Por que “sim” aos bolivarianos e “não” às unidades da Federação?

Percival Puggina

Uma das consequências mais graves da apropriação do Estado por um partido político, como faculta nosso modelo institucional em sua irracionalidade, é o alinhamento do Itamaraty ao departamento de relações internacionais do Partido dos Trabalhadores. Não estou falando de uma hipótese ou de mera possibilidade. Nos últimos 13 anos, o que afirmo se expressa em longa lista de eventos. Dívidas perdoadas, contas não cobradas, financiamentos em condições especialíssimas, contratos sigilosos, acordos, extradições e por aí vai. O convênio que permitiu a vinda de médicos cubanos, por exemplo, é um caso escandaloso de superfaturamento, cujo objetivo visava mais à saúde financeira da empresa Castro&Castro Cia. Ltda. do que à saúde da população brasileira.

Mesmo que os financiamentos do BNDES sejam vistos como operações comerciais de interesse do mega-empresário pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva, ainda assim sobram exemplos para comprovar a influência petista nas relações externas do país. Nelas, sempre e sempre, a conta vem para nós, pagadores de impostos. O Brasil petista é o rei do camarote na América Ibérica.

ESTADOS E MUNICÍPIOS

O mesmo não se pode dizer das relações do governo com os Estados e municípios da Federação. Aqui as condições invertem, as torneiras se fecham, as contas são cobradas e a pontualidade nos pagamentos sai do calendário e vai para o relógio. Para a virada do ponteiro, como acaba de acontecer com o Rio Grande do Sul. Por quê?

O motivo é simples. Basta ter lido o Manifesto Comunista. Não precisa, sequer, dar-se à canseira de ler nosso marxista de exportação, Michael Löwry. O que está dito no Manifesto explica muito da história do movimento comunista internacional.

Para Marx, o capitalismo era apátrida e o comunismo também deveria ser. Por isso, ele ensina que “o proletário não tem pátria” e o Manifesto se encerra com a consigna: “Proletários de todos os países! Uni-vos!”.

Para Rosa de Luxemburgo, o internacionalismo bolchevique era prova de inteligência política. Eis por que as manifestações de rua favoráveis ao governo são vermelhas. Eis a razão de existir do Foro de São Paulo. Está aí a função da Unasul e a “Pátria Grande”.

FAVORES IDEOLÓGICOS

Quando o governo brasileiro concede favores a Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua, Argentina, não é ao povo de cada um desses países que tais favores se dirigem, mas à unidade ideológica que interliga os respectivos governantes. É um apoio aos Castro, a Chávez e a Maduro, à Rafael Correa, a Evo Morales, aos Kirchner e a Daniel Ortega. Danem-se os respectivos povos e suas liberdades! Danem-se como se danaram os paraguaios quando o parlamento daquele país deu um “basta!” a Lugo, o bispo vermelho e sacripanta.

SEMANA DA PÁTRIA

Estas reflexões são motivadas pelo transcurso da Semana da Pátria. Ela, como objeto de reverência, não entra nas reflexões de quem governa o país desde 2003. Eis o motivo pelo qual o imenso transatlântico chamado Brasil foi jogado irresponsavelmente contra os rochedos onde naufraga a esperança que um dia se anunciou vencedora do medo.

Dane-se, também, o povo brasileiro, se isso for necessário para conquista e permanência no poder. Danem-se a ética, a responsabilidade, a competência, a credibilidade. Não é o Brasil e seu povo que interessam. É Lula. É Dilma. É o partido. É o poder. E viva o acordão!

50 thoughts on “Por que “sim” aos bolivarianos e “não” às unidades da Federação?

  1. Algumas verdades sobre o “Foro de São Paulo”, o PT e os tiranetes que enxovalham a esquerda democrática

    Entre tantas proezas dos (des)governos de Lula e Dilma, o PT conseguiu mais uma: enxovalhar a história da esquerda brasileira ao jogar todos os partidos na vala comum da politicagem, da corrupção, dos desmandos e do desrespeito às instituições democráticas e aos princípios republicanos.

    Fica uma confusão na cabeça dos eleitores menos politizados ou dos mais conservadores, que colocam no mesmo espectro à esquerda – como se pudessem ser separados apenas pela maior ou menor escala radical e estatizante – partidos como PT, PCdoB, PSB, PDT, PPS, PPL, PCB, PSOL, PCO, PSTU…

    Um dos argumentos usados como prova supostamente incontestável para colocar o PT e o PPS no mesmo rol “comunista”, para citar o rótulo mais comum, é a lista de fundadores do “Foro São Paulo”, criado em 1990 para reunir os chamados “partidos progressistas” da América Latina e Caribe, e que teve a sua 20ª edição realizada agora no fim de agosto de 2014, com apoio à reeleição de Dilma Roussef.

    Mas é aí que acabam os fatos históricos e começa a versão fantasiosa. Onde termina a verdade e toma conta a mentira deslavada que satisfaz os críticos mais irascíveis!

    Para ficar bem esclarecido: somos CONTRA esses governos de Evo Morales, Nicolás Maduro, Dilma, e antes Hugo Chávez e Fidel Castro, entre outros, bem como as ligações mal explicadas dessa “esquerda” com as FARC e outras organizações criminosas.

    Há pelo menos uma década o PPS não participa do “Foro São Paulo”, justamente por discordar e divergir dos seus participantes (incluindo o PT e seus partidos-satélites, contra os quais o PPS se opõe frontalmente desde 2004), desde que deixou de ser um espaço plural de discussão política e social e virou um palco restrito aos tiranetes latino-americanos, zumbis ideológicos e viúvas do comunismo.

    Ao contrário do contexto de 1990, com a queda do muro de Berlim, o fim do socialismo real e a desintegração da União Soviética, quando surge o PPS e se justificava o “Foro de São Paulo” para debater o futuro da chamada “esquerda democrática”, hoje divergimos completamente dessas forças totalitárias que chegaram ao poder em países como Bolívia, Venezuela, Equador, Colômbia, Argentina, Cuba e o próprio Brasil.

    São informações importantes para um resgate histórico, assim resumidas:

    • Concordo plenamente com este e outros comentários que o Dr. Ednei vem escrevendo aqui na TI. É um trabalho educativo, escreva mais. A meu ver, os governos Lula e Dilma cometeram lesa-ideologia no campo das esquerdas. As direitas agradecem e misturam tudo no liquidificador da Dinâmica Realidade. Não vejo mais sentido em ser de um lado ou de outro, virou tudo igual. Talvez o PPS (respeito muito) esteja fazendo um esforço hercúleo evitando ser triturado no rolo compressor que assola nosso querido Brasil, oremos por esse Torrão na Semana da Pátria. Governos passam o estrago fica.

      • Sr. Antonio Rocha,

        Fico feliz por notar que o senhor compreendeu o meu esforço para esclarecer ao máximo uma saída que temos para virar a mesa desta política suja que há anos vem infelicitando o Brasil. Não só os presidentes de República (salvo Itamar – que aliás era do PPS) têm presidido mal a República, não fazendo jus ao alto cargo que os eleitores lhes confiaram, culminando com estes dois últimos presidentes, Lula e Dilma, que estão no meio da roubalheira e quebraram o Brasil. Não só eles, mas é preciso de um Congresso Nacional com gente de mais qualidade, sem políticos fisiológicos ou políticos negociantes de todas as formas e maneiras possíveis, como temos visto acontecer. Os congressistas atuais frustram a população brasileira e dela têm obtido desprezo. Mas o desprezo do povo nos custa caro porque não permite o voto consciente e, nas urnas, mesmo trocando de nomes, o povo desencantado troca seis por meia dúzia, com os mesmos vícios dos parlamentares anteriores. É preciso interromper este ciclo vicioso.

        Obrigado pelo seu apoio. Um forte abraço,

        Ednei Freitas

  2. Por que o PPS?
    Entre tantos partidos, por que o PPS? “Um partido diferente, uma opção consciente”

    PT, PMDB, PSDB, PTB, PDT, PCdoB, PSB, PTC, PSC, PMN, PRP, PPS, PV, PTdoB, PP, PSTU, PCB, PRTB, PHS, PSDC, PCO, PTN, PSL, PRB, PSOL, PR, DEM, PPL, PSD, PEN, SDD, PROS. São 32 partidos registrados oficialmente no Brasil. No meio de tantas siglas e bandeiras, por que escolher o PPS? O que esta legenda tem de diferente das demais? O que pode motivar uma pessoa a ingressar ou a votar no PPS 23?

    O Partido Popular Socialista (PPS) é, em seus 92 anos de história, um dos poucos partidos oriundos da esquerda democrática que busca uma proposta viável para responder às angústias de grande parte da sociedade brasileira diante de uma realidade global que se torna, dia a dia, mais asfixiante e desesperadora.

    O PPS é a chance de se concretizar de forma coerente os ideais democráticos, da cidadania plena e da justiça social. É o partido que disparou na frente em busca de novos modelos de desenvolvimento nacional e de soluções para a urgente necessidade de melhoria das condições de vida da grande maioria do povo brasileiro.

    O PPS é um partido em expansão nacional, com um ideário renovado e melhor adaptado à nossa realidade, composto em grande parte por uma nova geração de políticos éticos e comprometidos com a busca de novos caminhos para o desenvolvimento econômico, político e social do Brasil.

    O PPS sempre defendeu a manutenção da estabilidade econômica, porém com mais ênfase no crescimento firme e sustentável, uma opção mais clara em prol do fortalecimento do setor produtivo nacional e uma relação com os mercados globais que reafirme a nossa soberania, a defesa de nossos interesses e o fim das desigualdades do nosso povo.

    O PPS é um partido pioneiro: assim como foi o primeiro partido de esquerda no Brasil, fundado em 1922 e integrado a absolutamente todos os movimentos de luta pela democracia, pela liberdade, pela cidadania e pela justiça social no país, foi também o primeiro a reconhecer, no início da década de 90, o fracasso do modelo socialista até então adotado em todo o mundo e o primeiro a se despir de antigos dogmas e preconceitos.

    Assim, o PPS é um partido novo, democrático, inspirado na herança humanista, libertária e solidária dos movimentos sociais e das lutas dos trabalhadores em nosso país e no mundo. Tem o socialismo como parâmetro, não mais como verdade absoluta.

    O PPS não abre mão de seus princípios históricos e de suas raízes, mas corajosamente renuncia a qualquer “modelo-guia” para resolver os problemas do Brasil.

    O PPS defende a implementação de um projeto político reformador e capaz de transformar para melhor a realidade socioeconômica e política brasileira. Uma ação centrada na democracia, o que requer um comprometimento firme e ético com os princípios da liberdade e do pleno exercício da cidadania; uma visão de mundo mais progressista e amparada na justiça e na solidariedade; a prevalência dos interesses públicos sobre os privados; a ampliação da luta em defesa do meio ambiente, pela qualidade de vida e pela igualdade dos direitos de todos os cidadãos e cidadãs brasileiros, sem qualquer distinção nem preconceito de raça, etnia, cor, religião, idade, origem, gênero, opção sexual etc.

    Cidadania, Ética e Justiça Social

    Fazer política com ética, de forma séria, transparente, honesta, democrática, lutando por justiça social: esse deve ser o principal compromisso de um legítimo partido democrático de esquerda com o eleitor brasileiro.

    O que deveria ser a maior obrigação de qualquer mulher ou homem público, acaba se transformando em qualidade e se tornando o maior diferencial de um candidato e/ou partido, em meio à tanta corrupção e tanta vergonha na política.

    Com os inúmeros escândalos que o Brasil assistiu nos últimos anos, o mar de lama em todas as instâncias do governo e a formação de uma verdadeira “máfia” na máquina pública, que trouxe prejuízos inestimáveis para a população, cabe a nós agora limparmos toda essa sujeira, para “arrumar a casa” e acabar com toda essa sacanagem (com o perdão da palavra, mas não há outra tão representativa) que foi cometida contra os nossos direitos cidadãos.

    Mas o que se vê por aí, infelizmente, a cada eleição, é a população elegendo políticos tão ruins ou piores que os anteriores. Alguns dos que buscam a reeleição vêm com muito dinheiro, campanhas caríssimas, excesso de propaganda, com recursos que a gente até imagina de que maneira foram obtidos… Outros, novatos, têm como única mensagem a necessidade da “renovação”, mas são fracos, despreparados, sem idéias, sem propostas viáveis e, o pior, vão renovar nomes, mas dificilmente renovarão condutas. É trocar seis por meia dúzia.

    Por isso, entendemos que é aí que um verdadeiro partido democrático de esquerda deve se inserir.

    É preciso ter formação, preparo e disposição para exercer um mandato com honestidade, lealdade, boa-fé, independência, decoro, dignidade e respeito à coisa pública e à vontade popular.

    É preciso ter conhecimento e estrutura para fiscalizar o Poder Executivo. Abster-se da utilização de influência em seu benefício ou de grupos ligados a ele. Abster-se de emprestar seu nome ou o do seu partido a empreendimentos de cunho ilegal ou duvidoso.

    Ninguém é perfeito, mas se tivermos que errar, vamos pelo menos cometer erros novos. Não podemos nem de longe nos assemelhar a partidos e políticos que desrespeitam a dignidade de qualquer cidadão ou cidadã; comportam-se de forma atentatória à dignidade e às responsabilidades da função pública; usam o mandato para obter vantagens de qualquer espécie; ou ainda, que ofendem os princípios da administração pública e da honradez.

    Não podemos acobertar políticos que induzem a prática de irregularidades utilizando seu prestígio; detentores de mandato que firmam ou mantém contrato com órgãos da administração pública ou com empresas que tenham vínculo com o Executivo; aceitam ou exercem cargo remunerado em entidades que mantenham contrato com o Executivo ou o Legislativo; detém a propriedade ou o controle de empresas que mantenham relação com órgãos da administração pública; patrocinam causas em que estejam particularmente interessados; abusam do poder econômico ou do poder de autoridade; utilizam meios de comunicação social em benefício próprio; desrespeitam os princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito; atuam de forma negligente no desempenho de funções administrativas; utilizam a estrutura do Executivo ou do Legislativo em benefício próprio; recebem vantagens pecuniárias em troca de sua posição política ou voto.

    É fato que seria algo ingênuo esperar de certos políticos compromisso sincero com o interesse público. Mas é nossa função saber separar o joio do trigo.

    Precisamos afastar da política e erradicar da vida pública os políticos habituados a confundir negociação política com chantagem e negociata, pessoas indignas e que não reúnem as mínimas condições, técnicas ou morais, para exercer as funções para as quais se candidatam.

    Políticos que vendem sua ideologia de ocasião em troca de favores e benesses precisam ser expurgados da vida pública. Políticos que até ontem eram oposição, pularam do antigo barco com interesse meramente eleitoral (ou financeiro) na onda da cooptação governista. Cúmplices e partícipes dos feudos em que foram transformados os ministérios e outros órgãos federais, antros de corrupção, querem agora posar de figuras ilibadas.

    A gangue que atuava nos porões de escândalos recentes, como mensalão, propinoduto, correios etc., na tentativa desesperada de sobrevivência, dividiu-se e espalhou-se em vários partidos e cabides estatais.

    Esses desqualificados, a quem o destino reserva um lugar no lixo da história – e, se possível, na cadeia – precisam ser banidos de vez da vida pública. A política que nós queremos e estamos lutando para construir é um instrumento para eliminar esses bandidos, não para lhes dar guarida.

    Cremos que são por aí os rumos que a população espera de um digno e legítimo partido democrático de esquerda. O PPS tem tudo para seguir este caminho, que não permite atalhos aéticos ou desvio de conduta, sob pena de cair na vala comum da corrupção e da politicagem.

    A História do PPS

    O Partido Popular Socialista (PPS), constituído formalmente em 1992, é o herdeiro legítimo das melhores tradições do antigo PCB, o “Partidão” de tantas batalhas.

