Prazo para o ministro Pimentel se explicar na Comissão de Ética acabou quinta-feira. E daí?

Carlos Newton

Conforme noticiamos aqui no Blog, acabou quinta-feira passada o prazo concedido pela Comissão de Ética Pública da Presidência para que o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, explicasse o faturamento recebido com consultorias a empresas e entidades, entre 2009 e 2010.

É interessante constatar que nenhum jornal, revista, emissora de rádio ou televisão se interessou pelo eletrizante assunto, embora a investigação da Comissão de Ética seja muito importante, porque as consultorias de Pimentel podem configurar tráfico de influência, no melhor estilo do também consultor Antonio Palocci, que perdeu o cargo de ministro e a dignidade, por conta de consultorias mal explicadas.

A diferença entre os dois casos de tráfico de influência é que Palocci sempre se recusou terminantemente a revelar quais eram as empresas às quais prestava a tal consultoria, enquanto Pimentel de pronto liberou essas informações, julgando que iria se livrar de investigações, mas se enganou redondamente, como se dizia tempos atrás.

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AS DENÚNCIAS

Vamos relembrar as denúncias. Em dezembro do ano passado, O Globo revelou que entre 2009 e 2010 Pimentel faturou R$ 2 milhões com consultorias. Metade desse dinheiro foi pago pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), por serviços de consultoria na elaboração de projetos na área tributária e palestras nas dez regionais da entidade. As palestras nunca ocorreram. Pimentel simplesmente mentiu.

As demais consultorias também jamais foram bem explicadas. Uma delas, que foi paga por uma fábrica de refrigerantes à beira da falência, é uma verdadeira comédia de erros. O industrial tentava se livrar da ruína entrando no mercado de Belo Horizonte e foi então pedir uma consultoria justamente ao ex-prefeito da cidade. Pimentel tentou,  jamais conseguiu explicar realmente o que teria acontecido.

De lá para cá, o ministro vem fugindo da imprensa para tentar se manter no cargo, beneficiado por uma inacreditável decisão da presidente Dilma Rousseff, que na época do escândalo resolveu preservar o amigo e correligionário, alegando que o governo não teria nada a ver com o procedimento de Pimentel, porque os “malfeitos” foram cometidos antes dele assumir o ministério, vejam a que ponto de desfaçatez chegamos.

Assim, tudo aparentemente corria bem para Pimentel, que vive pelo mundo participando de eventos relacionados ao comércio exterior. Até que na terça-feira da semana retrasada, surpreendentemente, a Comissão de Ética Pública da Presidência decidiu não somente investigar o caso de Pimentel, mas também pedir esclarecimentos diretamente ao ministro, a respeito das consultorias supostamente prestadas antes dele integrar o governo Dilma Rousseff.

O ministro Pimentel então ganhou dez dias para dar explicações à Comissão, e o prazo terminou quinta-feira passada. Como era véspera de feriado prolongado na Semana Santa, ninguém se preocupou em saber se Pimentel apresentou ou não as explicações à Comissão de Ética. Afinal, quem se interessa por isso?

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