Por que premiar caloteiros?

imagem.php.jpg País rico é assim mesmo…

Carlos Chagas 

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado está para decidir se aprova ou rejeita proposta da presidente Dilma para o  perdão de 80% da dívida do Congo para com o Brasil. Na fila, também encontra-se o perdão das dividas da Guiné-Equatorial, do Gabão e do Sudão. Desde Fernando Henrique o governo brasileiro perdoou dezenas de  dívidas de outros  países ao sul do deserto do Saara.

Trata-se de caridade ou do reconhecimento de que eles iriam mesmo dar o calote? Tanto faz, mas a verdade é que somos nós, contribuintes do fisco, que pagamos a conta. Boa parte dessas dívidas refere-se a serviços prestados por empreiteiras nacionais, que não vão ficar no sal. Os países africanos não pagam,  quem paga é o BNDES, ou seja, nós.

A tendência entre os senadores parece da interrupção do fluxo de recursos para governos inadimplentes, mas tudo dependerá do poder de convencimento do palácio do Planalto sobre integrantes de sua base parlamentar. Saberemos em poucos dias, ou horas, ainda que o principal fator dessas desastradas operações financeiras seja pouco considerado: estamos financiando a permanência de ditadores africanos, daqueles medievais cujas famílias gastam milhares de dólares nas principais capitais da Europa comprando apartamentos e carros de alto luxo.

Como disse o senador José Agripino, o governo não perdoa as dívidas dos pequenos agricultores do Nordeste, postos na rua da amargura por conta da seca que assola a região. No entanto, cedemos à imposição de caloteiros externos numa infrutífera busca de seus votos nas Nações Unidas. Isso porque saltam de banda na hora de apoiar a ampliação do número de integrantes do  Conselho de Segurança, com o ingresso do Brasil no grupo dos membros permanentes. Ingenuidade em política externa costuma ser fatal para os ingênuos.

CRESCENDO FEITO RABO DE CAVALO

Antes da débâcle de empresas aéreas do porte da Panair do Brasil e da Varig, sem  falar de outras menores, o Brasil possuía 450 aeroportos, claro que maioria de aspecto rudimentar, mas funcionando todos para interligar o interior com as maiores capitais.

Hoje, são 120 aeroportos, ou seja, crescemos feito rabo de cavalo, para baixo, em termos de transportes aéreos. O lucro parece a objetivo único não apenas das atuais empresas, que tem direito à sobrevivência, mas do governo, temeroso de ser acusado de estatizante. Mesmo remando contra a maré, dá vontade de clamar pela Aerobrás, ainda que sem monopólio de qualquer espécie. Ou apesar de tantas críticas, a Petrobrás ainda é nossa maior empresa?

MOEDA DE TROCA

Segunda-feira foram os líderes dos partidos da base do governo  na Câmara. Ontem, os líderes no Senado,  que compareceram ao palácio do Planalto. Importa reconhecer o esforço da presidente Dilma em retomar o diálogo com o Congresso, mas uma dúvida fica no ar: não tivesse a chefe do governo anunciado a liberação de 6 bilhões de reais para a aplicação das emendas individuais dos parlamentares ao orçamento, seriam promissores os entendimentos?

 A MONTANHA VAI GERANDO UM RATO

Na prática, mudou de nome a Comissão da Reforma Política que funciona na Câmara. Passou a ser chamada de Comissão da Reforma Eleitoral, porque só trata de mudanças nas regras do jogo para as eleições do ano que vem em diante. E com um adendo: a maioria das propostas visa a facilitar a vida dos candidatos. Reformas políticas profundas, como o fim da reeleição, a extinção dos suplentes de senador, a diminuição do número de partidos, nem pensar…

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5 thoughts on “Por que premiar caloteiros?

  1. Esse perdão de dívidas não está sendo bem explicado. Vem de longe. Lembro do caso isolado da Polônia décadas atrás. O senador Agripino parece que mudou de posição, porque essa prática em relação aos africanos se iniciou no governo FHC e esses governos do PT (Lula e Dilma) deram prosseguimento como política exterior. Se o custo-benefício serve ou não aos interesses nacionais é o ponto a se discutir, porque também vivemos num tremendo sufoco aqui e as críticas são válidas. Essa questão do nosso ingresso no CS da ONU não depende desses países caloteiros, e sim das grandes potências. Aliás, certos países caribenhos e centro americanos nos pintam como benfeitores recheados de recursos para bancá-los. Já gastamos, por exemplo, mais de 800 milhões de dólares para limpar até agora em vão sujeiras deixadas pelos norte-americanos e franceses no Haiti, com reflexos imigratórios ilegais a afetar nossos parcos e sempre contingenciados recursos orçamentários.

  2. Srs. porque não receber as dividas, e renumerar os aposentados que estão pedindo esmolas depois de 35 anos de trabalho. Será que é pedir demais?Não sei qual o mais vagabundo dos presidentes.Fernando Henrique, Lula, ou a Dilma.Atirar com a polvora dos brasileiros, já achatados com a corrupiçaõ, com as falcatruas, do Congresso e muitas mazelas que estão por baixo do tapete.

  3. Porque o problema dos aposentados, aí no caso desesperador os dos INSS, o modelo econômico a que estamos submetidos não aceita negociar, como, por exemplo, o fim do fator previdenciário. Esses presidentes citados não tiveram e não tem cacife para peitar.

  4. É muito gratificante ver vida inteligente entre os comentadores da Tribuna. O Senhor Laco Silva fez o comentário justo e exato. Havendo eu participado, pelo Brasil, de reuniões que tratam de dívida pública entre países, quero informá-los de que essa inicitativa de perdão das dívidas é comum e corrente no Clube de Paris, que trata desse tema. Aquele grupo de países credores (do qual o Brasil participou, num certo tempo, como credor e devedor, a desde o Governo passado é somente credor)criou a Iniciativa para os Países Endividados e Pobres (HIPC Highly Indebted Poor Countries, em inglês) para dar grandes descontos, e mesmo perdões, a dívidas que os países devedores (em sua grande maioria africanos) não podiam, mesmo, pagar. Com isso, aliviavam a situação creditícia e financeira daqueles países, no interesse de toda a economia mundial. O fato de terem ou não ditadores como dirigentes não era levado em conta: os ditadores morrem, os países continuam. Assim, meu caro Carlos Chagas, apesar de ser seu admirador, discordo totalmente de sua posição nessa matéria.

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