Presidente no d nem recebe beijinhos

Carlos Chagas

O Congresso voltou, ontem, rotina das ltimas dcadas: em profuso, os recm-empossados parlamentares viajaram para seus estados. Voltam tera-feira. Entre os que permaneceram na capital federal o comentrio era de que reunir outra vez 513 deputados e 81 senadores, s por milagre.?
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Outra observao colhida nos corredores do Legislativo referia-se festa de quinta-feira. Todo mundo estava feliz, a comear pela presidente Dilma Rousseff, que no poupou sorrisos, apertos de mo e beijinhos para quantos se postavam sua frente. Tais cumprimentos fazem parte de nossa cultura moderna, em especial depois da implantao da Nova Repblica, j que os generais-presidentes no pareciam muito dados a tais confraternizaes.

Convenhamos, porm, que tudo tem limite, valor em falta para boa parte dos presentes ao plenrio e s dependncias da Cmara. Porque deputados e senadores houve ostensivamente entravando a progresso da presidente. Punham-se diante dela, sem arredar p at receberem sua ateno. A impresso era de que Dilma precisava transpor vrias trincheiras. Teve momentos em que parecia perdida, sem saber para que lado se voltar. A todos estendia a mo direita, mas a maioria queria mesmo dois beijinhos, talvez para demonstrar uma intimidade inexistente. Ela no regateou, mesmo para os desconhecidos. A liturgia do poder mudou, de algumas dcadas para c, mas, mesmo assim, foi um pouco demais.
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O DEVER DE CASA
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Deu para o gasto o prembulo da Mensagem do Executivo ao Congresso, lido pela presidente. Ali estavam resumidos os principais compromissos de seu governo, em linguagem simples e portugus aprecivel. Faltou molho, isto , faltaram tiradas de efeito,consideraes emocionais ou frases poticas, daquelas que faziam a alegria de Juscelino Kubitschek, de Tancredo Neves e de Ulysses Guimares.Conceitos como f, amor, entusiasmo, resistncia e confiana passaram ao largo das frias proposies sobre polticas pblicas. Quem sabe tenha sido melhor assim, sem apelos emoo e muito menos demagogia. At as palmas, todas bem educadas, marcaram o bom comportamento da platia, de onde no partiram exploses de euforia ou gritos arrebatados, como aconteceu na posse do Lula. Numa palavra, foi feito o dever de casa.
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REFORMAS POLTICA E TRIBUTRIA
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Mais uma vez Dilma Rousseff enfatizou a necessidade das reformas poltica e tributria, sabendo-se que o ministro Guido Mantega trabalha nesta e o ministro Antnio Palocci, naquela. O que importa passar da teoria prtica, coisa que demandar muita conversa, consultas e determinao. No parece fcil, dada a multiplicidade de tendncias, interesses e obstculos verificados no Congresso e nos meios econmicos. Uma certeza, porm, fora as definies: ou essas reformas saem este ano ou no sairo mais at o final do mandato atual.
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REDIVISO INOPORTUNA
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Congresso novo, idias novas, mesmo as imprprias e as inoportunas. Deputados do Maranho, Amazonas, Par e Bahia, ainda bem que poucos, comeam a trocar opinies sobre a apresentao de um projeto redividindo seus estados. No hora para se pensar em novos governos, assemblias legislativas, tribunais de justia e tribunais de contas, alm da implantao de novas capitais estaduais. At porque, sem um pronunciamento inicial das populaes, a proposta nem deveria ser colocada. Perguntem aos baianos, por exemplo…

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