    Fundado em 25 de março de 1922 com o nome de Partido Comunista do Brasil, o PCB tem em sua origem a luta dos trabalhadores brasileiros do começo do século e as idéias socialistas de Karl Marx e Friedrich Engels – o que transformou a história do partido numa eterna briga para se manter na legalidade e para fugir da perseguição política e do patrulhamento ideológico promovido pelas forças mais retrógradas e conservadoras da sociedade.

    Poucos meses após sua fundação, o PCB é posto na ilegalidade (julho de 1922). Torna-se um partido legal apenas em 1945, com a derrota do nazi-fascismo na Europa e a queda do Estado Novo no Brasil. Volta à clandestinidade dois anos depois (maio de 1947), quando tem seu registro cassado pelo governo Dutra. Mesmo clandestino, participa ativamente da política nacional. Em 1961, depois do 5º Congresso, muda seu nome para Partido Comunista Brasileiro. Apenas em meados da década de 80 conquista definitivamente sua legalidade.

    Durante toda a sua trajetória, o Partido deixou a sua marca na História do Brasil. Iniciou a discussão da reforma agrária quando o assunto ainda era tabu, assim como lançou o movimento pela unidade e autonomia sindical.

    Contribuiu decisivamente para a cultura brasileira – na bossa nova, nos CPCs, no Cinema Novo. Foi o primeiro partido a levantar a bandeira da democracia como saída para o regime militar instaurado em 1964.

    O primeiro também a apresentar um documento de luta pela igualdade de direitos da mulher, com propostas para o campo do trabalho, da família, e da vida política. Isso deu-se em maio de 1979 com a tese “A condição da mulher e a luta para transformá-la: visão e política do PCB”.

    O PCB teve grande parte de sua militância presa, torturada e morta nos porões da ditadura. Foi o pioneiro, na esquerda brasileira, a integrar-se às amplas e profundas mudanças que ocorreram no mundo, no final dos anos 80 e início dos anos 90. Em seu 10º Congresso, em 1992, acompanhando as transformações do socialismo e das esquerdas em todo o mundo, altera seu nome para Partido Popular Socialista e se despe de antigos dogmas e preconceitos.

    Assim, o PPS é um partido novo, democrático, socialista, inspirado na herança humanista, libertária e solidária dos movimentos sociais e das lutas dos trabalhadores em nosso país e no mundo.

  3. Caro Dr. Ednei Freitas … está muitíssimo interessante o debate do senhor com o senhor Wagner Pires – bem documentado … estou gostando e até comentando algo mais em http://tribunadainternet.com.br/vale-tudo-para-dilma-rousseff-permanecer-no-poder/

    A questão comunista latinoamericana se torna pernamente com a Crise dos Mísseis Cubanos de 1962 … em que houve um acordo publicado e respeitado até hoje … e CERTAMENTE um acordo secreto que também é respeitado até hoje – mesmo se colocando Rússia em vez de URSS.

    Há várias evidências deste acordo secreto … a principal é de que o Foro de São Paulo tem conquistado Presidências pela legalidade eleitoral!!!

    Abraços!

    • Prezado Senhor Lionço Ramos Ferreira,

      Eu já havia lido, e agora relí sua postagem na TI sobre a ditadura, que tirou do ar o jornalista Hélio Fernandes, se bem entendi, pelas mãos do então Coronel Olímpio Mourão Filho, que quando general foi o primeiro a mandar tropas para a queda do governo constitucional de João Goulart, e foi aí que o Golpe Militar começou, no triste 31 de março de 1964. O senhor também escreve sobre a Frente Ampla, como eu escrevi, e noto que nossos relatos coincidem, o que confirma a História. Sobre o Foro de São Paulo, este abominável Foro, este se tornou uma junta de tiranetes e governos autoritários como o da Venezuela, o de Cuba, o do Brasil, o do Equador e até o da Argentina, o que o PPS repudia. Note-se que embora eleito pelo voto, Lula sempre foi um presidente centralizador e autoritário. O senhor tem razão ao afirmar que membros do Foro de São Paulo têm conquistado Presidências pela legalidade eleitoral ! Eles usam para isso uma boa dose de populismo, tipo “salvador da pátria”, ‘bolsa família” e assim iludem eleitores despolitizados.

      Esta praga na América Latina precisa acabar. Bom seria que começasse a acabar aqui no Brasil, que é o país mais populoso da América Latina e exerce uma liderança na região. Não é do meu conhecimento o acordo secreto entre a Rússia e o Foro de São Paulo, dando continuidade a um acordo firmado pela antiga URSS com os cubanos. É possível. Se o senhor tiver dados deste acordo, por favor, publique-o na TI. Vamos deixar tudo às claras e debater a vida política nacional neste clima saudável que estamos encetando.

      Um forte abraço,

      Ednei

      • Estimado Sr. Dr. Ednei Freitas … saudações amigáveis!

        O debate está quentíssimo … e alguma coisa fica fugindo de nosso entender, certo? Precisamos ter paciência até conosco!!!

        Acontece que no governo JK, tanto Hélio Fernandes quanto Carlos Lacerda, foram impedidos (democraticamente?) de acessar os meios comunicativos irradiados e televisados por determinação do então Coronel Mourão Filho, que chefiava o que deu hoje em Ministério das Comunicações!!! foi uma CENSURA POLÍTICA em época constitucional plena!!! !!! !!! entende-se que Mourão fazia parte da oficialidade juscelinista – que deflagou a Revolução do Rosário!!!

        Abraços!!!

      • Quanto às evidências de um acordo secreto em que envolva os EUA, a LatinoAmérica e a URSS, hoje Rússia, temos algumas que já elenquei … sendo que há uma fortíssima:

        A Venezuela andou fazendo exercícios navais com frota russa no Caribe – lembra?

        Troco: os EUA na questão Ucrânia!!!

        Saudações!

  4. Educação comunista: a práxis contra a verdade

    ESCRITO POR CARLOS AZAMBUJA | 11 MAIO 2015
    ARTIGOS – MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO

    A escola e o ensino, segundo os comunistas, devem ser permanentemente controlados para evitar a infiltração de resíduos e concepções burguesas. É esse o objetivo da educação marxista: formar consciências comunistas. E isso, como é obtido?

    Para o marxismo, a prática tem prioridade sobre o conhecimento e é o fundamento deste. Essa é uma tese de Marx, que seus epígonos não hesitaram em manter e que é a própria base do marxismo: a primazia da práxis sobre o conhecimento, da ação sobre a doutrina e do fazer sobre o ser.

    A conseqüência imediata dessa tese no ensino é a de que, para o marxismo, educar não é pôr em contato com a verdade e sim com a prática. Mao-Tsé Tung afirmou que uma das características do materialismo dialético “é o seu caráter prático; sublinha a independência da teoria à prática; que a prática é a base da teoria; que o critério da verdade nada mais é que a prática social”.

    A educação e o ensino, para o marxismo, devem realizar, na prática, a vinculação do homem ao sentido da história. A educação é necessária, seu significado e sua tarefa consistem em provocar a máxima aceleração no processo histórico e em tornar possível a transformação da consciência dos homens.
    Para o marxismo, a única forma possível de educar consiste em lograr que, consciente e livremente – falamos da liberdade marxista – a educação se realize, por contradições sucessivas, na natureza e na história; a educação marxista deve ser interpretada como acomodação. A educação é uma atividade acomodadora à situação revolucionária. Educar é socializar.

    Para o marxismo, o professor desempenha um papel importante, e é fundamental que o ensino esteja em mãos de mestres ideologicamente doutrinados e capacitados para acender a chispa da consciência comunista em seus alunos e, ademais, além de uma formação adequada deve ter, acima de tudo, uma consciência política. A escola e o ensino, segundo os comunistas, devem ser permanentemente controlados para evitar a infiltração de resíduos e concepções burguesas.

    É esse o objetivo da educação marxista: formar consciências comunistas. E isso, como é obtido?

    O procedimento varia, segundo as circunstâncias; não é o mesmo quando o partido comunista esteja no poder, ou quando ainda não tenha conseguido a tomada do poder. Quando domina a sociedade todos sabem como opera, e, no outro caso?

    Em primeiro lugar devemos ter em mente que o marxismo não trata de melhorar nada, e sim fazer uma transformação total, face ao seu próprio caráter dialético. A crítica do marxismo a toda injustiça real ou a toda situação que se apresente como injusta, ou que se faça passar como tal, não tem por finalidade restabelecer a justiça ou melhorar as coisas em seu real e mais amplo sentido, e sim inserir o homem na dialética, lograr que os homens aceitem sua vinculação ao processo dialético, que é no que consiste o progresso para o marxismo.

    O marxismo não se preocupa com o proletariado porque este esteja oprimido ou porque seja débil e sim na medida em que é ou pode tornar-se uma força, e quanto mais proletários existirem maior será sua força como classe revolucionária e mais próximo e possível estará o socialismo.

    O objetivo confesso dos marxistas é a tomada do Poder pela classe trabalhadora. Isso, todavia, não significa que nada se possa fazer antes de o Poder passar às mãos dessa classe. A luta pela educação tem uma importância fundamental, pois sem a dedicação a essa luta não podem tomar forma e desenvolver-se os meios para tornar possível a ofensiva final, nem a ideologia que sustenta essa luta. Qualquer avanço no progresso educativo poderá vir, afinal, auxiliar o desenvolvimento da consciência de classe da classe trabalhadora.

    Daí a importância e o perigo do ensino do marxismo nos centros escolares da sociedade em que este ainda não tenha assumido o poder. Perigo mais latente e real hoje, quando os ensinamentos de Gramsci, de tomada não-violenta e indolor do Poder pretende chegar ao final da história – o comunismo – por meio da conquista da sociedade civil, o que tornará possível a subseqüente conquista do Estado. Isto é, a conquista da sociedade civil como prelúdio da conquista da sociedade política. Ou seja, antes de tomar o poder é preciso conquistar a cultura, segundo a terminologia gramscista.

    Exemplo clássico de derrota do marxismo por não possuir a hegemonia na sociedade civil foi a sofrida por Allende, no Chile. Daí a tática comunista adaptada à lição recebida. Uma vez conquistada a cultura, o caminho estará livre à implantação do socialismo.

    Gramsci, ideólogo marxista-leninista italiano, falecido na década de 30, e seus seguidores, descartam, por esse motivo, a violência revolucionária – que, no entanto, admitem em último extremo – e dão mais importância à educação levada a cabo pelos intelectuais, considerando-a o principal fator revolucionário. Dessa forma, pretende-se evitar que a forte personalidade da sociedade civil nos países ocidentais se rebele contra um governo revolucionário, levando-o a fracassar, como ocorreu no Chile em 1971-1973.

    Ainda Gramsci:
    “É impossível que uma luta política possa culminar em verdadeiros resultados se não vem acompanhada de uma revolução, de uma reforma intelectual e moral, se não se modifica a mentalidade das pessoas e, por conseguinte, a superestrutura da sociedade. Por isso, o problema da revolução é também um problema de educação. (…) É necessário que o fato revolucionário apareça não somente como um fenômeno de Poder, e sim, também, como um fenômeno de costume, como um fato moral, o que implica, necessariamente, numa radical transformação das mentalidades”.

    Daí a importância da Escola – na qual a política, a cultura e a pedagogia estão indissoluvelmente unidas – que poderá vir a cumprir, com relação aos jovens, o mesmo fim que um partido político.

    Por tudo isso, ainda segundo Gramsci, “a difusão, desde um centro hegemônico – a Escola -, de um modo de pensar homogêneo, é a condição principal para a elaboração de uma consciência coletiva”.

    Direção, organização da cultura, centro hegemônico, modo de pensar homogêneo, consciência coletiva, escola unitária, tudo isso é destinado a impor e a lograr que se assimile a filosofia da práxis, isto é, o marxismo, pela sociedade civil.

    No fundo, no fundo, nada mudou. Trata-se da instrumentalização da cultura e do ensino para atingir o objetivo visado pelo marxismo: a submissão do homem mediante a submissão da inteligência.

    Volodia Valentin Teitelboim Volosky, advogado, político, escritor e intelectual, secretário-geral do Partido Comunista Chileno de 1988 a 1995, referiu-se a esse tema na Revista Internacional nº 1-1982:

    “A cultura é uma vaga e prestigiosa palavra em razão da qual, a seu juízo, os povos e as nações conservam, continuam e até superam seu passado, Porém, quem controlar a cultura e sua base imprescindível, a educação, poderá não só definir retrospectivamente o acontecido como também controlar o futuro. O amanhã se encontra nas mãos e no cérebro daqueles que estão sendo educados hoje”.

    Carlos I. S. Azambuja é historiador.

    • O PPS é um partido pioneiro: assim como foi o primeiro partido de esquerda no Brasil, fundado em 1922 e integrado a absolutamente todos os movimentos de luta pela democracia, pela liberdade, pela cidadania e pela justiça social no país, foi também o primeiro a reconhecer, no início da década de 90, o fracasso do modelo socialista até então adotado em todo o mundo e o primeiro a se despir de antigos dogmas e preconceitos.

      Assim, o PPS é um partido novo, democrático, inspirado na herança humanista, libertária e solidária dos movimentos sociais e das lutas dos trabalhadores em nosso país e no mundo. Tem o socialismo como parâmetro, não mais como verdade absoluta. Os dogmas aqui falados são o marxismo-leninismo, o stalinismo, a ditadura do proletariado, o maoismo e outros horrores com que Cuba e a União Soviética oprimiram os seus povos.

    • Dos mais radicais e repugnantes, representados por exemplo pelo Cabo Anselmo (o precursor de Lula, que foi o Cabo Anselmo do ABC ), que ressurge do ostracismo pregando um golpe militar e não por acaso nos concede uma entrevista exclusiva dentro de uma associação de oficiais das Forças Armadas, até o palatável Movimento Brasil Livre, ainda que repelindo qualquer golpe, como afirmam neste debate inédito seus jovens integrantes, declarados liberais e anti-esquerdistas, o PT conseguiu a proeza de ressuscitar a direita no Brasil.

      Como nunca antes na história deste país, ou pelo menos nestes últimos 30 anos de redemocratização, o conservadorismo ideológico mostra a sua cara, vai para as redes e para as ruas, e sobe o tom de voz. Estão cada vez mais desinibidos e confiantes.

      O estrago cometido pelos governos petistas, eleitos como “a esperança que venceu o medo” (antes do estelionato) e que fizeram chegar ao poder toda uma geração oriunda dos movimentos de esquerda, será sentido a partir das eleições de 2016.

      Veja o caso de São Paulo: já anunciaram candidatura para disputar a sucessão do péssimo prefeito Fernando Haddad (PT), os jornalistas Celso Russomanno, pelo PRB da Igreja Universal, e José Luiz Datena, pelo PP de Maluf, Bolsonaro, Delegado Olim (possível vice de Datena) e figuras do tipo, coincidentemente, também, um dos partidos mais implicados nos escândalos de corrupção do governo federal.

      Outro com figurino à direita, que ensaia se lançar candidato pelo PSDB a prefeito, é o jornalista e empresário João Dória Júnior, fundador e presidente do LIDE (Grupo de Líderes Empresariais) e criador do “movimento cívico” Cansei!, em 2007, uma espécie de pai ou guru de todos os atuais movimentos de cidadãos indignados que vem surgindo desde as manifestações de 2013.

      No PSDB, disputam internamente com João Dória nomes como o de Andrea Matarazzo, vereador e “conde” da tradicional família paulistana; o deputado estadual Coronel Telhada, com fama de linha-dura da ROTA; e Alexandre de Moraes, secretário de Segurança do governo Alckmin e ainda filiado ao PMDB (legenda que segue coligada ao PT mas que conta sempre com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, como alternativa de candidatura).

