Por que não as Forças Armadas?

Carlos Chagas

A bestialidade dos acontecimentos recentes no Rio faz reacender questão que precisará ser enfrentada pela presidente Dilma Rousseff, podendo até  receber uma ajudinha do Lula nestes dias que faltam para a troca no poder. Trata-se do emprego das Forças Armadas na defesa da ordem pública.  Está mais do que provado: as Polícias Militar, Civil e Rodoviária do Rio  não bastam para conter a ação dos animais empenhados em intranqüilizar a população, queimando carros, assaltando cidadãos e atirando contra agentes da lei. É insuficiente o número de policiais,  se comparado com as quadrilhas que todas as noites ganham o asfalto com bombas incendiárias, fuzis e armamento variado.

Por que não botar os soldados na rua, patrulhando as vias públicas não apenas na proximidade dos quartéis, mas em zonas pré-determinadas? Seria problemático fazer  os recrutas subirem os morros, mas que tal  ficar em baixo, impedindo o livre trânsito dos marginais?

As Forças Armadas podem ser acionadas a pedido de um dos poderes da União. Em caráter emergencial, não só garantiriam a tranqüilidade dos cariocas, mas desestimulariam as organizações criminosas, aliás,  em trégua entre elas, unidas contra a sociedade constituída. Não há que esperar a eclosão de uma guerra inviável com algum país vizinho ou nossa participação em novas forças de paz para dar a Exército, Marinha  e Aeronáutica a missão específica de garantir a ordem pública.

PROBLEMA PARA O SUCESSOR

Bento XIV, Cardeal Prósper Lambertini, foi Papa no conturbado período de 1740 a 1758. Chegou ao Vaticano precedido pela fama de excelente teólogo e competente advogado. Às voltas com o crescimento do protestantismo e a onda iluminista que revolvia a Europa, manteve sempre o espírito conciliatório, além do bom humor.

Certa vez, em Roma, foi abordado por um frade maluco que anunciou o nascimento do anticristo, prenúncio do fim do mundo. Com toda paciência, indagou: “e que idade ele tem?” O frade não titubeou, respondendo: “deve ter uns três anos, hoje.”

Bento XIV seguiu placidamente o seu caminho, comentando: “então vou deixar o problema para o meu sucessor…”

Essa história se conta a propósito dos maus augúrios que vem chegando ao gabinete de Dilma Rousseff, levados por economistas de péssima tempera, todos prevendo o acirramento da crise mundial no câmbio e o retrocesso de países emergentes como o Brasil. Deveria, a presidente eleita, deixar o problema para o seu sucessor…

ALERTA OU AMEAÇA?

Em artigo publicado ontem na “Folha de S. Paulo”, o vice-presidente Michel Temer surpreendeu, pela contundência de conceitos. Escreveu que podem desligar-se do PMDB, que ele continuará presidindo, quantos líderes se colocarem contra as determinações da convenção nacional. Para ele, melhor o partido ser menor,  mas unido, do que grande e desunido.

Seria esse o primeiro passo para uma depuração no PMDB? O enquadramento de todos em torno do governo Dilma Rousseff?  A exigência de fidelidade integral, mesmo quando parece ainda muito distante a reforma política?

Algum recado Michel Temer mandou, seja para os paulistas que seguem a orientação de Orestes Quércia, os pernambucanos liderados por Jarbas Vasconcelos ou os catarinenses formados em torno de Luiz Henrique. A ressalva é de que essa diretriz vale daqui por diante, deixando de ser aplicada no passado.

TRAPALHÃO SEM MANDATO

Para ficarmos no PMDB, também chamou a atenção a entrevista concedida pelo senador reeleito por Alagoas, Renan Calheiros. Ele vibrou tacape borduna no ainda líder do PT, Aloísio Mercadante, chamando-o de trapalhão e aloprado por intrometer-se na escolha do novo presidente do Senado “quando não é mais senador”.  Renan defende a recondução de José Sarney para o biênio 2011-2012 e não admite composições com o PT, tendo em vista a superioridade da bancada do PMDB.

Como Mercadante parece a um passo de tornar-se ministro, não se sabendo apenas em que ministério, é possível que alguns companheiros senadores venham a solidarizar-se com o ainda líder, criando dificuldades para a permanência de Sarney.

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