Povo bate panela e o governo bate cabeça, sem saber o que fazer

Carlos Newton

O tempo passa, o tempo voa, mas o governo não consegue se entender, tenta ir em frente sem o menor planejamento, num amadorismo brutal e perigoso. O país tem muitos problemas, mas o principal, do qual os demais derivam, é a dívida pública. Portanto, todos os esforços precisam estar voltados nesta direção, e a evolução da dívida depende diretamente de dois fatores – o superávit primário e a taxa de juros, que se tornaram os dois pontos mais fracos de um governo por si só fraquíssimo.

Já se passou mais de meio ano, estamos em meados de setembro, e a incompetência segue reinando absoluta, enquanto os ponteiros da bomba-relógio da dívida giram cada vez mais rapidamente.

Hoje, precisamos entender que ainda estamos numa boa, vamos sentir saudades desses dias de 2015, porque gráfico da projeção de nossa economia indica um viés de baixa tão sinistro que chega a ser o cúmulo do otimismo dizer que a crise será resolvida até 2018. Para que isso aconteça, seria preciso tomar medidas imediatas, mas isso o governo não sabe nem consegue fazer. Vai empurrando com a barriga.

MERCADANTE FRACASSA

Qualquer pessoa medianamente instruída nota que a presidente Dilma não sabe administrar nem conhece nada de Economia, embora se jactasse de um “doutorado” em Campinas que jamais existiu, pois nem mestrado fez. Sua dificuldade em desenvolver raciocínios exige rigoroso tratamento médico e psicológico, mas ela não se submete a terapia, prefere fazer dieta e pedalar.

O que causa surpresa é o fracasso completo de Aloizio Mercadante, que funciona no Planalto como uma espécie de Rasputin em nova versão. Economista de renome, embora seu doutorado tenha sido bastante controverso, ostenta um belo currículo e chegou a trabalhar com Henrique Meirelles no Banco de Boston. Aliás, foi Mercadante quem apresentou Lula e Meirelles, para assumir o Banco Central e acalmar o mercado.

Antes disso, tinha sido um deputado muito atuante, com belos discursos contra a política econômica de FHC. Em 2002, elegeu-se ao Senado e foi líder do Governo no primeiro mandato de Lula, que não lhe ofereceu lugar no ministério.

Mas esse excelente currículo de Mercadante não serviu para nada. Como homem-forte do governo, revela um despreparo só comparável à incompetência da própria Dilma, com a qual ele forma uma dupla do tipo Debi e Lóide, que está levando o Brasil à loucura.

REUNIÃO IMPROFÍCUA  

Nesta terça-feira, após mais uma reunião da coordenação política do governo, o ministro Ricardo Berzoini (Comunicações) foi o porta-voz e disse que programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, serão “absolutamente preservados”, mas aqueles com investimentos físicos, como educação, saúde e habitação (Minha Casa, Minha Vida), terão que passar por um realinhamento.

Ficou patente que o governo não sabe o que cortar, porque ao mesmo tempo o ministro da Fazenda Joaquim Levy dizia que poderia aumentar o Imposto de Renda e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o vice-presidente Michel Temer falava em elevar a CIDE (contribuição sobre combustíveis), possibilidade também aventada por Levy.

Quanto a cortar os cargos comissionados, os cartões corporativos, o Fundo Partidário, o festival das ONGs e outras despesas injustificáveis, nem pensar.

Tradução simultânea: o povo fica batendo panelas, enquanto o governo bate cabeças.

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PS – E o mais importante que houve na reunião foi o fato de Berzoini ter sido o porta-voz. O que será que aconteceu com Edinho Silva, depois da abertura do inquérito no Supremo para devassar as contas eleitorais de dona Dilma?

17 thoughts on “Povo bate panela e o governo bate cabeça, sem saber o que fazer

  1. Só lembrando!

    As despesas com estádios, etc. e os oito bilhões de reais de isenções de impostos que o governo Dilma+Lula+PT deram a FIFA no ano passado, em 2014 ano de eleição, agora estão fazendo falta e hoje querem justificar aumentos de impostos. Justificar como?

    Justificar como, se estão gastando bilhões com as obras para as Olimpíadas e também deram isenções fiscais de alguns bilhões ao COI.

    Junte a isso os escândalos de desvios de recursos públicos.

    A pergunta atual é quem neste país acredita em Dilma, Lula, PT, PMDB, PP, etc.?

