Presidente eleito do Egito quer reatar relações com o Irã e rever acordo com Israel

Carlos Newton

A Irmandade Muçulmana se prepara para assumir o poder no Egito e pretende uma mudança expresiva nas relações internacionais. O presidente-eleito Mohammed Mursi disse em entrevista publicada no Irã que deseja restabelecer as relações entre os dois países, de modo a criar um “equilíbrio” estratégico na região.

Outro tema polêmico e explosivo é que, ao contrário do que Mursi disse pela TV após ser declarado vencedor, a agência iraniana Fars afirmou ter ouvido do novo presidente egípcio que o acordo de paz de 1979 entre Israel e Egito “será revisto”. O acordo é um dos pilares da política dos EUA no Oriente Médio, e foi firmemente preservado por Mubarak apesar da sua impopularidade entre os egípcios. Mubarak também perseguia politicamente a Irmandade Muçulmana.

As declarações do presidente eleito com certeza preocupam os Estados Unidos e seus aliados ocidentais, que tentam isolar o Teerã usando como pretexto o programa nuclear da República Islâmica.

Egito e Irã romperam relações há mais de 30 anos, mas vêm demonstrando um desejo de reaproximação desde a revolução que depôs o ex-ditador egípcio Hosni Mubarak, no ano passado. “Devemos restaurar relações normais com o Irã com base em interesses partilhados, e ampliar as áreas de coordenação política e cooperação econômica, porque isso irá criar um equilíbrio de pressão na região”, disse Mursi na transcrição da entrevista à agência iraniana Fars.

Segundo a agência, a entrevista foi realizada horas antes da oficialização da vitória eleitoral do candidato da Irmandade Muçulmana, no domingo.

Depois do anúncio de que Mursi havia derrotado o ex-brigadeiro Ahmed Shafik, último premier de Mubarak, o Irã cumprimentou o Egito pela “esplêndida visão de democracia” que marcou a fase final do “despertar islâmico” do país. Já o Ocidente, Israel e países árabes do Golfo Pérsico reagiram com cautela ao resultado, saudando o processo democrático que levou à eleição de Mursi, mas salientando que a estabilidade no Egito é a maior prioridade.

Resta saber como vão reagir as forças armadas do Egito, que há décadas são sustentadas financeiramente pelos Estados Unidos, sempre obedeceram as orientações de Washigton, especialmente no tocante ao estabelecimento de uma política de não-agressão a Israel.

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