Presidente do Equador é economista, mas defende Assange melhor do que qualquer advogado

Carlos Newton

Uma interessante mudança de rumos. O presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou que o jornalista australiano Julian Assange, fundador e editor-chefe do site dedicado a vazamento de documentos secretos WikiLeaks, está disposto a ir à Suécia responder a acusações de violência sexual, caso haja garantias de que ele não será extraditado para os Estados Unidos.

  Correa explica a posição de Assange

Ressalvando que o Equador não pretende interferir de nenhuma maneira nas decisões da justiça sueca, Correa disse que o asilo a Assange jamais teria sido concedido por seu governo se o jornalista australiano tivesse exclusivamente a intenção de esquivar do processo na Suécia.

Correa, que é economista, está demonstrando invulgar competência na defesa do jornalista australiano e expõe seus argumentos com total procedência. “Assange sempre disse: quero responder, que me interroguem na Embaixada do Equador em Londres ou em Estocolmo e eu dê a minha versão dos fatos”, relatou Correa em conversa com jornalistas em Quito

Como se sabe, Assange está refugiado há pouco mais de dois meses na Embaixada do Equador em Londres. A polícia britânica cerca a representação diplomática com a intenção de prender Assange e extraditá-lo para a Suécia. O temor, no entanto, é de que a Suécia seja apenas uma ponte para que Assange seja posteriormente extraditado para os Estados Unidos, onde seria imediatamente preso, por ter divulgado telegramas e documentos oficiais contendo segredos diplomáticos e militares dos EUA.

Em relação à ameaça britânica de invadir a embaixada para fazer cumprir a ordem de extradição, Correa disse que o diálogo passou a ocorrer em níveis mais baixos de hierarquia e comentou que o impasse pode se arrastar por tempo indeterminado se o Reino Unido não conceder um salvo-conduto.

“Depois de tamanha ameaça, tamanha grosseria, os diálogos baixaram muitíssimo de nível. Há contatos, mas de nível médio”, comentou Correa. O Equador, no entanto, continua aberto a negociações, ironizou o presidente Correa.

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