Pressão contra a reforma da Previdência mostra que a base aliada já está rachada

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Charge do Alpino, reproduzida do Yahoo

Rosana Hessel, Julia Chaib e Natália Lambert
Correio Braziliense

Apesar de ter acumulado vitórias importantes e de afirmar que tem a base mais sólida no Congresso nos últimos anos, há algumas semanas o Planalto acendeu o alerta em relação ao apoio dos deputados. O receio é de que a pressão contrária à reforma da Previdência contamine outras votações importantes. Ao recuar na proposta que mexe com a aposentadoria da população, o governo não só tenta garantir os votos para esta medida, mas também leva um sinal ao Congresso de que o respeita, para acalmar os ânimos.

A primeira surpresa ocorreu há duas semanas: a rejeição da PEC que permitia a cobrança de cursos de extensão e de pós-graduação em universidades federais — a oposição venceu por quatro votos e barrou a proposta. E ontem, mais um alerta: a flexibilização do texto da reforma da Previdência ocorreu no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados adiou, mais uma vez, a votação do projeto de lei que cria o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) para socorrer os estados com grave crise financeira.

SÓ TENTANDO… – O governo tenta, há três semanas, votar o projeto da renegociação, nomeado PLP nº 343/2017, enviado ao Congresso em 23 de fevereiro. A matéria contém o artigo do projeto de lei de renegociação da dívida dos estados, vetado anteriormente por Temer por ter sido totalmente desfigurado pela Câmara, que retirou as contrapartidas que o governo havia incluído para socorrer as unidades da Federação. Com o reenvio do projeto, voltaram as contrapartidas, como a proibição de concessão de reajustes aos servidores.

O ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, negou que o governo tenha perdido por causa do adiamento da votação do projeto dos estados. Assessores de Temer afirmam que o adiamento para a próxima semana havia sido acertado, na quarta-feira, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), diante da falta de quórum da base aliada e da oposição para aprovar o projeto.

Por mais que tentem minimizar os sintomas, o alerta no Planalto já estava aceso desde a votação da terceirização irrestrita que, apesar de ter sido aprovada, passou com um placar apertado: 231 a 188, o que não seria suficiente para uma PEC, em que são necessários o apoio de dois terços da Casa, ou seja, 308 votos.

FORTE RESISTÊNCIA – A principal preocupação é em relação à reforma da Previdência, que sofre resistência até de fiéis aliados do Executivo, porque mexe na aposentadoria da população e pode ter um impacto negativo nas urnas. O governo sabe que está sob fogo cruzado, mas tem consciência de que agora entra na fase de apuração, em que os parlamentares refletem e tendem a mudar de voto. A flexibilização da reforma serve também como um “afago”, um sinal de “respeito” ao Congresso.

Interlocutores do Planalto, no entanto, garantem que a base não abandonou o governo, mas que a reforma, com todas as suas dificuldades, pode contaminar outras matérias. Por isso, o próprio presidente passou a intermediar a negociação com os parlamentares. Temer busca evitar momentos pelos quais passou Dilma Rousseff, que perdeu a base no Congresso, até ser afastada. A forma como ambos negociam é diferente. O presidente tenta aplicar o mantra do “diálogo” presente em todos os seus discursos e conversa diuturnamente com parlamentares. “Estava insustentável antes. Agora, vamos conversar para ver como lidar com a nova proposta”, comenta um aliado que prefere não se identificar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG A principal providência de Temer foi autorização o pagamento de publicidade do governo nas rádios “indicadas” pelos deputados. Como se sabe, desde o governo Sarney as concessões de rádios e TVs foram doadas a políticos. Da lá para cá, a única mudança foi que pastores evangélicos também entraram nessa onda midiática. E vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha. (C.N.)

6 thoughts on “Pressão contra a reforma da Previdência mostra que a base aliada já está rachada

  1. Não se deixem levar por essas notícias plantadas.

    É isso que eles querem, desmobilizar os movimentos de greve contra a reforma da previdência.

    Todos juntos na greve geral do dia 28/04 !!!

    Para Brasil !!!

  2. A base que é aliada, mas alugada, só funciona na base do pixuleco.
    Agora em tempos de lava jato, ninguém quer arriscar, dai o esfacelamento das “coligações patrióticas”, que até tem partido desertando por falta de “agrado” do governo.
    Construir base com esta cambada de vendilhões, só pode terminar como a penitenciaria de Natal , construída sobre as duna, vira farinha.
    O Michel Temer pelos anos de estrada já devia conhecer melhor o seu “povo”.

  3. “FORTE RESISTÊNCIA – A principal preocupação é em relação à reforma da Previdência, que sofre resistência até de fiéis aliados do Executivo, porque mexe na aposentadoria da população e pode ter um impacto negativo nas urnas.”

    É por esta e outras coisinhas que as reformas não passam de “puxadinhos”.

    Quanto a greve geral, certamente será produzida pelos setores que sempre as gestão e que buscam garantia de seus “direitos”: setor público. E será uma greve contra a reforma da previdência e Temer para “lavar” a candidatura de Lula.
    O PT, no governo por 14 anos, deveria ter corrigido tudo: dos roubos e falsidades a atualização de valores/aliquotas/tempo e tudo mais. Também deveria ter promovido uma CPI e uma auditoria séria. Por que não fez?
    FHC cometeu erros e Lulla/Dillma deixaram como estava. Não tiveram coragem de desfazer a “herança maldita”.
    A mentira campeia dos dois lados!
    O trabalhador, mais uma vez, está refem da sua ignorância e despreparo.
    daqui alguns anos, talvez lembremos da falta de seriedade e ética que permeiam as discussões dos temas mais sérios e caros para uma sociedade.
    Um presidente fraco, medroso, travado. uma base de sustentação, com uma parte que só pensa no seu umbigo, que ontem era situação em outro governo e agora trocou de camiseta. uma oposição mesquinha e que tenta esconder a sujeira que fez e uma sociedade idiota – repete as mentiras sem querer saber das verdades.

    Falta seriedade, honestidade, capacidade, ética e tudo mais.

    Enfim, o conjunto participante do feito, se prepara para se manter no poder e ajuda a construir mais um “puxadinho” para aumentar a miséria do barraco chamado Brasil!
    Fallavena

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