      O que sobrará de opção à esquerda, em São Paulo? As tradicionais candidaturas do PSOL, PCO e PSTU, ou a ex-prefeita e ex-petista Marta Suplicy, possivelmente pelo PMDB.

      Restará também aguardar a movimentação de PPS, PV e Rede Sustentabilidade, que podem ter peso decisivo para uma alternativa democrática e progressista para o “pós-PT”.

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  5. A mentalidade da esquerda e seus estragos sobre os mais pobres

    ESCRITO POR THOMAS SOWELL | 12 AGOSTO 2013
    ARTIGOS – MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO

    Para a minha sorte, naquela época não havia nenhum intrometido de esquerda querendo me impedir de trabalhar mais horas do que eu gostaria.

    Quando adolescentes criminosos e assassinos são rotulados de “jovens problemáticos” por pessoas que se identificam como sendo de esquerda, isso nos diz mais sobre a mentalidade da própria esquerda do que sobre esses criminosos violentos propriamente ditos.

    Raramente há alguma evidência de que os criminosos sejam meramente ‘problemáticos’, e frequentemente abundam evidências de que eles na realidade estão apenas se divertindo enormemente ao cometer seus atos criminosos sobre terceiros.

    Por que então essa desculpa já arraigada? Por que rotular adolescentes criminosos de “jovens problemáticos” e supor que maníacos homicidas são meros “doentes”?

    Pelo menos desde o século XVIII a esquerda vem se esforçando para não lidar com o simples fato de que a maldade existe — que algumas pessoas simplesmente optam por fazer coisas que elas sabem de antemão serem erradas. Todo o tipo de desculpa, desde pobreza até adolescência infeliz, é utilizada pela esquerda para explicar, justificar e isentar a maldade.

    Todas as pessoas que saíram da pobreza ou que tiveram uma infância infeliz, ou ambas, e que se tornaram seres humanos decentes e produtivos, sem jamais praticarem atos violentos, são ignoradas pela esquerda, que também ignora o fato de que a maldade independe da renda e das origens, uma vez que ela também é cometida por gente criada na riqueza e no privilégio, como reis, conquistadores e escravocratas.

    Logo, por que a existência do mal sempre foi um conceito tão difícil para ser aceito por muitos da esquerda? O objetivo básico da esquerda sempre foi o de mudar as condições externas da humanidade. Mas e se o problema for interno? E se o verdadeiro problema for a perversidade dos seres humanos?

    Rousseau negou esta hipótese no século XVIII e a esquerda a vem negando desde então. Por quê? Autopreservação. Afinal, se as coisas que a esquerda quer controlar — instituições e políticas governamentais — não são os fatores definidores dos problemas do mundo, então qual função restaria à esquerda?

    E se fatores como a família, a cultura e as tradições exercerem mais influência positiva do que as novas e iluminadas “soluções” governamentais que a esquerda está constantemente inventando? E se a busca pelas “raízes da criminalidade” não for nem minimamente tão eficaz quanto retirar criminosos de circulação? As estatísticas ao redor do mundo mostram que as taxas de homicídio estavam em declínio durante as décadas em que vigoravam as velhas e tradicionais práticas tão desdenhadas pela intelligentsia esquerdista. Já quando as novas e brilhantes ideias da esquerda ganharam influência, no final da década de 1960, a criminalidade e violência urbana dispararam.

    O que houve quando ideias antiquadas sobre sexo foram substituídas, ainda na década de 1960, pelas novas e brilhantes ideias da esquerda, as quais foram introduzidas nas escolas sob a alcunha de “educação sexual” e que supostamente deveriam reduzir a gravidez na adolescência e as doenças sexualmente transmissíveis? Tanto a gravidez na adolescência quanto as doenças sexualmente transmissíveis vinham caindo havia anos. No entanto, esta tendência foi subitamente revertida na década de 1960 e atingiu recordes históricos.

    Desarmamento
    Uma das mais antigas e mais dogmáticas cruzadas da esquerda é aquela em prol do desarmamento. Aqui, novamente, o enfoque está nas questões externas — no caso, nas armas.

    Se as armas de fato fossem o problema, então leis de controle de armas poderiam ser a resposta. Mas se o verdadeiro problema são aquelas pessoas malvadas que não se importam com a vida de outras pessoas — e nem muito menos para as leis —, então o desarmamento, na prática, fará apenas com que pessoas decentes e cumpridoras da lei se tornem ainda mais vulneráveis perante pessoas perversas.

    Dado que a crença no desarmamento sempre foi uma grande característica da esquerda desde o século XVIII, em todos os países ao redor do mundo, seria de se imaginar que, a esta altura, já haveria incontáveis evidências dando sustentação a esta crença. No entanto, evidências de que o desarmamento de fato reduz as taxas de criminalidade em geral, ou as taxas de homicídio em particular, raramente são mencionadas por defensores do controle de armas. Simplesmente se pressupõe, de passagem, que é óbvio que leis mais rigorosas de controle de armas irão reduzir os homicídios e a criminalidade.

    No entanto, a crua realidade não dá sustento a esta pressuposição. É por isso que são os críticos do desarmamento que se baseiam em evidências empíricas, todas elas magnificamente coletadas nos livros “More Guns, Less Crime”, de John Lott, e “Guns and Violence”, de Joyce Lee Malcolm. Mas que importância têm os fatos perante a visão inebriante e emotiva da esquerda?

    Pobres
    A esquerda sempre se arrogou a função de protetora dos “pobres”. Está é uma de suas principais reivindicações morais para adquirir poder político. Porém, qual a real veracidade desta alegação?

    É verdade que líderes de esquerda em vários países adotaram políticas assistencialistas que permitem aos pobres viverem mais confortavelmente em sua pobreza. Mas isso nos leva a uma questão fundamental: quem realmente são “os pobres”?

    Se você se baseia em uma definição de pobreza inventada por burocratas, como aquela que inclui um número de indivíduos ou de famílias abaixo de algum nível de renda arbitrariamente estipulado pelo governo, então realmente é fácil conseguir estatísticas sobre “os pobres”. Elas são rotineiramente divulgadas pela mídia e gostosamente adotadas por políticos. Mas será que tais estatísticas têm muita relação com a realidade?

    Houve um tempo em que “pobreza” tinha um significado concreto — uma quantidade insuficiente de comida para se manter vivo, ou roupas e abrigos incapazes de proteger um indivíduo dos elementos da natureza. Hoje, “pobreza” significa qualquer coisa que os burocratas do governo, que inventam os critérios estatísticos, queiram que signifique. E eles têm todos os incentivos para definir pobreza de uma maneira que abranja um número suficientemente alto de pessoas, pois isso justifica mais gastos assistencialistas e, consequentemente, mais votos e mais poder político.

    Em vários países do mundo, não são poucas as pessoas que são consideradas pobres, mas que, além de terem acesso a vários bens de consumo que outrora seriam considerados luxuosos — como televisão, computador e carro —, são também muito bem alimentadas (em alguns casos, até mesmo apresentam sobrepeso). No entanto, uma definição arbitrária de palavras e números concede a essas pessoas livre acesso ao dinheiro dos pagadores de impostos.

    Esse tipo de “pobreza” pode facilmente vir a se tornar um modo de vida, não apenas para os “pobres” de hoje, mas também para seus filhos e netos.

    Mesmo quando esses indivíduos classificados como “pobres” têm o potencial de se tornar membros produtivos da sociedade, a simples ameaça de perder os benefícios assistencialistas caso consigam um emprego funciona como uma espécie de “imposto implícito” sobre sua renda futura, imposto este que, em termos relativos, seria maior do que o imposto explícito que incide sobre o aumento da renda de um milionário.

    Em suma, as políticas assistencialistas defendidas pela esquerda tornam a pobreza mais confortável ao mesmo tempo em que penalizam tentativas de se sair da pobreza. Exceto para aqueles que acreditam que algumas pessoas nascem predestinadas a serem pobres para sempre, o fato é que a agenda da esquerda é um desserviço para os mais pobres, bem como para toda a sociedade. Ao contrário do que outros dizem, a enorme quantia de dinheiro desperdiçada no aparato burocrático necessário para gerenciar todas as políticas sociais não é nem de longe o pior problema dessa questão.

    Se o objetivo é retirar pessoas da pobreza, há vários exemplos encorajadores de indivíduos e de grupos que lograram este feito, e nos mais diferentes países do mundo.

    Milhões de “chineses expatriados” emigraram da China completamente destituídos e quase sempre iletrados. E isso ocorreu ao longo dos séculos. Independentemente de para onde tenham ido — se para outros países do Sudeste Asiático ou para os EUA —, eles sempre começaram lá embaixo, aceitando empregos duros, sujos e frequentemente perigosos.

    Mesmo sendo frequentemente mal pagos, estes chineses expatriados sempre trabalhavam duro e poupavam o pouco que recebiam. Era uma questão cultural. Vários deles conseguiram, com sua poupança, abrir pequenos empreendimentos comerciais. Por trabalharem longas horas e viverem frugalmente, eles foram capazes de transformar pequenos negócios em empreendimentos maiores e mais prósperos. Eles se esforçaram para dar a seus filhos a educação que eles próprios não conseguiram obter.

    Já em 1994, os 57 milhões de chineses expatriados haviam criado praticamente a mesma riqueza que o bilhão de pessoas que viviam na China.

    Variações deste padrão social podem ser encontradas nas histórias de judeus, armênios, libaneses e outros emigrantes que se estabeleceram em vários países ao redor do mundo — inicialmente pobres, foram crescendo ao longo de gerações até atingirem a prosperidade. Raramente recorreram ao governo, e quase sempre evitaram a política ao longo de sua ascensão social.

    Tais grupos se concentraram em desenvolver aquilo que economistas chamam de “capital humano” — seus talentos, habilidades, aptidões e disciplina. Seus êxitos frequentemente ocorreram em decorrência daquela palavra que a esquerda raramente utiliza em seus círculos refinados: “trabalho”.

    Em praticamente todos os grupos sociais e étnicos, existem indivíduos que seguem padrões similares para ascenderem da pobreza à prosperidade. Mas o número desses indivíduos em cada grupo faz uma grande diferença para a prosperidade ou a pobreza destes grupos como um todo.

    A agenda da esquerda — promover a inveja e o ressentimento ao mesmo tempo em que vocifera exigindo ter “direitos” sobre o que outras pessoas produziram — é um padrão que tem se difundido em vários países ao redor do mundo.

    Esta agenda raramente teve êxito em retirar os pobres da pobreza. O que ela de fato logrou foi elevar a esquerda a cargos de poder e a posições de autoexaltação — ao mesmo tempo em que promovem políticas com resultados socialmente contraproducentes.

    A arrogância
    É difícil encontrar um esquerdista que ainda não tenha inventado uma nova “solução” para os “problemas” da sociedade. Com frequência, tem-se a impressão de que existem mais soluções do que problemas. A realidade, no entanto, é que vários dos problemas de hoje são resultado das soluções de ontem.

    No cerne da visão de mundo da esquerda jaz a tácita presunção de que pessoas imbuídas de elevados ideais e princípios morais — como os esquerdistas — sabem como tomar decisões para outras pessoas de forma melhor e mais eficaz do que estas próprias pessoas.

    Esta presunção arbitrária e infundada pode ser encontrada em praticamente todas as políticas e regulamentações criadas ao longo dos anos, desde renovação urbana até serviços de saúde. Pessoas que nunca gerenciaram nem sequer uma pequena farmácia — muito menos um hospital — saem por aí jubilosamente prescrevendo regras sobre como deve funcionar o sistema de saúde, impondo arbitrariamente seus caprichos e especificidades a médicos, hospitais, empresas farmacêuticas e planos de saúde.

    Uma das várias cruzadas internacionais empreendidas por intrometidos de esquerda é a tentativa de limitar as horas de trabalho de pessoas de outros países — especialmente países pobres — em empresas operadas por corporações multinacionais. Um grupo de monitoramento internacional se autoatribuiu a tarefa de garantir que as pessoas na China não trabalhem mais do que as legalmente determinadas 49 horas por semana.

    Por que grupos de monitoramento internacional, liderados por americanos e europeus abastados, imaginam ser capazes de saber o que é melhor para pessoas que são muito mais pobres do que eles, e que possuem muito menos opções, é um daqueles insondáveis mistérios que permeiam a intelligentsia.

    Na condição de alguém que saiu de casa aos 17 anos de idade, sem ter se formado no colégio, sem experiência no mercado de trabalho, e sem habilidades específicas, passei vários anos de minha vida aprendendo da maneira mais difícil o que realmente é a pobreza. Um dos momentos mais felizes durante aqueles anos ocorreu durante um breve período em que trabalhei 60 horas por semana — 40 horas entregando telegramas durante o dia e 20 horas trabalhando meio período em uma oficina de usinagem à noite.

    Por que eu estava feliz? Porque antes de encontrar estes dois empregos eu havia gasto semanas procurando desesperadamente qualquer emprego. Minha escassa poupança já havia evaporado e chegado literalmente ao meu último dólar quando finalmente encontrei o emprego de meio período à noite em uma oficina de usinagem.

    Passei vários dias tendo de caminhar vários quilômetros da pensão em que morava no Harlem até a oficina de usinagem, que ficava imediatamente abaixo da Ponte do Brooklyn, e tudo para poupar este último dólar para poder comprar pão até finalmente chegar o dia de receber meu primeiro salário.

    Quando então encontrei um emprego de período integral — entregar telegramas durante o dia —, o salário somado dos dois empregos era mais do que tudo que eu já havia ganhado antes. Foi só então que pude pagar a pensão, comer e utilizar o metrô para ir ao trabalho e voltar.

    Além de tudo isso, ainda conseguia poupar um pouco para eventuais momentos difíceis. Ter me tornado capaz de fazer isso era, para mim, o mais próximo do nirvana a que já havia chegado. Para a minha sorte, naquela época não havia nenhum intrometido de esquerda querendo me impedir de trabalhar mais horas do que eu gostaria.

    Havia um salário mínimo, mas, como o valor deste havia sido estipulado em 1938, e estávamos em 1949, seu valor já havia se tornado insignificante em decorrência da inflação. Por causa desta ausência de um salário mínimo efetivo, o desemprego entre adolescentes negros no ano de 1949, que foi um ano de recessão, era apenas uma fração do que viria a ser até mesmo durante os anos mais prósperos desde a década de 1960 até hoje.

    À medida que os moralmente ungidos passaram a elevar o salário mínimo, a partir da década de 1950, o desemprego entre os adolescentes negros disparou. Hoje, já estamos tão acostumados a taxas tragicamente altas de desemprego neste grupo, que várias pessoas não fazem a mais mínima ideia de que as coisas nem sempre foram assim — e muito menos que foram as políticas da esquerda intrometida que geraram tais consequências catastróficas.

    Não sei o que teria sido de mim caso tais políticas já estivessem em efeito em 1949 e houvessem me impedido de encontrar um emprego antes de meu último dólar ser gasto.

    Minha experiência pessoal é apenas um pequeno exemplo do que ocorre quando suas opções são bastante limitadas. Os prósperos intrometidos da esquerda estão constantemente promovendo políticas — como encargos sociais e trabalhistas — que reduzem ainda mais as poucas opções existentes para os pobres. Quando não reduzem empregos, tais políticas afetam sobremaneira seus salários.

    Parece que simplesmente não ocorre aos intrometidos que as corporações multinacionais estão expandindo as opções para os pobres dos países do terceiro mundo, ao passo que as políticas defendidas pela esquerda estão reduzindo suas opções.

    Os salários pagos pelas multinacionais nos países pobres normalmente são muito mais altos do que os salários pagos pelos empregadores locais. Ademais, a experiência que os empregados ganham ao trabalhar em empresas modernas transforma-os em mão-de-obra mais valiosa, e fez com que na China, por exemplo, os salários passassem a subir a porcentagens de dois dígitos anualmente.

