Por que o governo Sergio Cabral renovou contrato com a Supervia (Odebrecht), se os serviços são tão ruins?

Pedro Ricardo Maximino

A concessionária Supervia (leia-se Odebrecht), que suga muito e pouco investe no transporte ferroviário do Rio de Janeiro, está comemorando a renovação de seu contrato com o governo Sergio Cabral por mais 25 anos, apesar de oferecer serviços de péssima qualidade a um preço elevadíssimo para grande parte da população, que não tem outra opção de transporte diante do trânsito estúpido, deficitário, imprevisível e paralisado das vias rodoviárias, sem poderem ter qualquer esperança de melhora.

A empresa do grupo Odebrecht, que também está na farsa do Complexo do Alemão, operando os teleféricos, explora essa vergonhosa galinha dos ovos de ouro das passagens ferroviárias de 540 mil de passageiros/dia, sem opção de transporte de massa. A Supervia é uma grande sucata, com trens circulando em intervalos totalmente irregulares e absurdos, que deixam passageiros esperando sem informações, até entrarem em composições superlotadas.

Toda a malha ferroviária precisa ser urgentemente modernizada para que se consiga oferecer o mínimo de segurança e pontualidade no serviço de transporte. Os trens do ramal Santa Cruz, que utilizo diariamente, sofrem atrasos imprevisíveis, e milhares de passageiros têm prejuízos com atrasos injustificáveis no seu tempo de transporte entre a casa e o trabalho, concentrado no Centro e na Zona Norte, ou como entreposto para o metrô e a Zona Sul.

As horas perdidas de trabalho são debitadas no final do mês e não há a menor esperança de indenização aos trabalhadores suburbanos, que já dormem tão pouco, saem muito cedo de casa e perdem de três a quatro horas diárias no trajeto ferroviário da Supervia, sendo 70% desse tempo esperando sem saber quando virá o próximo trem, pois os horários previstos nos quadros não são respeitados nem em sonhos e só servem para aumentar o sentimento de frustração.

A superlotação é causada por essa irregularidade que, somada à insuficiência e à circulação de verdadeiras sucatas (algumas remodeladas), revela o desrespeito com a população e a certeza de que ninguém mais poderá explorar esse serviço, mesmo existindo diversas empresas em melhores condições técnicas e morais para fazê-lo.

Os lendários trens com ar condicionado também são usados contra os passageiros, pois, diante da tardia percepção do distante Ministério Público (que definitivamente não tem idéia do que é sentir na pele diariamente a realidade suburbana no Rio de Janeiro), a Supervia coloca os poucos trens com ar condicionado para circularem nos horários noturnos e nos dias mais frios.

Muitos trens estão sucateados, sem ventiladores funcionando, com janelas emperradas e portas quebradas (que não abrem), sem o mínimo de circulação de ar, causando sofrimento à população que utiliza e depende dos seus cruéis e enriquecedores serviços.

O horário também é injustificável. O último trem para Santa Cruz sai às 22:45 horas, o que é incompatível com as necessidades de centenas de estudantes do horário noturno, inclusive da UERJ e outras Universidades, além de muitos trabalhadores que têm limitadas suas opções de transportes, depois de mais um dia de luta pela sobrevivência, em meio ao descaso das autoridades. Mas o que esperar de Sergio Cabral?

 

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