Por trás dessa guerra do ICMS, está o medo que Bolsonaro tem dos caminhoneiros

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Nova greve dos caminhoneiros é uma ameaça altamente concreta

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Personagens com trânsito livre no Palácio do Planalto não têm dúvidas sobre o que está por trás do “desafio” lançado aos governadores por Jair Bolsonaro, de os estados zerarem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incide nos combustíveis: é o medo que o presidente da República tem dos caminhoneiros.

Bolsonaro, explicam integrantes do governo, sabe que em algum momento o Supremo Tribunal Federal (STF) vai vetar o tabelamento dos preços dos fretes, que foi negociado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) com os caminhoneiros. O STF vê inconstitucionalidade no tabelamento.

UMA NOVA GREVE – Diante da próxima decisão do STF, é possível que os caminhoneiros se organizem para uma possível greve. Essa ameaça surgiu no fim do ano passado, mas o governo conseguiu se articular com as principais lideranças do setor, que acabaram abortando o movimento apoiado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Ao defender a redução do ICMS e admitir que pode zerar os impostos federais, abrindo mão de R$ 27 bilhões por ano, Bolsonaro tenta incutir entre os caminhoneiros a imagem de que está fazendo de tudo para reduzir os preços dos combustíveis, em especial, do diesel. Se há inimigos contra a categoria, são aqueles contrários à medida.

MOCINHO DA HISTÓRIA – Populista, Bolsonaro tenta sair da guerra aberta com os governadores como mocinho. Tanto que interlocutores do Planalto vêm fazendo ações junto aos líderes dos caminhoneiros para que comprem o “desafio” do governo e comecem a dar declarações favoráveis ao presidente em relação ao assunto.

Para o presidente, o pior que pode acontecer agora é uma greve de caminhoneiros semelhante à que se viu no governo de Michel Temer, que parou o país. A retomada da economia que o Planalto tanto alardeia ainda está longe de ser satisfatória. E qualquer movimento mais contundente pode abortar o crescimento.

PREVISÃO DO PIB – Nos últimos dias, vários bancos e consultorias começaram a rever para baixo as perspectivas para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. O piso de 2% agora é visto como teto por muitos.

Não à toa, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central voltou a reduzir a taxa básica de juros (Selic), de 4,50% para 4,25% ao ano, novo piso histórico, para estimular a atividade.

9 thoughts on “Por trás dessa guerra do ICMS, está o medo que Bolsonaro tem dos caminhoneiros

  1. O problema é a pauta que consideram pra calcular o ICMS. Deveria ser o preço do combustível na refinaria. Os governos inflam esse preço e nos repassam somados ainda à incompetência que geralmente os acompanham. Com raríssimas exceções.

  2. Com caminhoneiros ou sem, quem irá ganhar será a população que usa o combustível e também, indiretamente com a redução dos fretes que, irá impactar abaixando preços de produtos em geral.
    Com medo ou sem medo, o Povo irá ganhar.
    E os governadores incompetentes terão que se virar com suas folhas de pagamentos.
    A solução para referidos governadores: enxugamento de seus governos e melhores gestores.

  3. Só como exemplo, verificar a absurda formação de preço dos combustíveis no Rio Grande do Sul.
    Com medo, ou não, dos caminhoneiros, quem irá ganhar é a população, e não muitos parasitas travestidos de funcionários públicos.

  4. Concordo com o boçal, ele viu o tamanho do estrago ocasionado pela greve da categoria, alguns setores da economia ainda não ser recuperaram das perdas sofridas então. E também não quer perder milhões de votos.

  5. De um lado temos a covardia do Bolsonaro e do outro temos a valentia dos jornalistas que o chamam de covarde.
    Caiado é outro covarde, só vai reduzir o imposto com medos dos caminhoneiros.
    O Brasil está dividido entre covardes e valentes.
    A valentia dos governadores que não querem a redução do imposto é maior que a dos generais do rei Pirro.

  6. O Vicente Nunes não entende nada de impostos, e principalmente de substituição tributária do ICMS nos combustíveis,por isto falou tantas besteiras.
    Só para ter uma idéia o ICMS da gasolina é cobrado sobre um preço que o governador acha que vai ser vendida a gasolina, digamos a R$ 5,00. Se a Petrobras abaixar o preço da gasolina e o governador não mudar a tabela todos os postos são obrigados a vender a R$ 5.00, aumentando a arrecadação do ICMS.
    Isto vale para diesel, lubrificantes, álcool, queresene de aviação, etc.
    O Bolsonaro provocou certo os governadores que se esconderam atrás da gritaria para continuar arrecadando em cima do lombo da população.

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