnico quando descobriram que o prprio Collor tinha um filho fora do casamento. O pessoal do PT soube, no houve competncia para descobrir o filho de Collor FORA DO CASAMENTO.

Pergunta e resposta final: Depois do impeachment, at hoje, nunca mais falei com Collor.

Collor-Renan Calheiros,
relacionamento, ontem e hoje

O reprter pergunta se o entendimento entre os dois senadores se modificara, Cleto respondeu: Se dizem amigos, mas um no confia no outro, querem se vingar. Pergunta: E o seu relacionamento com Renan e Collor?. Resposta, quase s gargalhadas: Sou amigo dos dois, gosto deles, mas no confio em nenhum dos dois. A cmera avana, os 27 minutos se esgotaram, nenhuma explicao.

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