Por que o Supremo não aceita que haja impressão do voto?

Adriano Benayon
Correio da Cidadania

Um dos especialistas em urnas eletrônicas, o engenheiro Amilcar Brunazo Filho diz que “o eleitor argentino pode ver e conferir o conteúdo do registro digital do seu voto. O eleitor brasileiro não pode! No Brasil, o voto é secreto até para o próprio eleitor”.

Não é aceitável, portanto, a postura do Supremo, Tribunal Superior Eeleitoral e muitos TREs, que têm indeferido pedidos de se demonstrar, perante essas autoridades, a completa vulnerabilidade da urna eletrônica à fraude.

Menos aceitável ainda, que ministros do STF tenham interferido no poder legislativo, seja para impedir a aprovação do voto impresso, seja para cassá-lo, quando leis foram promulgadas para assegurá-lo.

Em 2004, Nelson Jobim, então presidente do STF, fez convocar reunião de líderes da Câmara dos Deputados, na qual os intimidou (todo político tem processos nas altas cortes), para, por voto de liderança, decidirem suprimir da lei a impressão do voto.

LEI DO VOTO IMPRESSO

Chegou a viger, mas quase não chegou a ser aplicada, a Lei do Voto Impresso, de autoria do Senador Requião, e, em 2009, foi promulgada por Lula a lei dos deputados Brizola Neto e Flávio Dino, que teve este destino, selado pelo STF, em 06.11.2013:

“O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do artigo 5º da Lei 12.034/2009, que cria o voto impresso a partir das eleições de 2014. Na sessão plenária realizada nesta quarta-feira (6), os ministros confirmaram, em definitivo, liminar concedida pela Corte em outubro de 2011, na qual foram suspensos os efeitos do dispositivo questionado pela Procuradoria Geral da República (PGR) na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4543.”

Após o 1º Turno das Eleições de 2014, o que já era mais que suspeito, tornou-se flagrante. Nunca se viram discrepâncias tão grandes entre as pesquisas de boca de urna e os resultados finais.

Em geral, a favor dos candidatos afinados com o sistema de poder comandado pelas oligarquias financeiras mundial e local, e em prejuízo dos políticos com currículo de defesa dos interesses nacionais, como Requião, ou críticos de sustentáculos daquele sistema (Globo), como o mesmo e Garotinho.

A ÚNICA DO MUNDO…

O professor Gustavo Castañon, da Universidade Federal de Juiz de Fora, publicou em “Viomundo”, 11.10.2014, artigo em que define a ‘urna eletrônica brasileira’ como a única do mundo totalmente invulnerável à fiscalização.

Castañon assinala que no primeiro turno o resultado de Aécio foi muito além da margem de erro do Ibope, 1,5% além do previsto, e o de Dilma, aquém, 2,5%. Aécio tinha 99% de chances de ter entre 28% e 32% dos votos. Teve 33,5%.

O outro “erro” foi com os índices de Dilma. Ela teve 0,5% para menos, além da margem de erro. Castañon: “A chance de isso acontecer é bem menor do que 0,005 x 0,005: menor que 0,000025”.

Resumindo Castañon: Resultados virtualmente impossíveis aconteceram em todo o país. A avalanche absurda de 40,4% em Sartori no RS, por exemplo, quando a boca de urna previa 29%. Esta dava Genro (PT) 35%, Sartori (PMDB) 29%, Amélia (PP) 26%. As urnas deram Sartori 40,4%, Genro 32,5% e Amélia 21,7%. Não existem espaços na linha para os zeros necessários para expressar a probabilidade de isso ter ocorrido por acaso.

OUTROS EXEMPLOS

Olívio Dutra, no RS, perdeu a vaga no Senado, depois de a boca de urna ter indicado sua vitória por 6 pontos percentuais de diferença. No RJ, 8% dos votos parecem ter sido transferidos de Garotinho para Pezão e Crivella. Pezão teve mais 6% e Crivella mais de 2%, acima da margem de erro.

Pergunta, ainda, Castañon: por que será que temos o Congresso eleito mais fisiológico de todos os tempos? E afirma: “O estado das coisas se torna mais chocante com a quantidade de denúncias de fraude abafadas pela imprensa e o fato de o TSE ter terceirizado a operação das urnas nesta eleição de 2014 para empresas privadas”.

Ele conclui: ”Só restam duas possibilidades: ou o Ibope fraudou as pesquisas de boca de urna e arruinou voluntariamente sua reputação, ou o Brasil viveu sua maior e mais escandalosa fraude até hoje. Escolha que teoria da conspiração lhe parece mais racional, porque é só o que tem para hoje”.

(artigo enviado por Henrique Ze)

 

9 thoughts on “Por que o Supremo não aceita que haja impressão do voto?

  1. Hoje em dia até na Padaria do Seu Manoel se comprar três pa~es ele te dá o ticket que sai da maquininha.
    Mas, para você votar nem tem o “ticket” do seu voto com a impressão de quem votou, apenas um papelzinho confirmando a votação nos turnos……
    Qual é a diferença entre comprar pa~es e votar em governos.???

