Pré-candidato negro avança entre os republicanos para enfrentar Obama

Pedro do Coutto

Excelente reportagem de Alex Ribeiro, correspondente do Valor em Washington, revela que Herman Cain, negro, proprietário da rede de pizzarias Goodfather, assumiu a dianteira entre os republicanos e vai lutar na convenção para ser o candidato do partido da oposição a enfrentar Barack Obama nas urnas de novembro de 2012.

Apresenta como principal credencial o êxito do negócio que administra há 40 anos. Mas não foi este o argumento que o colocou na dianteira. Foi seu desempenho no debate da TV. Assim, enquanto François Hollande venceu a prévia do dia 16 na França e se consolidou como o candidato do Partido Socialista contra Sarkosy em maio do ano que vem, e Cristina Kirchner lidera o peronismo (Partido Justicialista) no rumo das urnas de domingo 23 na Argentina, a indefinição envolve o Partido Republicano.

Realizado o debate na televisão – acentua Alex Ribeiro – Herman Cain passou a liderar o páreo (do lado republicano) com 27% contra 24 pontos de Mitt Romney, ex-governador de Massachussets. O governador do Texas, Rick Perry, saiu-se muito mal e desabou. Desabou também a deputada Michele Bachman, extrema-direita, líder do Tea Party, que chegou a aparecer bem no páreo, mas perdeu ponto maciçamente em face de uma série de declarações infelizes. Uma delas contra o plano de universalização da saúde de Obama. Outra, ao propor uma campanha nacional contra a masturbação.

O Wall Street Journal, de Rupert Murdoch, principal jornal financeiro dos EUA, publicou o resultado do debate e da pesquisa. Se Herman Cain  mantiver o ritmo, a sucessão na Casa Branca será disputada por dois homens afrodescendentes: o presidente, que emocionou o mundo ao vencer em 2008 e o empresário da Organização Goodfather.

Falta ainda bastante tempo, mas o elenco de candidatos do Partido Republicano parece favorecer Obama. O presidente perdeu ponto junto à opinião pública, outras pesquisas revelaram. Mas os republicanos não ganharam. Não conseguiram ainda firmar sua unidade, seu rumo. A unidade partidária é sempre fundamental. Tanto quanto a qualidade  e o desembaraço do candidato.

O Partido Republicano não alcançou, por enquanto, nem uma coisa nem outra. Isso fica claro com os 27% de intenções de voto obtidos por Cain, um candidato outsider. Assim como o bilionário texano Ross Perot, em 92, na disputa em que Bill Clinton derrotou George Bush pai. Ross Perot, candidato independente, teve 15% dos votos. Mas não venceu em nenhum dos 50 estados americanos.

Vejam só como são as eleições nos EUA. Em 68, o superracista George Wallace, governador do Alabama, alcançou apenas 10% da votação. Mas quase remete a decisão final para o Congresso.  No mapa geral, Nixon chegou à frente de Hubert Humphrey pela diferença de 1%, quebrando o reduto democrata de Illinois. Não fosse assim, o desfecho seria transferido para o Parlamento. Wallace venceu no Alabama, na Louisianna, no Kentucky. Não teria havido a maioria absoluta de votos no colégio eleitoral.

Mas enquanto os republicanos se debatem e lutam pela indicação, os opisicionistas franceses encontraram o caminho com François Hollade. Atingiu 56% da votação do PS contra 44 de Marine Aibry. Mas terminada a apuração, esta foi à sede do partido e fez inflamado discurso a favor de Hollande. Emocionou a plateia ao dizer que, agora, o importante é a vitória da legenda e a derrota de Nicolas Sarkosy nas urnas de maio. Seis meses antes do desfecho americano de novembro.

A política é assim. Quando a vitória se descortina, a unidade aparece. Afinal de contas, o poder é o poder. Principalmente se inspirado no compromisso inerente à política que pode construir o de melhor na vida das pessoas, com avanços concretos para a sociedade. Qualquer pensamento em contrário coloca o instrumental político contra seu próprio sentido.Vamos ver.

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