    Nada é mais fácil para pessoas diplomadas do que imaginar que elas sabem mais do que os pobres sobre o que é melhor para eles próprios. Porém, como alguém certa vez disse, “um tolo pode vestir seu casaco com mais facilidade do que se pedisse a ajuda de um homem sábio para fazer isso por ele”.

    Thomas Sowell, um dos mais influentes economistas americanos, é membro sênior da Hoover Institution da Universidade de Stanford. Seu website: http://www.tsowell.com.

    Publicado no site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

    Tradução: Leandro Roque

    • Este é um texto muito longo de Thomas Sowell, destilando um ódio pelo que ele chama de “esquerda” e cheio de argumentos tirados do fundo do baú. Ele fala, fala, fala da esquerda, gasta resmas de papel em seu prolixo artigo, mas se esquece de falar o que a direita pode fazer de bom num país de miseráveis. Chamou, no entanto, minha atenção quando ele se referiu “Dado que a crença no desarmamento sempre foi uma grande característica da esquerda desde o século XVIII, em todos os países ao redor do mundo” (esta afirmação é de suma importância para entender o pensamento de Thomas Sowell, como vamos ver mais abaixo . As expressões esquerda e direita nasceram da Revolução francesa: É bastante comum vermos as expressões Direita e Esquerda sendo usadas para designar grupos antagônicos em um jogo político. Mas o que vem a ser, de fato, cada um desses termos?

      Tudo começou na França do final do século XVIII. Seu sistema político era composto por três grupos, os chamados Estados Gerais: o clero, a nobreza e o terceiro estado, formado pelo “resto” da população (banqueiros, comerciantes, médicos, artesãos, etc.). O terceiro estado era o único que tinha a obrigação de pagar os impostos, além de terem inúmeras limitações, como o fato de não poderem ocupar cargos públicos, por exemplo. Foi assim, em razão da adoção de um modelo político injusto e dos privilégios dados a uma pequena parte da população, que se iniciou a Revolução Francesa.

      O que originou os termos Direita e Esquerda foi o fato dos membros do terceiro estado sentarem à esquerda do rei enquanto os do clero e da nobreza sentavam à direita. Foi assim que se originaram os conceitos: Direita é um grupo conservador e Esquerda é um de oposição. Thomas Sowel, expoente da Direita afirma que esta existe porque o homem é mau ! A perversidade humana, a crueldade é intrínseca à humanidade e por isso é favorável ao porte de armas para o cidadão comum, à maneira dos norte-americanos, não acredita em reabilitação: a maldade para ele é inata e não passível de tratamento, daí ele recomendar mais prisões. Refere ele que o erro da Esquerda é acreditar no Homem, como originariamente bom. Isto é verdade. Para a esquerda em geral (lembrar que a esquerda não é um bloco monolítico) o Homem nasce bom e se dadas as condições favoráveis ele não descambará para o crime, para a crueldade. Esta é a crítica que Thomas Sowel faz da esquerda (em geral). Vamos ler nas próprias palavras de Thomas Sowel : “Logo, por que a existência do mal sempre foi um conceito tão difícil para ser aceito por muitos da esquerda? O objetivo básico da esquerda sempre foi o de mudar as condições externas da humanidade. Mas e se o problema for interno? E se o verdadeiro problema for a perversidade dos seres humanos?

      Rousseau negou esta hipótese no século XVIII e a esquerda a vem negando desde então. Por quê? Autopreservação. Afinal, se as coisas que a esquerda quer controlar — instituições e políticas governamentais — não são os fatores definidores dos problemas do mundo, então qual função restaria à esquerda?”

      Ora, se o mal e a perversidade são inatos no Homem, tanto quanto nossos órgãos dos sentidos, não há como falar em igualdade e fraternidade, colaboração e solidariedade. O Homem vai ser sempre mal e perverso e precisará ser governado com leis duras e mãos de ferro. O sonho da esquerda de ter uma sociedade justa e igualitária é, para Thomas Sowel apenas uma ilusão inalcançável, e por isso a esquerda não funciona. Então, o Homem tem de ser governado pela Direita, que acredita na maldade e perversidade inatas do homem e está pronta para coibir tais instintos: cadeia, pena de morte, porte de armas, legislação dura. Vou usar aqui as próprias palavras de Thomas Sowel : “Dado que a crença no desarmamento sempre foi uma grande característica da esquerda desde o século XVIII, em todos os países ao redor do mundo, seria de se imaginar que, a esta altura, já haveria incontáveis evidências dando sustentação a esta crença. No entanto, evidências de que o desarmamento de fato reduz as taxas de criminalidade em geral, ou as taxas de homicídio em particular, raramente são mencionadas por defensores do controle de armas. Simplesmente se pressupõe, de passagem, que é óbvio que leis mais rigorosas de controle de armas irão reduzir os homicídios e a criminalidade.

      No entanto, a crua realidade não dá sustento a esta pressuposição. É por isso que são os críticos do desarmamento que se baseiam em evidências empíricas, todas elas magnificamente coletadas nos livros “More Guns, Less Crime”, de John Lott, e “Guns and Violence”, de Joyce Lee Malcolm. Mas que importância têm os fatos perante a visão inebriante e emotiva da esquerda?”

      Se Thomas Sowel estiver com a razão, é melhor entregar o governo a um Salazar, ou a um Franco, que governaram com mão de ferro ou, para não ir muito longe, para o deputado federal Jair Bolsonaro. Ele é a favor da pena de morte, da redução da maioridade penal, do aumento das penas criminais – é só olhar no blog dele.

      Escolham os senhores. Acrescento que quem é de esquerda não vende a alma ao mercado. Todavia, é possível no Brasil escolher um partido de direita mais light, que não seja tão rigoroso como Bolsonaro, e são vários à disposição do eleitor: DEM, PSD, Partido Ecológico Nacional, PP, PEN, PHS,
      PR, PRB, PROS, PRP, PRTB, PSC, PSDC, PSL, PTB, PTC, PT do B, PTN, SD, Partido Militar Brasileiro. Assim sendo, o leque à direita é grande. Os que assim pensam que façam suas escolhas.

      • Caro Dr. Ednei Freitas … Saudações!

        Em comentário das 2:14 terminei assim: “Até a Revolução Americana prevaleceram os Direitos dos Reis!!! !!! !!!” … pois é implantado o Presidencialismo nos EUA como que ressurgindo Governo dos Juízes, que acontecera em Israel até Samuel e seus filhos; apesar de que não era hereditária a sucessão dos Juízes, nem havia tempo determinado do mandato!!!

        Após, temos a Revolução Francesa com execução do Rei (e também dos líderes depois), e prejuízo para Clero e Nobreza … com ascenção dos burgueses!!!

        Finalmente, temos a Revolução Russa com execução da Família Czarista, prejuízo para Clero, Nobreza e Burguesia … com ascenção do proletariado, conforme o marxleninismo!!!
        … … …
        A Revolução Americana se mantem até hoje … a Francesa também tornou perene os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade … e a Russa é mais questionada, apesar da Rússia manter pelo menos admiração por Lênin!!!

      • A Revolução Americana não tinha como fim um Internacionalismo … isto se foi estabelecendo aos poucos, principalmente após a Doutrina do Destino Manifesto … e as intervenções dos EUA nas Guerras Européias dos anos 10 e 30-40 do século XX!!!

        Também a Revolução Francesa só partiu para o Internacionalismo com o Imperador Napoleão I.

        A Revolução Russa, conforme Lênin, só encontraria repouso no Internacionalismo, aplicado a partir do Centralismo Democrático … em que Moscou se sentia no direito de traçar as linhas, por ter sido pioneira na prática revolucionária de Engels e Marx … … … tal Centralismo foi tendo dificuldades na China, Iugoslávia, Albânia etc

        Porém, para nós latinoamericanos, o que mais interessa é lembrar das críticas de Guevara à política externa soviética – mesmo Castro continuando fiel ao Centralismo Moscovita!!!

        • Prezado Sr. Lionço Ramos Ferreira,

          Ótima a sua intervenção acima. Historicamente, o senhor tem toda razão. Tanto a Revolução Americana, quanto a Revolução francesa, quanto a Revolução Russa partiram para o internacionalismo. O internacionalismo da França praticamente terminou com a morte de Napoleão. O internacionalismo soviético perdurou de 1945 a 1989 na Cortina de Ferro, mas já vinha fazendo água antes de 1989 com o rompimento de relações diplomáticas da Albânia com a União Soviética e depois já experimentara dificuldades com a Iugoslávia, lembrando-se a “Primavera de Praga”, onde uma rebelião popular para a reforma do comunismo foi esmagada pelas tropas da União Soviética, e ainda, a China se afastou da União Soviética, já na época de Mao Tse Tung, adotando um modelo próprio de Comunismo, que foi se transformando através das décadas e hoje é uma economia de mercado, um Capitalismo de Estado. O único internacionalismo que durou e continua até hoje é o da Revolução Norte-Americana e os EUA tem imposto o seu modelo de Capitalismo em todos os quadrantes da Terra. Guevara, após cometer vários crimes, já no fim de sua carreira notou e criticou a política externa soviética, o que é digno de registro. Parabéns pela lucidez histórica.

  6. Caros Senhores CN, Dr. Ednei Freitas, Wagner Pires e Antonio Rocha … saudações!!!

    Tenho notados os esforços de doutrinação dos senhores Dr. Ednei Freitas e Wagner Pires … muito elogiável a atuação destes 2 ilustres brasileiros … sem doutrina se fica ao léu; pois a fé vem pelo ouvir – pois antigamente poucos liam ou escreviam … … … “Porém, como invocarão aquele em quem não têm fé? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue?” (Rm 10,14)

    Como escreveu nosso amigo Antonio Rocha sobre “lesa-ideologia no campo das esquerdas”, podemos estabelecer que tal aconteceu com Che Guevara quando ele criticou a política externa soviética em fevereiro de 1965 – após os acontecimentos no Brasil em 1964!!!

    Podemos concluir que é uma evidência a mais de um acordo secreto da Crise dos Mísseis Cubanos de 1962 em que não poderia haver novo avanço comunista em terras latinoamericanas. Tanto que Guevara se deu mal no Congo e de lá saiu vivo … enquanto se deu mal na Bolívia e não sobreviveu!!!

    Esta crítica de Guevara sustentaria a DI-GB, da qual nosso amigo Dr. Ednei Freitas recentemente escreveu. Acontece que a DISSIDÊNCIA na esquerda continua até hoje!!!

    Abraços!!!

  7. Lionço que tristeza você com a cabeça em 1962. A guerra fria já acabou há muito e você não tira o casaco de lã. Dizer que o PT é de esquerda é estrabismo político. Lula foi protegido desde os 16 anos pelo General Golbery do Couto e Silva. Brizola e Darcy cunharam duas frases que estão registradas na história. Brizola: O PT é a UDN de macacão e tamancos. Darcy: O PT é a esquerda que a direita gosta

    • “Diante de mais um retumbante fracasso da esquerda no poder, era previsível que os esquerdistas iniciassem um esforço hercúleo para dissociar o PT da esquerda e, com isso, limpar a barra de sua doutrina ideológica. São vários que têm insistido na “tese” de que o partido não é realmente de esquerda, e alguns chegaram a afirmar que até mesmo Hugo Chávez não era de esquerda, tudo para livrar o esquerdismo de mais essas manchas negras em seu currículo sujo.
      Outros preferem a tática de dizer que os conceitos de esquerda e direita estão ultrapassados. Reparem: falam isso justo no momento de ascensão da nova direita brasileira. Verissimo, em sua coluna de hoje, foi nessa linha, e apelou para um “engraçadinho” relativismo para proteger a sua esquerda, como se esquerda ou direita fossem conceitos totalmente subjetivos, tais como água com gás ou sem gás, carne bem ou mal passada etc.
      Brincadeirinhas à parte, e reconhecendo-se que dois conceitos apenas sempre serão simplistas mesmo, não é verdade que esquerda e direita são tão subjetivos assim, o que os tornariam conceitos inválidos. Há definições minimamente objetivas que separam uma categoria da outra, e só mesmo alguém desesperado para salvar sua fracassada esquerda apelaria para tamanho relativismo.
      Por exemplo: em economia, as distinções não poderiam ser mais claras. A esquerda é intervencionista, inflacionista, defende um estado empresário, estatais, crédito público para estimular a economia, combate a ortodoxia fiscal etc. A direita, lógico, prega o oposto: livre mercado, privatizações, o lucro como locomotiva do progresso etc. O PT é de direita? Que piada de mau gosto!
      No comportamento, a esquerda é “progressista”, diz defender as “minorias”, acaba muitas vezes atacando as tradições estabelecidas, quer legalizar as drogas, o aborto, tende a desdenhar da família tradicional e das religiões, ao menos aquelas derivadas do cristianismo. A direita se divide aqui entre a liberal e a conservadora. A liberal coloca o foco na menor minoria de todas, o indivíduo, enquanto a ala conservadora valoriza mais o coletivo, as tradições. Os libertários, que em economia estão do lado direito, aqui acabam mais do lado esquerdo.
      Outra marca registrada da esquerda, mas que não é sua exclusividade, é o coletivismo. O esquerdista enxerga raças, classes, grupos, deixando de lado o indivíduo, enquanto a direita liberal não adota essa visão de mundo, que segrega indivíduos com base em uma característica apenas. Alguém ainda acha que dá realmente para tirar o PT da esquerda?
      “Movimentos sociais” como os invasores do MST estão claramente à esquerda, enquanto defensores da propriedade privada ficam na direita. Novamente: o PT é de esquerda ou de direita? Precisa mesmo responder? Alguém acha que a simples presença de um Joaquim Levy é suficiente para jogar os intervencionistas para a direita?
      “Ah, mas os banqueiros e os empreiteiros estão felizes com o PT”, dizem os inocentes. Ora bolas, e quem disse que a esquerda efetivamente é para os mais pobres? Onde foi assim? Quando? Isso é monopólio das virtudes, dos fins nobres. Mas esquerda e direita, ao contrário do que diz Verissimo, não é uma questão do que diz, e sim do que faz. Os métodos esquerdistas sempre levaram à concentração de poder e recursos numa elite. O BNDES selecionando “campeões nacionais” é defendido pela esquerda, e condenado pela direita.
      Dito tudo isso, e deixando claro que o PT é, sempre foi e sempre será um partido de esquerda, resta acrescentar que há conceitos, hoje, realmente melhores do que esquerda e direita. Por exemplo, populistas e republicanos. Os populistas agitam as massas, querem distribuir riqueza alheia, mas não se preocupam em como criar mais riqueza, adotam retórica contra os ricos, cospem na meritocracia individual e acham que as leis devem valer apenas para os outros.
      Os republicanos defendem o império das leis, a igualdade de todos perante as mesmas regras, as instituições acima do arbítrio dos governantes. Mas, novamente, isso serve quase perfeitamente para definir, também, a esquerda (populista) e a direita (republicana), não é mesmo?
      Por fim, a melhor definição de esquerda talvez seja a simples tradução da palavra em italiano: ela é sinistra!” Autor: Rodrigo Constantino.

      • Prezado Caio Efrom,

        O senhor trouxe um texto de Rodrigo Constantino. Salutar que tenha trazido pois o que acho que nos está faltando aqui nesta TI é justamente do debate político. Não basta derrubar Dilma e por o PT e Lula na cadeia. E depois ? Os partidos estão desorganizados, desorientados, à exceção do PPS, a meu ver. Mas, apesar de todo texto que se apresenta deva ser lido com seriedade, Rodrigo Constantino é discípulo direto de Olavo de Carvalho e representa a extrema-direita nacional. Cortei aqui um comentário dele onde Rodrigo consegue chamar o Partido Democrata dos EUA de “esquerda” e também Barack Obama de “esquerda” e portanto comunista. O absurdo não para aí: Rodrigo Contantino chama a importante rede de comunicações norte-americana CNN de esquerdista ! Isto chega às raias do ridículo. Mantenha-se à direita se bem lhe aprouver, mas não duvide da seriedade do PPS nem confunda que “esquerda é tudo a mesma coisa” Observe o ridículo texto de Rodrigo Constantino:

        “Ou seja, justamente aquelas coisas que os americanos mais conservadores enxergam como fraqueza e erros de Obama, são as elogiadas pelo editorial do jornal, que é visto como de direita no Brasil (só por condenar o PT). Os Democratas devem perder as próximas eleições (tomara), em boa parte por esses equívocos de Obama. Mas no Brasil não há, na grande imprensa ou na política, aqueles que apontam para Obama como um esquerdista um tanto radical, como ele é visto por aqui por milhões de pessoas.