  2. que eu lembro a eleição entre Serra e Lula, FHC era presidente e não houve reclamação de fraude,sabe porque a oposição não levou a eleição porque o povo sabe qual o proposito deles mesco com toda mídia apoiando não deu nunca fui a favor de irregularidades seja qual for mas observo que é bom a alternância de poder desde que seja dos outros pois a regra para SP não vale,escandulos de outros partidos assim como rodanel,trens,aeroporto compra da maldita reeleição,o mensalão MG etc a mídia fica calada,mas se fosse um escandulo do pt o mundo viria abaixo não defendo um erro cobre o outro mas divulgações iguais com o mesmo rigor mas isso é utopia.

  3. As urnas são fraudáveis, agora todos sabemos.
    Só agora? Mesmo?
    Engraçadas as pessoas, sobretudo as ideológicas: Puxa…çá queu num sabia?

    Numa eleição “democrática”, com somente duas opções, ganha uma, raios! Até em Portugal…
    Uma das opções, então, ganhou, graças à maior eficiência da sua tchurma fraudante.

    Que dizem os perdedores?
    Que os culpados são os eleitores…!!!
    Conclusão cômica, não fosse ridícula.
    Pois tal justificativa caberia, ademais, e no mesmo sentido, para a outra metade, também, tivesse sido ela a vitoriosa.

    É tão comum pensarem e falarem assim…
    De onde vem tanta cegueira, Saramago?
    Vem da falta de enxergar, ele me soprou, agora, aos ouvidos…

    Outro ridículo comentário que li, naquele tom solene, tenebroso, lento e viscoso do derrotado revoltado. Mais ou menos, dizia, num tom soturno e cavernoso:
    “Por causa de três milhões de brasileiros, uma minoria, vamos ter que aceitar a entrega do país a uma corja… etc”.
    Estou gargalhando até agora com a estupidez de tal afirmação. Uma minoria!
    Alardeando-se democrático (o autor se dizia democrático), disse exatamente isto: que uma minoria de três milhões de eleitores havia decidido o rumo perdido da Nação.
    Vá-se saber porque ele omitiu os outros 50 milhões de votos, ao lado destes três…
    E vá-se imaginar o seu “conceito profundo” de democracia…

    Como dizem os amigos lusitanos, que são muito perspicazes: não ligue para os choros, são todos molhados…

    Enfim, se restar assumido pelos brasileiros que as urnas são fraudáveis, como o são, de fato, e partirmos para que a próxima eleição seja garantida, fiscalizável e recontável, então, por pior que tenha sido o resultado desta eleição, ante seu benéfico efeito correlato de corrigirmos estas urnas, valeu!

    De quebra, o problema da Dívida Pública é bom que venha às Tribunas, também.
    E, fechando, deve vir a público, também, o brilhante trabalho do autor do texto acima, Adriano Benayon e Pedro Dourado de Rezende, “Anatomia de uma fraude à Constituição”, disponível em http://www.cic.unb.br/~rezende/trabs/fraudeac.html .

    Se desta eleição resultarem reais soluções para estes três gigantescos problemas nacionais, – urnas, Dívida e fraude – terá sido a melhor eleição de que se terá notícia na História deste País, em todos os tempos, passados, presente e futuros…

  4. À medida que cada novo escroque vai-se sucedendo, fica mais patente e irrefutável a constatação de que, no Brasil, o que não presta mesmo é uma maioria da população, em torno de 53%. Os políticos são apenas ervas daninhas adubados por essa parcela de estrume social.
    Ora, futilmente, muito se debate o financiamento público das campanhas eleitorais. Para que tamanho lengalenga, se o finaciamento público de campanha já está em voga: o famigerado Bolsa Família. Por enquanto, trata-se de um privilégio que só comtempla o PT. Dinheiro público arrancado do otário produtivo, para enfiar no fiofó de sanguessugas inúteis, em forma de aliciamento eleitoreiro. Na recém-realizada eleição, esse pacto silecioso, entre a galera do Bolsa Família e o Partido dos Trabalhadores, mostrou eficácia: membros petistas poderiam roubar à vontade, em troca do Bolsa Família, contavam com a cumplicidade e o perdão do eleitotado “bolsista”. E assim aconrteceu! Afiná, nóis non condena o pulico qui róba, mái aquele cabra qui róba e non sorta um mucadín-u pra nóis. Visse Seu minhino? Pôs intonce, oxent, meu rei!

  5. A Citizen está apresentando um petição on line p/ revisão dos votos endereçada ao Senador Aécio Neves. Já há 14.000 assinaturas e se precisa de 20.000.

  6. Jobim não é aquele que inseriu, SORRATEIRAMENTE, textos na Constituição que não tinham sido votados e aprovados pelo Concgresso?

  7. “ou o Ibope fraudou as pesquisas de boca de urna e arruinou voluntariamente sua reputação, ou o Brasil viveu sua maior e mais escandalosa fraude até hoje.”

    Ou o professor de filosofia Gustavo Castañon faltou à aula de estatística e probabilidade!…..kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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