Prepara-se o circo para armar seu picadeiro

Carlos Chagas

Os erros foram muito maiores, mas hoje vale ficar apenas em três: Manaus, Salvador e Curitiba. Na última semana anterior às eleições as pesquisas não davam um centavo para Artur Virgilio, Antonio Carlos Magalhães Neto e Gustavo Fruet. Pelos números dos institutos, estavam derrotados. Não passariam para o segundo turno. Revelados os resultados, a desculpa foi de que o povo mudou, volúvel como é, pois houve uma reviravolta…

  Fruet, um dos prejudicados

Os três estão no segundo turno, os dois primeiros até na frente. Pode ser que vençam, pode ser que não. Essa é a única certeza. Apenas, não dá para esconder a indignação diante do que ia acontecendo com eles.

À margem do fracasso das pesquisas que eram do gosto do PT e do Lula nessas três capitais, o partido e seu chefe vão fazer tudo o que puderem para derrotar os tradicionais adversários. Fica a conclusão: o povo não é bobo. Porque a performance dos três referidos candidatos faz justiça à inteligência popular. Pelas circunstâncias e pelo seu valor intrínseco, são os melhores.

Não surpreenderam, talvez nem os institutos, apesar da vontade manifesta de agradar os poderosos. Artur Virgílio foi o melhor líder de que o PSDB já dispôs no Senado. Combativo, não perdia uma sessão ou uma crítica. Exagerou, é claro, quando chamou o então presidente Lula para briga no braço. Não só por isso tornou-se alvo permanente do primeiro-companheiro, que até foi a Manaus durante a campanha para tentar derrotá-lo. O que irritava o PT eram suas críticas e suas cobranças, coisa que o eleitor reconheceu ao dar-lhe 40.5% dos votos contra 19.9% da adversária, ao contrário dos percentuais proclamados até a véspera do pleito. Simpatias exageradas?

Com o herdeiro do ACM foi parecido, apesar das qualidades de Nelson Pelegrino, do PT. Na reta final, tentaram desconstruir o neto, por tratar-se de um ativo líder dos tucanos. Chegaram a divulgar menos de 20% dos votos em seu favor, para alegria do governador Jacques Wagner, tradicional inimigo do carlismo. Só que não deu, tiveram de curvar-se à natureza das coisas: o jovem deputado teve 40.1%, seu adversário 39.9%, antevendo-se monumental refrega no segundo turno. Salvador ficará bem com qualquer dos dois, ressaltando-se apenas a tentativa óbvia de escamotear os fatos, na ilusão de que pesquisas mudam a cabeça das pessoas.

O terceiro exemplo é tão ou mais flagrante do que os anteriores, pois poucos parlamentares tiveram atuação mais ética e correta do que Gustavo Fruet, quando deputado federal. No reino das CPIs, ganhou nota dez. Incomodou, não obstante sua correção. Apesar da juventude, ganha de barbada do contendor, em termos de serviços prestados à coisa pública e de capacidade. O povo curitibano percebeu e às últimas horas foi busca-lo nos patamares inferiores? Mentira. É o que agora divulgam, como desculpa. Desde que se lançou, o filho do prefeito Maurício Fruet já contava com o apoio recebido, de 27.2%. Quase deu certo a manipulação para afastá-lo do segundo turno, pois Ratinho Júnior teve 34%. A estratégia, porém, era esconder Gustavo sob a sombra de um candidato que nenhum problema causaria aos detentores do poder, até prejudicado pelo histrionismo familiar. Não adiantou.

Importa repetir, os três candidatos referidos podem ganhar ou perder. Quem vai decidir é o eleitorado, espera-se que blindado contra a blitz que vem por aí, desencadeada pelo governo e seus penduricalhos. O circo do Lula vai armar seu picadeiro em Manaus, Salvador e Curitiba. O espetáculo a ser encenado em São Paulo fica para ser comentado amanhã. É uma pena, porque se pelos desígnios da Providência Artur Virgílio, ACM Neto e Gustavo Fruet estivessem no PT e fossem candidatos pelo partido, já teriam sido eleitos no primeiro turno. Coisa de companheiros…

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DIADEMA RETRÓS

Pergunta que começa a perturbar os mineiros: se nas eleições presidenciais de 2014 lançarem-se três candidatos, Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos, com quem ficará o prefeito reeleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda? Ele faz parte da base política do governo, sempre elogiado pela presidente da República. Mas deve sua primeira eleição e agora a reeleição, ao senador Aécio Neves. Mas se Eduardo Campos, presidente do seu partido, o PSB, for candidato ao palácio do Planalto?

Não se trata apenas de um dilema cruel, mas de um diadema retrós. Em especial se Márcio Lacerda for candidato ao governo de Minas, naquele ano. Para complicar, uma nova complicação: e se Ciro Gomes sair da casca outra vez e lançar-se para a presidência da República? O atual e futuro prefeito da capital mineira foi o chefe da campanha de Ciro Gomes quando ele disputou pela última vez o palácio do Planalto…

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