        Tudo isso só comprova a falta que faz, no Brasil, uma direita mais forte e organizada. É verdade que ela está em ascensão, que temos nas vozes de Ronaldo Caiado e Onix Lorenzoni, do DEM, mensagens mais firmes de direita, ou que mesmo dentro do PSDB haja um grupo tentando remar mais contra a maré vermelha. Mas falta muito ainda para termos uma Fox News com o peso e a influência que ela tem aqui nos Estados Unidos, para se contrapor a uma CNN esquerdista. Falta muito para termos um partido Republicano que confronta com coragem e determinação as pautas “progressistas”. E falta, claro, a percepção de que a social-democracia é uma alternativa legítima no debate, mas que ela tem viés esquerdista, não de direita.

        FHC, PSDB, editorial do GLOBO (nem vou incluir o da Folha, pois esse é esquerdista com vontade): todos são adeptos de uma agenda “progressista”, querem legalizar drogas, desarmar a população inocente, usar o estado para controlar o “aquecimento global”, pregar cotas ou movimentos organizados de “minorias” cuja visão de mundo é coletivista e segregacionista. São, insisto, bandeiras legítimas no debate. Mas por favor: são bandeiras de esquerda! E no Brasil eles são “acusados” de representar a direita, o que comprova todo o nosso atraso intelectual e ideológico.”

        Sinceramente Sr. Efrom, um jornalista que diz que FHC, o editorial de O GLOBO, o PSDB são adeptos de uma agenda “progressista” e daí querem desarmar a população inocente, usar o Estado para controlar o aquecimento global, pregar cotas ou movimentos organizados de “minorias” e por isso são de esquerda ! O GLOBO de esquerda, já imaginou ? Está faltando pelo menos um parafuso na cabeça de Rodrigo Constantino. E a Folha de São Paulo que é dita por ele como esquerdista com vontade ? Então, para Rodrigo, Obama é esquerdista e a Folha é esquerdista com vontade !

        • OUTRA OPINIÃO SOBRE RODRIGO CONSTANTINO

          Constantino, o boçal que nos faz dar razão a Olavo de Carvalho
          POR FERNANDO BRITO · 09/06/2015

          O lixo irreciclável que é Rodrigo Constantino é unanimidade.

          Tanto que me faz concordar com Olavo de Carvalho que, quando rompeu com o antigo discípulo, disse: ““Será bom para mostrar aos demais que tipo de lixo falante é esse pirralho desprezível”.

          Suponho que seja verdadeiro o conceito do ex-guru de Constantino, porque é ele próprio quem cita o mestre.

          Li, com algum atraso, seus dois posts.
          No primeiro, escreve:
          “Diante desse quadro de ensino público caótico e marxista, e da falta de lugar nas prisões, talvez seja o caso de concluir, com alguma hipérbole, que precisamos de MENOS ESCOLAS, MAIS PRISÕES!”.

          Bom, não é preciso comentar.
          Mas então, diante das reações, Rodrigo escreve que os “esquerdistas” não sabem o que é uma hipérbole.

          Para tentar ser condescendente com o juízo do rapaz sobre a esquerda, fui ao “papai Aurélio”, já que o Houaiss entra na conta dos “esquerdistas”, ao menos na cartografia primária do pensamento que faz o “pirralho desprezível”.

          Está lá: “figura que engrandece ou reduz exageradamente a verdade das coisas”.
          É, portanto, exposto com exageração, a “verdade das coisas” o pensamento constantinológico.

          Se não fosse, Rodrigo teria dito que era ironia, sarcasmo, não hipérbole.
          .
          Da repulsa que despertou esta ideia, ele reclama de forma esclarecedora, no segundo post:
          “Eu poderia concluir que tal reação me dá razão e corrobora minha tese: essa gente é filhote de Paulo Freire, de Marx. Não saiu das ruas, da “escola da vida”, mas de cursos universitários, alguns com mestrado ou mesmo doutorado. Educação resolve? Depende. Qual? Se for para dar essa “educação” aos jovens, então o melhor seria mesmo fechar todas as escolas!

          Mas vai afirmar algo assim, exagerando na hipérbole para fazer seu ponto, em um país como o Brasil. Lá estará a manchete: “Liberal deseja fechar todas as escolas do país”. É um espanto. E o mais espantoso ainda é que essa horda sequer tem noção de seu papelão. Foram doutrinados e são hoje alienados. O sistema funciona “bem”, dependendo do ponto de vista. Do gramsciano ou paulofreiriano, funciona que é uma perfeição!”

          Deve ser por isso que a Secretaria de Educação de São Paulo compra, aos milhares, material esquerdista para seus alunos: 5.200 Veja, a R$ 670 mil por semestre, uma para cada escola estadual, talvez para tentar libertar os “militantes disfarçados de professores que enchem a cabeça dos jovens com lixo marxista”.

          No primeiro post, Constantino diz que “daria dez com louvor para o aluno” que respondeu a uma pergunta sobre quem foi Karl Marx com o seguinte: um “zé ruela”.

          É obvio que uma resposta destas está errada, seja para Marx, Hitler, Mao Tsé-Tung, Roosevelt, Reagan, Margareth Tatcher ou quem quer que seja que fosse personagem importante da história, qualquer (ou nenhum) julgamento ideológico que se tivesse dele.

          Se perguntassem sobre Rodrigo Constantino, talvez.

          Porque imbecis, e pregoeiros da imbecilidade sempre vão haver, fazem parte da vasta fauna humana, mas não fazem história.
          Embora, às vezes, façam milagres.
          Como o de, uma vez na vida, fazer-me concordar com o Olavo de Carvalho no julgamento sobre alguém.

          • Ad hominem. O texto do tal de Fernando Brito, não contribui em nada ao debate, não há um só argumento baseado em dados e fatos, só opiniões bastante pessoais sobre o Constantino.

        • Caro Ednei, compreendo tua batalha em diferenciar o PPS, social-democrata, do restante da esquerda brasileira e pelo que já tinha lido na página do partido, ele aparentemente busca se distanciar dos dogmas originais marxistas e outros semelhantes. Nossas divergências são de modo salutar em muitos pontos. Porém, estamos atravessando um período na história do país que não há espaço para tolerância e condescendências com o que consideramos errado, ilegal ou prejudicial para nossas vidas e das pessoas que queremos bem. Entendo ser esse enfoque o do Constantino, de forte pontuação, pois o jogo contrário é muito sujo. Mas considerá-lo, ele que é um liberal, como extrema-direita está bastante equivocado. Já o Olavo é um conservador, os dois até já tiveram rusgas públicas só que em vista do momento, e do que se avizinha na outra trincheira “trabalham juntos”, cada um a sua maneira. Ora, a pauta democrata americana é sabidamente de esquerda, é fato, é socialista e progressista e tem se acentuado neste sentido, até o pré-candidato democrata Bernie Sanders, que se aproxima de Hillary se declara socialista. Também é sabido que a Fox tende mais para o lado conservador e a CNN para o progressista. Agora, “desarmar a população inocente, usar o Estado para controlar o aquecimento global, pregar cotas ou movimentos organizados de “minorias”” tudo isso não é a prática da esquerda até hoje? Se não for, para o mundo que quero descer…

          • Prezado Caio Efrom,

            Salvo melhor juízo, penso que hoje demos um salto em qualidade aqui nesta Tribuna. Há muito venho dizendo que somente o Fora Dilma! Fora PT! é quase consensual entre os comentaristas, mas que isto não basta. Derrubado o governo do PT, fica um vazio porque os principais (em tamanho) partidos não estão organizados para governar e não têm programa, à exceção do PPS, que no entanto é um partido pequeno. Recentemente a liderança do PPS apresentou à mesa da Câmara um projeto de emenda constitucional para instituir o Parlamentarismo no Brasil (esta é uma das propostas do PPS para a sociedade) mas o deputado Eduardo Cunha engavetou.

            Cordialmente discordo de você quando diz que “estamos atravessando um período na história do país que não há espaço para tolerância e condescendências com o que consideramos errado”. Penso o contrário. O consenso é difícil. Debater implica tolerância com as idéias que ainda não são as nossas, mas poderão ser. Hoje mesmo o senador Christóvam Buarque escreveu um artigo nesta Tribuna, lamentando que há um divórcio entre os eleitores e as urnas – querendo dizer que os brasileiros não têm uma consciência política e correm o risco de errar de novo nas urnas.

            Agora, a informação de que no país sede, o Templo do Capitalismo, o Partido Democrata é socialista, assim como o Presidente Barack Obama e ainda a rede CNN é esquerdista é muito para a minha compreensão. No reino da iniciativa privada triunfa um esquerdista ? Empresários norte-americanos, competitivos como são, financiaram com muitos milhões de dólares a campanha de um esquerdista para Presidente da República ? Um esquerdista que apóia Israel, contra os Palestinos ? Uma rede de comunicação, a CNN de esquerda ? Bernie Sanders se declara socialista ? Talvez seja a minha vez de pedir para parar o mundo porque quero descer…

  8. Caro Antonio Santos Aquino … já que o senhor escreveu que poderia ser meu pai, muito me honraria ter a sua bênção! mesmo nas discordâncias!

    Acontece que nosso estimado Dr. Ednei Freitas anda fazendo um trabalho histórico de defesa do que ele entende como esquerda legítima, hoje PPS … e tenho colocado alguma coisa sempre com a finalidade de aumentar o conhecimento dos fatos de hoje – que são influenciados pelos fatos passados, né?

    Certo que a Guerra Fria acabou; porém, é evidente que há um acordo secreto de 1962 que nos atinge até hoje … … … Obama declara Venezuela ameaça à ‘segurança nacional’ dos EUA e impõe sanções ao país – isto em 09/03/2015 – coisa semelhante a Cuba em 1962 e Brasil em 1964!!! !!! !!!

    Não estou sonhando, prezado Aquino! abrs.

  9. Os direitistas apontam as violações aos direitos humanos nas ditaduras de esquerda mas omitem, propositalmente, as violações aos direitos humanos nas ditaduras de direita, as quais também são extremamente numerosas como, por exemplo, as vítimas de Pinochet no Chile, de Videla e asseclas na Argentina, no Uruguai pós 73, Stroessner no Paraguai, no Irã do xá Reza Pahlevi que sempre foi aliado dos Estados Unidos, a ditadura de Somoza na Nicarágua, de Ferdinand Marcos nas Filipinas, de Suharto na Indonésia, de Mobutu no Congo/Zaire, Mubarak no Egito, a ditadura de Hugo Banzer na Bolívia, do coronel Carlos Castillo Armas na Guatemala, Batista em Cuba antes da Revolução Cubana, a ditadura instalada em El Salvador em 79 que vigorou até 92, entre outras.

    • Qualquer ditadura é terrível, e sua análise simplista é que quando o homem adquire poder, ele agirá na manutenção deste poder. E numa ditadura totalitária, as mortes de opositores são “ferramentas” para a manutenção desse poder. Mas vamos entrar mesmo nessa de contar os mortos? O lado canhoto é vencedor absoluto neste quesito, próximo a 200 milhões de pessoas. E por que? Porque quando um grupo de esquerda assume o poder de forma totalitária, ele tem a autoridade obtida pela força, mas também uma autoridade “moral”. Ou seja, os fins justificam os meios. O “bem estar social”, pelo “bem” do coletivo, a defesa dos “oprimidos”, “das minorias”, “do povo”, o discurso contra “as elites”, mesmo que isso seja, sempre, diferente da prática, da realidade. Uma ditadura de direita só possui o poder da força e tem “medo” da “censura pública”, então pode matar, mas será de maneira escondida, porque não vai ter o discurso de “tudo que estamos fazendo é por um bem maior para o povo, de justiça social, contra “eles”, contra esta elite burguesa neoliberal, e isso é o certo”. Concluindo, uma ditadura de esquerda sempre terá mais poder que uma de direita e, desta forma, mais liberdade e apoio popular para matar em massa.

  10. Prezado Dr. Carlos Frederico Alverga …saudações!!!

    O senhor foi ao ponto necessário ao entendimento dos Tempos do Fim!!! DIREITOS HUMANOS!!!

    Vamos conferir??? Eis os DIREITOS DOS REIS: “1. Samuel, tendo envelhecido, estabeleceu os seus filhos juízes de Israel. 2. Seu filho primogênito chamava-se Joel, e o segundo Abia; e julgavam em Bersabéia. 3. Os filhos de Samuel, porém, não seguiram as suas pisadas, mas deixaram-se arrastar pela cobiça, recebendo presentes e violando o direito.
    4. Todos os anciãos de Israel vieram em grupo ter com Samuel em Ramá, 5. e disseram-lhe: Estás velho e teus filhos não seguem as tuas pisadas. Dá-nos um rei que nos governe, como o têm todas as nações.
    6. Estas palavras: Dá-nos um rei que nos governe, desagradaram a Samuel, que se pôs em oração diante do Senhor. 7. O Senhor disse-lhe: Ouve a voz do povo em tudo o que te disseram. Não é a ti que eles rejeitam, mas a mim, pois já não querem que eu reine sobre eles. 8. Fazem contigo como sempre o têm feito comigo, desde o dia em que os tirei do Egito até o presente: abandonam-me para servir a deuses estranhos. 9. Atende-os, agora; mas declara-lhes solenemente, dando-lhes a conhecer os direitos do rei que reinará sobre eles.
    10. Referiu Samuel todas as palavras do Senhor ao povo que reclamava um rei: 11. Eis, disse ele, como vos há de tratar o vosso rei: tomará os vossos filhos para os seus carros e sua cavalaria, ou para correr diante do seu carro. 12. Fará deles chefes de mil e chefes de cinqüenta, empregá-los-á em suas lavouras e em suas colheitas, na fabricação de suas armas de guerra e de seus carros. 13. Fará de vossas filhas suas perfumistas, cozinheiras e padeiras. 14. Tomará também o melhor de vossos campos, de vossas vinhas e de vossos olivais, e dá-los-á aos seus servos. 15. Tomará também o dízimo de vossas semeaduras e de vossas vinhas para dá-los aos seus eunucos e aos seus servos. 16. Tomará também vossos servos e vossas servas, vossos melhores bois e vossos jumentos, para empregá-los no seu trabalho. 17. Tomará ainda o dízimo de vossos rebanhos, e vós mesmos sereis seus escravos. 18. E no dia em que clamardes ao Senhor por causa do rei, que vós mesmos escolhestes, o Senhor não vos ouvirá.
    19. O povo recusou ouvir a voz de Samuel. Não, disseram eles; é preciso que tenhamos um rei! 20. Queremos ser como todas as outras nações; o nosso rei nos julgará, marchará à nossa frente e será nosso chefe na guerra.
    21. Samuel ouviu todas as palavras do povo e referiu-as ao Senhor. 22. E respondeu-lhe o Senhor: Ouve-os; dá-lhes um rei. Samuel disse aos israelitas: Volte cada um para a sua cidade”. (1Sm 8)

    Até a Revolução Americana prevaleceram os Direitos dos Reis!!! !!! !!!