  2. Estamos muito bem servidos. Uma senhora na presidência que apresenta claros sinais de demência senil, ou enorme estupidez (como chegou a presidente de um país?), que se diz economista, mentiu sobre um mestrado e um doutorado, dizendo que tinha completado todos os créditos, mas só não tinha defendido (ora, é sabido que para ingressar no doutorado, o mestrado é pré-requisito, salvo raríssimas exceções), e onde? Unicamp. Um ministro, que parece ser quem está apitando no governo, Aloizio, que tem mestrado e doutorado de onde? Unicamp. Esse mesmo ministro, que pregava e apoiava o congelamento de preços no plano Sarney, em vídeo bastante conhecido. E o péssimo Mantega? USP. Os “gurus” econômicos deste pessoal? Maria da Conceição Tavares? A que odeia a classe média? Unicamp. A múmia do Delfim Neto, que agora dá conselhos a Temer? USP. Todos desenvolvimentistas, todos verdadeiros FRACASSADOS. Nada mais fracassado na prática do que o nacional-desenvolvimentismo (à exceção das políticas socialistas). E dá-lhe apertar o botão vermelho, não importa quantas vezes tomem choque, burrice ou má-fé? (http://www.dailymotion.com/video/x2arkrd_homer-gets-electrocuted_webcam). E agora o Sr. Levy, que diziam ser liberal, mas está muito, mas muito longe disso, está fazendo Milton Friedmann se revirar no túmulo. Propor aumento do imposto de renda para 35%, da Cide para deixar a gasolina acima de R$4,00? “Estudaram” tanto para chegarem nessas soluções? O “quinto dos infernos” resultou numa Inconfidência, agora temos o quase “1/2 do infernos” e fica por isso mesmo? Voltamos a idade média? Vassalagem e feudalismo? Façam me o favor, peçam pra sair, vão ser incompetentes assim na Venezuela!

  3. Excelente análise Newton. A dívida pública é o principal problema. Agora a situação do país é de emergência. E a primeira providência que o Governo tem que tomar é tentar fazer o possível para evitar a perda do grau de investimento. O ajuste fiscal tem que ser feito tanto com aumento das receitas quanto com o corte das despesas. E o mais urgente de tudo é parar de elevar os juros, fazendo com que a política monetária pare de solapar a política fiscal. Isto porque a recessão está tão forte que está reduzindo a receita tributária do Governo e inviabilizando a obtenção de um superávit primário mínimo que seja. Além disso, a subida dos juros aumenta mais os gastos com o serviço da dívida. O Governo Federal deve criar uma alíquota extra do imposto de renda de 35% para as rendas mais altas, tentar aumentar a tributação das heranças, das grandes fortunas, dos lucros e dos dividendos. O peso do ajuste fiscal tem que recair também sobre os mais ricos; não pode ficar concentrado nos assalariados e desempregados. A dúvida do investidor é sempre se haverá dinheiro para o pagamento do serviço da dívida, e essa garantia é dada pelo superávit primário. Se perdermos o grau de investimento e houver um aumento dos juros nos Estados Unidos, haverá uma fuga de capitais do Brasil que pode levar a uma desvalorização cambial gigante, com efeitos deletérios sobre a inflação. Mesmo com as reservas cambiais de cerca de US$ 380 bilhões, será muito difícil fazer frente ao ataque especulativo, tal como ocorreu no início de 99. Quanto ao corte de despesas, 90% da despesa orçamentária da União é formada por despesas obrigatórias, e o corte tem que ser feito nos gastos discricionários e nos investimentos, não tem jeito. E o Congresso precisa parar de sabotar o ajuste fiscal aumentando despesas, acabando com o fator previdenciário e estendendo o critério de reajuste do salário mínimo a todos os benefícios do INSS.

  4. Enquanto eu pago 27,5% de IR, os bancos pagam 15% e, os banqueiros e demais empresários sonegam a parte que lhes cabe. Todos falam em cortar gastos, mas, não ouvi ainda ninguém dizer do serviço da dívida, só este ano monta a quatrocentos bi, alias, de uma dívida que na minha opinião não devemos. O corte dos cargos comicionadas, gera impacto do ponto de vista simbólico, do ponto de vista econômico o impacto é praticamente zero.

  5. A política monetária é suicida. Esta taxa de juros está aumentando tremendamente a dívida pública e reduzindo o PIB, fazendo a relação dívida pública/PIB explodir, além de inviabilizar a obtenção do superávit primário. Vale a pena assistir a exposição cujo link segue abaixo, a partir do minuto 25.
    O serviço da dívida deve ficar em incríveis 9% do PIB em 2015, e o superávit primário perto disso é muito mais do que inexpressivo.

    https://www.youtube.com/watch?v=VxYTzQFFlVc&feature=youtu.be

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