Prestando contas ao futuro

Carlos Chagas

Não se discute o direito que teve, tem e terá o ministro Ricardo Lewandowski de absolver mensaleiros. O problema, para ele, é que as imagens ficaram gravadas, em especial aquela em que anunciou que Marcos Valério não era culpado. As câmeras da TV Senado flagraram em close e em detalhes a expressão do ministro, da qual não se livrará mais, apesar de sua robusta argumentação. Porque Marcos Valério, está no ar que a gente respira, é bandido mesmo. Quem sente assim é o Brasil inteiro, tendo em vista acusações e episódios da vida do publicitário. E para a confirmação, basta aguardar a decisão final do Supremo Tribunal Federal, ainda que sempre se torne um risco avançar antecipadamente impressões como esta.

Lewandowski remou contra a maré e prestará contas ao futuro. Absolveu João Paulo Cunha, Marcos Valério e dois penduricalhos. Fica difícil, mesmo possível, supor que vá se pronunciar pela inexistência do mensalão. Na véspera havia condenado Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil.

Poderá também pronunciar-se em favor de José Genoíno, Delúbio Soares, José Dirceu, Waldemar Costa Neto e outros. Mas não negará ter-se posicionado contra a tendência amplamente majoritária da opinião pública, que mesmo correndo o risco de errar, a imprensa tem o dever de interpretar, acima e além dos trâmites processuais.

Há que registrar um fator positivo, depois dos explosivos minutos finais da sessão de quinta-feira, quando o relator Joaquim Barbosa e o revisor Ricardo Lewandowski desafiaram-se como dois praticantes de luta-livre se encontram no ringue. Levados pelo presidente Ayres Britto para uma sala contígua ao plenário, aceitaram que a réplica e a tréplica previstas para segunda-feira venham a ser enxutas e respeitosas. Será preciso ver para crer, mas foi um bom sinal verificar que baixaram a bola.

No fundo, prevalece o vaticínio do advogado Márcio Thomas Bastos, de que o julgamento talvez não se estenda até o Natal, mas chegará perto…

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É BOM AGUARDAR

Até agora a imprensa registrou nominalmente dezoito aspirantes às vagas de ministro do Supremo Tribunal Federal que se abrirão até o fim do ano. Uma briga de foice em quarto escuro, ou melhor, no gabinete muito bem iluminado do ministro da Justiça.

Dilma Rousseff não gostou nem um pouco de estar sendo atropelada em sua prerrogativa exclusiva de indicar o candidato ao Senado. Mandou o ministro encerrar as sondagens, se é que havia começado. Para quem se arrisca dizer que conhece a presidente da República, prevalece uma suposição: não indicará nenhum dos dezoito já referidos.

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IMPASSE

Em vez de arrefecer, aumenta o surto de greves no funcionalismo público, agora não apenas federal, mas estadual e municipal também. A ênfase vai para as forças que deveriam zelar pela ordem pública, ou seja, polícias variadas. A presidente Dilma determinou o corte no ponto de pelo menos onze mil grevistas da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. A pergunta que se faz é se terão a mesma iniciativa os governadores que enfrentam paralisações em suas polícias civis. Provavelmente, não.

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