  11. Efrom você é o catedrático do pedantismo. A sua análise, sem dúvida, é extremamente sofisticada e não seria eu, pobre mortal, que seria capaz de contradizê-la. Sua modéstia e falta de soberba me comovem. Creio que devemos agraciar você e o Rodrigo Constantino com o Nobel de Economia de 2016.

  12. Obrigado Alverga, percebe-se que argumentos e fatos não fazem parte de sua verborragia. Ficaria contente com tal prêmio, apesar de ter certeza que meus simplórios comentários estão bem distantes de tal feito, mas fico ainda mais contente por igualar-me a um economista que antes de 2010 já previa tudo o que está acontecendo na economia deste país e era tachado de pessimista pelos desenvolvimentistas de plantão.

  13. Prezado Sr. Lionço Ramos Ferreira,

    Diante de sua informação sobre um plano secreto dos EUA sobre o Brasil desde 1962, fui buscar e encontrei no Portalmetropole.com disponível na internet, esta reportagem, um tanto estranha, mas pela coincidência de data, 1962 até agora, resolvi trazer para a ribalta. O artigo é intitulado

    NOVO ESTUDO MOSTRA COMO OS EUA AGEM DESDE 1962 PARA DESESTABILIZAR O BRASIL

    Alunos de Medicina da Unesp fazem trote com roupas do Ku Klux Klan

    Historiadores afirmam que os EUA patrocinaram a ditadura militar no Brasil

    Novo estudo mostra como os EUA agem desde 1962 para destabilizar o Brasil

    Março 30, 2015 Redação Brasil, EUA
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    Novo estudo mostra como os Estados Unidos agiram e ainda agem para destabilizar o Brasil e sua politica interna e externa

    Por Flávio Sérvio

    O que parecia mais uma teoria da conspiração agora ganha força como fato plausível: Washington pode estar movimentando sua inteligência para desestabilizar governos da América Latina, inclusive o do Brasil. O risco de ser taxado de alienado faz com que poucos abordem o assunto. Porém, aos poucos, parte da mídia observa a hipótese de que o governo dos Estados Unidos considera a presença do PT no Palácio do Planalto uma ameaça geopolítica.

    Aliada histórica dos EUA, a direita brasileira já usou do mesmo expediente no passado. E com uma atuação semelhante. O maior símbolo empresarial brasileiro, a Petrobras, por exemplo, foi alvo de uma campanha difamatória que misturou Comissões Parlamentares de Inquérito com acusações de que a estatal servia aos interesses comunistas.

    Pesquisamos as edições de 1960 a 1964 dos jornais A Noite, Jornal do Brasil, Correio da Manhã, Diário de Notícias, Diário do Paraná, Folha de São Paulo, O Globo, Última Hora e Tribuna da Imprensa e foi encontrado um cenário político semelhante ao que vivemos atualmente. Notícias de crise econômica, a proximidade com a Rússia, China e países da América Latina e, não por acaso, denúncias de corrupção na Petrobras. O levantamento demonstrou que o papel exercido por parte da imprensa, a atuação da embaixada americana no Brasil e as movimentações da direita brasileira em 1964 tem uma verossimilhança com fatos que ocorrem atualmente no Brasil.

    Escândalos na Petrobras serviram para desestabilizar João Goulart

    Antes do Golpe de 64, em 1961, uma CPI investigou supostas irregularidades na construção de refinarias da empresa. Era presidida pelo então deputado federal Antônio Carlos Magalhães que pertencia aos quadros da UDN. A investigação em cima da estatal brasileira de petróleo durou cerca de três anos. Suficiente para manter o discurso da direita contra Jango ocupando páginas dos jornais e noticiários de rádio.

    O fato, além de revelar que a corrupção naquela empresa não começou nos dias atuais, demonstra algo ainda mais emblemático: atacar a Petrobras desestabiliza o governo federal.

    Símbolo do nacionalismo, mergulhar a maior empresa brasileira em escândalos torna a opinião pública suscetível ao sentimento de corrupção generalizada. No passado, funcionou como um dos ingredientes para desestruturar o governo de João Goulart, presidente que assumiu o mandado após a renúncia de Jânio Quadros, e que fora deposto em 1964 após uma intensa onda de desarticulação política que envolveu o Congresso Nacional, manifestações nas ruas, uma campanha de combate à corrupção e discursos anti-comunistas.

    Um relatório da CPI foi divulgado às vésperas do Golpe de 64, precisamente um mês antes, e de forma incompleta. Foi mais um motivo para justificar o próprio golpe.

    Após a instalação do regime militar, o assunto praticamente desapareceu das páginas dos jornais.

    1964: intervenção americana não era teoria conspiratória

    Dentro do processo de tornar público arquivos secretos americanos decorridos 50 anos dos fatos que geraram os documentos, recentemente, o governo dos EUA disponibilizou gravações e informações sobre o período que antecedeu o golpe de 1964 no Brasil. Os documentos comprovaram o que, até a sua divulgação, era tratado no Brasil como teoria conspiratória: o golpe militar de 1964 teve participação e apoio direto do governo norte-americano.

    João Goulart, que não viveu para ver a publicação das informações, morreu sem acreditar que houve uma intervenção deliberada dos EUA.

    Em uma entrevista publicada no começo deste ano, até então inédita, concedida ao jornalista norte-americano John Foster, em 1967, Goulart disse: “sob John Kennedy, os Estados Unidos recuperaram sua perspectiva positiva da América Latina. Os Estados Unidos tiveram então uma política correta, uma que estava em comunhão com o povo. Kennedy era favorável à autonomia dos governos da América e era a favor dos benefícios sociais para a população.”

    A história provou que Goulart estava errado. Em 7 de outubro de 1963, Kennedy esteve reunido com Lindon Gordon, embaixador americano no Brasil na época, que sugeriu ao então presidente americano que o golpe militar era uma opção para se resolver a crise política brasileira.

    Nas gravações, Kennedy perguntou, referindo-se a João Goulart: “Temos alguma decisão imediata para pressioná-lo?”, “O que devemos fazer imediatamente no campo político, nada?”, prosseguiu, sobre as atitudes esquerdistas de Goulart.

    Gordon revelou haver dois planos: “Goulart abandona a imagem [de esquerdista] e resolve pacificamente. Ou talvez não tão pacífico: ele pode ser tirado involuntariamente”.

    Dois meses antes, em agosto de 1963, a Embaixada dos EUA no Brasil encaminhou um telegrama ao Departamento de Estado em Washington. O documento levava a seguinte afirmação de Lindon Gordon: “é quase certo que Goulart fará tudo para instituir alguma forma de regime autoritário”. Documentos do Wikileaks vazados em 2011 revelaram que a Embaixada Americana continua a enviar informações sobre o governo brasileiro aos Estados Unidos.

    Em 2007, Heráclito Fortes pediu intervenção dos EUA no Brasil

    Um dos políticos que já colaborou secretamente com o governo dos EUA é ninguém menos que o atual deputado federal pelo PSB e ex-senador piauiense pelo PFL, Heráclito de Sousa Fortes. Em documento secreto da Embaixada Americana datado de 13 de novembro de 2007 e enviado à CIA(serviço de inteligência norte-americano), NSA (Agência de Segurança Nacional) dos EUA e ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, o então senador, que era presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, repassou informações sigilosas para Washington e instigou uma ação de intervenção mais dura no Brasil. “Vocês são crianças: você ignora o problema demoradamente e então é tarde demais”, disse Heráclito de uma forma tão enfática que essa parte do relatório recebeu do embaixador Sobel o título de “You are Children” – Vocês são crianças.

  14. A História proibida

    ESCRITO POR OLAVO DE CARVALHO | 24 MARÇO 2014
    ARTIGOS – CULTURA

    Bittman afirmou que a KGB tinha na sua folha de pagamentos, em 1964, quase uma centena de jornalistas brasileiros. Alguém se interessou em investigar quem eram eles?

    Carl Schmitt definia a política como aquele campo da atividade humana no qual, não sendo possível nenhuma arbitragem racional dos conflitos, só resta juntar os amigos e partir para o pau com os inimigos. Invertendo a célebre fórmula de Clausewitz, a política tornava-se assim uma continuação da guerra por outros meios. Nessa perspectiva, o que quer que se dissesse a respeito deveria ser julgado não por sua veracidade ou falsidade, mas pela dose de reforço que desse aos “amigos” e pelo mal que infligisse aos “inimigos”.

    A quase totalidade da bibliografia nacional sobre o golpe de Estado de 1964 segue rigorosamente essa receita. A hipótese de discutir racionalmente os argumentos dos golpistas é afastada in limine como “extremismo de direita” ou como adesão retroativa ao movimento que, com forte apoio popular, derrubou João Goulart e inaugurou a era dos presidentes militares. A única função que resta para o historiador é, portanto, reforçar o elemento macabro na lista dos crimes de um dos lados e enaltecer os do outro lado como boas ações incompreendidas.

    A universidade brasileira tem nisso uma das suas principais missões educacionais. Não espanta que para cumpri-la tenha tido de reduzir mais de cinqüenta por cento dos seus estudantes ao estado de analfabetismo funcional,[1] tornando-se assim uma organização criminosa empenhada na prática da fraude em grande escala.

    A ciência política começou quando Sócrates, Platão e Aristóteles inauguraram a distinção entre o discurso do agente político e o do observador científico. Essa distinção não poderia ser mais clara nem mais incontornável: o primeiro destina-se a fazer com que determinadas coisas aconteçam, o segundo a compreender o que acontece. O próprio agente político, quando fala entre amigos, tem de ser um pouco cientista para dar a eles uma visão realista do estado de coisas antes de lhes dizer o que devem fazer. Levada às suas últimas conseqüências, a regra schmittiana resulta em suprimir toda possibilidade de um conhecimento objetivo do estado de coisas e em meter os amigos numa enrascada dos diabos. Ninguém praticou isso com mais dedicação do que os comunistas, que por isso mesmo acabaram matando mais comunistas do que todas as ditaduras de direita reunidas e somadas. Até hoje ninguém contestou satisfatoriamente a minha assertiva de que nos anos 30-40 do século passado um marxista de estrita observância teria maior probabilidade estatística de sobreviver na Espanha de Franco ou no Portugal de Salazar do que em Moscou.

    Quase toda a bibliografia nacional sobre o golpe de 1964 e sobre o regime militar que se lhe sucedeu só tem, portanto, o valor de um documento bruto sobre a visão que uma das facções em luta tinha (e tem) dos acontecimentos. Como estudo científico-objetivo, não vale nada. Que alguns poucos livros se oponham a essa uniformidade consensual não melhora em nada a situação, pois expressam antes a reação enfática de uma minoria indignada do que um sério desejo de compreender o que se passou. E a desproporção entre ataque e defesa se torna ainda mais significativa porque – notem – os governos militares, com todos os recursos que tinham à mão, não espalharam um volume de propaganda anti-Goulart – ou anticomunista — que chegasse a um milésimo do que se escreveu e publicou contra eles depois que foram alijados do poder. Mesmo em plena ditadura, a produção de livros e jornais contrários ao regime, muitos abertamente pró-comunistas, já ultrapassava de longe o volume modesto da propaganda oficial, sem contar o fato de que esta se limitava a patriotadas genéricas e inócuas sem nenhum teor de ataque ou denúncia. O governo, enfim, cedeu à esquerda o monopólio do uso da linguagem, e o fez precisamente nos anos em que os setores mais hábeis do movimento comunista, em vez de se suicidar nas guerrilhas, liam Antonio Gramsci e se empenhavam em ocupar espaços na mídia e nas universidade para aí empreender a grande guerra cultural contra um adversário que a ignorava por completo.

    É inteiramente normal que no dia seguinte à queda de um regime ele seja demonizado, mas é ainda mais normal que a passagem do tempo favoreça abordagens mais realistas e equilibradas. Este ano o golpe de 1964 completa meio século de história, e não só a indústria da vituperação continua cada vez mais próspera, alimentada agora por uma cornucópia de verbas estatais, mas o simples impulso de sugerir alguma moderação ou de pedir equanimidade na averiguação dos delitos de parte a parte é recebido como virtualmente criminoso e digno de punição. Muitos acusam nele, abertamente, a preparação de um outro golpe, o anúncio de uma nova ditadura, e, com base nesse hiperbolismo forçado até o último grau, legitimam o uso de meios ditatoriais para evitá-la.

    Num país onde setenta mil cidadãos são assassinados por ano, a morte de quatrocentos terroristas meio século atrás é ainda alardeada como o mais terrível – e o mais recente – dos traumas históricos possíveis. Chega-se mesmo a exclamar que o Brasil só não encontrou o caminho da perfeita democracia porque os “crimes da ditadura” ainda não foram suficientemente investigados e denunciados.[2]

    Nessas condições, não é de estranhar que aspectos fundamentais da história daquele período fossem varridos para baixo do tapete, sufocados e proibidos, como se nunca tivessem existido e como se mencioná-los fosse o maior dos crimes. Eis alguns exemplos:

    1. Qual a dimensão real da ameaça comunista no Brasil dos anos 60? A norma geral é proclamar, a priori, que essa ameaça era inexistente ou irrisória. Mas as mesmas pessoas que assim dizem são as primeiras a apontar o grande número de oficiais comunistas e pró-comunistas que o novo regime expulsou das Forças Armadas. São também as primeiras a cantar as glórias do esquema guerrilheiro que Fidel Castro havia espalhado por todo o continente americano. Conta-se entre lágrimas a história da Operação Condor, mas evita-se cuidadosamente mencionar que ela foi apenas uma reação tardia à fundação da OLAS, a Operação Latino-Americana de Solidariedade, comando-geral das guerrilhas no continente, que já havia matado milhares de pessoas quando os governos da região decidiram juntar esforços para combatê-la.

    2. À profusão de investigações e denúncias sobre a ação da CIA no Brasil, entremeadas de mitos e lendas, corresponde, em simetria oposta, o total desinteresse ou a proibição tácita de averiguar a presença da KGB no país na mesma época. A abertura dos arquivos de Moscou, que tão profundamente modificou o panorama da sovietologia no mundo, foi recebida no Brasil como uma obscenidade da qual não se deveria falar.

    3. A balela de que as guerrilhas surgiram em reação à derrubada do presidente Goulart continua sendo repetida com a maior sem-cerimônia, mesmo sabendo-se que desde 1961 já havia no Brasil guerrilhas subsidiadas e orientadas pelo governo cubano. Nesse ponto, aliás, o simples fato de que o presidente Goulart, recebendo em mãos as provas do que se passava, escondesse tudo e remetesse em segredo a Fidel Castro em vez de mandar investigar essa ostensiva intervenção estrangeira armada, já bastava para tornar sua derrubada inevitável e até obrigatória.[3] No entanto, até hoje o golpe é carimbado como um ato de força “contra um presidente legalmente eleito”, como se Goulart tivesse sido derrubado por ter sido eleito e não por ter cometido um crime de alta traição.

    4. Qual foi exatamente a participação de exilados e de outros comunistas brasileiros na polícia política de Fidel Castro? Se o sr. José Dirceu foi oficial do serviço secreto militar cubano, é quase impossível que ele tenha sido uma exceção solitária. Quantos comunistas brasileiros foram co-responsáveis por matanças e torturas de cubanos?

    5. Passaram-se doze anos desde que divulguei neste país o livro, publicado uma década e meia antes disso, em que o chefe do escritório da KGB no Brasil, Ladislav Bittman, confessava ter falsificado documentos para induzir a mídia local, com sucesso, a acreditar que o governo dos EUA havia planejado e orientado o golpe militar. Desde então nem um único jornalista ou historiador se interessou sequer em ler o livro, quanto mais em tentar uma entrevista com Bittman ou uma averiguação nos arquivos soviéticos. São, no total, vinte e sete anos de ocultação proposital.

