Possibilidade de renúncia de Dilma assusta Lula

Vinicius Mota
Folha

Quando se trata de Dilma Rousseff, é bom ter cautela nas conclusões, mas ela parece ter compreendido o poder que a renúncia lhe dá. A hipótese de entregar o boné aplacou a sabotagem contra o Planalto que Lula e o PT praticam.

Os companheiros vinham malhando todo ensaio de medida restritiva adotado por seu próprio governo. Na Argentina, 11 dias atrás, Lula condenou o ajuste fiscal.

Preservar a conduta dúbia seria ideal para o lulismo. Manter-se-ia desobstruído o escape de emergência, em caso de impeachment, para um período de recolhimento de cacos em que tudo seria terrível para o PT, menos a faculdade de discursar como vítima de “golpismo”, na oposição a um governo também obrigado a conduzir ações impopulares.

PRÊMIO DE CONSOLAÇÃO

A renúncia da presidente, contudo, anularia até mesmo esse prêmio de consolação ao petismo. Como posar de injustiçado se a criatura voluntariamente desistir de governar? Como opor-se de corpo e alma a algo que terá sobrevindo diante da assunção incontestável de incapacidade?

Lula despenhou-se para Brasília quando começou a cair a ficha de que a renúncia poderia ser uma atitude de rebelião de Dilma contra o progressivo isolamento imposto pelo seu criador. O ex-presidente engoliu tudo o que dissera –como de hábito– e cerrou fileiras com o esfolamento tributário da população, proposto por um palácio atarantado.

MÁRTIR DO IMPEACHMENT

Para o enredo de saída do PT, Dilma precisa ser a mártir do impeachment. A presidente decifrou o jogo e chacoalhou a seu favor a bandeira da renúncia, embora ainda não tenha chegado ao ponto em que abandonar o cargo passa a ser uma cogitação diária do governante acuado.

Quando essa fase começa, o verbo renunciar deixa de ser conjugado apenas na voz ativa. O mandatário, mais ou menos como o paciente terminal diante do suicídio assistido, pondera se é melhor “ser renunciado” e evitar humilhação maior.

6 thoughts on “Possibilidade de renúncia de Dilma assusta Lula

  1. Depois de 26 vetos mantidos pelo Congresso, com o famoso toma-lá-da-cá(coisa de país sub-desenvolvido) por parte do PMDB e aliados desta sigla indecorosa, a possibilidade de renúncia ficou mais longe, e em consequência o impeachment também.
    Essa corja só sai do poder se os militares entrarem em ação, mas parece que eles estão com medo do exército do Sdétile.Tenho dito!

  2. Não é bom subestimar a capacidade petista de mentir e distorcer os fatos. Caso Dilma venha a renunciar, farão o discurso de que ela foi obrigada a fazer isso e que por isso mesmo teríamos o que chamariam de golpe branco, ou algo parecido.

  3. UM GOVERNO QUE NÃO MAIS GOVERNA (NO PRESIDENCIALISMO)

    Como todo mundo está vendo, estamos em uma situação insólita onde a Presidente da República, chefe do Poder Executivo, com poucos meses de mandato não mais governa nem tem como governar mais. Sua governança é irrecuperável, tamanha a lambança que fez em seu primeiro mandato e agora exibe total incompetência para consertar. O brasileiro tem visto o dolar subir para além de R$ 4,00, uma inflação anual no momento em cerca de 10% podendo piorar, as indústrias parando e despedindo em massa, aumentando exponencialmente a população de desempregados, aumentando a miséria, congelamento ou até achatamento de salário dos que ainda mantém-se no emprego e com os preços subindo cotidianamente. Criação de novos impostos (se forem aprovados pelo Congresso) o que tem feito até a classe média economizar nos supermercados, ou seja, reduzir a compra de alimentos.

    Tudo isso se deve a um sistema de governo presidencialista, no qual o mandato presidencial é quase intocável, deixando a população refém de um governo absolutamente inoperante. Teremos um futuro sombrio, de dimensões incalculáveis, com piora no quadro econômico e social se tudo continuar como está. O presidencialismo é a infantilização do brasileiro que, talvez tendo na memória o governo de Getúlio Vargas (na ditadura e na democracia) espere sempre por um “salvador da pátria” que venha a presidir a República e supostamente, como um Grande Papai, venha suprir suas necessidades, bem como gerir a República trazendo um estado de bem estar para todos, especialmente os pobres que são o alvo das campanhas políticas de demagogos, que prometem a estes progresso e prosperidade.

    Dilma Roussef foi eleita como a maezona avalisada pelo “salvador da pátria” Lula, como no passado tivemos outro eleito como “salvador da pátria” e “caçador de marajás” que também iria fazer prosperar os mais humildes.

