Pouco a pouco, surgem as provas contra os governadores Perillo, Queiroz e Cabral

Carlos Newton

O tempo conspira contra eles. A cada dia vão surgindo novas provas.  O governador de Goiás, Marconi Perillo, está envolvido com o surpreendente negocista e corruptor Carlinhos Cachoeira (chamá-lo apenas de bicheiro chega a ser ridículo). O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, segue na mesma balada.

Mas o governador Sérgio Cabral, o mais corrupto deles,  ainda não foi conectado diretamente com Cachoeira e continua fora da agenda da CPI, protegido pelos laços familiares com Aécio Neves (PSDB) e Francisco Dornelles (PP), que mandaram os correligionários da CPI protegerem o contra-parente. Este é o quadro. A imprensa até parece ter esquecido de Sergio Cabral e sua quadrilha, muito mais vulnerável do que os grupos de Perillo e Queiroz, que permanecem na linha de fogo diariamente.

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A CASA DE PERILLO

Perillo depôs ontem na CPI e defendeu-se como pôde. O problema é a venda da casa. Diálogos interceptados pela Polícia Federal indicam que, além do valor registrado, o então assessor especial de Perillo, Lúcio Fiuza, recebeu R$ 600 mil em dinheiro no dia 12 de julho de 2011, véspera do registro do imóvel em cartório. Desse valor, R$ 100 mil seriam referentes a uma comissão. Fiuza negou, em nota, que tenha recebido o dinheiro.

Wladimir Garcez, apontado pela PF como braço direito de Cachoeira, ficou com outro R$ 1,4 milhão, segundo indicam as gravações telefônicas – dinheiro usado para quitar empréstimo obtido junto a Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta Construções.

Na data desses pagamentos, realizados em dinheiro vivo pelo empresário Walter Paulo Santiago, comprador da casa, Perillo já tinha compensado em sua conta dois meses antes cheques no valor total de R$ 1,4 milhão. Esses cheques lhe foram entregues por Wladimir Garcez, emitidos por uma empresa ligada a Cachoeira e abastecida pela empreiteira Delta Construções.

Perillo afirma que a negociação foi feita originalmente com Wladimir Garcez, que, posteriormente, desistiu de comprar o imóvel por não ter como quitar os empréstimos com Cláudio Abreu. Só depois disso, segundo Garcez e Perillo, é que o empresário Walter Paulo Santiago foi procurado, para assumir a compra da casa.

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A CASA DE AGNELO

Agnelo Queiroz também depôs na CPI e até se ofereceu para quebrar seus sigilos. Perillo então seguiu o exemplo. Mesmo assim, os dois estão  sob suspeita. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, já requisitou ao Superior Tribunal de Justiça)a abertura de dois inquéritos para investigar Queiroz  e um outro que terá como alvo Perillo.

A Polícia Federal apurou indícios de envolvimento de assessores de Agnelo com um grupo farmacêutico acusado de fraudes, formação de cartel e sonegação fiscal. Como se sabe, na época, Agnelo era diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O empresário Renato Alves da Silva, sócio da Hipolabor, tentou agilizar processos de interesse da empresa junto ao diretor-adjunto de Agnelo na Anvisa, Rafael de Aguiar Barbosa, hoje secretário de Saúde do governo brasiliense.

Reportagem de Lúcio Vaz e Breno Costa, no Estadão, mostra que escutas telefônicas feitas pela polícia revelam que Silva pediu a interferência do lobista Francisco Borges, ex-assessor de Agnelo na Câmara dos Deputados, para pressionar Barbosa. O deputado federal Fábio Ramalho (PV-MG) também foi acionado pelo grupo para marcar audiências na Anvisa.

Gurgel já está analisando os documentos e poderá pedir abertura de inquérito ao Superior Tribunal de Justiça, se avaliar que as provas são contundentes.
O procurador solicitou em 24 de abril o compartilhamento das provas obtidas pela Polícia Civil, o Ministério Público e a Receita Estadual de Minas. Isso porque o governador tem foto privilegiado e não poderia ser investigado em Minas.

Detalhe: esses fatos aconteceram justamente na época em que Agnelo Queiroz comprou uma mansão em Brasília – por coincidência, adquirida do irmão do dono de um laboratório beneficiado pela Anvisa;

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A CASA DE CABRAL

Em matéria de mansões e de corrupção, Perillo e Queiroz são aprendizes diante de Sergio Cabral, que está no ramo desde sua presidência na Assembleia Legislativa, segundo o dossiê do então governador Marcello Alencar, que à época era seu amigo e correligionário.

Mas, pelo visto, Cabral vai escapar incólume, sem jamais explicar como comprou o luxuoso apartamento no Leblon, a mansão em Mangaratiba e a poderosa lancha, que dizem ter vendido.

O pior de tudo isso é a certeza da impunidade. Os três governadores já perderam a honra, se é que algum dia a tiveram… Como são ainda jovens, seus futuros na política são nebulosos. A única certeza é a impunidade. Sequer serão cassados, porque os três usaram o dinheiro e poder para garantir sólidas maiorias nas respectivas Assembléias. E quem se importa com isso?

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