    6. No mesmo livro, Bittman afirmou que a KGB tinha na sua folha de pagamentos, em 1964, quase uma centena de jornalistas brasileiros. Alguém se interessou em investigar quem eram eles? Encobertos sob o silêncio obsequioso de seus colegas e dos empresários de mídia, aqueles dentre eles que não morreram estão decerto em plena atividade, mentindo, ocultando e falsificando.

    Esses seis exemplos bastam para evidenciar que a história oficial do golpe de 1964 é criminosamente seletiva, recortada para servir de instrumento de propaganda e não para esclarecer alguma coisa. É a historiografia schmittiana em ação, ajudando os amigos e assassinando as reputações dos inimigos.

    Publicado no Digesto Econômico.

  15. Relembrando 1964

    ESCRITO POR LUÍS AFONSO ASSUMPÇÃO | 06 ABRIL 2010
    ARTIGOS – DESINFORMAÇÃO

    José Joffily é o mais citado, nas páginas da internet e mesmo em artigos de história do Brasil quando o assunto é a “influência” dos Estados Unidos no “golpe” de 1964. Joffily simplesmente leu um script forjado pelos soviéticos. E vira “herói”.

    No longínquo ano de 2001, Olavo de Carvalho (na revista Época) lançava o desafio:
    Sugestão aos colegas: Por que ninguém entrevista Ladislav Bittman, o ex-espião tcheco que sabe tudo sobre 1964?

    Ao apelo de Olavo, nunca vi um expoente da grandiosa “imprensa nacional” fazê-lo. Em 2005, vi que não há jornalismo de verdade no país, pois o que há no lugar são militantes que não tem escrúpulo de vender ideologia como “fatos”.

    Olavo mesmo já havia feito um grande favor à história nacional ao traduzir alguns trechos do livro “The KGB and the Soviet Disinformation”, que mostravam – peremptoriamente- como a influência dos Estados Unidos foi forjada no Brasil dos anos 60 através de operações de desinformação da KGB e da StB (agência tcheca) através de uma operação falsa chamada “Thomas Mann”, no artigo “Derrubando a História Oficial de 1964”.

    Naquela ocasião, eu resolvi “topar” o desafio de Olavo; Encontrar Bittman e saber mais a respeito.

    Minha missão cristalizou-se nos dois artigos que escrevi para o Mídia Sem Máscara em 2005, que agora voltaram ao arquivo online do MSM.

    Volto ao assunto agora, cinco anos depois (!) por dois motivos:

    – Relembrar um pouco o espírito que tornou possível o movimento contra-revolucionário de 31-03-1964.

    – Trazer à tona verdades sempre bem escondidas pela massificação da versão esquerdista (e falsa) dos acontecimentos dos anos sessenta.

    O terceiro motivo é para continuar onde parei naquela ocasião.

    Pelos dois artigos aqui relacionados, nascidos pela troca de e-mails com o agente antes conhecido como Ladislav Bittman (agora conhecido como Lawrence Martin-Bittman), soubemos que o bloco soviético (KGB e o StB) financiava um jornal conhecido como “conservador e nacionalista” para espalhar falsas notícias sobre supostas operações secretas norte-americanas no solo brasileiro.

    O nome deste veículo era “O Semanário”.

    Pois bem, o que falta revelar era quem estava por trás do “Semanário”, pois estas pessoas receberam dinheiro de Moscou para mentir descaradamente.

    Alguns nomes podem ser percebidos, pelo menos indiretamente. Conforme um artigo de Luiz Moniz Bandeira, “Em meados de 1962, da tribuna da Câmara Federal, o deputado José Joffily, do partido Social-Democrático (PSD), denunciou a “penetration” e, no princípio de 1963, o jornalista José Frejat, através de O Semanário, revelou que mais de 5.000 militares norte-americanos, “fantasiados de civis”, desenvolviam, no Nordeste, intenso trabalho de espionagem e desagregação do Brasil, para dividir o território nacional.”

    Ora, a tal notícia encaixa perfeitamente com o que Bittman atestava em “Deception Game”

    “O serviço de inteligência tcheco tinha canais jornalísticos qualificados à sua disposição na América Latina. Ele influenciava ideologicamente e financeiramente muitos jornais no Uruguai e no México, e mesmo possuía seu próprio jornal político no Brasil até abril de 1964. Mas, tradicionalmente, a desinformação estava associada em ampla medida a técnicas de falsificação. De 1960 a 1963, o departamento territorial latino-americano da inteligência tcheca tentou escapar dessa tradição, estabelecendo uma organização legal de dimensões continentais que arcaria com a tarefa das atividades políticas e propagandísticas anti-americanas. A essa operação, so b o nome de fachada Druzba (“companheirismo”), tanto a inteligência tcheca quanto a soviética atribuíam significação especial, de vez que o seu sucesso significaria uma substancial elevação de nível das atividades de propaganda e desinformação soviéticas na América Latina e, conseqüentemente, maior restrição da influência americana. A propaganda produzida pelas organizações legais existentes deveria sobrepujar as anteriores cartas anônimas estereotipadas e documentos forjados. Moscou deveria fornecer apenas as diretivas políticas básicas e a necessária ajuda financeira, enquanto as ações individualizadas de política e propaganda anti-americana estariam sob a jurisdição das organizações mesmas.”

    Pois então, seriam José Joffily e José Frejat, agentes a soldo de Moscou???

    José Joffily é o mais citado, nas páginas da internet e mesmo em artigos de história do Brasil quando o assunto é a “influência” dos Estados Unidos no “golpe” de 1964. Tudo por causa de seu pronunciamento referido acima, onde Joffily “denunciou” a penetração de americanos no Brasil. Ou seja, o tal Joffily simplesmente leu um script forjado pelos soviéticos. E vira “herói”. Depois Joffily foi cassado pela ditadura. Não se pode dizer que ele conhecia o script ou era um mero idiota útil no processo.

    Já para José Frejat, tal adjetivo não pode ser dado. Como redator-chefe do Semanário, não tinha como não saber de toda operação e o “funding” dado pelos soviéticos. A carreira de Frejat foi forjada pelo movimento estudantil, mas foi como redator do Semanário e a sua divulgação de propaganda soviética é que a carreira dele teve impulso.

    O “Semanário” é, inclusive, citado como fonte fidedigna para a história do Brasil.. Frejat foi ainda membro do MDB e depois, na fase de redemocratização, ajudou a fundar o PDT e é, até hoje, uma referência da esquerda.

    Pronto, mais uma vez, fizemos o trabalho que a imprensa deveria fazer.

    E agora, com cinco anos de atraso, será que ela poderia completar o serviço?

  16. 31 de março de 1964: rememorando a “ditabranda” e a linguagem do Urutu

    ESCRITO POR LEONARDO BRUNO | 11 ABRIL 2009
    ARTIGOS – DESINFORMAÇÃO

    Para o comunista, a morte de milhões é apenas “erro”, um mero inconveniente, algo acidental. Stálin dizia que a morte de um indivíduo era uma tragédia e a de milhões, uma estatística.

    A Folha de São Paulo, em edição de 17 de fevereiro de 2009, causou uma histeria entre as esquerdas, quando afirmou que a ditadura militar brasileira foi historicamente “branda”, já que o alcance da repressão política a partir de 1964 foi bastante limitado. O jornal paulista falou um dado bastante óbvio: em matéria de perseguições e mortes, o regime militar brasileiro nunca chegou aos padrões das ditaduras latino-americanas e, acrescentemos, nem mesmo aos níveis de matanças das genocidas ditaduras comunistas. Todavia, dois “intelectuais” (ao menos, para os padrões brasileiros de intelectualidade) se manifestaram com soberbas e boquirrotas expressões de nojo. Em particular, a resposta de uma tal Maria Benevides, petista de carteirinha e professora de educação da USP, acabou chamando a atenção, nestes termos: “Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de “ditabranda’? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar “importâncias” e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi “doce” se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala – que horror!”

    Ah sim, o problema é sempre estatístico! Interessante como há certas pessoas vigaristas que acham que os números de mortes em uma ditadura não colaboram para julgá-la apropriadamente. Esse tipo de relativismo é extremamente engenhoso, porque parte de uma negação comparativa entre sistemas políticos, suas causas e conseqüências. O indivíduo que repete essa falácia ainda se embeleza de um ar “humanístico”, como se a contagem de mortos de cada tipo de regime ditatorial fosse um ato de desrespeito às pessoas perseguidas. Imaginemos se tal idéia se aplicasse ao Holocausto, por exemplo? Se os números de mortos entre os judeus fossem ignorados, com certeza, causaria escândalo à comunidade judaica e o genocídio não teria sentido histórico de denúncia contra os crimes nazistas. Os revisionistas pró-nazistas não estariam melhor satisfeitos!

    Como é público e notório, isso é uma falácia. É como se a “horrorosa” ditadura militar brasileira, com seus 300 terroristas mortos nas costas, em 20 anos, estivesse no mesmo nível das ditaduras de Stálin ou Mao Tse Tung, que somadas mataram umas 90 milhões de pessoas. Aí vejo relatos assim: – Ah, mas contar números de mortos é macabro, qualquer morte de uma ditadura é criminosa! Quer dizer então que não há diferença histórica, qualitativa, entre matar 300 seqüestradores, assassinos, bandidos, assaltantes de bancos e terroristas em relação a populações inteiras inocentes massacradas ou deportadas para campos de concentração, na China e na União Soviética?

    Fábio Konder Comparato, um típico jurista da linhagem marxista que daria inveja ao direito soviético, ainda queria obrigar o jornal a fazer uma autocrítica stalinista nestes dizeres: “O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana”. Numa atitude de rara lucidez, a Folha de São Paulo deu o troco ao jurista e a professorinha da USP: “Nota da Redação – A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua “indignação” é obviamente cínica e mentirosa”. Isso foi a gota d´água para que a esquerda desse chiliques contra o Folha de São Paulo, com direito a abaixo-assinados de intelectuais “uspianos” e até uma declaração de repúdio da OAB paulista. O jornal dos Frias fez borbulhar a vermelhada. Tocou na ferida dela. Nas palavras de Diogo Mainardi, a USP é a Vichy do petismo! Eu acrescentaria: a USP é o Komintern do petismo!

    Isso relembra outro caso de histeria chorosa e patética, só que em Portugal, quando em uma pesquisa da RTP, a rede de televisão portuguesa, o ditador Antonio de Oliveira Salazar foi escolhido pelo público como o “maior português da história”. A stalinista esquerda lusitana ficou em polvorosa, espumando de raiva pela boca e latindo um bocado, querendo fuzilar Portugal inteira. Em particular, uma deputada do Partido Comunista, que participava do mesmo programa, falava que o “fachismo” em Portugal era proibido pela Constituição e soltava raios de fúria contra Salazar e uma suposta e inexistente conspiração dos fascistas. O mais cômico, senão farsesco, foi ela citar Lênin como um grande homem! Sim, ela fez chorosos elogios ao idolatrado boneco de formol do Kremlin, aquele que, de 1917 a 1924, foi responsável pela morte de milhões de pessoas, entre fuzilamentos sumários e o uso indiscriminado da arma da fome, confiscando os grãos dos camponeses russos. E o catedrático Salazar, quantas pessoas matou? Se passou de 300 pessoas mortas em 40 anos de ditadura, foi muito. . .

    Recentemente, o Clube Militar do Rio de Janeiro comemorou os 45 anos do contragolpe militar de 1964, que salvou a nação do regime totalitário comunista. Chamo “contragolpe”, por uma questão de verdade histórica (tanto quanto a “dita branda”), pois havia um processo revolucionário esquerdista em ascensão, que arruinaria o país. Uma ativista do famigerado movimento “Tortura nunca mais” (claro que tortura não vale na conta dos comunistas) chamou a data de uma “mancha em nosso país”. Curiosamente, quando perguntada sobre os atos terroristas da esquerda contra civis, a mulher, cinicamente, respondeu que aquilo foi “acidente”. Vamos interpretar melhor a frase da defensora dos “direitos dos manos”: quer dizer que assaltar bancos, seqüestrar pessoas ou mesmo matá-las foi “acidente”? Quer dizer que a bomba que explodiu e despedaçou o soldado Mário Kozel Filho num quartel do exército em São Paulo foi “acidente”? O assassinato do capitão do exército norte-americano Charles Chandler, crivado de balas na garagem de sua casa, na frente de sua mulher e de seu filho pequeno, também foi “acidente”? A explosão do Consulado americano na Av. Paulista, aleijando um cidadão que nada tinha a ver com a sanha fanática dos terroristas, é “acidente”? Quem foi ou é adepto de Lênin, Stálin e Carlos Marighela pode ser tudo, menos santinho. Quem é militante do Partido Comunista e é armado por gente da China, da Rússia, de Cuba ou da Argélia da FLN pode ser qualquer coisa, menos Madre Teresa de Calcutá! E a madame dos “direitos humanos” pode ser tudo, menos idiota!

    A argumentação da ativista do grupo “Tortura Nunca Mais” é idêntica ao raciocínio do sanguinário ditador do Camboja, Saloth Sar, mais conhecido como Pol Pot, líder do Khmer Rouge ou “Khmer Vermelho”. Em uma entrevista feita por um jornalista americano, ele foi perguntado se sentia remorso por dois milhões de mortos (ou 25% da população de seu país) sob seu regime totalitário. Com uma voz mansa, quase efeminada, a resposta dele foi assustadora: “- Cometemos alguns erros, porque éramos novos e inexperientes”. Para o comunista, a morte de milhões é apenas “erro”, um mero inconveniente, algo acidental. Stálin dizia que a morte de um indivíduo era uma tragédia e a de milhões, uma estatística. Imaginem se Pol Pot fosse experiente?! O Camboja teria simplesmente sumido da história.

    A indignação da esquerda com a comemoração dos 45 anos do levante militar de 1964 (que salvou o país do comunismo) é uma completa hipocrisia. Gente como Fábio Komparato e Maria Benevides, junto com sua camarilha bolchevista, é fiel cão de guarda do totalitarismo, combatido pelo exército brasileiro tão patriota. Os militares atuais, com sua contrição moral em tempos democráticos, são mais dignos do que qualquer charlatão comunista que hoje se orgulha de ter sido terrorista e bandido naqueles tempos.

    A esquerda atual é a mesma que hoje joga tapetes vermelhos para os sanguinários narcotraficantes colombianos das Farc; é a mesma que solta elogios e apóia politicamente o sargentão da Venezuela Hugo Chavez; é a mesma que choraminga de amores pelos assassinos islâmicos do Hamas e de todo o terrorismo islâmico; enfim, é a mesma que sente nostalgia da falecida União Soviética e do Muro de Berlim. A esquerda não faz nem questão de esconder seu amor pelas tiranias: em janeiro deste mesmo ano de 2009, ela comemorou, no Fórum Social Mundial, os 50 anos da ditadura mais antiga da América Latina, a tal “revolução cubana”, junto com a “presidenciável” Dilma Roussef, ela mesma, uma ex-terrorista. A esquerda é tão orgulhosa de seus crimes, que ainda se indeniza às custas do contribuinte.

    É esse tipinho mentiroso, delinqüente e criminoso que ousa apontar o dedo para os militares brasileiros. Na verdade, 31 de março de 1964 é uma data amaldiçoada, porque é uma pedra no sapato dos comunistas. O povo, nas ruas, exigiu providências das forças armadas para manter a ordem. E elas prontamente atenderam, matando a revolução leninista na raiz. E isso faz a esquerda tremer, porque há certos indivíduos que só entendem a linguagem política na base da baioneta e do tanque Urutu!