    O Presidencialismo já foi submetido a dois plebiscitos, um em 1963, e confirmado na Constituição de 1988 o presidencialismo venceu outro plebiscito, em 2003. No primeiro caso, o Parlamentarismo foi implantado como um golpe, para que João Goulart não governasse, em 1981, por pressão dos militares que não o queriam no governo. Sentindo-se mais forte para readquirir os poderes presidencialistas, tradição brasileira, o Presidente e o Parlamento resolveram levar às urnas um plebiscito. O povo, identificado com João Goulart, e ainda indignado com o golpe branco do Parlamentarismo, votou em massa no Presidencialismo. Além do que, João Goulart, e sua tradição getulhista, era sentido como outro “salvador da Pátria”. Eu digo aqui que antes de votar em um sistema de governança, o povo votou foi em João Goulart, pela segunda vez, já que ele havia sido eleito pelo voto popular como vice-presidente da República.

    Em 2003 havia também a hipótese de se eleger outro “salvador da Pátria” que era Leonel Brizola, com seu prestígio com a causa Trabalhista. Poder-se-ia escolher entre a Monarquia presidencialista, a Monarquia parlamentarista, a República presidencialista e a República parlamentarista. Com a memória de eleger um “pai de todos”, um super-homem capaz de nos dar justiça e conforto, o povo brasileiro escolheu a República presidencialista. Pois bem, um eleitorado ainda infantilizado e a procura de um Grande Pai.

    A República presidencialista, no entanto, ficou em xeque agora que estamos vendo o que fizemos elegendo Dilma Roussef, do PT. O país está acéfalo e é incerto que possamos nos ver livre desta Presidente – e sua permanência na presidência, a cada mês perdido, nos está levando mais e mais para o buraco. Se fossemos uma República Parlamentarista, esta crise já estaria resolvida desde o começo do ano: constatado o estelionato eleitoral, haveria uma moção de desconfiança do Parlamento e a Presidente cairia. Se não fosse possível formar outro gabinete escolhido pelo Congresso e com maioria para governar, teríamos novas eleições para escolher tanto o Presidente da República quanto os novos parlamentares. Penso que o povo brasileiro, após esta amarga lição, merece outra chance de escolher entre uma República Presidencialista ou uma República Parlamentarista. Isto teria de ser feito através de um Referendo, e não de um Plebiscito. No Referendo, primeiro o Congresso vota a alteração constitucional, numa reforma política. Escolhido o Parlamentarismo, o referendo oferece ao eleitor duas opções: SIM e NÃO. A escolha pelo eleitor será pois precedida de um amplo debate político na sociedade, e entre os partidos políticos, quando alguns partidos irão fincar pé no Presidencialismo e outros partidos irão mostrar as vantagens do Parlamentarismo.

    Vou discorrer a seguir sobre o que seja o Parlamentarismo, ou a República Parlamentarista:

    O parlamentarismo é um sistema de governo em que o Executivo depende do apoio direto ou indireto do Parlamento para governar e ser constituído. Esse apoio costuma ser expresso pelo chamado voto de confiança e não há uma separação nítida entre os dois Poderes, ao contrário do que ocorre no presidencialismo. O governo é formado por maioria partidária (ou de coalizão) no Parlamento e pode ser demitido antes da data prevista para as eleições regulares. Há os papéis de chefe de Estado e de governo, ao contrário do presidencialismo, onde as duas funções são exercidas pela mesma pessoa.

    Normalmente, o chefe de Estado não detém muitos poderes políticos, desempenhando um papel de cunho mais cerimonial. Nas repúblicas parlamentaristas, o chefe de Estado é eleito pelo voto popular ou nomeado pelo Parlamento, por prazo determinado (geralmente com o título de presidente da República).

    Após as eleições, há a escolha do chefe de governo – o primeiro-ministro -, por convite do chefe de Estado ou votação do Legislativo. Caso o gabinete seja demitido, o Parlamento deverá escolher novo governo, com base na maioria partidária ou por meio de coalizão. Se não houver possibilidade acerca dessa decisão pelo Legislativo, o Parlamento é dissolvido e novas eleições são convocadas.

  4. Que coisa héin!!!!??? Quando um povaréu que não entende nada de história escolheu um Congresso de assaltantes de banco, era óbvio que iria dar nisso aí!! Pouco espertos, eleitores movidos à pilha e uma mídia corrupta da direita colocaram na lata de lixo 12 anos de avanços sociais… Voltaremos aos governichos do PSDB entreguista e desempreguista de sempre. Hoje governam deputados “PASTORES” evangélicos e de outras tribos. O puro fundamentalismo medieval tocando a boiada. Gente que nunca leu um livro da história da humanidade são sábios opiniáticos que marcam a pauta das cabeçinhas que votam de bilhetinho na mão! Outros vem prá bloguear impropérios e hinos revanchistas apoteóticos. Nada sabem de nada, inocentinhos! Teorias mirabolantes irão colher o caos após a Presidente ser afastada. Todos irresponsáveis. A culpa caberá aqueles que forem acusados = nós os petralhas…. Eles nunca viram nada acontecer neste país em 12 anos. Mas não se preocupem em esperar. As consequências serão bem rapidinhas…. OS otários aí da banda de cima, dos inocentes e bonzinhos, vão sumir do mercado de comentaristas de plantão e voltar ao anonimato dos rancorosos e reacionários…
    Vão ser governados por Eécim Never e Cunha….. que chique, não???!!
    Vamos sentar e rir à vontade….
    Abraço.
    Sergio Cabreira. Mestre e Doutor em Ciências.

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