Presidencialismo-pluripartidarismo, absurdo. Parlamentarismo-Pluripartidarismo, o óbvio. Acreditar que é possível misturar estações, de jeito algum. REFORMA POLÍTICA? URGENTE

Continua a repercussão da entrevista do presidente Lula, sobre o que acontece nos partidos, logicamente influindo e conspurcando a representatividade. Ou melhor, de forma incisiva, definitiva, esclarecida: como os partidos não existem, os personagens que surgem do que chamam malandramente de eleição, não significam nada, não representam nem eles mesmos, quanto mais o povo.

Muitos podem dizer e dizem mesmo, até em forma de pergunta: “Se existem 29 partidos (ou siglas) registrados, como afirmar que eles não existem?”.

O Brasil precisa de muitas reformas, há anos e anos insisto nisso, posso continuar por um tempo ilimitado, (eu ou outros) que não conseguiremos modificar nada, sem estabelecer PARTIDOS VERDADEIROS. E sem PARTIDOS VERDADEIROS, as outras reformas não serão executadas de maneira alguma.

Lula teve uma boa idéia dando entrevista, tentando explicar porque NÃO HÁ GOVERNABILIDADE, mas citou Jesus Cristo e Judas, provocou enorme tumulto, todos ou quase todos fingiram que não entenderam.

Como eu disse no primeiro comentário, 24 horas depois do presidente falar, quem entendeu tudo muito bem foi o PMDB, o maior partido brasileiro, o maior beneficiário da confusão criada pela FALTA DE PARTIDOS ou do EXCESSO DELES. O que vem a ser a mesma coisa.

Não é possível esclarecer seja o que for, sem comparar. No mundo ocidental, (do outro lado bilhões de pessoas não têm direito algum) existem duas formas de governo: PARLAMENTARISMO E PRESIDENCIALISMO.

O Parlamentarismo se divide em partidos com voto e participação dos MILITANTES, que chegam à casa dos milhões. Têm voz, votos e formam a representatividade, até com defeitos, lógico, mas todos vindos de eleições populares.

Nesses regimes parlamentaristas, os partidos são muitos, diversos, vários, mas só ouvidos e consultados os que elegem deputados ou senadores. Partidos que não elegem ninguém não são extintos, mas é a mesma coisa, ficam alijados até terem representantes.

O outro sistema é o PRESIDENCIALISMO, existente em dois países importantes: Brasil e EUA. Só que lá, é bi-partidário. Aqui, é PLURI-partidário. Lula se perdeu nos exemplos, alimentou a confusão CONTRA, não quero explicar a FAVOR, apenas esclarecer. Embora sumariamente, o assunto é vastíssimo, e dessa reforma PARTIDÁRIA, POLÍTICA, ELEITORAL, aí sim poderão se concretizar as outras também urgentes, mas que as CÚPULAS e os LÍDERES não fazem nem farão jamais.

Importantíssimo: nesse Parlamentarismo vigorando em quase todos os países da Europa (mesmo os que ainda mantêm a Monarquia), o Primeiro Ministro é indicado pelo partido majoritário, mas não é ABSOLUTO, pode ser substituído pela própria militância.

Exemplos não muito distantes. Na Inglaterra, (Grã-Bretanha) Margareth Thatcher e Tony Blair, foram eleitos, e “deseleitos”. (Nem quero examinar se faziam bons ou maus governos. Ela, ditadora total, teve 4 mandatos de 4 anos cada. Cumpriu os três primeiros, no quarto ficou apenas 1 ano, foi destituída pelo próprio Partido Conservador.

No Partido Trabalhista, Tony Blair assumiu tido e havido como das melhores lideranças progressistas dos últimos tempos. Quando apoiou os EUA na segunda guerra contra o Iraque, (até mandou tropas) não se agüentou, foi destituído. Quis ocupar o cargo de secretário geral da ONU, não teve o apoio nem do seu partido e do seu país.

Vou dar outro exemplo de Parlamentarismo, não posso contar tudo que gostaria e que seria necessário. Itália: perdeu a guerra, entrou em tremenda confusão, isso durou anos. Até que chegaram à aliança entre o forte Partido Comunista (e o Socialista) e a também forte Democracia Cristã.

Até o Vaticano ficou em pânico com essa aliança, mais tarde aceitou-a até com entusiasmo. Os partidos vetavam quem estava no Poder através do chamado VOTO DE CONFIANÇA, que existia aqui no Brasil, em pleno Império. Mas com a chegada de alguns corruptos que estabeleceriam o caminho para a chegada do corrupto maior, Berlusconi, muitas conquistas se perderam. Na França, o contrário.

Quando foram buscar De Gaulle para SALVAR A FRANÇA, ele fez muitas exigências, lógico. A maior de todas: a ELEIÇÃO DO PRESIDENTE, e o Primeiro Ministro nomeado por esse presidente eleito. Mas os Ministros precisam de aprovação da Assembléia Nacional. A França se recuperou, estava inteiramente por baixo, voltou a ser ouvida.

O PRESIDENCIALISMO só pode existir com dois partidos, como nos EUA. A grande luta se trava dentro desses partidos, para obter a indicação. Decidida a convenção, Democratas e Republicanos vão para as ruas fazer campanha, não aparece nenhum presidente da Corte Suprema para substituir o VOTO INDISPENSÁVEL pela PALAVRA INSENSATA.

NO Brasil também PRESIDENCIALISTA, os partidos são de todas as cores e tamanhos, mas nenhum rigorosamente autêntico. Daí a REPRESENTATIVIDADE falsa, com a Câmara e o Senado cheios de suplentes, vazios de representatividade.

***

PS- No PARLAMENTARISMO os ACORDOS são feitos antes da votação do Primeiro Ministro, a troca de votos por cargos, INSTITUCIONALIZADA. No Presidencialismo-Pluripartidário, (uma excrescência) os 29 partidos querem uma “boquinha”, tudo é interpretado como corrupção, e é mesmo.

PS2- Portanto o que precisa mudar é o sistema de governo. Mas como, se as cúpulas que dominavam e dominam o País são as mesmas? Incluindo o PSDB, que saiu de uma costela do PMDB para mudar tudo, e o PT que veio das ruas, também para mudar.

PS3- A corrupção é do SISTEMA que permite tudo. Mas acaba desmoralizando os próprios personagens. Adotamos o Presidencialismo verdadeiro ou o Parlamentarismo, que aliás é o que está no corpo, na mente e no coração da Constituição de 1988. Que entrou no PLENÁRIO como Parlamentarista e saiu presidencialista, capenga e mal se sustentando no pé.

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