  17. Estimado Dr. Ednei Freitas … saudações!

    Não houve a intervenção direta americana nos episódios de 1964 … HAVERIA, como o senhor pode constatar em http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro/10041964/100464_4.htm onde estão registrados os movimentos iniciados no Dia 30 de março, 20h30m. O General Carlos Luís Guedes, comandante da IV Infantaria Divisionária, sediada em Belo Horizonte, reúne todo os seus comandados e comunica que se rebelara contra o Presidente João Goulart. Reúne-se, depois, com o General João de Faria e o Coronel Emílio Montenegro Filho, da FAB, além do General José Lopes Bragança, no comando da ID-4. Traçam um esquema.

    http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro/10041964/100464_3.htm registra os depoimentos dados à revista O CRUZEIRO pelos vitoriosos Magalhães Pinto, Adhemar de Barros, Carlos Lacerda e JK

    http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=3&cad=rja&uact=8&ved=0CCgQFjACahUKEwiN9q29ot7HAhXFzIAKHWhRATQ&url=http%3A%2F%2Fwww.avozdocidadao.com.br%2Fimages_02%2Frevistacruzeiro_revolucao_de_1964_edicao_completa.pdf&usg=AFQjCNFETlnqOEODF7u-HV_ZfIflAKZO3g&sig2=FCokOSS9Jy5Afgf2xY0LfQ … tem a edição completa de O CRUZEIRO com os acontecimentos em MG, SP e RJ … … … nadica de ação americana!!! !!! !!!

  18. Reverendo Padre Pinalli … Paz!!!

    Mesmo após jogar seu manto sobre Eliseu, ao voltar de Horeb, a montanha de Deus … Elias, já emérito, continuou sua missão até quando subiu ao céu num turbilhão, deixando cair o manto que é tomado definitivamente por Eliseu. Recentemente, Francisco Pedro pediu um pedaço do manto de Elias me tornando emérito, certo?

    Conforme Jesus, “Mas ele lhes disse: Meu Pai continua agindo até agora, e eu ajo também”. (Jo 5,17)

    Não é bem uma meditação … é mais um relatório … realmente participei do “Curso sobre o livro do Apocalipse”, ministrado pelo Padre Doutor Leonardo Agostini Fernandes, Diretor do Departamento de Teologia da PUC-RJ (http://www.estudosbiblicos.teo.br/). Ao final, indaguei sobre o pedido de Bento XVI e Francisco Pedro da necessidade de Autoridade Política Mundial … … … é que tenho formação salesiana, em que o desejo do Papa é ordem … e tenho que rezar pedindo para que tal APM se torne realidade, né???

    “O anjo do Senhor disse: Senhor dos exércitos! Até quando ficareis insensível à sorte de Jerusalém e das cidades de Judá? Já faz setenta anos que estais irritado contra elas!” (Zc 1,12) … temos em http://www.arcanjomiguel.net/visao_diabo.html: “Satanás afirma, com orgulho, que pode destruir a Igreja, mas para fazer isso pede mais tempo e poder. Jesus, de maneira misteriosa, aceita a petição e pergunta-lhe de quanto tempo e de quanto poder ele necessita. Satanás responde que necessita de cerca de cem anos e um poder maior sobre aqueles que se colocaram a serviço de Cristo. Jesus concede a Satanás o tempo e o poder que solicita, dando-lhe plena liberdade para dispor como quiser: mas não destruirá a Igreja.”

    Amado Anjo do Senhor, já se passaram os 100 anos e Jesus prorrogou o sofrimento da Igreja??? Peça ao Senhor dos Exércitos a Autoridade Política Mundial!!! !!! !!! Obrigado!!!

    Fiquem com Javé Jesus Ruahhh hhh hhh … Lionço Elias Emérito

  19. Walter,

    Você, com este comentário tosco, mostra que não está à altura do debate aqui travado. Aposto que você sequer entendeu os artigos que Wagner Pires trouxe para cá. Se estou errado, mostre-nos o que você entendeu e escreva a respeito, Eu duvido. O burro da história é você, com certeza. O seu “comentário” é apenas uma provocação idiota e que sequer é explicada em seu texto. Lembro a você que nada custa mais caro do que a burrice e a doença mental.

  20. Ednei, apesar de seu comentário bravo, você é o meu esquerdista preferido, acredita em papai noel, branca de neve e por aí a fora. Desculpe se não foi inteligente a minha provocação, eu a garanto, que de agora em diante vou preparar e esmerar com mais competência, quem sabe !!! Você terá um provocador a sua altura!! “Assim, o PPS é um partido novo, democrático, socialista, inspirado na herança humanista, libertária e solidária dos movimentos sociais e das lutas dos trabalhadores em nosso país e no mundo.” Ednei, não acredito nada do que diz , fala e pensa Você sempre parte do Falso. Sei que toda a esquerda tem no seu gene, DNA, o totalitarismo e o autoritarismo,é fato. Meu caro, não comungo com as suas idéias, mas vá lá, a burrice é democrática, e ela te pertence, você tem a primazia dela. Meu caro Jornalista e prezado CN, “PAU QUE BATE EM CHICO, BATE FRANCISCO”, se você me censura, e não censura o Ednei, você está sendo parcial, e ferindo de morte os preceitos fundamentais deste blog.

    • Censurei por que você ofendeu. Quando Ednei ou qualquer outro também ofende, é da mesma forma censurado. Sou um censurador implacável, adoro isso.

      CN

  21. O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), apresentou solicitação, ao TCU (Tribunal de Contas da União), de cópias de documentos já levantados e respectivos relatórios produzidos pela corte sobre todas as investigações empreendidas sobre participações societárias de empresas públicas em empreendimentos privados.

    O parlamentar quer saber detalhes da situação denunciada pelo jornal O Globo na última segunda-feira (24) que mostra que o governo usou estatais para se associar a empresas privadas e driblar, entre outras, a Lei de Licitações (8.666/93).

    O Globo revelou que, graças a esse desvirtuamento da prática da participação societária de estatais em negócios privados, pelo menos 234 empresas recebem recursos públicos sem fiscalização por parte dos órgãos de controle.

    “Os casos revelam a verdadeira desordem que o TCU vem esmiuçando, mas que não pode, nem deve, prescindir do escrutínio do Congresso Nacional, a quem cabe, no exercício de sua função fiscalizadora, acompanhar a inquirição dos fatos que sejam de relevante interesse nacional no combate à corrupção”, justificou Rubens Bueno no requerimento.

    Bueno ressaltou que, conforme informou o jornal, o TCU fez um levantamento no qual identificou que a CaixaPar, vinculada à Caixa Econômica Federal, é sócia de 12 empresas de propósito específico. Uma delas, a Branes Negócios e Serviços, foi anulada pelo tribunal por ter sido contratada pelo próprio banco, sem licitação, para serviços de crédito imobiliário da ordem de R$ 1,2 bilhão.

    Já o Banco do Brasil e subsidiárias participam, minoritariamente, de 19 empresas. Em uma delas, o banco tem metade das ações. O BNDESPar, criado para capitalizar empreendimentos controlados por grupos privados, figura como sócio de 42 empresas, com participações que variam de 0,01% a 50% do total de ações.

    Segundo outra reportagem publicada pelo Globo, em janeiro, a Petrobras criou “empresas de papel” para construir e operar uma rede de gasodutos, a Gasene, cujo trecho localizado na Bahia chegou a ter os custos superfaturados em mais de 1800%.

    “Descobriu-se que a criação de empresas para a construção da referida rede de gasoduto não passava de uma façanha de engenharia financeira produzida para dar aspecto de empreendimento privado a uma transação tão espúria que incluiu até mesmo um dirigente laranja ‘responsável’ por investimentos que alcançavam a inacreditável soma de R$ 6,3 bilhões”, acrescentou Bueno.

  22. Um observador externo, alheio às marchas e contramarchas da política brasileira, chegado repentinamente ao país, poderia pensar que a principal característica dos primeiros dias do segundo mandato da presidente Dilma Roussef tenha sido a falência inesperada de um governo vitorioso há pouco nas urnas. Para um observador interno, o mesmo fenômeno pode ser visto de forma diferente, como a confluência súbita de um conjunto de crises. Cada crise seguia, até então, com seu ritmo e rumo próprios, até que, por um chamado qualquer, todas se encaminharam para um encontro marcado, nas ruas e na consciência dos cidadãos. Reunidas, as crises potencializam-se reciprocamente e ganham uma dimensão que retira a credibilidade e ameaça a legitimidade do governo, do projeto político que o inspira e, finalmente, do sistema político vigente.

    O catalisador desse processo na percepção dos eleitores foi, ao que indicam as pesquisas de opinião, a questão ética. A dimensão da corrupção revelada até agora pelas investigações sobre o caso da Petrobras, o caráter organizado do sistema de corrupção e a denúncia de parlamentares e partidos do governo como beneficiários desse sistema repercutiram fortemente num eleitorado que experimentou um aumento expressivo na sua escolaridade e no acesso à informação, nas duas últimas décadas. Acrescente-se a isso a percepção aguda do fosso existente entre os diagnósticos e propostas da candidata Dilma Roussef com as ações inaugurais do mandato da Presidente eleita: um ministério discrepante do discurso de campanha e, principalmente, a adesão a um ajuste fiscal, proposta anunciada pelo candidato de oposição e demonizada pela campanha da candidata vitoriosa. A expressão estelionato eleitoral, veiculada na mídia e nas redes sociais, descreve a reação de muitos eleitores a essa guinada brusca e pouco explicada.

    A questão ética foi, portanto, o estopim, a trombeta que convocou as demais crises a dar as caras, que fez aflorar a insatisfação difusa que cada uma delas provocava. Dentre elas a mais evidente é, sem dúvida, a crise econômica. Um período prolongado de baixo crescimento econômico, juros elevados e inflação alta sinaliza, já no curto e médio prazos, uma situação de maior desemprego e de corrosão da renda das pessoas. Embora os impactos no emprego e na renda apenas comecem a se fazer sentir, a continuidade desse cenário significa pauperização das pessoas.

    Trabalha no mesmo sentido, de deterioração das condições de vida do cidadão, a crise, menos comentada, que atravessa há tempo a gestão do Estado. Há um conflito evidente que opõe as expectativas dos brasileiros em relação à prestação de serviços produzidos ou regulados pelo Estado e a oferta efetiva desses serviços. A verdade é que quase metade da população não dispõe de saneamento básico; e mais da metade está submetida a um sistema de locomoção urbana que rouba muito do seu tempo útil, à violência, criminosa e policial, a um sistema educacional sistematicamente mal avaliado pelos testes de comparação internacional e a um sistema de atendimento à saúde notoriamente moroso e insuficiente. É claro que a responsabilidade por essa situação deve ser partilhada entre União, Estados e Municípios.
    É claro também que houve alguns avanços nos anos recentes. Mas o ritmo desses avanços é lento e o aumento das expectativas é rápido. Essa diferença de velocidades explica muito das manifestações ocorridas em 2013, se fazendo presente também nas manifestações que agora ocorrem.

    Está em curso ainda uma crise política que podemos classificar como estrutural. Sua origem está na contradição latente entre nosso sistema eleitoral e os avanços democráticos ocorridos na vigência da Constituição de 1988. Seu sintoma maior é o descrédito crescente dos políticos, dos partidos e dos Poderes Executivo e Legislativo junto à maioria dos eleitores. Seu agravamento recente, contudo, procede da percepção da capitulação do governo do Partido dos Trabalhadores a práticas por ele condenadas em seus tempos de oposição. O cidadão rejeita cada vez mais campanhas eleitorais com custos astronômicos; doações, na verdade empréstimos, de grandes grupos econômicos a partidos e candidatos; partidos fragmentados e amorfos; coalizões governamentais sem coerência programática; inexistência de prestação de contas de mandatários entre uma eleição e outra.

    Um dos pilares do sistema – a concentração de poderes no Executivo – ruiu integralmente porque, no momento em que, em razão de conflitos que integram o corpo da crise, o Legislativo suspendeu a delegação automática que vigorava até então de parte de seus poderes ao Executivo. A rejeição à política e aos políticos pode ser comparada ao “que se vayan todos” da política argentina da virada do século. Entre nós, chegou ao ponto da exclusão das siglas partidárias da rua, por vontade dos manifestantes, tanto em 2013 quanto neste ano.

    Mas há também uma crise política conjuntural, uma crise na coalizão de apoio ao governo, expressa no conflito entre o Partido dos Trabalhadores e os demais partidos da base, principalmente o PMDB. Esta crise é antiga. Sua origem é a postura hegemonista do PT em relação a seus aliados. Manifestou-se, desde sempre, na desproporção entre o número de ministérios concedidos ao PT e seu peso real na sustentação do governo, bem como no conflito que afastou o PSB do governo, em 2013 e 2014. Manifesta-se hoje na sub-representação do PMDB no governo e na tentativa, frustrada, de esvaziamento de sua representação parlamentar, com sua exclusão da discussão de temas centrais da agenda do governo, como o ajuste fiscal. De novo, nessa crise, só a reação do PMDB, a partir do comando das duas Casas do Congresso Nacional, é que teve capacidade de forçar o governo a reorganizar a aliança sobre bases novas.

    Na verdade, essas crises estavam articuladas entre si, mesmo antes da percepção dos cidadãos operar uma conexão entre elas. Tem uma origem comum, um mesmo modelo de mudança social que alimenta boa parte da tradição da esquerda que se encontra no poder há três mandatos presidenciais. A eclosão das crises, a impossibilidade de continuar a administrar as dificuldades de maneira protelatória, expressam a falência desse modelo.

    Comprovou sua falência o modelo econômico que se fundamenta no dirigismo estatal do processo produtivo, para o benefício suposto de grandes grupos nacionais. O assim chamado capitalismo de Estado demonstrou sua inoperância nas condições de um mundo globalizado.

    Chegou também ao fim, aparentemente, o sistema político conhecido como presidencialismo de coalizão, fundado na concentração de poderes no Executivo por meio de barganhas diversas com um Congresso fragmentado. De forma semelhante, a gestão dos serviços públicos, a partir da diretriz de um centralismo burocrático, parece ter esgotado sua capacidade de responder às demandas da população. No lado da crise de gestão política da coalizão governamental, o estilo de liderança de corte hegemonista, que tende a tratar adversários como inimigos e aliados como subalternos, já chegou ao seu ápice e encontra-se em declínio vertiginoso. Finalmente, a corrupção e a adaptação a ela não são mais toleradas pelos eleitores.

    Uma crise dessas proporções produz um enorme vácuo político. Não parece provável, até o momento, uma escalada crescente das manifestações até à ocupação permanente de espaços públicos, a exemplo do que ocorreu na Espanha, nos Estados Unidos e na Primavera Árabe. O governo, por sua vez, parece resistente ao aprendizado dos fatos. Aparentemente, procura ganhar tempo, apostando no esvaziamento das manifestações, na diluição da rejeição popular, estratégia que pareceu vitoriosa em 2013, e na recomposição com os partidos aliados. A crise, no entanto, e o consequente desgaste da esquerda, identificada de modo geral com o petismo, abriram espaço para a manifestação de tendências de direita, tanto de orientação democrática quanto autoritária. Para ambas, a crise é uma oportunidade de ganhar legitimidade política para construir alternativas partidárias que os representem.

    Nenhuma dessas possibilidades – a refundação do status quo ou a guinada conservadora – são satisfatórias para aqueles empenhados na construção de alternativas positivas e democráticas para a crise. Para iniciar esse processo, na conjuntura presente, duas condições devem ser preenchidas. Em primeiro lugar, a afirmação intransigente dos princípios democráticos e republicanos, inclusive em confronto com as tendências autoritárias oposicionistas. Em segundo lugar, a formulação de uma agenda política que aponte soluções para cada uma das dimensões apontadas da crise: uma política econômica universalista, com benefícios seletivos apenas para micro e pequenas empresas; reforma política; reforma democrática do Estado; maior transparência na gestão pública e responsabilização dos seus agentes.

    Com o deslocamento da operação política para o coração do Legislativo federal, se tivermos objetivos, é possível construir saídas para a crise que joguem os anseios manifestados pela intensa participação popular no sentido de renovar e fortalecer as estruturas de representação da democracia brasileira.

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